sábado, 24 de março de 2007

A morte por trás do etanol


Recordes de produtividade e busca de energia “limpa” são a face moderna da produção de cana-de-açúcar. Mas isso é sustentado por um regime de semi-escravidão a que ainda são
submetidos os trabalhadores


São 4h30 em Guariba, cidade do noroeste do Estado de São Paulo, quando o ronco dos motores de dezenas de ônibus quebra o silêncio da madrugada. Por seis vezes na semana, o barulho das rodas sobre as acanhadas calçadas do município anuncia o trabalho a um exército de bóias-frias. Dali a pouco, essa legião estará nas lavouras de cana para mais uma vez fazer história. Se na última safra – 2006/07 – os brasileiros cortaram e moeram mais de 425 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, este ano as estimativas prevêem uma produção 10% maior. São recordes sobre recordes de produtividade extraídos de plantações espalhadas por mais de seis milhões de hectares de terra. O feito consolida o País no invejável patamar de maior produtor mundial de álcool e etanol.

Tal riqueza atraiu os olhares do mundo para o produto que já é classificado por economistas como o novo “ouro branco” do planeta. Empresários, banqueiros e até o presidente dos Estados Unidos se interessaram pelo tesouro e desembarcaram no Brasil nas últimas semanas buscando transformá-lo numa commodity alternativa e barata aos combustíveis fósseis. Enquanto uns foram à Bolsa de Valores, outros estiveram em tratativas com o governo brasileiro. Porém, o que Bush e os investidores não viram e talvez não saibam é que a riqueza gerada pela fantástica produção desse “ouro branco” se assenta na exploração brutal de milhares de homens e mulheres que cortam e colhem cana pelo Brasil adentro. Quase 120 anos depois da abolição da escravidão, os cortadores de cana ainda vivem o cativeiro da terra, sob o tacão de um “chicote invisível”, como definiu Maria Cristina Gonzaga, pesquisadora do Ministério do Trabalho. A cana literalmente mói a carne de um milhão de miseráveis trabalhadores rurais. Quem entra nos canaviais brasileiros tem a impressão de estar fazendo uma viagem no tempo, retornando ao século XVII. Homens e mulheres são comercializados como gado, trabalham jornadas de até 12 horas, muitos passam fome e outros chegam a tombar mortos de pura exaustão. Relatório do Ministério do Trabalho (MT), divulgado no início do mês de março, mostra que só no ano passado 450 trabalhadores do setor sucroalcooleiro morreram nas usinas. Alguns foram assassinados, mas muitos morreram em conseqüência de banais acidentes de transporte. Outros foram carbonizados durante as queimadas. Vários perderam a vida simplesmente por excesso de trabalho. “O suor, o sangue e a morte banham o açúcar e o álcool brasileiro”, denuncia a ISTOÉ Maria Cristina Gonzaga, técnica da Fundacentro, órgão do MT, responsável pelo estudo. Nas contas dela, nos últimos cinco anos, o trabalho na lavoura de cana ceifou a vida de 1.383 trabalhadores.

Entre eles, o migrante mineiro Antônio Moreira, que largou o Vale do Jequitinhonha na década de 70 para “fazer safra” nas lavouras paulistas. Aos 55 anos, Antônio caiu morto de cansaço em meio às canas que empilhava. “Ele tinha cortado 16 toneladas aquele dia”, lembra a viúva Maildes Moreira Araújo, 55 anos, também cortadora de cana. Foi a terceira vez que tal desgraça se abateu sobre os Moreira. “Meu tio e um primo também morreram na mesma situação”, diz Antônio Moreira Filho, 32 anos, que trabalhava com o pai nos canaviais desde os 14.


“Do cortador de cana é esperada a produção de uma máquina”, diz Miguel Ferreira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cana de Jaboticabal, interior paulista, região responsável por 60% da produção nacional de álcool e açúcar. Miguel fala de cátedra. O atual sindicalista foi cortador de cana durante seis anos e, assim como seus pares, produzia diariamente seis toneladas de cana. “Hoje exige-se a produção de no mínimo dez toneladas diárias por homem. Não tem corpo que agüente”, constata Miguel. Segundo a Universidade Federal de São Carlos para cortar dez toneladas e ganhar R$ 24 é preciso percorrer cerca de nove quilômetros a pé por entre o canavial, desfechar cerca de 73.260 golpes de podão (facão) em 36 mil flexões de pernas. E mais, o cortador de cana terá que levantar e carregar pelo menos 800 montes de 15 kg de cana cada um, por uma distância de três metros, empilhando a produção do dia. Os médicos do Ministério do Trabalho, que estudaram a saúde do cortador de cana concluíram que eles chegam a perder em um dia de trabalho cerca de oito litros de água.

E o pior é que a situação desses condenados da terra pode se agravar. A partir deste ano, começa a ser colhido um novo tipo de cana, mais leve por ter sido geneticamente modificada. Além de pesar menos – pois elimina bastante a água –, esse tipo de cana concentra uma quantidade muito maior de sacarose (açúcar). Tudo ótimo, menos para o trabalhador, que precisava cortar 100 metros de cana para produzir dez toneladas e por causa da novidade transgênica precisará cortar o triplo para produzir a mesma quantidade. Aos 52 anos, Maria dos Santos corta nove toneladas para levar para casa R$ 512 no final do mês. Quando soube que terá que trabalhar três vezes mais para ter o mesmo rendimento, não se conteve: “Vamos morrer!”, desesperou-se.


Hábeis em implementar modernizações tecnológicas, os usineiros não demonstram intenção de alterar as arcaicas relações de trabalho que predominam no setor sucroalcooleiro. “As práticas impostas por eles, em muitos casos, ainda são escravagistas”, diz a técnica do Ministério do Trabalho. Veja-se, por exemplo, o processo de seleção dos trabalhadores. Eles são “vendidos” para intermediários que selecionam a mão-de-obra para usinas. Trazidos das profundezas do País para dar duro nos canaviais, esses escravos do século XXI são cooptados por “gatos”, uma espécie de empreiteiro que busca pessoas que, em troca de migalhas, se submetem a todo tipo de humilhação. Para cada cortador de cana trazido para a usina, capaz de produzir 12 toneladas por dia, o “gato” recebe em média R$ 60. Qual a vantagem? Esses cortadores são escolhidos a dedo e não reclamarão de serem obrigados a viver em alojamentos decrépitos. Eles também não reclamam do pagamento abaixo dos pisos salariais e ainda admitem viver confinados nas propriedades onde a colheita ocorre oito meses por ano. “Só 20% dos trabalhadores ligados ao setor sucroalcooleiro no Brasil têm conquistas preservadas, o resto são escravos”, garante Miguel, o sindicalista. “Não é difícil constatar a miséria e a exploração a que essas pessoas estão submetidas. O Ministério do Trabalho é que dá as costas para o problema”, indigna-se Miguel.


