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terça-feira, 8 de julho de 2008

Só para lembrar...
Enquanto estamos calados ou discutindo outras coisas, outros temas, a Amazônia continua sendo destruída. Continua virando lenha, carvão, mesa, armário e cadeira... E as terras amazônicas virando cerrado. Nada de relevante foi feito para conter a destruição, a devastação ou o desmatamento... Nada de relevante é feito para parar de uma vez por todas a destruição da floresta... Discurso de Presidente e de Ministro não resolve problemas sociais ou ambientais...

E quando o INPE soltar outro relatório com o tamanho do estrago na Amazônia, aí então, ficarão alvoroçados novamente, porém, no dia seguinte, outro tema entrará em pauta, tudo será esquecido e a destruição, a devastação e o desmatamento continuará como se nada tivesse acontecido.

Talvez seja este o truque da mídia e dos grupos dominantes: jogar um monte de temas, informações e problemas sobre o Povo. O excesso de informação e de problemas acaba perpetuando a desgraça, pois ninguém pensa com profundidade e detalhadamente, sobre uma mesma coisa, até resolvê-la completamente. Não buscam uma solução definitiva e duradoura para os problemas sociais e ambientais. Apenas aplicam paliativos, ou seja, sempre atacam os sintomas e nunca a causa do problema.

A mídia é a voz do sistema. A mídia não representa e nem defende o interesse público, mas sim o interesse de quem controla a mídia. Quando o interesse de quem controla a mídia é igual ao interesse público, o que ocorre em vários temas, então a mídia age, grita, berra, etc... Mas em temas onde o interesse público não é o mesmo dos donos da mídia, pode ter certeza, atacam, confundem e buscam esconder da população (maioria de analfabetos funcionais) o verdadeiro interesse público, fabricando o consenso da maioria...

Esta idéia de consenso fabricado é muito interessante. Preciso avançar mais nela...

Pior, quando aparece uma solução definitiva para o problema, como por exemplo o Projeto Cimento Social, atacam a idéia até paralisá-la ou destruí-la e depois saem pelas ruas reclamando da violência e dizendo que a polícia mata crianças, atira em todo mundo... É falta de noção que extrapola os limites do razoável...

A idiotice e a estupidez são fortes aliadas dos grupos dominantes. Idiotice e estupidez que é intensificada por falas de intelectuais, políticos e outros atores sociais que agem para proteger o sistema dominante, que agem para aplicar paliativos ao invés de soluções definitivas.

Certamente, porque a maioria dos problemas sociais são fabricados pelo sistema dominante, ou são efeitos colaterais de regras do sistema, ou são produzidos pelo sistema como forma de controle da população...

Sabemos que o sistema atual (econômico, político, jurídico, etc) existe para oprimir, explorar e excluir a maioria da população. A economia é dominada pelos ricos. Quem tem poder econômico controla o poder político. Por isso vivemos em uma Democracia Representativa e não em uma Democracia Direta. A Democracia é controlada pelos ricos, ou seja, a maioria dos representantes são oriundos da elite econômica. E o judiciário estabiliza o sistema, não deixando que os lobos comam os lobos ou que os cordeiros se rebelem e comam os lobos...
Só para lembrar...
Enquanto estamos calados ou discutindo outras coisas, outros temas, a Amazônia continua sendo destruída. Continua virando lenha, carvão, mesa, armário e cadeira... E as terras amazônicas virando cerrado. Nada de relevante foi feito para conter a destruição, a devastação ou o desmatamento... Nada de relevante é feito para parar de uma vez por todas a destruição da floresta... Discurso de Presidente e de Ministro não resolve problemas sociais ou ambientais...

E quando o INPE soltar outro relatório com o tamanho do estrago na Amazônia, aí então, ficarão alvoroçados novamente, porém, no dia seguinte, outro tema entrará em pauta, tudo será esquecido e a destruição, a devastação e o desmatamento continuará como se nada tivesse acontecido.

Talvez seja este o truque da mídia e dos grupos dominantes: jogar um monte de temas, informações e problemas sobre o Povo. O excesso de informação e de problemas acaba perpetuando a desgraça, pois ninguém pensa com profundidade e detalhadamente, sobre uma mesma coisa, até resolvê-la completamente. Não buscam uma solução definitiva e duradoura para os problemas sociais e ambientais. Apenas aplicam paliativos, ou seja, sempre atacam os sintomas e nunca a causa do problema.

A mídia é a voz do sistema. A mídia não representa e nem defende o interesse público, mas sim o interesse de quem controla a mídia. Quando o interesse de quem controla a mídia é igual ao interesse público, o que ocorre em vários temas, então a mídia age, grita, berra, etc... Mas em temas onde o interesse público não é o mesmo dos donos da mídia, pode ter certeza, atacam, confundem e buscam esconder da população (maioria de analfabetos funcionais) o verdadeiro interesse público, fabricando o consenso da maioria...

Esta idéia de consenso fabricado é muito interessante. Preciso avançar mais nela...

Pior, quando aparece uma solução definitiva para o problema, como por exemplo o Projeto Cimento Social, atacam a idéia até paralisá-la ou destruí-la e depois saem pelas ruas reclamando da violência e dizendo que a polícia mata crianças, atira em todo mundo... É falta de noção que extrapola os limites do razoável...

A idiotice e a estupidez são fortes aliadas dos grupos dominantes. Idiotice e estupidez que é intensificada por falas de intelectuais, políticos e outros atores sociais que agem para proteger o sistema dominante, que agem para aplicar paliativos ao invés de soluções definitivas.

Certamente, porque a maioria dos problemas sociais são fabricados pelo sistema dominante, ou são efeitos colaterais de regras do sistema, ou são produzidos pelo sistema como forma de controle da população...

Sabemos que o sistema atual (econômico, político, jurídico, etc) existe para oprimir, explorar e excluir a maioria da população. A economia é dominada pelos ricos. Quem tem poder econômico controla o poder político. Por isso vivemos em uma Democracia Representativa e não em uma Democracia Direta. A Democracia é controlada pelos ricos, ou seja, a maioria dos representantes são oriundos da elite econômica. E o judiciário estabiliza o sistema, não deixando que os lobos comam os lobos ou que os cordeiros se rebelem e comam os lobos...

terça-feira, 24 de junho de 2008

A estupidez do TRE do Rio de Janeiro
A decisão do TRE do Rio de Janeiro de paralisar um projeto social por causa das eleições só perde em estupidez para quem prolatou a sentença... O Tribunal deveria mandar cobrir a obra com um pano preto e impedir as pessoas de falarem sobre o assunto, ou seja, deveria sentenciar o esquecimento completo do assunto até passarem as eleições...

Não adianta falar. Não adianta reclamar. Contra os ardis dos grupos dominantes somente uma coisa funciona: a violência... Diz a palavra: "Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido". Isto não se aplica somente a quem aperta o gatilho, mas também a quem se alimenta da violência... Certas pessoas precisam ver o que significa viver em um ambiente de extrema violência, precisam sentir a violência na pele, tanto na própria pele, quanto na pele de suas famílias. Somente assim irão se preocupar com realidade social. Somente assim irão tratá-la com respeito e como um probelma que tem que ser resolvido rapidamente e não protelá-la indefinidamente.

Cada hora arrumam uma justificativa diferente para impedir a realização do projeto social. Cada hora inventam uma coisa nova para prejudicar os de baixo, pisoteá-los, oprimí-los e excluí-los... São tão sem noção da realidade que, por exemplo, não perceberam que somente puderam ir reclamar no morro da providência porque os militares ocupavam a comunidade. Se os militares não estivessem lá, nenhum deles teria botado a cara lá...

Deveriam sequestrar os desembargadore, juízes e demais políticos, que usam suas influências e poder para paralisar projeto social contra a violência, e entregá-los para os traficantes do morro da mineira... Isto lhês daria noção da realidade, noção das coisas e dos fatos. Assim, ele saberiam o que é viver na extrema violência e parariam de criar artíficos para prejudicar as comunidades pobres do Brasil...

Se eles querem perpetuar a violência, nada mais justo, que sejam sugados para dentro dela. Se querem e toleram a violência para os mais pobres e para os mais fracos, nada mais justo que recebam um pesado fardo de violência sobre seus ombros...

Inegavelmente, a violência no Rio de Janeiro somente será levada a sério e tratada com o devido cuidado quando as autoridades públicas, de todos os poderes, começarem a serem vítimas diretas da violência, começarem a ser atingidos, abatidos e mortos pelo mal que plantaram e que alimentam sem cessar. As vítimas da violência deveriam vingar seus filhos e parentes mortos no corpos das autoridades públicas negligentes e proteladoras... Talvez a única forma desta realidade desaparecer seja aplicar o "olho por olho" ou "vida por vida"...

Enfim, não querendo desanimar aqueles que estão nas torres de vigia... mas, nada do que dissermos será ouvido ou considerado... Se fôssemos ouvido, o apocalipse não teria sido profetizado. Contudo, a nossa meta é avisar o justo e assistir à destruição do ímpio... Vão colher o que plantaram. Certamente vão. Inclusive, estão condenando seus descendentes a pagarem pelo que fizeram....

Mas por que nós temos que avisar e mostrar o que será o futuro ? A resposta está no livre-arbítrio. Para decidir é preciso saber. É preciso ter informações do passado, do presente e do futuro... Eles foram avisados, logo, não poderão alegar desconhecimento ou ignorância. Agiram dolosamente e responderão por isto...
A estupidez do TRE do Rio de Janeiro
A decisão do TRE do Rio de Janeiro de paralisar um projeto social por causa das eleições só perde em estupidez para quem prolatou a sentença... O Tribunal deveria mandar cobrir a obra com um pano preto e impedir as pessoas de falarem sobre o assunto, ou seja, deveria sentenciar o esquecimento completo do assunto até passarem as eleições...

Não adianta falar. Não adianta reclamar. Contra os ardis dos grupos dominantes somente uma coisa funciona: a violência... Diz a palavra: "Quem com o ferro fere, com o ferro será ferido". Isto não se aplica somente a quem aperta o gatilho, mas também a quem se alimenta da violência... Certas pessoas precisam ver o que significa viver em um ambiente de extrema violência, precisam sentir a violência na pele, tanto na própria pele, quanto na pele de suas famílias. Somente assim irão se preocupar com realidade social. Somente assim irão tratá-la com respeito e como um probelma que tem que ser resolvido rapidamente e não protelá-la indefinidamente.

Cada hora arrumam uma justificativa diferente para impedir a realização do projeto social. Cada hora inventam uma coisa nova para prejudicar os de baixo, pisoteá-los, oprimí-los e excluí-los... São tão sem noção da realidade que, por exemplo, não perceberam que somente puderam ir reclamar no morro da providência porque os militares ocupavam a comunidade. Se os militares não estivessem lá, nenhum deles teria botado a cara lá...

Deveriam sequestrar os desembargadore, juízes e demais políticos, que usam suas influências e poder para paralisar projeto social contra a violência, e entregá-los para os traficantes do morro da mineira... Isto lhês daria noção da realidade, noção das coisas e dos fatos. Assim, ele saberiam o que é viver na extrema violência e parariam de criar artíficos para prejudicar as comunidades pobres do Brasil...

Se eles querem perpetuar a violência, nada mais justo, que sejam sugados para dentro dela. Se querem e toleram a violência para os mais pobres e para os mais fracos, nada mais justo que recebam um pesado fardo de violência sobre seus ombros...

