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sexta-feira, 25 de abril de 2008

Quando a Ciência banaliza a vida: o caso das células-tronco
Eu não sou contra as pesquisas com células-tronco. Acredito que pesquisas científicas que melhorem e preservem a vida devem ser realizadas. Eu sou contra o uso de embriões ou fetos humanos nestas pesquisas. Seres Humanos não podem ser matéria-prima para processos industriais ou para pesquisa. A vida não pode ser matéria-prima de laboratório e tubos de ensaios.

Além disso, ressalto mais uma vez, a mídia somente foca nos resultados das pesquisas com as tais células troncas. Não dizem que estas pesquisas usam seres humanos como matéria-prima. Não dizem que vidas congeladas (outra aberração diabólica) serão eliminadas, fatiadas, liquefeitas e estudadas em microscópios, ou então, servirão para extrair as tais células tronco....

Querem fazer pesquisas com células-tronco ? Que façam... Porém, devem respeitar a vida. Busquem matéria-prima em outra parte. Considero que a proibição do uso de embriões e fetos humanos em pesquisas científicas é fundamental para impedir o avanço da banalização da vida. Um fenômeno que conhecemos muito bem e que resulta a extermínio em massa de pessoas consideradas inviáveis ou indesejáveis.

Usar embriões e fetos em pesquisas científicas é uma demonstração clara de banalização da vida, de coisificação do humano. O Homem é transformado em matéria-prima de processo científico ou industrial.

Isto parece ser uma coisa boba. Uma coisa sem muita importância. Uma coisa que a Ciência aprova com muitos méritos. Afinal novas curas e tratamentos irão surgir dessa panacéia chamada células-tronco. Isto me lembra um artigo sobre o Nazismo que foi publicado na Revista Superinteressante de julho de 2005.

Este artigo busca explicar as razões que levaram milhões de alemães a seguirem Hitler e a tolerarem as ações nazistas contra pessoas consideradas descartáveis pelo sistema. E a primeira idéia apresentada no artigo, que ajudou o totalitarismo a avançar na Alemanha, foi o carimbo da ciência.

Diz o texto: "Como uma pessoa comum pode conviver com sua consciência após assassinar inocentes ? A resposta: fica mais fácil dormir à noite quando se acredita que seus atos trarão o bem à humanidade. Hitler convenceu os alemães - e muitos estrangeiros - de que, após o massacre, nasceria um mundo melhor.

Isso pode soar absurdo hoje, mas era um fato aceito pela ciência da época. "O Holocausto não ocorreu no vácuo. Ele seguiu décadas de crescente aceitação científica à desigualdade entre os homens", diz o alemão Henry Friedlander, historiador e autor de The Origins of Nazi Genocide ("As origens do Genocídio Nazista", sem versão brasileira). Friedlander se refere a um conceito nascido no século 19 nas melhores universidades: a eugenia.

A eugenia surgiu sob o impacto da publicação, em 1859, de um livro que mudaria para sempre o pensamento ocidental: A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Darwin mostrou que as espécies não são imutáveis, mas evoluem gradualmente a partir de um antepassado comum à medida que os indivíduos mais aptos vivem mais e deixam mais descendentes. Pela primeira vez, o destino do mundo estava nas mãos da natureza, e não nas de Deus.

Darwin restringiu sua teoria ao mundo natural, mas outros pensadores a adaptaram - de um jeito meio torto - às sociedades humanas. O mais destacado entre eles foi o matemático inglês Francis Galton, primo de Darwin. Em 1865, ele postulou que a hereditariedade transmitia características mentais - o que faz sentido. Mas algumas idéias de Galton eram bem mais esquisitas. Por exemplo, ele dizia que, se os membros das melhores famílias se casassem com parceiros escolhidos, poderiam gerar uma raça de homens mais capazes. A partir das palavras gregas para "bem" e "nascer", Galton criou o termo "eugenia" para batizar essa nova teoria.

Galton se inspirou nas obras então recém-descobertas de Gregor Mendel, um monge checo morto 12 anos antes que passaria à história como fundador da genética. Ao cruzar pés de ervilhas, Mendel havia identificado características que governavam a reprodução, chamando-as de dominantes e recessivas. Quando ervilhas de casca enrugada cruzam com as cascas lisa, o descendente tende a ter casca enrugada, pois esse gene é dominante.

Os eugenistas viram na genética o argumento para justificar seu racismo. Eles interpretaram as experiências de Mendel assim: casca enrugada é uma 'degeneração' (hoje sabe-se que estavam errados - tratava-se apenas de uma variação genética, algo ótimo para a sobrevivência). Misturar genes bons com 'degenerados', para eles, estragaria a linhagem. Para evitar isso, só mantendo a raça 'pura' - e aí eles não estavam mais falando de ervilhas. O eugenista Madison Grant, do Museu Americano de História Natural, advertia em 1916: "O cruzamento entre um branco e um índio faz um índio, entre um branco e um hindu faz um indu, entre qualquer raça européia e um judeu faz um judeu".

As idéias eugenistas fizeram sucesso entre as elites intelectuais de boa parte do Ocidente, inclusive as brasileiras. Mas houve um país em que elas se desenvolveram primeiro, e não foi a Alemanha: foram os EUA. Não tardou até que os eugenistas de lá começassem a querer transformar suas teorias em políticas públicas. "Em suas mentes, as futuras gerações dos geneticamente incapazes deveriam ser eliminadas", diz o jornalista americano Edwin Black, autor de A Guerra contra os Fracos. A miscigenação deveria ser proibida.

Programas de engenharia humana começaram a surgir, inspirados por técnicas advindas de estábulos e galinheiros. O zoólogo Charles Davenport, líder do movimento nos EUA, acreditava que os humanos poderiam ser criados e castrados como trutas e cavalos. Instituições de prestígio, como a Fundação Rockefeller e o Instituto Carnegie, doaram fundos para as pesquisas, universidades de primeira linha, como Stanford, ministraram cursos. Os eugenistas americanos ergueram escritórios de registros de 'incapazes', criaram testes de QI para justificar seu encarceramento e conseguiram que 29 Estados fizessem leis para esterilizá-los.

As primeiras vítimas foram pobres da Virgínia, e depois negros, judeus, mexicanos, europeus do sul, epilépticos e alcoólatras. Segundo Black, 60 mil pessoas foram esterilizadas á força nos EUA. Em seguida, países como a Suécia e a Finlândia começaram programas parecidos.