A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), entidade que representa os usineiros, não fala sobre direitos do trabalho. Segundo a assessoria de imprensa, eles apenas “cumprem a lei”. Mas em relação ao crescimento da produção eles são expeditos. Para os donos dos engenhos, as máquinas produzirão, até 2013, 36 bilhões de litros de álcool – um bilhão a mais que a atual produção mundial. Grande parte dessa produção atenderá aos mercados americano e europeu. No ano passado, 19 bilhões de litros de álcool foram destilados, uma supersafra que movimentou mais de R$ 40 bilhões na economia, US$ 8 bilhões em exportações, equivalentes a mais de 3,5% do PIB brasileiro. Segundo as estimativas do setor sucroalcooleiro, uma nova usina de cana surgirá a cada mês no País nos próximos dois anos.

Este crescimento acelerado no plantio e na produção preocupa governantes e economistas. Muitos temem que esse boom leve o Brasil de volta à monocultura. Hoje, várias plantações de alimentos e áreas de pastagem estão sendo substituídas por lavouras de cana-de-açúcar. Preocupados com essa possibilidade, alguns Estados já se preparam para enfrentar a situação. Em Mato Grosso, na região do Pantanal, já foi proibida a implantação de usinas de álcool. No Estado de Goiás, algumas prefeituras querem limitar a entrada da cultura da cana. Em São Paulo, responsável por 60% da produção nacional, um projeto do deputado estadual Simão Pedro (PT) propõe que os fazendeiros de regiões do Estado onde a cultura da cana se expande sejam obrigados a reservar 10% das terras para outros tipos de cultura. “É fato a expansão do setor, mas precisamos criar alguns limites, senão daqui a uns dias seremos obrigados a importar alimentos básicos”, diz Simão. Enquanto isso, o presidente Lula, inebriado com o etanol, disse que os usineiros passaram de bandidos a heróis.

10 mil quilos de cana por dia é a cota mínima que cada cortador deve produzir.
A morte por trás do etanol


Recordes de produtividade e busca de energia “limpa” são a face moderna da produção de cana-de-açúcar. Mas isso é sustentado por um regime de semi-escravidão a que ainda são
submetidos os trabalhadores


São 4h30 em Guariba, cidade do noroeste do Estado de São Paulo, quando o ronco dos motores de dezenas de ônibus quebra o silêncio da madrugada. Por seis vezes na semana, o barulho das rodas sobre as acanhadas calçadas do município anuncia o trabalho a um exército de bóias-frias. Dali a pouco, essa legião estará nas lavouras de cana para mais uma vez fazer história. Se na última safra – 2006/07 – os brasileiros cortaram e moeram mais de 425 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, este ano as estimativas prevêem uma produção 10% maior. São recordes sobre recordes de produtividade extraídos de plantações espalhadas por mais de seis milhões de hectares de terra. O feito consolida o País no invejável patamar de maior produtor mundial de álcool e etanol.

Tal riqueza atraiu os olhares do mundo para o produto que já é classificado por economistas como o novo “ouro branco” do planeta. Empresários, banqueiros e até o presidente dos Estados Unidos se interessaram pelo tesouro e desembarcaram no Brasil nas últimas semanas buscando transformá-lo numa commodity alternativa e barata aos combustíveis fósseis. Enquanto uns foram à Bolsa de Valores, outros estiveram em tratativas com o governo brasileiro. Porém, o que Bush e os investidores não viram e talvez não saibam é que a riqueza gerada pela fantástica produção desse “ouro branco” se assenta na exploração brutal de milhares de homens e mulheres que cortam e colhem cana pelo Brasil adentro. Quase 120 anos depois da abolição da escravidão, os cortadores de cana ainda vivem o cativeiro da terra, sob o tacão de um “chicote invisível”, como definiu Maria Cristina Gonzaga, pesquisadora do Ministério do Trabalho. A cana literalmente mói a carne de um milhão de miseráveis trabalhadores rurais. Quem entra nos canaviais brasileiros tem a impressão de estar fazendo uma viagem no tempo, retornando ao século XVII. Homens e mulheres são comercializados como gado, trabalham jornadas de até 12 horas, muitos passam fome e outros chegam a tombar mortos de pura exaustão. Relatório do Ministério do Trabalho (MT), divulgado no início do mês de março, mostra que só no ano passado 450 trabalhadores do setor sucroalcooleiro morreram nas usinas. Alguns foram assassinados, mas muitos morreram em conseqüência de banais acidentes de transporte. Outros foram carbonizados durante as queimadas. Vários perderam a vida simplesmente por excesso de trabalho. “O suor, o sangue e a morte banham o açúcar e o álcool brasileiro”, denuncia a ISTOÉ Maria Cristina Gonzaga, técnica da Fundacentro, órgão do MT, responsável pelo estudo. Nas contas dela, nos últimos cinco anos, o trabalho na lavoura de cana ceifou a vida de 1.383 trabalhadores.

Entre eles, o migrante mineiro Antônio Moreira, que largou o Vale do Jequitinhonha na década de 70 para “fazer safra” nas lavouras paulistas. Aos 55 anos, Antônio caiu morto de cansaço em meio às canas que empilhava. “Ele tinha cortado 16 toneladas aquele dia”, lembra a viúva Maildes Moreira Araújo, 55 anos, também cortadora de cana. Foi a terceira vez que tal desgraça se abateu sobre os Moreira. “Meu tio e um primo também morreram na mesma situação”, diz Antônio Moreira Filho, 32 anos, que trabalhava com o pai nos canaviais desde os 14.


“Do cortador de cana é esperada a produção de uma máquina”, diz Miguel Ferreira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Cana de Jaboticabal, interior paulista, região responsável por 60% da produção nacional de álcool e açúcar. Miguel fala de cátedra. O atual sindicalista foi cortador de cana durante seis anos e, assim como seus pares, produzia diariamente seis toneladas de cana. “Hoje exige-se a produção de no mínimo dez toneladas diárias por homem. Não tem corpo que agüente”, constata Miguel. Segundo a Universidade Federal de São Carlos para cortar dez toneladas e ganhar R$ 24 é preciso percorrer cerca de nove quilômetros a pé por entre o canavial, desfechar cerca de 73.260 golpes de podão (facão) em 36 mil flexões de pernas. E mais, o cortador de cana terá que levantar e carregar pelo menos 800 montes de 15 kg de cana cada um, por uma distância de três metros, empilhando a produção do dia. Os médicos do Ministério do Trabalho, que estudaram a saúde do cortador de cana concluíram que eles chegam a perder em um dia de trabalho cerca de oito litros de água.

E o pior é que a situação desses condenados da terra pode se agravar. A partir deste ano, começa a ser colhido um novo tipo de cana, mais leve por ter sido geneticamente modificada. Além de pesar menos – pois elimina bastante a água –, esse tipo de cana concentra uma quantidade muito maior de sacarose (açúcar). Tudo ótimo, menos para o trabalhador, que precisava cortar 100 metros de cana para produzir dez toneladas e por causa da novidade transgênica precisará cortar o triplo para produzir a mesma quantidade. Aos 52 anos, Maria dos Santos corta nove toneladas para levar para casa R$ 512 no final do mês. Quando soube que terá que trabalhar três vezes mais para ter o mesmo rendimento, não se conteve: “Vamos morrer!”, desesperou-se.