Inegavelmente, a violência no Rio de Janeiro somente será levada a sério e tratada com o devido cuidado quando as autoridades públicas, de todos os poderes, começarem a serem vítimas diretas da violência, começarem a ser atingidos, abatidos e mortos pelo mal que plantaram e que alimentam sem cessar. As vítimas da violência deveriam vingar seus filhos e parentes mortos no corpos das autoridades públicas negligentes e proteladoras... Talvez a única forma desta realidade desaparecer seja aplicar o "olho por olho" ou "vida por vida"...

Enfim, não querendo desanimar aqueles que estão nas torres de vigia... mas, nada do que dissermos será ouvido ou considerado... Se fôssemos ouvido, o apocalipse não teria sido profetizado. Contudo, a nossa meta é avisar o justo e assistir à destruição do ímpio... Vão colher o que plantaram. Certamente vão. Inclusive, estão condenando seus descendentes a pagarem pelo que fizeram....

Mas por que nós temos que avisar e mostrar o que será o futuro ? A resposta está no livre-arbítrio. Para decidir é preciso saber. É preciso ter informações do passado, do presente e do futuro... Eles foram avisados, logo, não poderão alegar desconhecimento ou ignorância. Agiram dolosamente e responderão por isto...

sexta-feira, 14 de março de 2008

Uma milícia para fazer justiça
É tanta picaretagem, ilegalidades, injustiças, opressão, exclusão e exploração, que eu começo a considerar seriamente a possibilidade de montar e armar uma milícia para fazer justiça. Acho que não basta denunciar os vagabundos, eles tem os tribunais, os juízes, os promotores e as autoridades públicas nos bolsos.

Temos que ir atrás deles, pegá-los pelos cabelos, arrastá-los para a rua e fuzilá-los na frente do povo e das câmeras. Isso pode corrigir as coisas, pois mostrará para esses desgraçados que agem na surdina conspirando e sabotando as instituições públicas, a retidão e a justiça, que a violência e o mal que eles praticam e distribuem na sociedade, mais cedo ou mais tarde, baterá em suas portas...

Mas os direitos humanos ? Direitos Humanos só devem existir se a aplicação for uniforme. Hoje existe direitos humanos para os ricos e grupos dominantes, mas não há estes direitos para a maioria da população. Inclusive, os grupos dominantes usam os Direitos Humanos como uma forma de opressão. Usam para se proteger e manter os mecanismos de opressão e de exploração funcionando sobre a maioria.

Acho que aquilo que fazem contra a maioria, é legítimo e justo, que a maioria retribua na mesma moeda... Que se aplique o mesmo peso e a mesma medida...
Uma milícia para fazer justiça
É tanta picaretagem, ilegalidades, injustiças, opressão, exclusão e exploração, que eu começo a considerar seriamente a possibilidade de montar e armar uma milícia para fazer justiça. Acho que não basta denunciar os vagabundos, eles tem os tribunais, os juízes, os promotores e as autoridades públicas nos bolsos.

Temos que ir atrás deles, pegá-los pelos cabelos, arrastá-los para a rua e fuzilá-los na frente do povo e das câmeras. Isso pode corrigir as coisas, pois mostrará para esses desgraçados que agem na surdina conspirando e sabotando as instituições públicas, a retidão e a justiça, que a violência e o mal que eles praticam e distribuem na sociedade, mais cedo ou mais tarde, baterá em suas portas...

Mas os direitos humanos ? Direitos Humanos só devem existir se a aplicação for uniforme. Hoje existe direitos humanos para os ricos e grupos dominantes, mas não há estes direitos para a maioria da população. Inclusive, os grupos dominantes usam os Direitos Humanos como uma forma de opressão. Usam para se proteger e manter os mecanismos de opressão e de exploração funcionando sobre a maioria.

Acho que aquilo que fazem contra a maioria, é legítimo e justo, que a maioria retribua na mesma moeda... Que se aplique o mesmo peso e a mesma medida...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Todas as terras da Amazônia pertencem aos índios. E agora começaram a expulsá-los de suas próprias terras... Não há dúvidas, todos os índios serem extintos e mortos e suas terras dominadas pelos brancos exploradores. Se olharem bem, verão sociedades secretas por trás disso... É só investigar que aparece...

PM expulsa índios de área de invasão em Manaus

Estadão Online -- 11/03/2008

No confronto, a PM recebeu "flechadas" e usou bombas de gás lacrimogêneo para conter invasores

André Alves - especial para O Estado de S.Paulo

Tamanho do texto? A A A A

MANAUS -

Luiz Vasconcelos/ A crítica

A Polícia Militar do Amazonas usou a força, nesta terça-feira, 11, pela manhã, para expulsar um grupo de 200 sem-teto de uma faixa de terra privada, de 180 mil metros quadrados, situada na comunidade Lagoa Azul, quilômetro 11 da rodovia estadual AM-010, zona rural de Manaus. Entre os sem-teto havia 105 indígenas de sete etnias que ocupavam a área havia três meses.

Há duas semanas, na mesma região, a PM já tinha cumprido mandado de reintegração de posse expedido pelo Tribunal de Justiça do Amazonas. Na ocasião, a ação se deu de forma pacífica, já que o número de invasores era bem menor. Ontem, porém, os indígenas foram previamente avisados pela própria Polícia Militar que a reintegração ocorreria.

Eles decidiram se armar com arco e flecha e enfrentaram um batalhão de 150 homens da PM, que estavam munidos com bombas de gás lacrimogêneo e ainda contavam com a ajuda de cães e cavalos da corporação.

A estratégia da PM de cercar os invasores acuou parte dos ocupantes da área. Houve correria e choro. Mães com crianças no colo gritavam em tom de desespero. Alguns indígenas chegaram a atirar flechas contra os homens da PM, mas, a essa altura, o aparato policial se mostrou muito superior à resistência dos indígenas.

Um trator foi utilizado para derrubar dezenas de barracos que tinham sido construídos na área. Ao fim da operação, que durou duas horas, 17 pessoas foram detidas, entre elas, quatro índios. Arcos, flechas, terçados e facas também foram apreendidos.

Segundo o comando da Polícia Militar do Amazonas, membros da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual e da Fundação Nacional do Índio (Funai) foram convidados para acompanhar a ação, mas na compareceram.

Excessos

O cacique Luiz Sateré, de 49 anos, que pertence à etnia seteré-mawé, prometeu denunciar o que chamou de "excessos da PM" à Câmara de Vereadores de Manaus, à Assembléia Legislativa do Estado e ao Congresso Nacional. Segundo ele, a PM agiu com truculência e não mostrou aos indígenas o mandado de reintegração de posse.

"Chutaram uma grávida como chutam uma bola", denunciou Luiz Sateré. "Deram coronhadas nos nossos guerreiros porque eles tentaram se defender", afirmou o cacique. De acordo com ele, a área apontada como de propriedade do engenheiro civil Mitishu Inoue já foi de posse dos indígenas, mas, conforme afirma, não há documentos que comprovem a afirmação.

O chefe das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), major Wálter Cruz., um dos comandantes da operação, negou que a Polícia Militar tenha agido com truculência. "Fizemos tudo dentro da legalidade", sustentou ele.

"Há mais de dois meses estávamos avisando que a reintegração iria acontecer. Há duas semanas foi feita a primeira reintegração e eles (invasores) retornaram ao local usando pessoas que se diziam indígenas", disse o major.

Segundo ele, a PM precisou agir "com rigor" para cumprir a determinação. "Algumas pessoas tentaram nos enfrentar e usamos instrumentos não letais", comentou. Ele disse não acreditar que alguns dos invasores realmente sejam nativos. "Não posso afirmar que quem usa um cocar na cabeça e se pinta de índio seja realmente indígena".

Texto atualizado às 20h40 para acréscimo de informações

Todas as terras da Amazônia pertencem aos índios. E agora começaram a expulsá-los de suas próprias terras... Não há dúvidas, todos os índios serem extintos e mortos e suas terras dominadas pelos brancos exploradores. Se olharem bem, verão sociedades secretas por trás disso... É só investigar que aparece...

PM expulsa índios de área de invasão em Manaus

Estadão Online -- 11/03/2008

No confronto, a PM recebeu "flechadas" e usou bombas de gás lacrimogêneo para conter invasores

André Alves - especial para O Estado de S.Paulo

Tamanho do texto? A A A A

MANAUS -

Luiz Vasconcelos/ A crítica

A Polícia Militar do Amazonas usou a força, nesta terça-feira, 11, pela manhã, para expulsar um grupo de 200 sem-teto de uma faixa de terra privada, de 180 mil metros quadrados, situada na comunidade Lagoa Azul, quilômetro 11 da rodovia estadual AM-010, zona rural de Manaus. Entre os sem-teto havia 105 indígenas de sete etnias que ocupavam a área havia três meses.

Há duas semanas, na mesma região, a PM já tinha cumprido mandado de reintegração de posse expedido pelo Tribunal de Justiça do Amazonas. Na ocasião, a ação se deu de forma pacífica, já que o número de invasores era bem menor. Ontem, porém, os indígenas foram previamente avisados pela própria Polícia Militar que a reintegração ocorreria.

Eles decidiram se armar com arco e flecha e enfrentaram um batalhão de 150 homens da PM, que estavam munidos com bombas de gás lacrimogêneo e ainda contavam com a ajuda de cães e cavalos da corporação.

A estratégia da PM de cercar os invasores acuou parte dos ocupantes da área. Houve correria e choro. Mães com crianças no colo gritavam em tom de desespero. Alguns indígenas chegaram a atirar flechas contra os homens da PM, mas, a essa altura, o aparato policial se mostrou muito superior à resistência dos indígenas.

Um trator foi utilizado para derrubar dezenas de barracos que tinham sido construídos na área. Ao fim da operação, que durou duas horas, 17 pessoas foram detidas, entre elas, quatro índios. Arcos, flechas, terçados e facas também foram apreendidos.

Segundo o comando da Polícia Militar do Amazonas, membros da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual e da Fundação Nacional do Índio (Funai) foram convidados para acompanhar a ação, mas na compareceram.

Excessos

O cacique Luiz Sateré, de 49 anos, que pertence à etnia seteré-mawé, prometeu denunciar o que chamou de "excessos da PM" à Câmara de Vereadores de Manaus, à Assembléia Legislativa do Estado e ao Congresso Nacional. Segundo ele, a PM agiu com truculência e não mostrou aos indígenas o mandado de reintegração de posse.

"Chutaram uma grávida como chutam uma bola", denunciou Luiz Sateré. "Deram coronhadas nos nossos guerreiros porque eles tentaram se defender", afirmou o cacique. De acordo com ele, a área apontada como de propriedade do engenheiro civil Mitishu Inoue já foi de posse dos indígenas, mas, conforme afirma, não há documentos que comprovem a afirmação.

O chefe das Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam), major Wálter Cruz., um dos comandantes da operação, negou que a Polícia Militar tenha agido com truculência. "Fizemos tudo dentro da legalidade", sustentou ele.

"Há mais de dois meses estávamos avisando que a reintegração iria acontecer. Há duas semanas foi feita a primeira reintegração e eles (invasores) retornaram ao local usando pessoas que se diziam indígenas", disse o major.