Portanto, quando a Alemanha de Hitler começou a esterilizar deficientes físicos e mentais, em 1934, não estava inventando nada. Só que eles foram mais longe. "Hitler está nos vencendo em nosso próprio jogo", indignou-se o medico americano Joseph DeJarnette, que castrava pobres. Em 1939, os alemães começaram a matar deficientes, num programa de "eutanásia forçada". Médicos usaram o gás inseticida Zyklon B para eliminar 70 mil pessoas "indignas de viver". O programa foi suspenso após protestos, mas serviu de ensaio para os campos de concentração, onde Zyklon B exterminaria qualquer um que ameaçasse o projeto da raça pura e a conseqüente "melhora da humanidade".

"Hitler conseguiu recrutar mais seguidores entre alemães equilibrados ao afirmar que a ciência estava a seu lado", diz Black. "Seu vice, Rudolf Hess", dizia que o nacional-socialismo não era nada além de biologia aplicada." Com o carimbo da ciência, ainda que meio falsificado, ficou mais fácil compactuar com o absurdo nazista."

O interessante desta história é a proximidade com o caso atual das células-tronco. É o uso da ciência como justificativa para o extermínio. Os operadores do sistema mostram e fixam as descrições no futuro, a "melhora da humanidade", a raça pura, sem doenças, etc. Porém, não mostram os meios e os custos para se atingir o futuro e realizar os objetivos que perseguem.

É exatamente o que temos com as tais células-tronco. Mostram o futuro, a cura de doenças (já arranjaram um monte de doentes incuráveis para acompanhar a caravana da liberação do extermínio, ou seja, para sensibilizar e enganar a sociedade sobre suas pretensões), novos tratamentos, etc. Porém, não mostram os meios e os custos para se atingir o futuro que descrevem. Não dizem que as pesquisas envolve o extermínio de embriões e fetos ou o extermínio de vida que eles consideram inviável. Usam, mais uma vez, o carimbo da ciência, para justificar práticas de extermínio.

Contudo, assim como na história dos Nazistas, o começo não é tão violento quanto o meio e o final da história. No caso das células-tronco o começo envolve apenas alguns embriões e alguns fetos considerados inviáveis. Nada mais do que isto. Porém, a ampliação das pesquisas ou o advento de uma 'possível' descoberta irá gerar uma grande demanda por mais embriões e fetos.

Então, já não buscaram mais embriões e fetos inviáveis, pois já utilizaram tudo o que existia nos estoques. Logo, começarão a buscar e gerar novas fontes. Podem, inclusive, gerar um mercado de embriões, incentivar a produção de fertilização in vitro para produzir embriões e fetos, ou então, trabalharem para a liberalização do aborto. As mães abortam nas clínicas científicas que não cobram nada pelo serviço e ainda pagam uma quantia para a mãe do exterminado. fazem isto para ficarem com o feto que irão utilizar nas pesquisas ou como matéria-prima de seus medicamentos.

A mídia está gerando uma forte neblina para obscurecer a consciência da população. Fixa nos resultados e não conta o custo para se alcançar tais objetivos, ou seja, não diz quantos serão exterminado pelas pesquisas e depois pelos processos industriais que usam céluluas-tronco para produzir medicamentos, etc....
Quando a Ciência banaliza a vida: o caso das células-tronco
Eu não sou contra as pesquisas com células-tronco. Acredito que pesquisas científicas que melhorem e preservem a vida devem ser realizadas. Eu sou contra o uso de embriões ou fetos humanos nestas pesquisas. Seres Humanos não podem ser matéria-prima para processos industriais ou para pesquisa. A vida não pode ser matéria-prima de laboratório e tubos de ensaios.

Além disso, ressalto mais uma vez, a mídia somente foca nos resultados das pesquisas com as tais células troncas. Não dizem que estas pesquisas usam seres humanos como matéria-prima. Não dizem que vidas congeladas (outra aberração diabólica) serão eliminadas, fatiadas, liquefeitas e estudadas em microscópios, ou então, servirão para extrair as tais células tronco....

Querem fazer pesquisas com células-tronco ? Que façam... Porém, devem respeitar a vida. Busquem matéria-prima em outra parte. Considero que a proibição do uso de embriões e fetos humanos em pesquisas científicas é fundamental para impedir o avanço da banalização da vida. Um fenômeno que conhecemos muito bem e que resulta a extermínio em massa de pessoas consideradas inviáveis ou indesejáveis.

Usar embriões e fetos em pesquisas científicas é uma demonstração clara de banalização da vida, de coisificação do humano. O Homem é transformado em matéria-prima de processo científico ou industrial.

Isto parece ser uma coisa boba. Uma coisa sem muita importância. Uma coisa que a Ciência aprova com muitos méritos. Afinal novas curas e tratamentos irão surgir dessa panacéia chamada células-tronco. Isto me lembra um artigo sobre o Nazismo que foi publicado na Revista Superinteressante de julho de 2005.

Este artigo busca explicar as razões que levaram milhões de alemães a seguirem Hitler e a tolerarem as ações nazistas contra pessoas consideradas descartáveis pelo sistema. E a primeira idéia apresentada no artigo, que ajudou o totalitarismo a avançar na Alemanha, foi o carimbo da ciência.

Diz o texto: "Como uma pessoa comum pode conviver com sua consciência após assassinar inocentes ? A resposta: fica mais fácil dormir à noite quando se acredita que seus atos trarão o bem à humanidade. Hitler convenceu os alemães - e muitos estrangeiros - de que, após o massacre, nasceria um mundo melhor.

Isso pode soar absurdo hoje, mas era um fato aceito pela ciência da época. "O Holocausto não ocorreu no vácuo. Ele seguiu décadas de crescente aceitação científica à desigualdade entre os homens", diz o alemão Henry Friedlander, historiador e autor de The Origins of Nazi Genocide ("As origens do Genocídio Nazista", sem versão brasileira). Friedlander se refere a um conceito nascido no século 19 nas melhores universidades: a eugenia.

A eugenia surgiu sob o impacto da publicação, em 1859, de um livro que mudaria para sempre o pensamento ocidental: A Origem das Espécies, de Charles Darwin. Darwin mostrou que as espécies não são imutáveis, mas evoluem gradualmente a partir de um antepassado comum à medida que os indivíduos mais aptos vivem mais e deixam mais descendentes. Pela primeira vez, o destino do mundo estava nas mãos da natureza, e não nas de Deus.

Darwin restringiu sua teoria ao mundo natural, mas outros pensadores a adaptaram - de um jeito meio torto - às sociedades humanas. O mais destacado entre eles foi o matemático inglês Francis Galton, primo de Darwin. Em 1865, ele postulou que a hereditariedade transmitia características mentais - o que faz sentido. Mas algumas idéias de Galton eram bem mais esquisitas. Por exemplo, ele dizia que, se os membros das melhores famílias se casassem com parceiros escolhidos, poderiam gerar uma raça de homens mais capazes. A partir das palavras gregas para "bem" e "nascer", Galton criou o termo "eugenia" para batizar essa nova teoria.