Hábeis em implementar modernizações tecnológicas, os usineiros não demonstram intenção de alterar as arcaicas relações de trabalho que predominam no setor sucroalcooleiro. “As práticas impostas por eles, em muitos casos, ainda são escravagistas”, diz a técnica do Ministério do Trabalho. Veja-se, por exemplo, o processo de seleção dos trabalhadores. Eles são “vendidos” para intermediários que selecionam a mão-de-obra para usinas. Trazidos das profundezas do País para dar duro nos canaviais, esses escravos do século XXI são cooptados por “gatos”, uma espécie de empreiteiro que busca pessoas que, em troca de migalhas, se submetem a todo tipo de humilhação. Para cada cortador de cana trazido para a usina, capaz de produzir 12 toneladas por dia, o “gato” recebe em média R$ 60. Qual a vantagem? Esses cortadores são escolhidos a dedo e não reclamarão de serem obrigados a viver em alojamentos decrépitos. Eles também não reclamam do pagamento abaixo dos pisos salariais e ainda admitem viver confinados nas propriedades onde a colheita ocorre oito meses por ano. “Só 20% dos trabalhadores ligados ao setor sucroalcooleiro no Brasil têm conquistas preservadas, o resto são escravos”, garante Miguel, o sindicalista. “Não é difícil constatar a miséria e a exploração a que essas pessoas estão submetidas. O Ministério do Trabalho é que dá as costas para o problema”, indigna-se Miguel.


A União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Única), entidade que representa os usineiros, não fala sobre direitos do trabalho. Segundo a assessoria de imprensa, eles apenas “cumprem a lei”. Mas em relação ao crescimento da produção eles são expeditos. Para os donos dos engenhos, as máquinas produzirão, até 2013, 36 bilhões de litros de álcool – um bilhão a mais que a atual produção mundial. Grande parte dessa produção atenderá aos mercados americano e europeu. No ano passado, 19 bilhões de litros de álcool foram destilados, uma supersafra que movimentou mais de R$ 40 bilhões na economia, US$ 8 bilhões em exportações, equivalentes a mais de 3,5% do PIB brasileiro. Segundo as estimativas do setor sucroalcooleiro, uma nova usina de cana surgirá a cada mês no País nos próximos dois anos.

Este crescimento acelerado no plantio e na produção preocupa governantes e economistas. Muitos temem que esse boom leve o Brasil de volta à monocultura. Hoje, várias plantações de alimentos e áreas de pastagem estão sendo substituídas por lavouras de cana-de-açúcar. Preocupados com essa possibilidade, alguns Estados já se preparam para enfrentar a situação. Em Mato Grosso, na região do Pantanal, já foi proibida a implantação de usinas de álcool. No Estado de Goiás, algumas prefeituras querem limitar a entrada da cultura da cana. Em São Paulo, responsável por 60% da produção nacional, um projeto do deputado estadual Simão Pedro (PT) propõe que os fazendeiros de regiões do Estado onde a cultura da cana se expande sejam obrigados a reservar 10% das terras para outros tipos de cultura. “É fato a expansão do setor, mas precisamos criar alguns limites, senão daqui a uns dias seremos obrigados a importar alimentos básicos”, diz Simão. Enquanto isso, o presidente Lula, inebriado com o etanol, disse que os usineiros passaram de bandidos a heróis.

10 mil quilos de cana por dia é a cota mínima que cada cortador deve produzir.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Endereço alternativo do meu site

O endereço principal ultrapassou o tráfego mensal. Por isso está bloqueado. Contudo você pode acessar o site em:

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Educação é principal interesse de internauta, diz IBGE


O principal interesse de quem acessa a internet é a educação e o aprendizado. Em segundo lugar vem a comunicação com outras pessoas, por meio de chats, MSN etc. O lazer aparece em terceiro. A leitura de jornais e revistas fica na quarta posição.

O ranking de interesses de usuários da rede faz parte da pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) acerca do perfil dos usuários de internet, com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2005.

A pesquisa mostra que os internautas brasileiros chegam a 32,1 milhões de pessoas, o que corresponde a 21% da população com 10 anos ou mais.

O estudo mostra ainda que existe uma igualdade na proporção entre homens e mulheres que acessam a rede. Ao todo, 22% da população masculina utilizava a internet. Entre as mulheres, o percentual era de 20,1%.

Além disso, a pesquisa mostra que a escolaridade e a renda influem no acesso à internet. Ela é mais utilizada entre pessoas com 10 anos ou mais de estudo (ensino médio). Já a população 5,6 anos de estudo é ainda a mais afastada da rede. A idade média do internauta brasileiro é de 28,1 anos.

Alagoas é o Estado com menor proporção de população com acesso à internet de casa, do trabalho, ou de qualquer outro local gratuito ou pago: apenas 7,6% da população do Estado acessa à rede. O Distrito Federal está no lado oposto: 41,1% da população usa a internet.

Internet discada

O presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Plínio de Aguiar, disse que a falta de acesso ao computador é o principal obstáculo dos brasileiros para contato com a internet.

Segundo ele, o acesso discado ainda é caro e a banda larga também pesa no orçamento das famílias. "A primeira barreira de acesso a internet com certeza é econômica", disse Aguiar. Ele disse q o governo estuda utilizar o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para cobrir as despesas de acesso à internet em 200 mil escolas.

Ele disse que a Anatel deve aprovar ainda no primeiro semestre deste ano um plano de acesso à internet discada, pelo qual as operadoras irão oferecer um pacote de dez horas de navegação na internet por R$ 7,50. Segundo o governo, o plano deve ajudar a popularizar a internet entre a população de baixa renda.
Educação é principal interesse de internauta, diz IBGE


O principal interesse de quem acessa a internet é a educação e o aprendizado. Em segundo lugar vem a comunicação com outras pessoas, por meio de chats, MSN etc. O lazer aparece em terceiro. A leitura de jornais e revistas fica na quarta posição.

O ranking de interesses de usuários da rede faz parte da pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) acerca do perfil dos usuários de internet, com base na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2005.

A pesquisa mostra que os internautas brasileiros chegam a 32,1 milhões de pessoas, o que corresponde a 21% da população com 10 anos ou mais.

O estudo mostra ainda que existe uma igualdade na proporção entre homens e mulheres que acessam a rede. Ao todo, 22% da população masculina utilizava a internet. Entre as mulheres, o percentual era de 20,1%.

Além disso, a pesquisa mostra que a escolaridade e a renda influem no acesso à internet. Ela é mais utilizada entre pessoas com 10 anos ou mais de estudo (ensino médio). Já a população 5,6 anos de estudo é ainda a mais afastada da rede. A idade média do internauta brasileiro é de 28,1 anos.

Alagoas é o Estado com menor proporção de população com acesso à internet de casa, do trabalho, ou de qualquer outro local gratuito ou pago: apenas 7,6% da população do Estado acessa à rede. O Distrito Federal está no lado oposto: 41,1% da população usa a internet.