Segundo ele, a PM precisou agir "com rigor" para cumprir a determinação. "Algumas pessoas tentaram nos enfrentar e usamos instrumentos não letais", comentou. Ele disse não acreditar que alguns dos invasores realmente sejam nativos. "Não posso afirmar que quem usa um cocar na cabeça e se pinta de índio seja realmente indígena".

Texto atualizado às 20h40 para acréscimo de informações

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

As prisões
Luis Fávio Gomes - Alice Bianchini - O Direito Penal na Era da Globalização
Sabe-se, entretanto, que nas verdade nela se concentra apenas uma estreita parcela de todas as ilegalidades que o homem 'moderno' pratica. É bem provável que em nenhuma outra época houve tanta corrupção como na era da 'economia globalizada'.

A globalização, aliás, encontra na corrupção um dos seus sinônimos mais expressivos. De qualquer modo, não é essa a ilegalidade que vai causar o encarceramento do criminoso. A prisão, assim, como afirmam os doutrinadores desenha, isola e sublima uma forma de ilegalidade que parece resumir simbolicamente todas as outras, mas que permite deixar na sombra as que se quer ou se deve tolerar.

Em outras palavras, ela "permite diferenciar, arrumar e controlar as ilegalidades" (Foucault). Para as ilegalidades dos de baixo, prisão; para as ilegalidades dos que mandam, compaixão; Fuga para o estrangeiro, prescrição.

Nosso velho discurso professoral de que a prisão é um fracasso na redução dos crimes deveria então ser substituído "pela hipótese de que a prisão conseguiu muito bem produzir (ou reproduzir) a delinqüência."

Aliás, ela, juntamente com todas as demais células do continuum carcerário (Febem, Casas de correção e tantas outras que formam o arquipélago carcerário), é a que melhor reproduz a delinqüência: os altos índices de reincidência facilmente atestam isso.

O grande sucesso da prisão reside exatamente nisto: ela retrata um tipo de 'delinqüência' e assim a isola e dissocia de todas as demais ilegalidades. Quem visita os cárceres do nosso país tem a nítida sensação de que somente os pobres delinqüem.

Concentrando nossa atenção, exclusivamente, nessas ilegalidades que resultam em prisão, os comunicadores sociais - gente da mídia -, a polícia e a justiça (promotores e juízes) integram a funcional engrenagem do exercício sábio do poder. Como não existe uma justiça penal que cuida de todas as ilegalidades, deve-se ver nessa justiça um instrumento para o controle diferencial das ilegalidades.

Os juízes (e os promotores), portanto, se não exercem seu miste com sentido agudamente crítico, acabam transformando-se em meros empregados desse torpe mecanismo de seleção das ilegalidades e de reprodução de uma espécie de delinqüência que é muito útil para determinados e privilegiados segmentos sociais.

A prisão, então, devemos concluir, é deveras um grande sucesso. Mesmo depois de dois séculos de contundentes críticas, ela continua vigorosa (só na última década cresceu no Brasil em mais de 100%). O legislador, em todo momento, cuidando da criminalização primária, dela faz uso (e abuso) contínuo.

Políticos e comunicadores sociais nefastos e inescrupulosos, que banalizam diuturnamente a violência, na medida em que já não necessitam vangloriar a pena de morte, que, em razão da AIDS, é automaticamente a sanção acessória da pena de prisão, louvam-na, particularmente em tempos eleitorais, com a estelionatária tese de sua perpetuidade (prisão perpétua).

Desapareceu ao longo da história o corpo marcado, recortado, queimado, aniquilado; o que veio em seguida foi o corpo e o tempo controlados; agora o que se pretende é a eternização do espetáculo de fabricação de um tipo específico de delinqüência (e de delinqüentes).

Se há um desafio político global em torno da prisão, afirma Foucault, este não é saber se ela será ou não corretiva; se os juízes, os psiquiatras ou os sociólogos exercerão nela mais poder que os administradores e guardas; na verdade ele está na seguinte alternativa: prisão ou algo diferente da prisão.
As prisões
Luis Fávio Gomes - Alice Bianchini - O Direito Penal na Era da Globalização
Sabe-se, entretanto, que nas verdade nela se concentra apenas uma estreita parcela de todas as ilegalidades que o homem 'moderno' pratica. É bem provável que em nenhuma outra época houve tanta corrupção como na era da 'economia globalizada'.

A globalização, aliás, encontra na corrupção um dos seus sinônimos mais expressivos. De qualquer modo, não é essa a ilegalidade que vai causar o encarceramento do criminoso. A prisão, assim, como afirmam os doutrinadores desenha, isola e sublima uma forma de ilegalidade que parece resumir simbolicamente todas as outras, mas que permite deixar na sombra as que se quer ou se deve tolerar.

Em outras palavras, ela "permite diferenciar, arrumar e controlar as ilegalidades" (Foucault). Para as ilegalidades dos de baixo, prisão; para as ilegalidades dos que mandam, compaixão; Fuga para o estrangeiro, prescrição.

Nosso velho discurso professoral de que a prisão é um fracasso na redução dos crimes deveria então ser substituído "pela hipótese de que a prisão conseguiu muito bem produzir (ou reproduzir) a delinqüência."

Aliás, ela, juntamente com todas as demais células do continuum carcerário (Febem, Casas de correção e tantas outras que formam o arquipélago carcerário), é a que melhor reproduz a delinqüência: os altos índices de reincidência facilmente atestam isso.

O grande sucesso da prisão reside exatamente nisto: ela retrata um tipo de 'delinqüência' e assim a isola e dissocia de todas as demais ilegalidades. Quem visita os cárceres do nosso país tem a nítida sensação de que somente os pobres delinqüem.

Concentrando nossa atenção, exclusivamente, nessas ilegalidades que resultam em prisão, os comunicadores sociais - gente da mídia -, a polícia e a justiça (promotores e juízes) integram a funcional engrenagem do exercício sábio do poder. Como não existe uma justiça penal que cuida de todas as ilegalidades, deve-se ver nessa justiça um instrumento para o controle diferencial das ilegalidades.

Os juízes (e os promotores), portanto, se não exercem seu miste com sentido agudamente crítico, acabam transformando-se em meros empregados desse torpe mecanismo de seleção das ilegalidades e de reprodução de uma espécie de delinqüência que é muito útil para determinados e privilegiados segmentos sociais.

A prisão, então, devemos concluir, é deveras um grande sucesso. Mesmo depois de dois séculos de contundentes críticas, ela continua vigorosa (só na última década cresceu no Brasil em mais de 100%). O legislador, em todo momento, cuidando da criminalização primária, dela faz uso (e abuso) contínuo.

Políticos e comunicadores sociais nefastos e inescrupulosos, que banalizam diuturnamente a violência, na medida em que já não necessitam vangloriar a pena de morte, que, em razão da AIDS, é automaticamente a sanção acessória da pena de prisão, louvam-na, particularmente em tempos eleitorais, com a estelionatária tese de sua perpetuidade (prisão perpétua).

Desapareceu ao longo da história o corpo marcado, recortado, queimado, aniquilado; o que veio em seguida foi o corpo e o tempo controlados; agora o que se pretende é a eternização do espetáculo de fabricação de um tipo específico de delinqüência (e de delinqüentes).

Se há um desafio político global em torno da prisão, afirma Foucault, este não é saber se ela será ou não corretiva; se os juízes, os psiquiatras ou os sociólogos exercerão nela mais poder que os administradores e guardas; na verdade ele está na seguinte alternativa: prisão ou algo diferente da prisão.
É hora de radicalizar
Eu estava pensando em parar as disciplinas que faria na Universidade neste semestre e ir desenvolver a minha pesquisa no Paraná. Mas decidi que não vou fazer isto. Vou radicalizar as minhas ações e passar caminhar para a violência aberta.

Por exemplo, noite após noite, um elemento tem jogado fumaça de entorpecente dentro do meu quarto. Já reclamei para a USP e a Universidade não fez nada. Logo, eu terei que dar um jeito no elemento... Vou pegá-lo em flagrante e levá-lo para a polícia... A legítima defesa está na lei. Para defender a própria vida, você pode, inclusive, matar o inimigo que está te atacando.

Já percebi que os indivíduos que estão me atacando mais abertamente, inclusive este que joga entorpecente no meu quarto, assim como aqueles que estão sabotando os trabalhos e projetos possuem uma raiz comum. São tucanos. São do PSDB. Inclusive um deles tem ligação direta com o FHC. Mero acaso ? Coincidência ?

Acaso e coincidência são explicações para tolos e idiotas. É lógico que os tucanos estão por trás disso. É lógico que a polícia dos tucanos está envolvida nisso. A USP está nas mãos dos tucanos. Professores tucanos estão por todas as partes fazendo tudo para prejudicar as pessoas que tem ligações com outros partidos ou que defendem outras idéias. É uma politização velada das instituições públicas. Lembra da Carta do Pinotti para a Reitora que eu publiquei, pois é, aquilo mostra a ligação íntima da máfia...

A minha idéia era ir para o sul e começar o levante lá. O sul tem tradição em levante, principalmente para derrubar política do café com leite. Talvez seja necessário um segundo levante para pôr fim à segunda instituição do café com leite. Lá tem gente disposta a partir pra cima. E, a partir de lá, posso começar a arregimentar as favelas e as periferias de todas as demais regiões. Porém, tudo tem que ser escrito e detalhado antecipadamente. Teremos que ter uma cartilha, um mal de instrução da revolução. Isto tirará a importância dos líderes e qualquer um que tenha a cartilha, sabendo os objetivos, poderá agir.

Porém, vou até minha casa deixar uma lista de nomes para, caso caia uma raio na minha cabeça, eles saberem por onde começar a sangria... Certamente, vou precisar de ferramentas extras. para me defender... Enfim, caminhamos, inegavelmente, numa linha de radicalismo.

O que será que estes elementos pensam ? Sabotando a ONG que eu estava construindo e os projetos sociais que eu estava desenvolvendo, vocês ganharão, inevitavelmente, um grupo extremista radical. Não só vou construí-lo como posso ligá-lo a grupos extremistas internacionais. Eu sei onde estão os contatos e sei como negociar com eles, não só com eles, mas com todas as redes do submundo que tem por aí...

Se vocês estão achando que eu desisto de minhas idéias ou me dobro a suas sabotagens, pode retirar o cavalinho da chuva. As mudanças serão feitas, se não podem ser pacíficas, serão violentas... Se terá que morrer uma centenas ou milhares de pessoas para que as mudanças sejam produzidas, isto será feito. Se a porta não se abre, nós vamos explodi-la...

Agora, prestem bem atenção, prestem muita atenção, as ações não serão dirigidas contra civis ou contra pessoas sem muita importância para o sistema... As ações serão direcionadas contra os operadores do sistema. São eles que impedem as mudanças, dominam, oprimem e exploram. São eles que sabotam os projetos e paralisam as ações sociais. São eles que nós queremos. E podemos pegá-los facilmente...

Propaganda pelo fato... Estes eram os métodos dos anarquistas russos. E isto dá muito resultado, principalmente, para atrair as pessoas para a luta...

E não se enganem... Eu sou a ala boa da coisa, pois tenho um acurado senso de ordem, democracia, justiça e de obediência ao Direito Natural. Conheço gente que também está na luta e que não pensa desta forma, inclusive fala em queimar os operadores do sistema com um maçarico... Gente que não hesitaria nenhum pouco em colocar carros-bomba nas áreas públicas freqüentadas por civis da classe dominante... O ódio contra a elite é muito grande e cresce dia após dia.
É hora de radicalizar
Eu estava pensando em parar as disciplinas que faria na Universidade neste semestre e ir desenvolver a minha pesquisa no Paraná. Mas decidi que não vou fazer isto. Vou radicalizar as minhas ações e passar caminhar para a violência aberta.