Galton se inspirou nas obras então recém-descobertas de Gregor Mendel, um monge checo morto 12 anos antes que passaria à história como fundador da genética. Ao cruzar pés de ervilhas, Mendel havia identificado características que governavam a reprodução, chamando-as de dominantes e recessivas. Quando ervilhas de casca enrugada cruzam com as cascas lisa, o descendente tende a ter casca enrugada, pois esse gene é dominante.

Os eugenistas viram na genética o argumento para justificar seu racismo. Eles interpretaram as experiências de Mendel assim: casca enrugada é uma 'degeneração' (hoje sabe-se que estavam errados - tratava-se apenas de uma variação genética, algo ótimo para a sobrevivência). Misturar genes bons com 'degenerados', para eles, estragaria a linhagem. Para evitar isso, só mantendo a raça 'pura' - e aí eles não estavam mais falando de ervilhas. O eugenista Madison Grant, do Museu Americano de História Natural, advertia em 1916: "O cruzamento entre um branco e um índio faz um índio, entre um branco e um hindu faz um indu, entre qualquer raça européia e um judeu faz um judeu".

As idéias eugenistas fizeram sucesso entre as elites intelectuais de boa parte do Ocidente, inclusive as brasileiras. Mas houve um país em que elas se desenvolveram primeiro, e não foi a Alemanha: foram os EUA. Não tardou até que os eugenistas de lá começassem a querer transformar suas teorias em políticas públicas. "Em suas mentes, as futuras gerações dos geneticamente incapazes deveriam ser eliminadas", diz o jornalista americano Edwin Black, autor de A Guerra contra os Fracos. A miscigenação deveria ser proibida.

Programas de engenharia humana começaram a surgir, inspirados por técnicas advindas de estábulos e galinheiros. O zoólogo Charles Davenport, líder do movimento nos EUA, acreditava que os humanos poderiam ser criados e castrados como trutas e cavalos. Instituições de prestígio, como a Fundação Rockefeller e o Instituto Carnegie, doaram fundos para as pesquisas, universidades de primeira linha, como Stanford, ministraram cursos. Os eugenistas americanos ergueram escritórios de registros de 'incapazes', criaram testes de QI para justificar seu encarceramento e conseguiram que 29 Estados fizessem leis para esterilizá-los.

As primeiras vítimas foram pobres da Virgínia, e depois negros, judeus, mexicanos, europeus do sul, epilépticos e alcoólatras. Segundo Black, 60 mil pessoas foram esterilizadas á força nos EUA. Em seguida, países como a Suécia e a Finlândia começaram programas parecidos.

Portanto, quando a Alemanha de Hitler começou a esterilizar deficientes físicos e mentais, em 1934, não estava inventando nada. Só que eles foram mais longe. "Hitler está nos vencendo em nosso próprio jogo", indignou-se o medico americano Joseph DeJarnette, que castrava pobres. Em 1939, os alemães começaram a matar deficientes, num programa de "eutanásia forçada". Médicos usaram o gás inseticida Zyklon B para eliminar 70 mil pessoas "indignas de viver". O programa foi suspenso após protestos, mas serviu de ensaio para os campos de concentração, onde Zyklon B exterminaria qualquer um que ameaçasse o projeto da raça pura e a conseqüente "melhora da humanidade".

"Hitler conseguiu recrutar mais seguidores entre alemães equilibrados ao afirmar que a ciência estava a seu lado", diz Black. "Seu vice, Rudolf Hess", dizia que o nacional-socialismo não era nada além de biologia aplicada." Com o carimbo da ciência, ainda que meio falsificado, ficou mais fácil compactuar com o absurdo nazista."

O interessante desta história é a proximidade com o caso atual das células-tronco. É o uso da ciência como justificativa para o extermínio. Os operadores do sistema mostram e fixam as descrições no futuro, a "melhora da humanidade", a raça pura, sem doenças, etc. Porém, não mostram os meios e os custos para se atingir o futuro e realizar os objetivos que perseguem.

É exatamente o que temos com as tais células-tronco. Mostram o futuro, a cura de doenças (já arranjaram um monte de doentes incuráveis para acompanhar a caravana da liberação do extermínio, ou seja, para sensibilizar e enganar a sociedade sobre suas pretensões), novos tratamentos, etc. Porém, não mostram os meios e os custos para se atingir o futuro que descrevem. Não dizem que as pesquisas envolve o extermínio de embriões e fetos ou o extermínio de vida que eles consideram inviável. Usam, mais uma vez, o carimbo da ciência, para justificar práticas de extermínio.

Contudo, assim como na história dos Nazistas, o começo não é tão violento quanto o meio e o final da história. No caso das células-tronco o começo envolve apenas alguns embriões e alguns fetos considerados inviáveis. Nada mais do que isto. Porém, a ampliação das pesquisas ou o advento de uma 'possível' descoberta irá gerar uma grande demanda por mais embriões e fetos.

Então, já não buscaram mais embriões e fetos inviáveis, pois já utilizaram tudo o que existia nos estoques. Logo, começarão a buscar e gerar novas fontes. Podem, inclusive, gerar um mercado de embriões, incentivar a produção de fertilização in vitro para produzir embriões e fetos, ou então, trabalharem para a liberalização do aborto. As mães abortam nas clínicas científicas que não cobram nada pelo serviço e ainda pagam uma quantia para a mãe do exterminado. fazem isto para ficarem com o feto que irão utilizar nas pesquisas ou como matéria-prima de seus medicamentos.

A mídia está gerando uma forte neblina para obscurecer a consciência da população. Fixa nos resultados e não conta o custo para se alcançar tais objetivos, ou seja, não diz quantos serão exterminado pelas pesquisas e depois pelos processos industriais que usam céluluas-tronco para produzir medicamentos, etc....

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Maiakóvski no caminho da célula-tronco
Há um poema do Eduardo Alves da Costa com o título "No caminho com Maiakóvski". Este poema diz:
"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"

A imagem mostrada por este poema é muito interessante. Uma imagem simples e singela que revela o plano do mal inserido em discursos do bem. Discursos solidários, altruístas e com casca inofensiva. Discursos que são verdadeiros cavalo de Tróia. Discursos que carregam, em seu interior, a semente do mal.

A idéia é simples e consiste em fragmentar as ações em milhares de pedaços. Quem vê os pedaços separados, não vê o todo. Não vê o conjunto reunido. Inegavelmente, é um truque, um artifício, muito eficiente.