Internet discada

O presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), Plínio de Aguiar, disse que a falta de acesso ao computador é o principal obstáculo dos brasileiros para contato com a internet.

Segundo ele, o acesso discado ainda é caro e a banda larga também pesa no orçamento das famílias. "A primeira barreira de acesso a internet com certeza é econômica", disse Aguiar. Ele disse q o governo estuda utilizar o Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) para cobrir as despesas de acesso à internet em 200 mil escolas.

Ele disse que a Anatel deve aprovar ainda no primeiro semestre deste ano um plano de acesso à internet discada, pelo qual as operadoras irão oferecer um pacote de dez horas de navegação na internet por R$ 7,50. Segundo o governo, o plano deve ajudar a popularizar a internet entre a população de baixa renda.

quinta-feira, 22 de março de 2007

Réus feios têm mais chances de ser condenados, diz estudo

Pessoas feias têm mais chances de serem condenadas por júris populares do que pessoas bonitas, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Bath, na Grã-Bretanha.

No estudo, cada um dos 96 voluntários (metade brancos, metade negros) recebeu a transcrição de um roubo fictício, com uma foto do suposto réu.

A descrição do crime era sempre a mesma, mas fotos diferentes foram anexadas. Duas das fotos mostravam réus negros, um considerado feio e outro bonito por participantes de um estudo separado. Foram usadas ainda duas fotos de réus brancos, um belo e outro feio.

Os voluntários foram orientados a julgar a culpa do réu em uma escala de zero a dez e dar um veredicto de culpado ou inocente. No caso de considerarem o réu culpado, eles precisaram ainda estabelecer uma sentença.

Bonitos e feios

O estudo observou que os jurados tendem a considerar os réus atraentes menos culpados do que os réus feios.

“Nosso estudo confirmou pesquisas anteriores sobre os efeitos das características dos réus, tais como a aparência física, nas decisões de júris. Os réus atraentes são, ao que parece, julgados de forma menos rígida do que os réus feios”, afirmou a pesquisadora Sandie Taylor.

“Talvez a Justiça não seja tão cega assim”, disse a pesquisadora.

Outra descoberta interessante foi que a etnia do réu ou do jurado não afetou o veredicto. Mas os réus negros e feios tiveram sentenças mais longas quando considerados culpados.

“É interessante que ser um réu negro e pouco atraente só teve impacto na sentença, mas não no veredicto de culpa dado pelos jurados.”

“Eu acho, no entanto, que é uma descoberta positiva o fato de que nem os participantes brancos nem os negros mostraram uma inclinação para com seu próprio grupo étnico”, disse Taylor.

O estudo foi apresentado na Conferência Anual da Sociedade Britânica de Psicologia.

Réus feios têm mais chances de ser condenados, diz estudo

Pessoas feias têm mais chances de serem condenadas por júris populares do que pessoas bonitas, de acordo com um estudo realizado pela Universidade de Bath, na Grã-Bretanha.

No estudo, cada um dos 96 voluntários (metade brancos, metade negros) recebeu a transcrição de um roubo fictício, com uma foto do suposto réu.

A descrição do crime era sempre a mesma, mas fotos diferentes foram anexadas. Duas das fotos mostravam réus negros, um considerado feio e outro bonito por participantes de um estudo separado. Foram usadas ainda duas fotos de réus brancos, um belo e outro feio.

Os voluntários foram orientados a julgar a culpa do réu em uma escala de zero a dez e dar um veredicto de culpado ou inocente. No caso de considerarem o réu culpado, eles precisaram ainda estabelecer uma sentença.

Bonitos e feios

O estudo observou que os jurados tendem a considerar os réus atraentes menos culpados do que os réus feios.

“Nosso estudo confirmou pesquisas anteriores sobre os efeitos das características dos réus, tais como a aparência física, nas decisões de júris. Os réus atraentes são, ao que parece, julgados de forma menos rígida do que os réus feios”, afirmou a pesquisadora Sandie Taylor.

“Talvez a Justiça não seja tão cega assim”, disse a pesquisadora.

Outra descoberta interessante foi que a etnia do réu ou do jurado não afetou o veredicto. Mas os réus negros e feios tiveram sentenças mais longas quando considerados culpados.

“É interessante que ser um réu negro e pouco atraente só teve impacto na sentença, mas não no veredicto de culpa dado pelos jurados.”

“Eu acho, no entanto, que é uma descoberta positiva o fato de que nem os participantes brancos nem os negros mostraram uma inclinação para com seu próprio grupo étnico”, disse Taylor.

O estudo foi apresentado na Conferência Anual da Sociedade Britânica de Psicologia.

sexta-feira, 16 de março de 2007


Fuga de cérebros

Jornal da USP - 05 a 11 de março de 2007 - ano XXII n.792

NILCE DA SILVA - professora da Faculdade de Educação da USP

Emigrar faz parte da constituição do ser humano. Não é um fato novo na história da humanidade: os egípcios recebiam mão-de-obra para suas construções faraônicas, gregos e romanos trasladavam suas populações para ocupar territórios recém-conquistados. Entretanto, diferentes lógicas orientam as movimentações humanas, variando de acordo com a época e os locais em que ocorrem.

Desde 2002, o Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Acolhendo Alunos em Situação de Exclusão Social e Escolar: o Papel da Instituição Escolar, localizado na Faculdade de Educação da USP, tem desenvolvido seus trabalhos acerca da relação entre escola e (i)emigração. Dentre outras perspectivas, temos nos interessado pela saída de brasileiros graduados ou pós-graduados para o exterior, movimento conhecido também como brain drain (fuga de cérebros).

Como conseqüência do movimento de europeus para os Estados Unidos, podemos admitir que outros cientistas, brasileiros inclusive, partem rumo à Europa para preencher as vagas ali encontradas, apesar de que indianos e paquistaneses, dentre outros pesquisadores de antigas colônias não-pertencentes ao mundo lusófono, são priorizados sobretudo pelo domínio da língua inglesa. Essa situação que desfavorece a ocupação dessas vagas por brasileiros na Europa, do nosso ponto de vista, é o resultado, em grande medida, da dificuldade que a maioria dos países ex-colônias portuguesas tem em competir no sistema econômico mundial há muitos séculos.

Dito de outro modo, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste teriam, de um ponto de vista eurocêntrico, poucos cérebros para exportar. Isso porque o resultado do processo colonial português – apoiado fortemente pela Inglaterra, principal beneficiária desses pactos coloniais – fez com que suas economias se apoiassem na exportação de produtos agrícolas. E assim os nossos países irmãos, como o próprio Brasil, sem exceção, têm produzido bens primários. E, para conseguir importar bens de outros setores, têm recorrido a empréstimos de fundos internacionais que não permitem o seu desenvolvimento de fato. Praticamente inexiste, nesses países, o investimento na escolarização da sua população. Ou seja, há escassez de mão-de-obra qualificada.