Por exemplo, noite após noite, um elemento tem jogado fumaça de entorpecente dentro do meu quarto. Já reclamei para a USP e a Universidade não fez nada. Logo, eu terei que dar um jeito no elemento... Vou pegá-lo em flagrante e levá-lo para a polícia... A legítima defesa está na lei. Para defender a própria vida, você pode, inclusive, matar o inimigo que está te atacando.

Já percebi que os indivíduos que estão me atacando mais abertamente, inclusive este que joga entorpecente no meu quarto, assim como aqueles que estão sabotando os trabalhos e projetos possuem uma raiz comum. São tucanos. São do PSDB. Inclusive um deles tem ligação direta com o FHC. Mero acaso ? Coincidência ?

Acaso e coincidência são explicações para tolos e idiotas. É lógico que os tucanos estão por trás disso. É lógico que a polícia dos tucanos está envolvida nisso. A USP está nas mãos dos tucanos. Professores tucanos estão por todas as partes fazendo tudo para prejudicar as pessoas que tem ligações com outros partidos ou que defendem outras idéias. É uma politização velada das instituições públicas. Lembra da Carta do Pinotti para a Reitora que eu publiquei, pois é, aquilo mostra a ligação íntima da máfia...

A minha idéia era ir para o sul e começar o levante lá. O sul tem tradição em levante, principalmente para derrubar política do café com leite. Talvez seja necessário um segundo levante para pôr fim à segunda instituição do café com leite. Lá tem gente disposta a partir pra cima. E, a partir de lá, posso começar a arregimentar as favelas e as periferias de todas as demais regiões. Porém, tudo tem que ser escrito e detalhado antecipadamente. Teremos que ter uma cartilha, um mal de instrução da revolução. Isto tirará a importância dos líderes e qualquer um que tenha a cartilha, sabendo os objetivos, poderá agir.

Porém, vou até minha casa deixar uma lista de nomes para, caso caia uma raio na minha cabeça, eles saberem por onde começar a sangria... Certamente, vou precisar de ferramentas extras. para me defender... Enfim, caminhamos, inegavelmente, numa linha de radicalismo.

O que será que estes elementos pensam ? Sabotando a ONG que eu estava construindo e os projetos sociais que eu estava desenvolvendo, vocês ganharão, inevitavelmente, um grupo extremista radical. Não só vou construí-lo como posso ligá-lo a grupos extremistas internacionais. Eu sei onde estão os contatos e sei como negociar com eles, não só com eles, mas com todas as redes do submundo que tem por aí...

Se vocês estão achando que eu desisto de minhas idéias ou me dobro a suas sabotagens, pode retirar o cavalinho da chuva. As mudanças serão feitas, se não podem ser pacíficas, serão violentas... Se terá que morrer uma centenas ou milhares de pessoas para que as mudanças sejam produzidas, isto será feito. Se a porta não se abre, nós vamos explodi-la...

Agora, prestem bem atenção, prestem muita atenção, as ações não serão dirigidas contra civis ou contra pessoas sem muita importância para o sistema... As ações serão direcionadas contra os operadores do sistema. São eles que impedem as mudanças, dominam, oprimem e exploram. São eles que sabotam os projetos e paralisam as ações sociais. São eles que nós queremos. E podemos pegá-los facilmente...

Propaganda pelo fato... Estes eram os métodos dos anarquistas russos. E isto dá muito resultado, principalmente, para atrair as pessoas para a luta...

E não se enganem... Eu sou a ala boa da coisa, pois tenho um acurado senso de ordem, democracia, justiça e de obediência ao Direito Natural. Conheço gente que também está na luta e que não pensa desta forma, inclusive fala em queimar os operadores do sistema com um maçarico... Gente que não hesitaria nenhum pouco em colocar carros-bomba nas áreas públicas freqüentadas por civis da classe dominante... O ódio contra a elite é muito grande e cresce dia após dia.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

A USP e a estrutura de dominação do sistema
Este é o post de número 666. Vou dedicá-lo à USP.
Eu sempre disse que a USP é um centro de formação da classe dominante. É uma Universidade pública que foi feita para servir à elite e aos grupos dominantes. Ela não foi feita para as classes baixas e nem para a coletividade ou para a maioria da população. E isto pode ser visto em várias ações dessa Universidade.

É uma Universidade que fixa, alimenta e reproduz o pensamento dos grupos dominantes. Passando as normas e regras de dominação de geração para geração.

A função da USP, dentro da estrutura de dominação, é manter intacto o pensamento hegemônico e dissimulá-lo, o máximo possível, nas informações e nos conhecimentos ensinados, nos projetos e pesquisas que realiza. Não só isto, como já dissemos, a USP, assim como outras Universidades Públicas, mas mais a USP, por ser hegemônica, forma a elite que opera o sistema de dominação. Autoridades públicas importantes e grandes capitalistas estudaram na USP, seja na graduação ou pós-graduação, ou são influenciados por professores da USP.

Se tanta gente importante do sistema passaram pela USP ou são influenciados por professores da USP, por que as coisas não mudam ? Não mudam porque a USP não foi feita para promover mudanças na sociedade. Foi feita para manter o status quo, a dominação de uma minoria rica sobre a maioria.

Por que você acha que existem poucos estudantes da escola pública na USP ? Por que os pobres são minorias aqui ? Por que os negros, que são a maioria da população, são minoria na USP ? Por que a definição de mérito, usada pela USP, é uma coisa que só os ricos tem ? Porque a USP é um centro de formação da elite, dos grupos dominantes. Porque a USP foi feita para reproduzir e perpetuar a dominação da minoria branca rica sobre a maioria de negros e pobres.

Olhem para as cotas... A USP não aceita o sistema de cotas. Diz que ela viola o mérito que só os ricos tem. Olhem para o sistema de pós-graduação da USP, a maioria dos pós-graduandos pertencem aos grupos dominantes. Os concursos para professor da USP são a mesma coisa. Para manter o sistema de dominação é preciso que os professores e a maioria dos alunos pertençam aos grupos dominantes, caso contrário a coisa não funciona.

E eles são tão diabólicos que mantém esta estrutura de dominação rodando bem na frente da cara de todo mundo. E pior, ainda mandam a conta para a maioria da população, os negros e pobres, pagarem. Em outras palavras, a USP é um centro de formação da elite. Os herdeiros dos grupos dominantes, da dominação, da opressão, da exclusão e da exploração, estão todos estudando aqui. E quem está pagando os estudos deles: os dominados, os oprimidos, os excluídos e os explorados.

Mas e os indivíduos das classes baixas que entram na USP ? O que eles fazem ? Quando entram, é em curso pouco concorrido ou de baixo poder de decisão dentro do sistema de dominação.

Se entram em cursos da elite, são transformados em operadores do sistema de dominação. Viram advogados do sistema, políticos do sistema, administradores de grandes empresas e bancos, etc. Esquecendo, completamente, o lugar de onde saíram ou de onde vieram. Pior do que isto, nada fazem para que o sistema de dominação seja quebrado, para que as portas da Universidade sejam abertas para todos, para a coletividade, para a maioria da população.

Enfim, de uma forma geral, o estudante da classes baixas acabam sendo assimilados ou cooptados, dentro da USP, pelos sistema de dominação. Além disso, podem ser doutrinados e formatados para aceitarem a opressão e a exploração do sistema, para ficarem passivos e resignados diante do mal e das injustiças. Falam em não-violência, em social-democracia, paz, etc, não percebendo que tudo isto é truque do sistema para evitar a revolução.

E isto não mudará... enquanto existir o sistema de dominação e uma minoria de grupos dominantes, a USP continuará sendo o que é e fazendo o que faz. Ela integra uma estrutura maior de dominação.

Uma estrutura que está ligada com a política, mais especificamente, com a democracia representativa. A democracia representativa é a democracia dos grupos dominantes. É a democracia de uma minoria dominando a grande maioria.

Está ligada com a estrutura de dominação do judiciário e da administração pública. Olhe para os concursos públicos, não são parecidos com os méritos da USP ? Nestes concursos, a maioria da população, principalmente os pobres e negros, estão completamente excluídos. Primeiro, porque exigem diplomas. Segundo, porque as provas são mais difíceis que o vestibular e só passa quem paga cursos caríssimos...

O que mudará esta realidade ? Uma revolução... Todo o sistema tem que ser quebrado. Toda a estrutura tem que ser modificada.
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Teorias sobre a educação escolar e a desigualdade
Bernstein: Códigos de linguagem
Anthony Giddens -- Sociologia --artmed -- 2005 -- p.412-414
Existem várias perspectivas teóricas sobre a natureza da educação moderna e suas implicações para a desigualdade. Uma dessas abordagens é a que enfatiza as habilidades linguísticas.

Na década de 1970, Basil Bernstein defendeu a tese de que crianças de origens diversas desenvolvem códigos diferentes, ou tipos de fala, na fase inicial da vida, as quais afetam suas experiências posteriores na escola. Seu interesse não está nas diferenças de vocabulário ou de habilidades verbais, como normalmente se sugere, mas nas diferenças sistemáticas no emprego da linguagem, especialmente no contraste entre as crianças mais pobres e as mais ricas.

O modo de falar das crianças pertencentes à classe trabalhadora, afirma Bernstein, representa um código restrito - uma forma de utilizar a linguagem que contém muitas suposições não-declaradas que os falantes esperam que os outros reconheçam. Um código restrito é uma espécie de discurso vinculado ao seu próprio cenário cultural.

Muitos indivíduos da classe trabalhadora vivem em uma cultura muito voltada à família ou ao bairro, na qual se parte do pressuposto de que todos conhecem os valores e as normas sem expressá-los através da linguagem. Os pais tendem a socializar seus filhos empregando diretamente recompensas ou repreensões para corrigir seu comportamento.

Em um código restrito, a linguagem adapta melhor à comunicação de experiências práticas do que à discussão de idéias, processos ou relações mais abstratas. Assim, o discurso do código restrito é típico de crianças que crescem em famílias de classe baixa e dos grupos sociais com os quais elas convivem. O discurso é orientado para as normas do grupo, sem que ninguém consiga explicar facilmente o motivo de estar seguindo os padrões de comportamento que segue.

Bernstein acredita que o desenvolvimento da linguagem das crianças da classe média, em contraste, envolve a aquisição de um código elaborado - um estilo de discurso em que os significados das palavras podem ser individualizados para satisfazer às demandas de situações específicas. Os modos pelos quais as crianças da classe média aprendem a utilizar a linguagem são menos vinculados a contextos particulares; as crianças conseguem fazer generalizações e expressar idéias abstratas com maior facilidade.

Dessa forma, quando mães de classe média controlam seus filhos, elas freqüentemente explicam os motivos e os princípios que estão por trás de suas reações ao comportamento da criança. Enquanto uma mãe da classe trabalhadora pode repreender seu filho por querer comer muitos doces dizendo simplesmente "Chega de doces !", é mais provável que uma mãe da classe média explique que exagerar nos doces faz mal à saúde e estraga os dentes.