Além disso, constroem um discurso que não pode ser refutado sem se expôr. Com isso paralisam e silenciam os homens de bem que lutam contra a hegemonia e o domínio do mal. "Roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. "

Isto se aplica perfeitamente às pesquisas com células-tronco. Dizem eles: "são embriões congelados há mais de três anos... São embriões descartáveis... São embriões inviáveis..." Pequenas frases. Frases inofensivas. Frases cavalo de Tróia que banalizam a vida e tentam jogar uma espessa nuvem de fumaça sobre a questão das células-tronco. Uma nuvem de fumaça que tem por finalidade esconder a vida que será exterminada e evidenciar uma possível, uma provável (não há certeza de nada), cura para doença...

O discurso foi construído para nos paralisar. Estão pisando as nossas flores, mas como estão buscando cura para doenças, não dizemos nada e aceitamos. Porém, não são meras flores. São vidas que estão sendo exterminadas. Vidas que estão servindo de cobaias para a ciência...

Inclusive, eu considero uma aberração a fecundação in vitro. É contra a natureza. É contra a biologia. Contra a ordem normal do mundo. Pior, fazem a fecundação in vitro e congelam os embriões. Geram a vida e depois a congelam ou descartam. Existe vida descartável ? Como um embrião pode ser inviável ? "Pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada."

Agora, dizem eles, é só pesquisa para compreender o mecanismo. Esta idéia de "compreender o mecanismo" não é nova. Lembro-me dos nazistas. Lembro do Mengele e de suas experiências para compreender o mecanismo. Lembram que ele cortava os braços de crianças e tentava colar o braço de uma na outra ? O Mengele também queria compreender o mecanismo... O mecanismo da rejeição, etc...

Hoje são embriões congelados há mais de 3 anos. São embriões descartáveis. São embriões inviáveis. Porém, se descobrirem uma cura, usando estes embriões, começará a produção em escala comercial ou industrial. E daí ? De onde virá os embriões ? Será que irão produzir embriões em larga escala para fazer os medicamentos ? Será que haverá uma fábrica onde os embriões são exterminados, lioquefeitos, filtrados e transformados em líquido injetável ?

Os nazistas usavam os corpos dos exterminados para fazer sabão. Os cientistas atuais querem usar embriões para fazer medicamentos. Qual é a diferença ? "Pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada."

De repente, alguém, por exemplo o Ministro Temporão, pode ver mais longe e dizer: "Vamos juntar as coisas ! Vamos legalizar o aborto. Assim, as mães podem ganhar dinheiro vendendo o feto abortado para as indústrias que utilizam células-tronco para fabricar medicamento. Com isso, geramos mais uma fonte de riqueza, uma fonte de renda..." E o mal começa a espalhar suas raízes, a juntar as partes separadas. E tudo começou porque toleramos as pequenas ações, deixamos eles pisarem nossas flores, matarem nosso cão, e não dissemos nada.

Vejam que começaram com a fecundação in vitro. Começaram congelando os embriões. Como nós deixamos passar, agora querem usar os embriões congelados, descartáveis ou inviáveis, para pesquisas. E se deixarmos passar, irão fazer coisa pior, muito pior...

Existem outras formas de pesquisa com células-tronco. Pesquisas que não usam células de embriões. Pesquisas que respeitam a vida. Estas são as pesquisas que devem ser incentivadas e financiadas. As demais devem ser banidas e proibidas, pois destroem a vida de indefesos, a vida do feto que está em desenvolvimento...

Na minha Teoria da Consciência e Liberdade considero a razão pura como um processo mental. Um processo formado por um conjunto de pensamentos coerentes que seguem o método científico. Porém, esta coerência e o método científico não são garantia de nada. Pode-se exterminar pessoas e grupos inteiros sendo coerente e seguindo o método científico. Não foi isto que o nazismo e o stalinismo fez ?

Por isso, a razão pura é um dos processos da consciência. É um processo que deve ser controlado e limitado por outros processos mentais. A razão pura não tem e nem deve ter força suficiente para agir sozinha e dominar os homens. Inclusive, este foi o grande erro do iluminismo. Erraram quando deram à razão pura hegemonia ou supremacia sobre todas as coisas e, principalmente, sobre o homem.

A razão pura, sendo um processo mental, é um sistema. E um sistema que, se agindo sozinho, é fanático e psicopata, seguindo os dogmas da ciência e buscando os objetivos estabelecidos sem atentar para suas ações, sem pesar as consequências, por exemplo, atentando para o fato de que a matéria-prima da pesquisa são embriões humanos, são pessoas em um estágio primitivo de desenvolvimento.

Contudo, a razão pura de um cientista, por ser fanática e psicopata, não hesitaria nem um pouco em usar os próprios filhos como cobaias dos experimentos científicos...

E nós não dissemos nada... Estão construindo as redes do mal bem diante dos nossos olhos, estão tecendo teias de destruição e extermínio ao nosso redor e nós não dizemos nada... "Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada."

É hora de prestar atenção, muita atenção, nas coisas que eles estão fazendo, naquilo que estão pedindo e nós estamos cedendo... A única coisa que pedem em troca é o nosso consentimento calado e obediente. Conduta que significa extermínio e destruição da vida e da dignidade humana...
Maiakóvski no caminho da célula-tronco
Há um poema do Eduardo Alves da Costa com o título "No caminho com Maiakóvski". Este poema diz:
"[...]
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.
[...]"

A imagem mostrada por este poema é muito interessante. Uma imagem simples e singela que revela o plano do mal inserido em discursos do bem. Discursos solidários, altruístas e com casca inofensiva. Discursos que são verdadeiros cavalo de Tróia. Discursos que carregam, em seu interior, a semente do mal.

A idéia é simples e consiste em fragmentar as ações em milhares de pedaços. Quem vê os pedaços separados, não vê o todo. Não vê o conjunto reunido. Inegavelmente, é um truque, um artifício, muito eficiente.

Além disso, constroem um discurso que não pode ser refutado sem se expôr. Com isso paralisam e silenciam os homens de bem que lutam contra a hegemonia e o domínio do mal. "Roubam uma flor do nosso jardim. E não dizemos nada. "

Isto se aplica perfeitamente às pesquisas com células-tronco. Dizem eles: "são embriões congelados há mais de três anos... São embriões descartáveis... São embriões inviáveis..." Pequenas frases. Frases inofensivas. Frases cavalo de Tróia que banalizam a vida e tentam jogar uma espessa nuvem de fumaça sobre a questão das células-tronco. Uma nuvem de fumaça que tem por finalidade esconder a vida que será exterminada e evidenciar uma possível, uma provável (não há certeza de nada), cura para doença...

O discurso foi construído para nos paralisar. Estão pisando as nossas flores, mas como estão buscando cura para doenças, não dizemos nada e aceitamos. Porém, não são meras flores. São vidas que estão sendo exterminadas. Vidas que estão servindo de cobaias para a ciência...