Mesmo assim, apesar das adversidades históricas, de acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 10 mil doutores foram formados em 2006. Entretanto, boa parte deles poderá ficar desempregada. Vejamos parte de reportagem de janeiro de 2007 do Jornal da Ciência: “O Brasil tem mais doutores, mas não há empregos. No ensino superior, doutor é o que menos tem vaga no quadro docente. No momento em que a Capes anuncia que o Brasil atingiu a meta de formar 10 mil doutores ao ano em 2006, muitos titulados buscam espaço no mercado. Especialistas afirmam que nossa produção científica (1,8% do total mundial) precisaria dobrar para alcançar a média de países como Canadá e Itália, que, em 2005, detinham, respectivamente, 4,8% e 4,4%, segundo a Fapesp (no topo, os Estados Unidos, com 32%).

Infelizmente, sabemos que essa cruel realidade para os vencedores que conseguem obter o título de doutor no Brasil é apoiada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB 9394/96), que explicita no seu artigo 52 a não exigência da presença de doutores trabalhando em cursos de graduação certificados pelo Ministério da Educação. As instituições superiores podem optar por mestres ou doutores. Estes são preteridos tendo em vista os menores valores de hora-aula pagos aos menos graduados.

Nesse sentido, vejamos as afirmações feitas pelo professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp Roberto Romano, em entrevista concedida à Folha de S. Paulo em julho de 2003, acerca da reforma previdenciária pela qual passa o Brasil: “A expulsão de cérebros do País não se resume apenas à reforma da Previdência em si, mas é reforçada pelos ‘ataques’ do presidente Lula à universidade, ao criticar professores que se aposentam aos 55 anos de idade. Pessoas tratadas como criminosas no seu país de origem e que recebem um salário quase de fome, que são estimuladas a trocar o Brasil pelas universidades norte-americanas ou européias, formam um exército intelectual de reserva. E temos uma política de terra arrasada”.

Interessados nesse debate apresentam propostas para que essa fuga de cérebros não ocorra no Brasil. Nesse conjunto, podemos destacar a criação de mecanismos pelo governo de modo que empresas privadas financiem a pesquisa, cujos resultados beneficiarão diretamente as mesmas e ainda o aumento das verbas governamentais.

Apesar disso, observemos os seguintes dados, que podem ser obtidos facilmente em diversas páginas da internet sobre o assunto.

A bolsa anual de um pesquisador em nível de mestrado (com recursos da própria universidade ou privados), nos Estados Unidos, fica, em média, em torno de R$ 100 mil por ano (aproximadamente R$ 10 mil por mês), além de o aluno receber ainda uma quantia extra para cobrir os custos da anuidade do curso e, na maior parte dos casos, também do alojamento universitário. No Brasil, a bolsa anual de pesquisador no mesmo nível é de cerca de R$ 9.600 anuais, ou seja, R$ 800 por mês, sem nenhum outro benefício, sendo que, se esse mestrando estudar em alguma instituição particular de ensino, terá que pagar mensalidades do curso não inferiores a R$ 500. Numa matemática muito elementar, concluímos que: o que o mestrando brasileiro recebe no ano, o mestrando nos Estados Unidos recebe no mês, e o que o mestrando nos Estados Unidos ganha por mês não é salário da maior parte dos professores doutores – que ainda não estão desempregados – no Brasil.

Perguntamos: quais os motivos reais que farão com que os 7.672 estudantes brasileiros de graduação e de pós-graduação nos Estados Unidos voltem para o Brasil?

Segundo o pesquisador L. Marmora, os cérebros, quando se estabelecem como residentes nos países de recepção, fazem remessas de dinheiro para seus países de origem e ainda promovem parcerias entre as universidades dos países que os acolheram com as dos seus países de origem, contribuindo com a sociedade que, por meio do pagamento de impostos, os formou.

Do nosso ponto de vista, o pesquisador ou cientista que emigra não é aproveitado da melhor maneira pela sua sociedade de origem. Ou seja, há uma perda de capital. E assim, em conformidade com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, os emigrantes levam para outros países um conjunto de habilidades, experiências, qualificações e relações sociais que constituirão um capital cultural e social que, ao contrário do capital material, se valoriza com o tempo.

Entretanto, neste quadro de miséria social, entendemos que não é apenas a falta de investimento que coloca em risco a produção de conhecimento no Brasil. Dentre vários motivos, como a proliferação de instituições de ensino superior que não se preocupam com qualidade de ensino e o sucateamento de diversas instituições públicas e privadas, destacamos que a estrutura, a organização e o modus operandi das próprias universidades públicas, no Brasil, preponderantemente, podem ser fatores que emperram o desenvolvimento pessoal e profissional de seus pesquisadores.

Leiamos trecho da reportagem de S. Bittencourt para a Folha de S. Paulo, de Heidelberg, de 30 de março de 2004, por ser inspirador na tentativa de discutirmos o clima socioafetivo da universidade brasileira: “Após 13 anos trabalhando como pesquisador na área de biologia molecular, o inglês Karl Gensberg, 41, pretende abandonar a carreira acadêmica no mês que vem, quando termina seu contrato temporário com a Universidade de Birmingham (Inglaterra), e adotar uma nova profissão: encanador. A razão? A possibilidade de ganhar até o dobro do que obtém como pesquisador, £ 23 mil por ano (cerca de R$ 130 mil). O caso de Gensberg foi explorado à exaustão no mês passado pela mídia britânica.”

Seria apenas a questão salarial que expulsou esse pesquisador da referida universidade inglesa? Teria Gensberg a mesma realização pessoal como pesquisador ou encanador?

A universidade, assim como a sociedade brasileira, revela uma estrutura social fraturada, reproduzindo institucionalmente um divisor social para o qual a detenção de mérito e a aquisição de conhecimentos se revelam insuficientes para anular determinados estigmas. Esse divisor separa a universidade em pelo menos dois grupos: a) os indivíduos incluídos socialmente e também integrados na universidade; e b) os indivíduos excluídos socialmente, que ingressaram na universidade, certamente em busca da inclusão social, via instituição escolar, e que são vítimas das artimanhas da exclusão institucional. Ou seja, apresentamos a possibilidade de que em muitas instituições de pesquisa ocorra um sistema de inclusão perversa, em que algumas unidades recebem mais verba para pesquisa do que outras e que, dentro das unidades, pessoas, independentemente do mérito de seus trabalhos, tenham mais condições para realizá-los.

Passamos a questionar qual ou quais as funções da universidade nos dias de hoje. Retomemos as palavras de Roberto Romano: “Contra as teses populistas, enfim, outro lado da perversidade burocratizante, precisamos definir, sem paradoxo algum: a função social da universidade é de ser universidade, deixando de constituir-se numa caixa de ressonância de interesses partidários, ideológicos, religiosos. Estes últimos perseguem seus fins, legítimos na instância devida. Nos campi, todos são bem-vindos, desde que não desejem reduzir o saber ao metro curto de seus alvos conjunturais”.