Crianças que adquiriram códigos elaborados de fala, sugere Bernstein, têm mais condições de lidar com as exigências da educação acadêmica formal do que aquelas que se limitaram a códigos restritos. Isso não significa que o tipo de discurso das crianças da classe trabalhadora seja "inferior", ou que seus códigos de linguagem sejam "pobres", mas, sim, que o seu modo de falar não combina com a cultura acadêmica da escola. Aqueles que dominam códigos elaborados se adaptam com muito mais facilidade ao ambiente escolar.

Há evidências que fortalecem a teoria de Bernstein, mesmo que sua validade ainda seja discutida. Joan Tough (1976) estudou a linguagem das crianças da classe trabalhadora e da classe média, encontrando diferenças sistemáticas. Ela confirma a tese de Bernstein de que as crianças da classe trabalhadora geralmente têm menos oportunidades de ouvir respostas para suas perguntas ou explicações sobre o raciocínio dos outros. À mesma conclusão chegaram Barbara Tizard e Martin Hughes (1984) em uma pesquisa posterior.

As idéias de Bernstein nos auxiliam a entender por que pessoas que provém de determinados meios sócio-econômicos tendem a ter um desempenho abaixo do seu potencial na escola. São estes os traços associados ao discurso do código restrito que inibem as chances de uma criança em termos educacionais;

-- A criança provavelmente recebe respostas limitadas às perguntas que faz em casa; logo, é provável que ela fique menos bem-informada e menos curiosa em relação ao mundo em um sentido mais amplo do que aquelas que dominam códigos elaborados.

-- A criança encontrará dificuldades para responder à linguagem impassível e abstrata empregada no ensino, bem como aos apelos em relação aos princípios gerais da disciplina escolar.

-- É provável que muito do que o professor disser seja incompreensível para a criança, pois ele empregará a linguagem de uma forma com a qual a criança não está acostumada. Para lidar com esse problema,a criança não está acostumada. Para lidar com esse problema, a criança talvez tente traduzir a linguagem do professor para algo que lhe seja familiar - mas, nesse caso, é possível que ela deixe de compreender justamente os princípios que o professor pretende transmitir.

-- Embora decorar ou repetir não sejam atividades muito difíceis para a criança, ela pode encontrar grandes dificuldades para entender distinções conceituais que envolvem generalizações e abstração.
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Illich: o currículo oculto
Um dos autores mais controversos da teoria educacional é Ivan Illich. É reconhecido por suas críticas ao desenvolvimento econômico moderno, que ele descreve como um processo por meio do qual as pessoas, que anteriormente eram auto-suficientes, são privadas de suas habilidades tradicionais e obrigadas a dependerem de médicos que tratem de sua saúde, professores que as ensinem, televisão que as divirta e patrões que garantam sua subsistência.

Illich argumenta que a própria noção da obrigatoriedade da educação escolar - hoje aceita no mundo inteiro - deveria ser questionada (1973).

O autor enfatiza o elo existente entre o desenvolvimento da educação e as exigências da economia por disciplina e hierarquia. Illich afirma que as escolas evoluíram para lidar com quatro tarefas básicas: o cuidado custodial, a distribuição dos indivíduos em papéis ocupacionais, o aprendizado de valores dominantes e a aquisição de habilidades e conhecimento que sejam socialmente aprovados.

Quanto ao primeiro item, a escola tornou-se uma organização custodial, pois a freqüência nas aulas é obrigatória, e as crianças são mantidas longe das ruas desde a infância até o ingresso no mercado de trabalho.

Muito do que se aprende na escola não tem nada a ver com o conteúdo formal das aulas. As escolas tendem a inculcar o que Illich (1973) definiu como consumo passivo - uma aceitação irrefletida da ordem social existente - por meio da natureza da disciplina e da arregimentação que envolvem. Essas ligações não são ensinadas conscientemente, estando implícitas nos procedimentos e na organização escolares. O currículo oculto ensina à criança que seu papel na vida é conhecer o seu lugar e ficar sentada quietinha nele.

Illich defende uma sociedade sem escolas. A obrigatoriedade da educação escolar é uma invenção relativamente recente, salienta ele; não há por que aceitá-la como se fosse algo de certa forma inevitável. Já que as escolas não promovem a igualdade ou o desenvolvimento de habilidades criativas individuais, por que não abolirmos o seu formato atual ?

Com isso, Illich não quer dizer que todas as formas de organização educacional devam ser extintas. Todo aquele que quiser aprender deve ter acesso aos recursos disponíveis - em qualquer momento da vida, não apenas na infância ou na adolescência. Um sistema assim possibilitaria a ampla difusão e divisão do conhecimento, que não ficaria limitado aos especialistas.

Os estudantes não deveriam ter de se submeter a um currículo-padrão, devendo ter possibilidade de escolha em relação ao que estudam.

O que tudo isso significa em termos práticos não está totalmente claro. No lugar das escolas, entretanto, Illich sugere que haja diversos tipos de estrutura educacional. Recursos materiais para o aprendizado formal seriam guardados em bibliotecas, locadoras, laboratórios e bancos de armazenamento de informações, disponíveis a qualquer estudante.

Seriam instaladas "redes de comunicações" que ofereceriam dados a respeito das habilidades de vários indivíduos e de sua disposição para ensinar outras pessoas ou se envolver em atividades de aprendizado mútuo. Os estudantes receberiam vales que lhes possibilitariam utilizar os serviços educacionais quando e como eles desejassem.

Será que essas propostas são completamente utópicas ? Muitos diriam que sim. Mas caso, no futuro, haja uma redução ou uma reestruturação substancial do trabalho remunerado, como aparentemente é possível, essas idéias parecerão menos irrealistas. Se o emprego assalariado adquirisse um papel menos central na vida social, as pessoas poderiam se envolver em uma variedade maior de atividades.

Diante desse quadro, algumas das idéias de Illich fazem bastante sentido. A educação não seria apenas um primeiro treinamento, limitado a instituições especiais, mas ficaria à disposição de quem quisesse aproveitá-la.

As idéias de Illich, divulgadas na década de 1970, entraram novamente na moda nos anos de 1990 com o avanço das novas tecnologias das comunicações. Como vimos, algumas pessoas acreditam que os computadores e a internet possam revolucionar a educação e reduzir as desigualdades.

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Bourdieu: educação e reprodução cultural
A maneira mais esclarecedora de associarmos alguns dos temas dessas perspectivas teóricas talvez seja por meio do conceito de reprodução cultural (Bourdieu, 1986, 1988; Bourdieu e Passeron, 1977).

A reprodução cultural refere-se às formas pelas quais as escolas, juntamente com outras instituições sociais, ajudam a perpetuar desigualdades econômicas e sociais ao longo de gerações.

O conceito direciona nossa atenção aos meios pelos quais as escolas, através do currículo oculto, influenciam o aprendizado de valores, atitudes e hábitos. As escolas reforçam as variações nos valores culturais e nas visões selecionadas nos primeiros anos da vida; quando as crianças deixam a escola, essas variações têm o efeito de limitar as oportunidades de algumas crianças ao mesmo tempo que facilitam as de outras.

Não há dúvidas de que os modos de emprego da linguagem identificados por Bernstein estão relacionados a essas óbvias diferenças culturais, que subjazem às variações de interesses e de gostos.

Crianças provenientes da classe baixa, e muitas vezes de grupos minoritários, desenvolvem formas de conversar e de agir que estão em desarmonia com aquelas que imperam na escola. As escolas impõem regras de disciplina aos alunos, a autoridade dos professores volta-se para o aprendizado acadêmico.

As crianças da classe trabalhadora sofrem um baque cultural bem maior ao entrarem na escola do que aquelas que vêm de lares mais privilegiados - na realidade, as primeiras têm a impressão de estarem em um ambiente cultural estrangeiro. Não apenas é menos provável que elas encontrem motivação em alcançar um alto nível de desempenho acadêmico, mas também sua maneira habitual de falar e de agir, como defende Bernstein, não combina com a dos professores, mesmo que cada um faça o melhor para se comunicar.

As crianças passam bastante tempo na escola. Como enfatiza Illich, elas aprendem muito mais lá do que é oficialmente ensinado nas aulas. Bem cedo, as crianças têm uma amostra do que vai ser o mundo do trabalho, aprendendo que deverão ser pontuais e diligentes nas tarefas determinadas por aqueles que estã em posição de autoridade (Webb e Westergaard, 1991).

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Willis: uma análise da reprodução cultural
Uma célebre discussão a respeito da reprodução cultural aparece no relatório do estudo de trabalho de campo executado por Paul Willis em uma escola de Birmingham (1977). Mesmo tendo sido realizado há mais de duas décadas, esse estudo continua sendo um clássico da investigação sociológica.

Willis propôs a seguinte questão para investigação: como ocorre a reprodução cultural - ou como ele a colocou, "como os filhos da classe trabalhadora arranjam empregos na classe trabalhadora."

Normalmente se imagina que, durante o processo da educação escolar, crianças que provenham de meios de classe baixa ou de minorias simplesmente acabem percebendo que "não são inteligentes o bastante" para esperar conseguir empregos que garantam um status elevado e altos salários no futuro.

Em outras palavras, a experiência do fracasso acadêmico as ensina a reconhecer suas limitações intelectuais; aceitando sua "inferioridade", elas partem para ocupações com perspectivas de carreira limitadas.

Como enfatiza Willis, essa interpretação não está absolutamente de acordo com a realidade da vida e das experiências das pessoas. A "sabedoria das ruas" dos indivíduos que vêm de bairros pobres pode ter pouca ou nenhuma relevância para o sucesso acadêmico, porém envolve um conjunto de habilidades tão sutil, engenhoso e complexo quanto qualquer outra prática intelectual ensinada na escola.

Poucas crianças, se é que alguma, saem da escola pensando "sou tão burra que mereço passar o dia empilhando caixas em uma fábrica." Se as crianças de origem menos privilegiada aceitam trabalhos braçais, e não se sentem fracassadas pelo resto da vida, é porque deve haver outros fatores envolvidos na questão.

Willis concentrou-se em um grupo específico de garotos na escola, passando bastante tempo com eles. Os membros dessa turma, que se autodenominavam "os caras", eram brancos; a escola também tinha muitas crianças de famílias das Índias Ocidentais e da Ásia. Willis descobriu que esses rapazes tinham uma compreensão crítica e perspicaz do sistema de autoridade da escola - mas a utilizavam para combater esse sistema, e não para trabalhar a seu favor.

Eles viam na escola um ambiente hostil, mas que poderia ser manipulado para seus próprios objetivos. Tiravam prazer dos conflitos constantes - que, na maioria das vezes, eles mantinham em função de pequenas rixas - com os professores. Tornavam-se peritos em enxergar os pontos fracos das reclamações dos professores por autoridade, assim como os seus pontos vulneráveis enquanto indivíduos.

Na sala de aula, por exemplo, as crianças deveriam ficar sentadas e quietas e dar continuidade aos seus trabalhos. Mas "os caras" passavam o tempo todo se mexendo, exceto nos momentos em que o olhar fixo do professor pudesse imobilizá-los por um instante; ficavam fofocando dissimuladamente, ou faziam comentários em voz alta que beiravam à insubordinação, mas que poderiam ser explicados caso fossem contestados.