Inclusive, eu considero uma aberração a fecundação in vitro. É contra a natureza. É contra a biologia. Contra a ordem normal do mundo. Pior, fazem a fecundação in vitro e congelam os embriões. Geram a vida e depois a congelam ou descartam. Existe vida descartável ? Como um embrião pode ser inviável ? "Pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada."

Agora, dizem eles, é só pesquisa para compreender o mecanismo. Esta idéia de "compreender o mecanismo" não é nova. Lembro-me dos nazistas. Lembro do Mengele e de suas experiências para compreender o mecanismo. Lembram que ele cortava os braços de crianças e tentava colar o braço de uma na outra ? O Mengele também queria compreender o mecanismo... O mecanismo da rejeição, etc...

Hoje são embriões congelados há mais de 3 anos. São embriões descartáveis. São embriões inviáveis. Porém, se descobrirem uma cura, usando estes embriões, começará a produção em escala comercial ou industrial. E daí ? De onde virá os embriões ? Será que irão produzir embriões em larga escala para fazer os medicamentos ? Será que haverá uma fábrica onde os embriões são exterminados, lioquefeitos, filtrados e transformados em líquido injetável ?

Os nazistas usavam os corpos dos exterminados para fazer sabão. Os cientistas atuais querem usar embriões para fazer medicamentos. Qual é a diferença ? "Pisam as flores, matam nosso cão, e não dizemos nada."

De repente, alguém, por exemplo o Ministro Temporão, pode ver mais longe e dizer: "Vamos juntar as coisas ! Vamos legalizar o aborto. Assim, as mães podem ganhar dinheiro vendendo o feto abortado para as indústrias que utilizam células-tronco para fabricar medicamento. Com isso, geramos mais uma fonte de riqueza, uma fonte de renda..." E o mal começa a espalhar suas raízes, a juntar as partes separadas. E tudo começou porque toleramos as pequenas ações, deixamos eles pisarem nossas flores, matarem nosso cão, e não dissemos nada.

Vejam que começaram com a fecundação in vitro. Começaram congelando os embriões. Como nós deixamos passar, agora querem usar os embriões congelados, descartáveis ou inviáveis, para pesquisas. E se deixarmos passar, irão fazer coisa pior, muito pior...

Existem outras formas de pesquisa com células-tronco. Pesquisas que não usam células de embriões. Pesquisas que respeitam a vida. Estas são as pesquisas que devem ser incentivadas e financiadas. As demais devem ser banidas e proibidas, pois destroem a vida de indefesos, a vida do feto que está em desenvolvimento...

Na minha Teoria da Consciência e Liberdade considero a razão pura como um processo mental. Um processo formado por um conjunto de pensamentos coerentes que seguem o método científico. Porém, esta coerência e o método científico não são garantia de nada. Pode-se exterminar pessoas e grupos inteiros sendo coerente e seguindo o método científico. Não foi isto que o nazismo e o stalinismo fez ?

Por isso, a razão pura é um dos processos da consciência. É um processo que deve ser controlado e limitado por outros processos mentais. A razão pura não tem e nem deve ter força suficiente para agir sozinha e dominar os homens. Inclusive, este foi o grande erro do iluminismo. Erraram quando deram à razão pura hegemonia ou supremacia sobre todas as coisas e, principalmente, sobre o homem.

A razão pura, sendo um processo mental, é um sistema. E um sistema que, se agindo sozinho, é fanático e psicopata, seguindo os dogmas da ciência e buscando os objetivos estabelecidos sem atentar para suas ações, sem pesar as consequências, por exemplo, atentando para o fato de que a matéria-prima da pesquisa são embriões humanos, são pessoas em um estágio primitivo de desenvolvimento.

Contudo, a razão pura de um cientista, por ser fanática e psicopata, não hesitaria nem um pouco em usar os próprios filhos como cobaias dos experimentos científicos...

E nós não dissemos nada... Estão construindo as redes do mal bem diante dos nossos olhos, estão tecendo teias de destruição e extermínio ao nosso redor e nós não dizemos nada... "Até que um dia, o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a luz, e, conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta. E já não podemos dizer nada."

É hora de prestar atenção, muita atenção, nas coisas que eles estão fazendo, naquilo que estão pedindo e nós estamos cedendo... A única coisa que pedem em troca é o nosso consentimento calado e obediente. Conduta que significa extermínio e destruição da vida e da dignidade humana...

sexta-feira, 16 de março de 2007


Fuga de cérebros

Jornal da USP - 05 a 11 de março de 2007 - ano XXII n.792

NILCE DA SILVA - professora da Faculdade de Educação da USP

Emigrar faz parte da constituição do ser humano. Não é um fato novo na história da humanidade: os egípcios recebiam mão-de-obra para suas construções faraônicas, gregos e romanos trasladavam suas populações para ocupar territórios recém-conquistados. Entretanto, diferentes lógicas orientam as movimentações humanas, variando de acordo com a época e os locais em que ocorrem.

Desde 2002, o Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Acolhendo Alunos em Situação de Exclusão Social e Escolar: o Papel da Instituição Escolar, localizado na Faculdade de Educação da USP, tem desenvolvido seus trabalhos acerca da relação entre escola e (i)emigração. Dentre outras perspectivas, temos nos interessado pela saída de brasileiros graduados ou pós-graduados para o exterior, movimento conhecido também como brain drain (fuga de cérebros).

Como conseqüência do movimento de europeus para os Estados Unidos, podemos admitir que outros cientistas, brasileiros inclusive, partem rumo à Europa para preencher as vagas ali encontradas, apesar de que indianos e paquistaneses, dentre outros pesquisadores de antigas colônias não-pertencentes ao mundo lusófono, são priorizados sobretudo pelo domínio da língua inglesa. Essa situação que desfavorece a ocupação dessas vagas por brasileiros na Europa, do nosso ponto de vista, é o resultado, em grande medida, da dificuldade que a maioria dos países ex-colônias portuguesas tem em competir no sistema econômico mundial há muitos séculos.

Dito de outro modo, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste teriam, de um ponto de vista eurocêntrico, poucos cérebros para exportar. Isso porque o resultado do processo colonial português – apoiado fortemente pela Inglaterra, principal beneficiária desses pactos coloniais – fez com que suas economias se apoiassem na exportação de produtos agrícolas. E assim os nossos países irmãos, como o próprio Brasil, sem exceção, têm produzido bens primários. E, para conseguir importar bens de outros setores, têm recorrido a empréstimos de fundos internacionais que não permitem o seu desenvolvimento de fato. Praticamente inexiste, nesses países, o investimento na escolarização da sua população. Ou seja, há escassez de mão-de-obra qualificada.