Acrescentamos que a universidade não deveria conceber os interesses de cunho absolutamente pessoal. Porém, sabemos que muitos dos protagonistas dessas instituições, longe de serem inventores, cérebros e descobridores, se tornam oportunistas, exploradores de vidas miseráveis, vaidosos e arrogantes. Os artifícios desse processo de particularizar o universal aparecem, na maior parte das vezes, como resultantes das contigüidades entre os procedimentos de ordem científica e os de ordem burocrática. E assim, do nosso ponto de vista, inúmeros pesquisadores e professores passam por uma carreira tão brutal de humilhação social e profissional no seio das universidades que, tendo em vista o estado emocional a que são reduzidos, conseguiriam apenas fazer colares de miçangas.

se modo, as razões apontadas impossibilitam a construção da identidade de pesquisador em muitos dos profissionais brasileiros nas universidades. Isso porque eles se sentem desvalorizados pelas políticas públicas e são rejeitados no âmbito das próprias instituições.

Muitos de nós, graduados e titulados, e mesmo aqueles estudantes brasileiros que estudam nos Estados Unidos, talvez fiquemos por aqui mesmo, na medida em que inúmeras oportunidades de trabalho menos qualificado estarão nos esperando no exterior e com elas todos os preconceitos pertinentes ao “ser brasileiro” – exemplo máximo encontrado na figura do jovem Jean Charles de Menezes, que foi morto a tiros no metrô pela polícia londrina ao ser confundido com um terrorista.

Em suma, talvez não precisemos nos preocupar com a fuga de cérebros brasileiros. Ela não ocorrerá em breve. Talvez ainda nos acomodemos covardemente à falta de verbas e à burocracia kafkiana existente em nossas universidades, que tem facilitado a metáfora também kafkiana, transformando-nos em insetos ou, como diria Henfil em seu Diário, em cucarachas.

Nilce da Silva é professora da Faculdade de Educação da USP e coordenadora do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão


Fuga de cérebros

Jornal da USP - 05 a 11 de março de 2007 - ano XXII n.792

NILCE DA SILVA - professora da Faculdade de Educação da USP

Emigrar faz parte da constituição do ser humano. Não é um fato novo na história da humanidade: os egípcios recebiam mão-de-obra para suas construções faraônicas, gregos e romanos trasladavam suas populações para ocupar territórios recém-conquistados. Entretanto, diferentes lógicas orientam as movimentações humanas, variando de acordo com a época e os locais em que ocorrem.

Desde 2002, o Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão Acolhendo Alunos em Situação de Exclusão Social e Escolar: o Papel da Instituição Escolar, localizado na Faculdade de Educação da USP, tem desenvolvido seus trabalhos acerca da relação entre escola e (i)emigração. Dentre outras perspectivas, temos nos interessado pela saída de brasileiros graduados ou pós-graduados para o exterior, movimento conhecido também como brain drain (fuga de cérebros).

Como conseqüência do movimento de europeus para os Estados Unidos, podemos admitir que outros cientistas, brasileiros inclusive, partem rumo à Europa para preencher as vagas ali encontradas, apesar de que indianos e paquistaneses, dentre outros pesquisadores de antigas colônias não-pertencentes ao mundo lusófono, são priorizados sobretudo pelo domínio da língua inglesa. Essa situação que desfavorece a ocupação dessas vagas por brasileiros na Europa, do nosso ponto de vista, é o resultado, em grande medida, da dificuldade que a maioria dos países ex-colônias portuguesas tem em competir no sistema econômico mundial há muitos séculos.

Dito de outro modo, Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Timor-Leste teriam, de um ponto de vista eurocêntrico, poucos cérebros para exportar. Isso porque o resultado do processo colonial português – apoiado fortemente pela Inglaterra, principal beneficiária desses pactos coloniais – fez com que suas economias se apoiassem na exportação de produtos agrícolas. E assim os nossos países irmãos, como o próprio Brasil, sem exceção, têm produzido bens primários. E, para conseguir importar bens de outros setores, têm recorrido a empréstimos de fundos internacionais que não permitem o seu desenvolvimento de fato. Praticamente inexiste, nesses países, o investimento na escolarização da sua população. Ou seja, há escassez de mão-de-obra qualificada.

Mesmo assim, apesar das adversidades históricas, de acordo com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), 10 mil doutores foram formados em 2006. Entretanto, boa parte deles poderá ficar desempregada. Vejamos parte de reportagem de janeiro de 2007 do Jornal da Ciência: “O Brasil tem mais doutores, mas não há empregos. No ensino superior, doutor é o que menos tem vaga no quadro docente. No momento em que a Capes anuncia que o Brasil atingiu a meta de formar 10 mil doutores ao ano em 2006, muitos titulados buscam espaço no mercado. Especialistas afirmam que nossa produção científica (1,8% do total mundial) precisaria dobrar para alcançar a média de países como Canadá e Itália, que, em 2005, detinham, respectivamente, 4,8% e 4,4%, segundo a Fapesp (no topo, os Estados Unidos, com 32%).

Infelizmente, sabemos que essa cruel realidade para os vencedores que conseguem obter o título de doutor no Brasil é apoiada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996 (LDB 9394/96), que explicita no seu artigo 52 a não exigência da presença de doutores trabalhando em cursos de graduação certificados pelo Ministério da Educação. As instituições superiores podem optar por mestres ou doutores. Estes são preteridos tendo em vista os menores valores de hora-aula pagos aos menos graduados.

Nesse sentido, vejamos as afirmações feitas pelo professor de Ética e Filosofia Política da Unicamp Roberto Romano, em entrevista concedida à Folha de S. Paulo em julho de 2003, acerca da reforma previdenciária pela qual passa o Brasil: “A expulsão de cérebros do País não se resume apenas à reforma da Previdência em si, mas é reforçada pelos ‘ataques’ do presidente Lula à universidade, ao criticar professores que se aposentam aos 55 anos de idade. Pessoas tratadas como criminosas no seu país de origem e que recebem um salário quase de fome, que são estimuladas a trocar o Brasil pelas universidades norte-americanas ou européias, formam um exército intelectual de reserva. E temos uma política de terra arrasada”.

Interessados nesse debate apresentam propostas para que essa fuga de cérebros não ocorra no Brasil. Nesse conjunto, podemos destacar a criação de mecanismos pelo governo de modo que empresas privadas financiem a pesquisa, cujos resultados beneficiarão diretamente as mesmas e ainda o aumento das verbas governamentais.

Apesar disso, observemos os seguintes dados, que podem ser obtidos facilmente em diversas páginas da internet sobre o assunto.

A bolsa anual de um pesquisador em nível de mestrado (com recursos da própria universidade ou privados), nos Estados Unidos, fica, em média, em torno de R$ 100 mil por ano (aproximadamente R$ 10 mil por mês), além de o aluno receber ainda uma quantia extra para cobrir os custos da anuidade do curso e, na maior parte dos casos, também do alojamento universitário. No Brasil, a bolsa anual de pesquisador no mesmo nível é de cerca de R$ 9.600 anuais, ou seja, R$ 800 por mês, sem nenhum outro benefício, sendo que, se esse mestrando estudar em alguma instituição particular de ensino, terá que pagar mensalidades do curso não inferiores a R$ 500. Numa matemática muito elementar, concluímos que: o que o mestrando brasileiro recebe no ano, o mestrando nos Estados Unidos recebe no mês, e o que o mestrando nos Estados Unidos ganha por mês não é salário da maior parte dos professores doutores – que ainda não estão desempregados – no Brasil.