"Os caras" reconheciam que o trabalho seria parecido com a escola, mas não viam a hora de começarem a trabalhar. Não esperavam obter uma satisfação direta com o ambiente de trabalho, mas aguardavam com impaciência o momento de receberem um salário. Longe de considerarem as funções que exerciam - em trabalhos de borracharia, colocação de carpetes, encanamentos, pintura e decoração - atividades inferiores, eles demonstravam a mesma atitude de superioridade diante do trabalho que tinham em relação à escola. Gostavam do status de adulto que o trabalho proporcionava, mas não estavam interessados em "construir uma carreira".

Como salienta Willis, o trabalho em ambientes de produção, muitas vezes, envolve aspectos culturais bem semelhantes àqueles criados por esses rapazes em sua cultura de oposição à escola - brincadeiras, raciocínio rápido e habilidade para subverter as exigências das figuras de autoridade quando necessário. Só depois de muito tempo é que eles podem acabar percebendo que estão presos em um trabalho árduo, que não traz recompensas. Quando possuem uma família, é possível que olhem para o passado e percebam - sem esperanças - que a educação teria sido sua única saída. Entretanto, se tentam passar essa visão para seus próprios filhos, estes provavelmente não terão mais sucesso na vida do que seus pais o tiveram.
A USP e a estrutura de dominação do sistema
Este é o post de número 666. Vou dedicá-lo à USP.
Eu sempre disse que a USP é um centro de formação da classe dominante. É uma Universidade pública que foi feita para servir à elite e aos grupos dominantes. Ela não foi feita para as classes baixas e nem para a coletividade ou para a maioria da população. E isto pode ser visto em várias ações dessa Universidade.

É uma Universidade que fixa, alimenta e reproduz o pensamento dos grupos dominantes. Passando as normas e regras de dominação de geração para geração.

A função da USP, dentro da estrutura de dominação, é manter intacto o pensamento hegemônico e dissimulá-lo, o máximo possível, nas informações e nos conhecimentos ensinados, nos projetos e pesquisas que realiza. Não só isto, como já dissemos, a USP, assim como outras Universidades Públicas, mas mais a USP, por ser hegemônica, forma a elite que opera o sistema de dominação. Autoridades públicas importantes e grandes capitalistas estudaram na USP, seja na graduação ou pós-graduação, ou são influenciados por professores da USP.

Se tanta gente importante do sistema passaram pela USP ou são influenciados por professores da USP, por que as coisas não mudam ? Não mudam porque a USP não foi feita para promover mudanças na sociedade. Foi feita para manter o status quo, a dominação de uma minoria rica sobre a maioria.

Por que você acha que existem poucos estudantes da escola pública na USP ? Por que os pobres são minorias aqui ? Por que os negros, que são a maioria da população, são minoria na USP ? Por que a definição de mérito, usada pela USP, é uma coisa que só os ricos tem ? Porque a USP é um centro de formação da elite, dos grupos dominantes. Porque a USP foi feita para reproduzir e perpetuar a dominação da minoria branca rica sobre a maioria de negros e pobres.

Olhem para as cotas... A USP não aceita o sistema de cotas. Diz que ela viola o mérito que só os ricos tem. Olhem para o sistema de pós-graduação da USP, a maioria dos pós-graduandos pertencem aos grupos dominantes. Os concursos para professor da USP são a mesma coisa. Para manter o sistema de dominação é preciso que os professores e a maioria dos alunos pertençam aos grupos dominantes, caso contrário a coisa não funciona.

E eles são tão diabólicos que mantém esta estrutura de dominação rodando bem na frente da cara de todo mundo. E pior, ainda mandam a conta para a maioria da população, os negros e pobres, pagarem. Em outras palavras, a USP é um centro de formação da elite. Os herdeiros dos grupos dominantes, da dominação, da opressão, da exclusão e da exploração, estão todos estudando aqui. E quem está pagando os estudos deles: os dominados, os oprimidos, os excluídos e os explorados.

Mas e os indivíduos das classes baixas que entram na USP ? O que eles fazem ? Quando entram, é em curso pouco concorrido ou de baixo poder de decisão dentro do sistema de dominação.

Se entram em cursos da elite, são transformados em operadores do sistema de dominação. Viram advogados do sistema, políticos do sistema, administradores de grandes empresas e bancos, etc. Esquecendo, completamente, o lugar de onde saíram ou de onde vieram. Pior do que isto, nada fazem para que o sistema de dominação seja quebrado, para que as portas da Universidade sejam abertas para todos, para a coletividade, para a maioria da população.

Enfim, de uma forma geral, o estudante da classes baixas acabam sendo assimilados ou cooptados, dentro da USP, pelos sistema de dominação. Além disso, podem ser doutrinados e formatados para aceitarem a opressão e a exploração do sistema, para ficarem passivos e resignados diante do mal e das injustiças. Falam em não-violência, em social-democracia, paz, etc, não percebendo que tudo isto é truque do sistema para evitar a revolução.

E isto não mudará... enquanto existir o sistema de dominação e uma minoria de grupos dominantes, a USP continuará sendo o que é e fazendo o que faz. Ela integra uma estrutura maior de dominação.

Uma estrutura que está ligada com a política, mais especificamente, com a democracia representativa. A democracia representativa é a democracia dos grupos dominantes. É a democracia de uma minoria dominando a grande maioria.

Está ligada com a estrutura de dominação do judiciário e da administração pública. Olhe para os concursos públicos, não são parecidos com os méritos da USP ? Nestes concursos, a maioria da população, principalmente os pobres e negros, estão completamente excluídos. Primeiro, porque exigem diplomas. Segundo, porque as provas são mais difíceis que o vestibular e só passa quem paga cursos caríssimos...

O que mudará esta realidade ? Uma revolução... Todo o sistema tem que ser quebrado. Toda a estrutura tem que ser modificada.
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Teorias sobre a educação escolar e a desigualdade
Bernstein: Códigos de linguagem
Anthony Giddens -- Sociologia --artmed -- 2005 -- p.412-414
Existem várias perspectivas teóricas sobre a natureza da educação moderna e suas implicações para a desigualdade. Uma dessas abordagens é a que enfatiza as habilidades linguísticas.

Na década de 1970, Basil Bernstein defendeu a tese de que crianças de origens diversas desenvolvem códigos diferentes, ou tipos de fala, na fase inicial da vida, as quais afetam suas experiências posteriores na escola. Seu interesse não está nas diferenças de vocabulário ou de habilidades verbais, como normalmente se sugere, mas nas diferenças sistemáticas no emprego da linguagem, especialmente no contraste entre as crianças mais pobres e as mais ricas.

O modo de falar das crianças pertencentes à classe trabalhadora, afirma Bernstein, representa um código restrito - uma forma de utilizar a linguagem que contém muitas suposições não-declaradas que os falantes esperam que os outros reconheçam. Um código restrito é uma espécie de discurso vinculado ao seu próprio cenário cultural.

Muitos indivíduos da classe trabalhadora vivem em uma cultura muito voltada à família ou ao bairro, na qual se parte do pressuposto de que todos conhecem os valores e as normas sem expressá-los através da linguagem. Os pais tendem a socializar seus filhos empregando diretamente recompensas ou repreensões para corrigir seu comportamento.

Em um código restrito, a linguagem adapta melhor à comunicação de experiências práticas do que à discussão de idéias, processos ou relações mais abstratas. Assim, o discurso do código restrito é típico de crianças que crescem em famílias de classe baixa e dos grupos sociais com os quais elas convivem. O discurso é orientado para as normas do grupo, sem que ninguém consiga explicar facilmente o motivo de estar seguindo os padrões de comportamento que segue.

Bernstein acredita que o desenvolvimento da linguagem das crianças da classe média, em contraste, envolve a aquisição de um código elaborado - um estilo de discurso em que os significados das palavras podem ser individualizados para satisfazer às demandas de situações específicas. Os modos pelos quais as crianças da classe média aprendem a utilizar a linguagem são menos vinculados a contextos particulares; as crianças conseguem fazer generalizações e expressar idéias abstratas com maior facilidade.

Dessa forma, quando mães de classe média controlam seus filhos, elas freqüentemente explicam os motivos e os princípios que estão por trás de suas reações ao comportamento da criança. Enquanto uma mãe da classe trabalhadora pode repreender seu filho por querer comer muitos doces dizendo simplesmente "Chega de doces !", é mais provável que uma mãe da classe média explique que exagerar nos doces faz mal à saúde e estraga os dentes.

Crianças que adquiriram códigos elaborados de fala, sugere Bernstein, têm mais condições de lidar com as exigências da educação acadêmica formal do que aquelas que se limitaram a códigos restritos. Isso não significa que o tipo de discurso das crianças da classe trabalhadora seja "inferior", ou que seus códigos de linguagem sejam "pobres", mas, sim, que o seu modo de falar não combina com a cultura acadêmica da escola. Aqueles que dominam códigos elaborados se adaptam com muito mais facilidade ao ambiente escolar.

Há evidências que fortalecem a teoria de Bernstein, mesmo que sua validade ainda seja discutida. Joan Tough (1976) estudou a linguagem das crianças da classe trabalhadora e da classe média, encontrando diferenças sistemáticas. Ela confirma a tese de Bernstein de que as crianças da classe trabalhadora geralmente têm menos oportunidades de ouvir respostas para suas perguntas ou explicações sobre o raciocínio dos outros. À mesma conclusão chegaram Barbara Tizard e Martin Hughes (1984) em uma pesquisa posterior.

As idéias de Bernstein nos auxiliam a entender por que pessoas que provém de determinados meios sócio-econômicos tendem a ter um desempenho abaixo do seu potencial na escola. São estes os traços associados ao discurso do código restrito que inibem as chances de uma criança em termos educacionais;

-- A criança provavelmente recebe respostas limitadas às perguntas que faz em casa; logo, é provável que ela fique menos bem-informada e menos curiosa em relação ao mundo em um sentido mais amplo do que aquelas que dominam códigos elaborados.

-- A criança encontrará dificuldades para responder à linguagem impassível e abstrata empregada no ensino, bem como aos apelos em relação aos princípios gerais da disciplina escolar.

-- É provável que muito do que o professor disser seja incompreensível para a criança, pois ele empregará a linguagem de uma forma com a qual a criança não está acostumada. Para lidar com esse problema,a criança não está acostumada. Para lidar com esse problema, a criança talvez tente traduzir a linguagem do professor para algo que lhe seja familiar - mas, nesse caso, é possível que ela deixe de compreender justamente os princípios que o professor pretende transmitir.

-- Embora decorar ou repetir não sejam atividades muito difíceis para a criança, ela pode encontrar grandes dificuldades para entender distinções conceituais que envolvem generalizações e abstração.
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Illich: o currículo oculto
Um dos autores mais controversos da teoria educacional é Ivan Illich. É reconhecido por suas críticas ao desenvolvimento econômico moderno, que ele descreve como um processo por meio do qual as pessoas, que anteriormente eram auto-suficientes, são privadas de suas habilidades tradicionais e obrigadas a dependerem de médicos que tratem de sua saúde, professores que as ensinem, televisão que as divirta e patrões que garantam sua subsistência.

Illich argumenta que a própria noção da obrigatoriedade da educação escolar - hoje aceita no mundo inteiro - deveria ser questionada (1973).

O autor enfatiza o elo existente entre o desenvolvimento da educação e as exigências da economia por disciplina e hierarquia. Illich afirma que as escolas evoluíram para lidar com quatro tarefas básicas: o cuidado custodial, a distribuição dos indivíduos em papéis ocupacionais, o aprendizado de valores dominantes e a aquisição de habilidades e conhecimento que sejam socialmente aprovados.