Mesmo assim, apesar das adversidades históricas, de acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 10 mil doutores foram formados em 2006. Entretanto, boa parte deles poderá ficar desempregada. Vejamos parte de reportagem de janeiro de 2007 do Jornal da Ciência: “O Brasil tem mais doutores, mas não há empregos. No ensino superior, doutor é o que menos tem vaga no quadro docente. No momento em que a Capes anuncia que o Brasil atingiu a meta de formar 10 mil doutores ao ano em 2006, muitos titulados buscam espaço no mercado. Especialistas afirmam que nossa produção científica (1,8% do total mundial) precisaria dobrar para alcançar a média de países como Canadá e Itália, que, em 2005, detinham, respectivamente, 4,8% e 4,4%, segundo a Fapesp (no topo, os Estados Unidos, com 32%).

Infelizmente, sabemos que essa cruel realidade para os vencedores que conseguem obter o título de doutor no Brasil é apoiada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB 9394/96), que explicita no seu artigo 52 a não exigência da presença de doutores trabalhando em cursos de graduação certificados pelo Ministério da Educação. As instituições superiores podem optar por mestres ou doutores. Estes são preteridos tendo em vista os menores valores de hora-aula pagos aos menos graduados.

Nesse sentido, vejamos as afirmações feitas pelo professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp Roberto Romano, em entrevista concedida à Folha de S. Paulo em julho de 2003, acerca da reforma previdenciária pela qual passa o Brasil: “A expulsão de cérebros do País não se resume apenas à reforma da Previdência em si, mas é reforçada pelos ‘ataques’ do presidente Lula à universidade, ao criticar professores que se aposentam aos 55 anos de idade. Pessoas tratadas como criminosas no seu país de origem e que recebem um salário quase de fome, que são estimuladas a trocar o Brasil pelas universidades norte-americanas ou européias, formam um exército intelectual de reserva. E temos uma política de terra arrasada”.

Interessados nesse debate apresentam propostas para que essa fuga de cérebros não ocorra no Brasil. Nesse conjunto, podemos destacar a criação de mecanismos pelo governo de modo que empresas privadas financiem a pesquisa, cujos resultados beneficiarão diretamente as mesmas e ainda o aumento das verbas governamentais.

Apesar disso, observemos os seguintes dados, que podem ser obtidos facilmente em diversas páginas da internet sobre o assunto.

A bolsa anual de um pesquisador em nível de mestrado (com recursos da própria universidade ou privados), nos Estados Unidos, fica, em média, em torno de R$ 100 mil por ano (aproximadamente R$ 10 mil por mês), além de o aluno receber ainda uma quantia extra para cobrir os custos da anuidade do curso e, na maior parte dos casos, também do alojamento universitário. No Brasil, a bolsa anual de pesquisador no mesmo nível é de cerca de R$ 9.600 anuais, ou seja, R$ 800 por mês, sem nenhum outro benefício, sendo que, se esse mestrando estudar em alguma instituição particular de ensino, terá que pagar mensalidades do curso não inferiores a R$ 500. Numa matemática muito elementar, concluímos que: o que o mestrando brasileiro recebe no ano, o mestrando nos Estados Unidos recebe no mês, e o que o mestrando nos Estados Unidos ganha por mês não é salário da maior parte dos professores doutores – que ainda não estão desempregados – no Brasil.

Perguntamos: quais os motivos reais que farão com que os 7.672 estudantes brasileiros de graduação e de pós-graduação nos Estados Unidos voltem para o Brasil?

Segundo o pesquisador L. Marmora, os cérebros, quando se estabelecem como residentes nos países de recepção, fazem remessas de dinheiro para seus países de origem e ainda promovem parcerias entre as universidades dos países que os acolheram com as dos seus países de origem, contribuindo com a sociedade que, por meio do pagamento de impostos, os formou.

Do nosso ponto de vista, o pesquisador ou cientista que emigra não é aproveitado da melhor maneira pela sua sociedade de origem. Ou seja, há uma perda de capital. E assim, em conformidade com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, os emigrantes levam para outros países um conjunto de habilidades, experiências, qualificações e relações sociais que constituirão um capital cultural e social que, ao contrário do capital material, se valoriza com o tempo.

Entretanto, neste quadro de miséria social, entendemos que não é apenas a falta de investimento que coloca em risco a produção de conhecimento no Brasil. Dentre vários motivos, como a proliferação de instituições de ensino superior que não se preocupam com qualidade de ensino e o sucateamento de diversas instituições públicas e privadas, destacamos que a estrutura, a organização e o modus operandi das próprias universidades públicas, no Brasil, preponderantemente, podem ser fatores que emperram o desenvolvimento pessoal e profissional de seus pesquisadores.

Leiamos trecho da reportagem de S. Bittencourt para a Folha de S. Paulo, de Heidelberg, de 30 de março de 2004, por ser inspirador na tentativa de discutirmos o clima socioafetivo da universidade brasileira: “Após 13 anos trabalhando como pesquisador na área de biologia molecular, o inglês Karl Gensberg, 41, pretende abandonar a carreira acadêmica no mês que vem, quando termina seu contrato temporário com a Universidade de Birmingham (Inglaterra), e adotar uma nova profissão: encanador. A razão? A possibilidade de ganhar até o dobro do que obtém como pesquisador, £ 23 mil por ano (cerca de R$ 130 mil). O caso de Gensberg foi explorado à exaustão no mês passado pela mídia britânica.”

Seria apenas a questão salarial que expulsou esse pesquisador da referida universidade inglesa? Teria Gensberg a mesma realização pessoal como pesquisador ou encanador?

A universidade, assim como a sociedade brasileira, revela uma estrutura social fraturada, reproduzindo institucionalmente um divisor social para o qual a detenção de mérito e a aquisição de conhecimentos se revelam insuficientes para anular determinados estigmas. Esse divisor separa a universidade em pelo menos dois grupos: a) os indivíduos incluídos socialmente e também integrados na universidade; e b) os indivíduos excluídos socialmente, que ingressaram na universidade, certamente em busca da inclusão social, via instituição escolar, e que são vítimas das artimanhas da exclusão institucional. Ou seja, apresentamos a possibilidade de que em muitas instituições de pesquisa ocorra um sistema de inclusão perversa, em que algumas unidades recebem mais verba para pesquisa do que outras e que, dentro das unidades, pessoas, independentemente do mérito de seus trabalhos, tenham mais condições para realizá-los.