Perguntamos: quais os motivos reais que farão com que os 7.672 estudantes brasileiros de graduação e de pós-graduação nos Estados Unidos voltem para o Brasil?

Segundo o pesquisador L. Marmora, os cérebros, quando se estabelecem como residentes nos países de recepção, fazem remessas de dinheiro para seus países de origem e ainda promovem parcerias entre as universidades dos países que os acolheram com as dos seus países de origem, contribuindo com a sociedade que, por meio do pagamento de impostos, os formou.

Do nosso ponto de vista, o pesquisador ou cientista que emigra não é aproveitado da melhor maneira pela sua sociedade de origem. Ou seja, há uma perda de capital. E assim, em conformidade com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, os emigrantes levam para outros países um conjunto de habilidades, experiências, qualificações e relações sociais que constituirão um capital cultural e social que, ao contrário do capital material, se valoriza com o tempo.

Entretanto, neste quadro de miséria social, entendemos que não é apenas a falta de investimento que coloca em risco a produção de conhecimento no Brasil. Dentre vários motivos, como a proliferação de instituições de ensino superior que não se preocupam com qualidade de ensino e o sucateamento de diversas instituições públicas e privadas, destacamos que a estrutura, a organização e o modus operandi das próprias universidades públicas, no Brasil, preponderantemente, podem ser fatores que emperram o desenvolvimento pessoal e profissional de seus pesquisadores.

Leiamos trecho da reportagem de S. Bittencourt para a Folha de S. Paulo, de Heidelberg, de 30 de março de 2004, por ser inspirador na tentativa de discutirmos o clima socioafetivo da universidade brasileira: “Após 13 anos trabalhando como pesquisador na área de biologia molecular, o inglês Karl Gensberg, 41, pretende abandonar a carreira acadêmica no mês que vem, quando termina seu contrato temporário com a Universidade de Birmingham (Inglaterra), e adotar uma nova profissão: encanador. A razão? A possibilidade de ganhar até o dobro do que obtém como pesquisador, £ 23 mil por ano (cerca de R$ 130 mil). O caso de Gensberg foi explorado à exaustão no mês passado pela mídia britânica.”

Seria apenas a questão salarial que expulsou esse pesquisador da referida universidade inglesa? Teria Gensberg a mesma realização pessoal como pesquisador ou encanador?

A universidade, assim como a sociedade brasileira, revela uma estrutura social fraturada, reproduzindo institucionalmente um divisor social para o qual a detenção de mérito e a aquisição de conhecimentos se revelam insuficientes para anular determinados estigmas. Esse divisor separa a universidade em pelo menos dois grupos: a) os indivíduos incluídos socialmente e também integrados na universidade; e b) os indivíduos excluídos socialmente, que ingressaram na universidade, certamente em busca da inclusão social, via instituição escolar, e que são vítimas das artimanhas da exclusão institucional. Ou seja, apresentamos a possibilidade de que em muitas instituições de pesquisa ocorra um sistema de inclusão perversa, em que algumas unidades recebem mais verba para pesquisa do que outras e que, dentro das unidades, pessoas, independentemente do mérito de seus trabalhos, tenham mais condições para realizá-los.

Passamos a questionar qual ou quais as funções da universidade nos dias de hoje. Retomemos as palavras de Roberto Romano: “Contra as teses populistas, enfim, outro lado da perversidade burocratizante, precisamos definir, sem paradoxo algum: a função social da universidade é de ser universidade, deixando de constituir-se numa caixa de ressonância de interesses partidários, ideológicos, religiosos. Estes últimos perseguem seus fins, legítimos na instância devida. Nos campi, todos são bem-vindos, desde que não desejem reduzir o saber ao metro curto de seus alvos conjunturais”.

Acrescentamos que a universidade não deveria conceber os interesses de cunho absolutamente pessoal. Porém, sabemos que muitos dos protagonistas dessas instituições, longe de serem inventores, cérebros e descobridores, se tornam oportunistas, exploradores de vidas miseráveis, vaidosos e arrogantes. Os artifícios desse processo de particularizar o universal aparecem, na maior parte das vezes, como resultantes das contigüidades entre os procedimentos de ordem científica e os de ordem burocrática. E assim, do nosso ponto de vista, inúmeros pesquisadores e professores passam por uma carreira tão brutal de humilhação social e profissional no seio das universidades que, tendo em vista o estado emocional a que são reduzidos, conseguiriam apenas fazer colares de miçangas.

se modo, as razões apontadas impossibilitam a construção da identidade de pesquisador em muitos dos profissionais brasileiros nas universidades. Isso porque eles se sentem desvalorizados pelas políticas públicas e são rejeitados no âmbito das próprias instituições.

Muitos de nós, graduados e titulados, e mesmo aqueles estudantes brasileiros que estudam nos Estados Unidos, talvez fiquemos por aqui mesmo, na medida em que inúmeras oportunidades de trabalho menos qualificado estarão nos esperando no exterior e com elas todos os preconceitos pertinentes ao “ser brasileiro” – exemplo máximo encontrado na figura do jovem Jean Charles de Menezes, que foi morto a tiros no metrô pela polícia londrina ao ser confundido com um terrorista.

Em suma, talvez não precisemos nos preocupar com a fuga de cérebros brasileiros. Ela não ocorrerá em breve. Talvez ainda nos acomodemos covardemente à falta de verbas e à burocracia kafkiana existente em nossas universidades, que tem facilitado a metáfora também kafkiana, transformando-nos em insetos ou, como diria Henfil em seu Diário, em cucarachas.

Nilce da Silva é professora da Faculdade de Educação da USP e coordenadora do Grupo de Pesquisa, Ensino e Extensão

Amazônia não será prejudicada com o aquecimento, diz Ab´Sáber

16 de março de 2007 - Paulo Toledo Piza - Estadão Online

SÃO PAULO - A tese de que a floresta Amazônica e a Mata Atlântica sofrerão grandes mudanças com o aquecimento global é considerada "uma besteira" por uma das mais importantes autoridades da geografia brasileira: o professor Aziz Ab´Sáber, 83 anos.

Divulgado em fevereiro, o relatório das Nações Unidas sobre o aumento da temperatura mundial afirma que, entre outros desastres, a Amazônia se transformará em cerrado. Porém, segundo o geógrafo, os organizadores do relatório se esqueceram de um detalhe: as flutuações do nível do mar nos últimos milhares de anos.

Ab´Sáber, professor honoris causa pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirmou que entre 22 mil e 11 mil anos atrás, época da última era glacial, o mar desceu algumas dezenas de metros devido a um grande congelamento de águas marinhas nos pólos norte e sul.