Quanto ao primeiro item, a escola tornou-se uma organização custodial, pois a freqüência nas aulas é obrigatória, e as crianças são mantidas longe das ruas desde a infância até o ingresso no mercado de trabalho.

Muito do que se aprende na escola não tem nada a ver com o conteúdo formal das aulas. As escolas tendem a inculcar o que Illich (1973) definiu como consumo passivo - uma aceitação irrefletida da ordem social existente - por meio da natureza da disciplina e da arregimentação que envolvem. Essas ligações não são ensinadas conscientemente, estando implícitas nos procedimentos e na organização escolares. O currículo oculto ensina à criança que seu papel na vida é conhecer o seu lugar e ficar sentada quietinha nele.

Illich defende uma sociedade sem escolas. A obrigatoriedade da educação escolar é uma invenção relativamente recente, salienta ele; não há por que aceitá-la como se fosse algo de certa forma inevitável. Já que as escolas não promovem a igualdade ou o desenvolvimento de habilidades criativas individuais, por que não abolirmos o seu formato atual ?

Com isso, Illich não quer dizer que todas as formas de organização educacional devam ser extintas. Todo aquele que quiser aprender deve ter acesso aos recursos disponíveis - em qualquer momento da vida, não apenas na infância ou na adolescência. Um sistema assim possibilitaria a ampla difusão e divisão do conhecimento, que não ficaria limitado aos especialistas.

Os estudantes não deveriam ter de se submeter a um currículo-padrão, devendo ter possibilidade de escolha em relação ao que estudam.

O que tudo isso significa em termos práticos não está totalmente claro. No lugar das escolas, entretanto, Illich sugere que haja diversos tipos de estrutura educacional. Recursos materiais para o aprendizado formal seriam guardados em bibliotecas, locadoras, laboratórios e bancos de armazenamento de informações, disponíveis a qualquer estudante.

Seriam instaladas "redes de comunicações" que ofereceriam dados a respeito das habilidades de vários indivíduos e de sua disposição para ensinar outras pessoas ou se envolver em atividades de aprendizado mútuo. Os estudantes receberiam vales que lhes possibilitariam utilizar os serviços educacionais quando e como eles desejassem.

Será que essas propostas são completamente utópicas ? Muitos diriam que sim. Mas caso, no futuro, haja uma redução ou uma reestruturação substancial do trabalho remunerado, como aparentemente é possível, essas idéias parecerão menos irrealistas. Se o emprego assalariado adquirisse um papel menos central na vida social, as pessoas poderiam se envolver em uma variedade maior de atividades.

Diante desse quadro, algumas das idéias de Illich fazem bastante sentido. A educação não seria apenas um primeiro treinamento, limitado a instituições especiais, mas ficaria à disposição de quem quisesse aproveitá-la.

As idéias de Illich, divulgadas na década de 1970, entraram novamente na moda nos anos de 1990 com o avanço das novas tecnologias das comunicações. Como vimos, algumas pessoas acreditam que os computadores e a internet possam revolucionar a educação e reduzir as desigualdades.

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Bourdieu: educação e reprodução cultural
A maneira mais esclarecedora de associarmos alguns dos temas dessas perspectivas teóricas talvez seja por meio do conceito de reprodução cultural (Bourdieu, 1986, 1988; Bourdieu e Passeron, 1977).

A reprodução cultural refere-se às formas pelas quais as escolas, juntamente com outras instituições sociais, ajudam a perpetuar desigualdades econômicas e sociais ao longo de gerações.

O conceito direciona nossa atenção aos meios pelos quais as escolas, através do currículo oculto, influenciam o aprendizado de valores, atitudes e hábitos. As escolas reforçam as variações nos valores culturais e nas visões selecionadas nos primeiros anos da vida; quando as crianças deixam a escola, essas variações têm o efeito de limitar as oportunidades de algumas crianças ao mesmo tempo que facilitam as de outras.

Não há dúvidas de que os modos de emprego da linguagem identificados por Bernstein estão relacionados a essas óbvias diferenças culturais, que subjazem às variações de interesses e de gostos.

Crianças provenientes da classe baixa, e muitas vezes de grupos minoritários, desenvolvem formas de conversar e de agir que estão em desarmonia com aquelas que imperam na escola. As escolas impõem regras de disciplina aos alunos, a autoridade dos professores volta-se para o aprendizado acadêmico.

As crianças da classe trabalhadora sofrem um baque cultural bem maior ao entrarem na escola do que aquelas que vêm de lares mais privilegiados - na realidade, as primeiras têm a impressão de estarem em um ambiente cultural estrangeiro. Não apenas é menos provável que elas encontrem motivação em alcançar um alto nível de desempenho acadêmico, mas também sua maneira habitual de falar e de agir, como defende Bernstein, não combina com a dos professores, mesmo que cada um faça o melhor para se comunicar.

As crianças passam bastante tempo na escola. Como enfatiza Illich, elas aprendem muito mais lá do que é oficialmente ensinado nas aulas. Bem cedo, as crianças têm uma amostra do que vai ser o mundo do trabalho, aprendendo que deverão ser pontuais e diligentes nas tarefas determinadas por aqueles que estã em posição de autoridade (Webb e Westergaard, 1991).

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Willis: uma análise da reprodução cultural
Uma célebre discussão a respeito da reprodução cultural aparece no relatório do estudo de trabalho de campo executado por Paul Willis em uma escola de Birmingham (1977). Mesmo tendo sido realizado há mais de duas décadas, esse estudo continua sendo um clássico da investigação sociológica.

Willis propôs a seguinte questão para investigação: como ocorre a reprodução cultural - ou como ele a colocou, "como os filhos da classe trabalhadora arranjam empregos na classe trabalhadora."

Normalmente se imagina que, durante o processo da educação escolar, crianças que provenham de meios de classe baixa ou de minorias simplesmente acabem percebendo que "não são inteligentes o bastante" para esperar conseguir empregos que garantam um status elevado e altos salários no futuro.

Em outras palavras, a experiência do fracasso acadêmico as ensina a reconhecer suas limitações intelectuais; aceitando sua "inferioridade", elas partem para ocupações com perspectivas de carreira limitadas.

Como enfatiza Willis, essa interpretação não está absolutamente de acordo com a realidade da vida e das experiências das pessoas. A "sabedoria das ruas" dos indivíduos que vêm de bairros pobres pode ter pouca ou nenhuma relevância para o sucesso acadêmico, porém envolve um conjunto de habilidades tão sutil, engenhoso e complexo quanto qualquer outra prática intelectual ensinada na escola.

Poucas crianças, se é que alguma, saem da escola pensando "sou tão burra que mereço passar o dia empilhando caixas em uma fábrica." Se as crianças de origem menos privilegiada aceitam trabalhos braçais, e não se sentem fracassadas pelo resto da vida, é porque deve haver outros fatores envolvidos na questão.

Willis concentrou-se em um grupo específico de garotos na escola, passando bastante tempo com eles. Os membros dessa turma, que se autodenominavam "os caras", eram brancos; a escola também tinha muitas crianças de famílias das Índias Ocidentais e da Ásia. Willis descobriu que esses rapazes tinham uma compreensão crítica e perspicaz do sistema de autoridade da escola - mas a utilizavam para combater esse sistema, e não para trabalhar a seu favor.

Eles viam na escola um ambiente hostil, mas que poderia ser manipulado para seus próprios objetivos. Tiravam prazer dos conflitos constantes - que, na maioria das vezes, eles mantinham em função de pequenas rixas - com os professores. Tornavam-se peritos em enxergar os pontos fracos das reclamações dos professores por autoridade, assim como os seus pontos vulneráveis enquanto indivíduos.

Na sala de aula, por exemplo, as crianças deveriam ficar sentadas e quietas e dar continuidade aos seus trabalhos. Mas "os caras" passavam o tempo todo se mexendo, exceto nos momentos em que o olhar fixo do professor pudesse imobilizá-los por um instante; ficavam fofocando dissimuladamente, ou faziam comentários em voz alta que beiravam à insubordinação, mas que poderiam ser explicados caso fossem contestados.

"Os caras" reconheciam que o trabalho seria parecido com a escola, mas não viam a hora de começarem a trabalhar. Não esperavam obter uma satisfação direta com o ambiente de trabalho, mas aguardavam com impaciência o momento de receberem um salário. Longe de considerarem as funções que exerciam - em trabalhos de borracharia, colocação de carpetes, encanamentos, pintura e decoração - atividades inferiores, eles demonstravam a mesma atitude de superioridade diante do trabalho que tinham em relação à escola. Gostavam do status de adulto que o trabalho proporcionava, mas não estavam interessados em "construir uma carreira".

Como salienta Willis, o trabalho em ambientes de produção, muitas vezes, envolve aspectos culturais bem semelhantes àqueles criados por esses rapazes em sua cultura de oposição à escola - brincadeiras, raciocínio rápido e habilidade para subverter as exigências das figuras de autoridade quando necessário. Só depois de muito tempo é que eles podem acabar percebendo que estão presos em um trabalho árduo, que não traz recompensas. Quando possuem uma família, é possível que olhem para o passado e percebam - sem esperanças - que a educação teria sido sua única saída. Entretanto, se tentam passar essa visão para seus próprios filhos, estes provavelmente não terão mais sucesso na vida do que seus pais o tiveram.

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Quem cria o totalitarismo ?
O totalitarismo é o resultado de uma série de eventos sociais. Porém, todos estes eventos estão ligados com a dominação, opressão, exclusão e exploração. Por isso, eu considero que o totalitarismo é exacerbação de tudo isto. Se a dominação antes estava na escala dez, no ambiente totalitário chega na escala 1000. A dominação se torna dominação completa. A opressão se torna opressão total. A exclusão é exclusão mesmo (pega o indivíduo queima em um forno, etc). E a exploração é a exploração máxima.

Tudo isto é gestado e criado de gota em gota, de ato em ato, desemprego em desemprego, dia após dia. Ninguém olha para as conseqüências da pobreza, da miséria, das violações de direito, das injustiças. São apenas, dizem todos, borboletas batendo suas asinhas, qual é o dano que uma pequena borboleta pode causar ? Um físico responderia: uma borboleta que bate as asas no Japão, pode causar um furacão no Caribe.

Eu pegaria isto e diria, pequenas borboletas de dominação, opressão, exclusão e exploração batendo suas asinhas hoje, pode gerar o totalitarismo nas décadas futuras. O efeito em cadeia é dado e transmitido pelo ódio social. Um ódio que contamina a sociedade, passando de pessoa para pessoa. Este ódio acumulado na cadeia ao longo do tempo explode em um sistema totalitário. O ódio social é a energia do totalitarismo.

Isto é teoria de sistema. É Teoria do Caos. Inegavelmente, o totalitarismo tem relação com o caos. Ele pretende destruir um mundo e construir outro sobre as cinzas. Um novo mundo no qual a sociedade é parecida com uma sociedade de formiga. E os homens são homens-formiga. Cada um faz exatamente o que tem de fazer, sem mudar as regras, sem criatividade, sem individualidade. Todas formigas arianas.

O ódio social está dentro da consciência totalitária. Ele pode ser fixado na consciência totalitária como um dogma, por exemplo, o anti-semitismo, anti-capitalismo, comunismo, etc. Inclusive o vazio de pensamento fixa o dogma com muito mais facilidade quando ele está diretamente ligado com uma emoção, com o ódio por alguém ou por alguma coisa. A mídia e propaganda, contando histórias mentirosas, podem potencializar infinitamente este ódio.

Uma dominação hoje, duas amanhã, dez no ano que vem e, de repente, dominação total... O mal vai entrando aos poucos, se tornando corriqueiro e comum e cada vez mais superficial em nosso pensamento. De tanto ver o mal, de tanto vê-lo todos os dias, chega uma hora que estamos completamente anestesiados. Olhamos para o mal, mas não o vemos. Praticamos o mal e não percebemos. Não refletimos sobre aquela ação, as conseqüências daquela ação. Nesta hora podemos falar em banalidade do mal. O mal se tornou banal em nossas vidas...

Não necessariamente esta dominação é feita por antigos dominadores, opressores e exploradores. Os antigos podem ser suplantados pelos dominados, oprimidos e explorados. Logo, a dominação total é feita por estes últimos e os antigos são perseguidos, capturados e exterminados.

Assim, uma das razões da exacerbação, seria o fato da ação dos líderes totalitários ser, não apenas a materialização dos dogmas que pregavam, mas sobretudo, uma vingança do ódio social acumulado. Vingança contra aqueles que são objeto desse ódio...

De acordo com Nerone, na obra "Hannah Arendt e o declínio da esfera pública":

"O totalitarismo, ponto de partida para o pensamento de Hannah Arendt em busca do sentido da política, é por ela conceituado como um fenômeno distinto das tiranias antigas e das ditaduras, posto que almeja impor o domínio total sobre a sociedade e cuja ideologia pretende, numa segunda etapa, açambarcar toda a população mundial.

Mediante a hipertrofia da política, "na qual toda a vida humana foi politizada por completo", e a destruição da esfera pública mediante o fim da liberdade, o governo totalitário objetiva controlar todas as dimensões da vida das pessoas através do terror. Para tanto, os movimentos totalitários tentaram abolir a separação entre as esferas públicas e privadas, e eliminar a própria essência da política: a liberdade.


Para Arendt, o totalitarismo, nas suas formas stalinistas e nazistas, foi conseqüência da conjugação dos seguintes fatores: por um lado, o surgimento da sociedade de massas, a dissolução de classes sociais e a atomização dos indivíduos sob a Revolução Industrial; por outro, a crise socioeconômica e do sistema partidário decorrente da Primeira Grande Guerra. (...) (p. 87)

Essas massas, desesperançadas pelo advento das altas taxas de infração e desemprego que se seguiram ao fim da Primeira Guerra, tenderam para o nacionalismo especialmente violento e foram arregimentadas e organizadas pelos movimentos totalitários, que delas exigem lealdade total e irrestrita, base psicológica do domínio total e subjugação internalizada.

O movimento totalitário aproveitou-se do ódio popular com relação aos partidos políticos para destruir esse sistema de representação. No entender de Hannah Arendt, tais episódios comprovariam que as liberdades democráticas necessitam de alguma forma de organização institucionalizada ou de hierarquia social e política para que possam funcionar adequadamente, afirmação que se coaduna com sua concepção de que a política é fruto da ação coletiva e que exige um espaço organizado para que a liberdade possa ser exercida, a esfera pública.

A atomização dos indivíduos sob o sistema produtivo industrial, acirrado pelo individualismo politicamente apático da sociedade de consumo, esta pautada pela concorrência interpessoal, teria reduzido a conexão dos indivíduos com seus semelhantes e eliminado a solidariedade comunitária. O individualismo da ideologia liberal, para quem a mera soma dos interesses individuais constitui o milagre do bem comum, incitava uma indiferença, e até mesmo uma hostilidade com relação à participação nas atividades da esfera pública, considerada como perda de tempo e energia; sob o totalitarismo, nada foi tão fácil de destruir quanto a privacidade e a moralidade pessoal de homens que só pensavam em salvaguardar suas vidas privadas. (p.88)

O domínio totalitário teria se instaurado mediante três etapas: a destruição dos direitos civis (a morte da sua pessoa jurídica), a destruição da pessoa moral do homem (corrupção da solidariedade) e por fim a destruição da individualidade (singulariedade e espontaneidade humana). O isolamento dos indivíduos atomizados teria sido a base para o domínio totalitário, concebido exclusivamente como força, que objetivou a abolição da liberdade e até mesmo a eliminação de toda espontaneidade humana em todos os aspectos da vida.

Para Hannah Arendt, a destruição do mundo comum e o isolamento dos indivíduos no âmbito de uma esfera privada controlada são as precondições para a instalação do governo totalitário, pois anulariam a capacidade de iniciativa de novas ações políticas. (p.89)"

Enfim, vou refletir mais sobre tudo isto...
Quem cria o totalitarismo ?
O totalitarismo é o resultado de uma série de eventos sociais. Porém, todos estes eventos estão ligados com a dominação, opressão, exclusão e exploração. Por isso, eu considero que o totalitarismo é exacerbação de tudo isto. Se a dominação antes estava na escala dez, no ambiente totalitário chega na escala 1000. A dominação se torna dominação completa. A opressão se torna opressão total. A exclusão é exclusão mesmo (pega o indivíduo queima em um forno, etc). E a exploração é a exploração máxima.

Tudo isto é gestado e criado de gota em gota, de ato em ato, desemprego em desemprego, dia após dia. Ninguém olha para as conseqüências da pobreza, da miséria, das violações de direito, das injustiças. São apenas, dizem todos, borboletas batendo suas asinhas, qual é o dano que uma pequena borboleta pode causar ? Um físico responderia: uma borboleta que bate as asas no Japão, pode causar um furacão no Caribe.

Eu pegaria isto e diria, pequenas borboletas de dominação, opressão, exclusão e exploração batendo suas asinhas hoje, pode gerar o totalitarismo nas décadas futuras. O efeito em cadeia é dado e transmitido pelo ódio social. Um ódio que contamina a sociedade, passando de pessoa para pessoa. Este ódio acumulado na cadeia ao longo do tempo explode em um sistema totalitário. O ódio social é a energia do totalitarismo.

Isto é teoria de sistema. É Teoria do Caos. Inegavelmente, o totalitarismo tem relação com o caos. Ele pretende destruir um mundo e construir outro sobre as cinzas. Um novo mundo no qual a sociedade é parecida com uma sociedade de formiga. E os homens são homens-formiga. Cada um faz exatamente o que tem de fazer, sem mudar as regras, sem criatividade, sem individualidade. Todas formigas arianas.

O ódio social está dentro da consciência totalitária. Ele pode ser fixado na consciência totalitária como um dogma, por exemplo, o anti-semitismo, anti-capitalismo, comunismo, etc. Inclusive o vazio de pensamento fixa o dogma com muito mais facilidade quando ele está diretamente ligado com uma emoção, com o ódio por alguém ou por alguma coisa. A mídia e propaganda, contando histórias mentirosas, podem potencializar infinitamente este ódio.

Uma dominação hoje, duas amanhã, dez no ano que vem e, de repente, dominação total... O mal vai entrando aos poucos, se tornando corriqueiro e comum e cada vez mais superficial em nosso pensamento. De tanto ver o mal, de tanto vê-lo todos os dias, chega uma hora que estamos completamente anestesiados. Olhamos para o mal, mas não o vemos. Praticamos o mal e não percebemos. Não refletimos sobre aquela ação, as conseqüências daquela ação. Nesta hora podemos falar em banalidade do mal. O mal se tornou banal em nossas vidas...

Não necessariamente esta dominação é feita por antigos dominadores, opressores e exploradores. Os antigos podem ser suplantados pelos dominados, oprimidos e explorados. Logo, a dominação total é feita por estes últimos e os antigos são perseguidos, capturados e exterminados.

Assim, uma das razões da exacerbação, seria o fato da ação dos líderes totalitários ser, não apenas a materialização dos dogmas que pregavam, mas sobretudo, uma vingança do ódio social acumulado. Vingança contra aqueles que são objeto desse ódio...

De acordo com Nerone, na obra "Hannah Arendt e o declínio da esfera pública":

"O totalitarismo, ponto de partida para o pensamento de Hannah Arendt em busca do sentido da política, é por ela conceituado como um fenômeno distinto das tiranias antigas e das ditaduras, posto que almeja impor o domínio total sobre a sociedade e cuja ideologia pretende, numa segunda etapa, açambarcar toda a população mundial.

Mediante a hipertrofia da política, "na qual toda a vida humana foi politizada por completo", e a destruição da esfera pública mediante o fim da liberdade, o governo totalitário objetiva controlar todas as dimensões da vida das pessoas através do terror. Para tanto, os movimentos totalitários tentaram abolir a separação entre as esferas públicas e privadas, e eliminar a própria essência da política: a liberdade.


Para Arendt, o totalitarismo, nas suas formas stalinistas e nazistas, foi conseqüência da conjugação dos seguintes fatores: por um lado, o surgimento da sociedade de massas, a dissolução de classes sociais e a atomização dos indivíduos sob a Revolução Industrial; por outro, a crise socioeconômica e do sistema partidário decorrente da Primeira Grande Guerra. (...) (p. 87)

Essas massas, desesperançadas pelo advento das altas taxas de infração e desemprego que se seguiram ao fim da Primeira Guerra, tenderam para o nacionalismo especialmente violento e foram arregimentadas e organizadas pelos movimentos totalitários, que delas exigem lealdade total e irrestrita, base psicológica do domínio total e subjugação internalizada.

O movimento totalitário aproveitou-se do ódio popular com relação aos partidos políticos para destruir esse sistema de representação. No entender de Hannah Arendt, tais episódios comprovariam que as liberdades democráticas necessitam de alguma forma de organização institucionalizada ou de hierarquia social e política para que possam funcionar adequadamente, afirmação que se coaduna com sua concepção de que a política é fruto da ação coletiva e que exige um espaço organizado para que a liberdade possa ser exercida, a esfera pública.

A atomização dos indivíduos sob o sistema produtivo industrial, acirrado pelo individualismo politicamente apático da sociedade de consumo, esta pautada pela concorrência interpessoal, teria reduzido a conexão dos indivíduos com seus semelhantes e eliminado a solidariedade comunitária. O individualismo da ideologia liberal, para quem a mera soma dos interesses individuais constitui o milagre do bem comum, incitava uma indiferença, e até mesmo uma hostilidade com relação à participação nas atividades da esfera pública, considerada como perda de tempo e energia; sob o totalitarismo, nada foi tão fácil de destruir quanto a privacidade e a moralidade pessoal de homens que só pensavam em salvaguardar suas vidas privadas. (p.88)

O domínio totalitário teria se instaurado mediante três etapas: a destruição dos direitos civis (a morte da sua pessoa jurídica), a destruição da pessoa moral do homem (corrupção da solidariedade) e por fim a destruição da individualidade (singulariedade e espontaneidade humana). O isolamento dos indivíduos atomizados teria sido a base para o domínio totalitário, concebido exclusivamente como força, que objetivou a abolição da liberdade e até mesmo a eliminação de toda espontaneidade humana em todos os aspectos da vida.

Para Hannah Arendt, a destruição do mundo comum e o isolamento dos indivíduos no âmbito de uma esfera privada controlada são as precondições para a instalação do governo totalitário, pois anulariam a capacidade de iniciativa de novas ações políticas. (p.89)"

Enfim, vou refletir mais sobre tudo isto...