Passamos a questionar qual ou quais as funções da universidade nos dias de hoje. Retomemos as palavras de Roberto Romano: “Contra as teses populistas, enfim, outro lado da perversidade burocratizante, precisamos definir, sem paradoxo algum: a função social da universidade é de ser universidade, deixando de constituir-se numa caixa de ressonância de interesses partidários, ideológicos, religiosos. Estes últimos perseguem seus fins, legítimos na instância devida. Nos campi, todos são bem-vindos, desde que não desejem reduzir o saber ao metro curto de seus alvos conjunturais”.

Acrescentamos que a universidade não deveria conceber os interesses de cunho absolutamente pessoal. Porém, sabemos que muitos dos protagonistas dessas instituições, longe de serem inventores, cérebros e descobridores, se tornam oportunistas, exploradores de vidas miseráveis, vaidosos e arrogantes. Os artifícios desse processo de particularizar o universal aparecem, na maior parte das vezes, como resultantes das contigüidades entre os procedimentos de ordem científica e os de ordem burocrática. E assim, do nosso ponto de vista, inúmeros pesquisadores e professores passam por uma carreira tão brutal de humilhação social e profissional no seio das universidades que, tendo em vista o estado emocional a que são reduzidos, conseguiriam apenas fazer colares de miçangas.

se modo, as razões apontadas impossibilitam a construção da identidade de pesquisador em muitos dos profissionais brasileiros nas universidades. Isso porque eles se sentem desvalorizados pelas políticas públicas e são rejeitados no âmbito das próprias instituições.

Muitos de nós, graduados e titulados, e mesmo aqueles estudantes brasileiros que estudam nos Estados Unidos, talvez fiquemos por aqui mesmo, na medida em que inúmeras oportunidades de trabalho menos qualificado estarão nos esperando no exterior e com elas todos os preconceitos pertinentes ao “ser brasileiro” – exemplo máximo encontrado na figura do jovem Jean Charles de Menezes, que foi morto a tiros no metrô pela polícia londrina ao ser confundido com um terrorista.

Em suma, talvez não precisemos nos preocupar com a fuga de cérebros brasileiros. Ela não ocorrerá em breve. Talvez ainda nos acomodemos covardemente à falta de verbas e à burocracia kafkiana existente em nossas universidades, que tem facilitado a metáfora também kafkiana, transformando-nos em insetos ou, como diria Henfil em seu Diário, em cucarachas.

Nilce da Silva é professora da Faculdade de Educação da USP e coordenadora do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão


Fuga de cérebros

Jornal da USP - 05 a 11 de março de 2007 - ano XXII n.792

NILCE DA SILVA - professora da Faculdade de Educação da USP

Emigrar faz parte da constituição do ser humano. Não é um fato novo na história da humanidade: os egípcios recebiam mão-de-obra para suas construções faraônicas, gregos e romanos trasladavam suas populações para ocupar territórios recém-conquistados. Entretanto, diferentes lógicas orientam as movimentações humanas, variando de acordo com a época e os locais em que ocorrem.

Desde 2002, o Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Acolhendo Alunos em Situação de Exclusão Social e Escolar: o Papel da Instituição Escolar, localizado na Faculdade de Educação da USP, tem desenvolvido seus trabalhos acerca da relação entre escola e (i)emigração. Dentre outras perspectivas, temos nos interessado pela saída de brasileiros graduados ou pós-graduados para o exterior, movimento conhecido também como brain drain (fuga de cérebros).

Como conseqüência do movimento de europeus para os Estados Unidos, podemos admitir que outros cientistas, brasileiros inclusive, partem rumo à Europa para preencher as vagas ali encontradas, apesar de que indianos e paquistaneses, dentre outros pesquisadores de antigas colônias não-pertencentes ao mundo lusófono, são priorizados sobretudo pelo domínio da língua inglesa. Essa situação que desfavorece a ocupação dessas vagas por brasileiros na Europa, do nosso ponto de vista, é o resultado, em grande medida, da dificuldade que a maioria dos países ex-colônias portuguesas tem em competir no sistema econômico mundial há muitos séculos.

Dito de outro modo, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste teriam, de um ponto de vista eurocêntrico, poucos cérebros para exportar. Isso porque o resultado do processo colonial português – apoiado fortemente pela Inglaterra, principal beneficiária desses pactos coloniais – fez com que suas economias se apoiassem na exportação de produtos agrícolas. E assim os nossos países irmãos, como o próprio Brasil, sem exceção, têm produzido bens primários. E, para conseguir importar bens de outros setores, têm recorrido a empréstimos de fundos internacionais que não permitem o seu desenvolvimento de fato. Praticamente inexiste, nesses países, o investimento na escolarização da sua população. Ou seja, há escassez de mão-de-obra qualificada.

Mesmo assim, apesar das adversidades históricas, de acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 10 mil doutores foram formados em 2006. Entretanto, boa parte deles poderá ficar desempregada. Vejamos parte de reportagem de janeiro de 2007 do Jornal da Ciência: “O Brasil tem mais doutores, mas não há empregos. No ensino superior, doutor é o que menos tem vaga no quadro docente. No momento em que a Capes anuncia que o Brasil atingiu a meta de formar 10 mil doutores ao ano em 2006, muitos titulados buscam espaço no mercado. Especialistas afirmam que nossa produção científica (1,8% do total mundial) precisaria dobrar para alcançar a média de países como Canadá e Itália, que, em 2005, detinham, respectivamente, 4,8% e 4,4%, segundo a Fapesp (no topo, os Estados Unidos, com 32%).

Infelizmente, sabemos que essa cruel realidade para os vencedores que conseguem obter o título de doutor no Brasil é apoiada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB 9394/96), que explicita no seu artigo 52 a não exigência da presença de doutores trabalhando em cursos de graduação certificados pelo Ministério da Educação. As instituições superiores podem optar por mestres ou doutores. Estes são preteridos tendo em vista os menores valores de hora-aula pagos aos menos graduados.

Nesse sentido, vejamos as afirmações feitas pelo professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp Roberto Romano, em entrevista concedida à Folha de S. Paulo em julho de 2003, acerca da reforma previdenciária pela qual passa o Brasil: “A expulsão de cérebros do País não se resume apenas à reforma da Previdência em si, mas é reforçada pelos ‘ataques’ do presidente Lula à universidade, ao criticar professores que se aposentam aos 55 anos de idade. Pessoas tratadas como criminosas no seu país de origem e que recebem um salário quase de fome, que são estimuladas a trocar o Brasil pelas universidades norte-americanas ou européias, formam um exército intelectual de reserva. E temos uma política de terra arrasada”.

Interessados nesse debate apresentam propostas para que essa fuga de cérebros não ocorra no Brasil. Nesse conjunto, podemos destacar a criação de mecanismos pelo governo de modo que empresas privadas financiem a pesquisa, cujos resultados beneficiarão diretamente as mesmas e ainda o aumento das verbas governamentais.