Há cerca de 12 mil anos o planeta começou uma transição para climas mais quentes, fenômeno chamado "retropicalização". Com o tempo, segundo Ab´Sáber, o gelo concentrado nos pólos derreteu e o nível do mar subiu. "Entre 6 mil e 5 mil anos atrás, o calor ficou tal que o nível do mar esteve a 2,80, 3 metros mais alto", afirmou o geógrafo.

Nessa época, a corrente marítima quente sul-brasileira, que entra pelo nordeste e desce até a Região Sul, barrou as águas frias que vêm do pólo sul. "Essa corrente quente, capaz de aumentar a evaporação das águas costeiras, empurrou massas de ar úmidas para dentro do continente."

Optimum Climático

Segundo o geógrafo, esse período é tão importante que recebe um nome genérico: optimum climático. Ou seja: "Maior calor, nível do mar mais alto, mais capacidade de evaporação das águas costeiras e empurrão dessa umidade para dentro do continente", explica.

Antes do optimum climático, desde Santa Catarina até São Paulo se estendiam vegetações do tipo das araucárias. Após esse fenômeno, São Paulo sofreu uma retropicalização, transformando a vegetação local em Mata Atlântica. "Isso é a maior prova que o aumento do nível do mar estendeu as florestas. Essas florestas atlânticas receberão mais calor, mas também mais umidade do mar."

Ab´Sáber afirma, porém, que há grandes problemas relacionados a essa elevação de temperatura, e o que mais o preocupa é o aumento do nível do mar.

Litoral

O geógrafo aponta como exemplar o alerta dado no relatório das Nações Unidas sobre o perigo que as regiões litorâneas correm. Com o derretimento das geleiras, o nível do mar subirá e, com isso, "todas as regiões costeiras (como Santos, Rio e Recife) sofrerão um alagamento muito grande, e os estuários também."

Segundo Ab´Sáber, caso o aquecimento não seja revertido, as cidades costeiras terão de se adaptar urbanisticamente, tornando-se o que ele chama de "mini-Venezas" (em referência à cidade italiana flutuante). Outra saída seria a construção de muros "para separar o mar das regiões já urbanizadas, como existe na Holanda".

Amazônia

Ab´Sáber demonstra ceticismo nos dados do relatório relacionados à Amazônia, mas mostra-se preocupado com a atual situação na maior floresta do mundo. "Falam muito do fim da Amazônia pelo aquecimento, mas se esquecem de tudo aquilo que está acontecendo hoje em dia na Amazônia."

Para ele, o desflorestamento causado pelas madeireiras e pelos fazendeiros é muito mais grave e urgente do que a suposta desertificação da floresta. "Ouvi da boca de um fazendeiro: ´A terra é minha, e faço com ela o que quiser e quando quiser.´ Hoje ele desmata para a agropecuária, mas depois, se quiser, desmata mais da floresta para plantar soja ou cana-de-açúcar."

Ab´Sáber acredita que a destruição atual da floresta é preocupante e que o governo pouco faz para contê-la. "Só conheço dois Estados paralelos no Brasil: os morros do Rio e a Amazônia."

Amazônia não será prejudicada com o aquecimento, diz Ab´Sáber

16 de março de 2007 - Paulo Toledo Piza - Estadão Online

SÃO PAULO - A tese de que a floresta Amazônica e a Mata Atlântica sofrerão grandes mudanças com o aquecimento global é considerada "uma besteira" por uma das mais importantes autoridades da geografia brasileira: o professor Aziz Ab´Sáber, 83 anos.

Divulgado em fevereiro, o relatório das Nações Unidas sobre o aumento da temperatura mundial afirma que, entre outros desastres, a Amazônia se transformará em cerrado. Porém, segundo o geógrafo, os organizadores do relatório se esqueceram de um detalhe: as flutuações do nível do mar nos últimos milhares de anos.

Ab´Sáber, professor honoris causa pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), afirmou que entre 22 mil e 11 mil anos atrás, época da última era glacial, o mar desceu algumas dezenas de metros devido a um grande congelamento de águas marinhas nos pólos norte e sul.

Há cerca de 12 mil anos o planeta começou uma transição para climas mais quentes, fenômeno chamado "retropicalização". Com o tempo, segundo Ab´Sáber, o gelo concentrado nos pólos derreteu e o nível do mar subiu. "Entre 6 mil e 5 mil anos atrás, o calor ficou tal que o nível do mar esteve a 2,80, 3 metros mais alto", afirmou o geógrafo.

Nessa época, a corrente marítima quente sul-brasileira, que entra pelo nordeste e desce até a Região Sul, barrou as águas frias que vêm do pólo sul. "Essa corrente quente, capaz de aumentar a evaporação das águas costeiras, empurrou massas de ar úmidas para dentro do continente."

Optimum Climático

Segundo o geógrafo, esse período é tão importante que recebe um nome genérico: optimum climático. Ou seja: "Maior calor, nível do mar mais alto, mais capacidade de evaporação das águas costeiras e empurrão dessa umidade para dentro do continente", explica.

Antes do optimum climático, desde Santa Catarina até São Paulo se estendiam vegetações do tipo das araucárias. Após esse fenômeno, São Paulo sofreu uma retropicalização, transformando a vegetação local em Mata Atlântica. "Isso é a maior prova que o aumento do nível do mar estendeu as florestas. Essas florestas atlânticas receberão mais calor, mas também mais umidade do mar."

Ab´Sáber afirma, porém, que há grandes problemas relacionados a essa elevação de temperatura, e o que mais o preocupa é o aumento do nível do mar.

Litoral

O geógrafo aponta como exemplar o alerta dado no relatório das Nações Unidas sobre o perigo que as regiões litorâneas correm. Com o derretimento das geleiras, o nível do mar subirá e, com isso, "todas as regiões costeiras (como Santos, Rio e Recife) sofrerão um alagamento muito grande, e os estuários também."

Segundo Ab´Sáber, caso o aquecimento não seja revertido, as cidades costeiras terão de se adaptar urbanisticamente, tornando-se o que ele chama de "mini-Venezas" (em referência à cidade italiana flutuante). Outra saída seria a construção de muros "para separar o mar das regiões já urbanizadas, como existe na Holanda".

Amazônia

Ab´Sáber demonstra ceticismo nos dados do relatório relacionados à Amazônia, mas mostra-se preocupado com a atual situação na maior floresta do mundo. "Falam muito do fim da Amazônia pelo aquecimento, mas se esquecem de tudo aquilo que está acontecendo hoje em dia na Amazônia."

Para ele, o desflorestamento causado pelas madeireiras e pelos fazendeiros é muito mais grave e urgente do que a suposta desertificação da floresta. "Ouvi da boca de um fazendeiro: ´A terra é minha, e faço com ela o que quiser e quando quiser.´ Hoje ele desmata para a agropecuária, mas depois, se quiser, desmata mais da floresta para plantar soja ou cana-de-açúcar."

Ab´Sáber acredita que a destruição atual da floresta é preocupante e que o governo pouco faz para contê-la. "Só conheço dois Estados paralelos no Brasil: os morros do Rio e a Amazônia."