Apesar disso, observemos os seguintes dados, que podem ser obtidos facilmente em diversas páginas da internet sobre o assunto.

A bolsa anual de um pesquisador em nível de mestrado (com recursos da própria universidade ou privados), nos Estados Unidos, fica, em média, em torno de R$ 100 mil por ano (aproximadamente R$ 10 mil por mês), além de o aluno receber ainda uma quantia extra para cobrir os custos da anuidade do curso e, na maior parte dos casos, também do alojamento universitário. No Brasil, a bolsa anual de pesquisador no mesmo nível é de cerca de R$ 9.600 anuais, ou seja, R$ 800 por mês, sem nenhum outro benefício, sendo que, se esse mestrando estudar em alguma instituição particular de ensino, terá que pagar mensalidades do curso não inferiores a R$ 500. Numa matemática muito elementar, concluímos que: o que o mestrando brasileiro recebe no ano, o mestrando nos Estados Unidos recebe no mês, e o que o mestrando nos Estados Unidos ganha por mês não é salário da maior parte dos professores doutores – que ainda não estão desempregados – no Brasil.

Perguntamos: quais os motivos reais que farão com que os 7.672 estudantes brasileiros de graduação e de pós-graduação nos Estados Unidos voltem para o Brasil?

Segundo o pesquisador L. Marmora, os cérebros, quando se estabelecem como residentes nos países de recepção, fazem remessas de dinheiro para seus países de origem e ainda promovem parcerias entre as universidades dos países que os acolheram com as dos seus países de origem, contribuindo com a sociedade que, por meio do pagamento de impostos, os formou.

Do nosso ponto de vista, o pesquisador ou cientista que emigra não é aproveitado da melhor maneira pela sua sociedade de origem. Ou seja, há uma perda de capital. E assim, em conformidade com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, os emigrantes levam para outros países um conjunto de habilidades, experiências, qualificações e relações sociais que constituirão um capital cultural e social que, ao contrário do capital material, se valoriza com o tempo.

Entretanto, neste quadro de miséria social, entendemos que não é apenas a falta de investimento que coloca em risco a produção de conhecimento no Brasil. Dentre vários motivos, como a proliferação de instituições de ensino superior que não se preocupam com qualidade de ensino e o sucateamento de diversas instituições públicas e privadas, destacamos que a estrutura, a organização e o modus operandi das próprias universidades públicas, no Brasil, preponderantemente, podem ser fatores que emperram o desenvolvimento pessoal e profissional de seus pesquisadores.

Leiamos trecho da reportagem de S. Bittencourt para a Folha de S. Paulo, de Heidelberg, de 30 de março de 2004, por ser inspirador na tentativa de discutirmos o clima socioafetivo da universidade brasileira: “Após 13 anos trabalhando como pesquisador na área de biologia molecular, o inglês Karl Gensberg, 41, pretende abandonar a carreira acadêmica no mês que vem, quando termina seu contrato temporário com a Universidade de Birmingham (Inglaterra), e adotar uma nova profissão: encanador. A razão? A possibilidade de ganhar até o dobro do que obtém como pesquisador, £ 23 mil por ano (cerca de R$ 130 mil). O caso de Gensberg foi explorado à exaustão no mês passado pela mídia britânica.”

Seria apenas a questão salarial que expulsou esse pesquisador da referida universidade inglesa? Teria Gensberg a mesma realização pessoal como pesquisador ou encanador?

A universidade, assim como a sociedade brasileira, revela uma estrutura social fraturada, reproduzindo institucionalmente um divisor social para o qual a detenção de mérito e a aquisição de conhecimentos se revelam insuficientes para anular determinados estigmas. Esse divisor separa a universidade em pelo menos dois grupos: a) os indivíduos incluídos socialmente e também integrados na universidade; e b) os indivíduos excluídos socialmente, que ingressaram na universidade, certamente em busca da inclusão social, via instituição escolar, e que são vítimas das artimanhas da exclusão institucional. Ou seja, apresentamos a possibilidade de que em muitas instituições de pesquisa ocorra um sistema de inclusão perversa, em que algumas unidades recebem mais verba para pesquisa do que outras e que, dentro das unidades, pessoas, independentemente do mérito de seus trabalhos, tenham mais condições para realizá-los.

Passamos a questionar qual ou quais as funções da universidade nos dias de hoje. Retomemos as palavras de Roberto Romano: “Contra as teses populistas, enfim, outro lado da perversidade burocratizante, precisamos definir, sem paradoxo algum: a função social da universidade é de ser universidade, deixando de constituir-se numa caixa de ressonância de interesses partidários, ideológicos, religiosos. Estes últimos perseguem seus fins, legítimos na instância devida. Nos campi, todos são bem-vindos, desde que não desejem reduzir o saber ao metro curto de seus alvos conjunturais”.

Acrescentamos que a universidade não deveria conceber os interesses de cunho absolutamente pessoal. Porém, sabemos que muitos dos protagonistas dessas instituições, longe de serem inventores, cérebros e descobridores, se tornam oportunistas, exploradores de vidas miseráveis, vaidosos e arrogantes. Os artifícios desse processo de particularizar o universal aparecem, na maior parte das vezes, como resultantes das contigüidades entre os procedimentos de ordem científica e os de ordem burocrática. E assim, do nosso ponto de vista, inúmeros pesquisadores e professores passam por uma carreira tão brutal de humilhação social e profissional no seio das universidades que, tendo em vista o estado emocional a que são reduzidos, conseguiriam apenas fazer colares de miçangas.

se modo, as razões apontadas impossibilitam a construção da identidade de pesquisador em muitos dos profissionais brasileiros nas universidades. Isso porque eles se sentem desvalorizados pelas políticas públicas e são rejeitados no âmbito das próprias instituições.

Muitos de nós, graduados e titulados, e mesmo aqueles estudantes brasileiros que estudam nos Estados Unidos, talvez fiquemos por aqui mesmo, na medida em que inúmeras oportunidades de trabalho menos qualificado estarão nos esperando no exterior e com elas todos os preconceitos pertinentes ao “ser brasileiro” – exemplo máximo encontrado na figura do jovem Jean Charles de Menezes, que foi morto a tiros no metrô pela polícia londrina ao ser confundido com um terrorista.

Em suma, talvez não precisemos nos preocupar com a fuga de cérebros brasileiros. Ela não ocorrerá em breve. Talvez ainda nos acomodemos covardemente à falta de verbas e à burocracia kafkiana existente em nossas universidades, que tem facilitado a metáfora também kafkiana, transformando-nos em insetos ou, como diria Henfil em seu Diário, em cucarachas.

Nilce da Silva é professora da Faculdade de Educação da USP e coordenadora do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão