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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Precisamos de mais cimento social
Vamos deixar de lado o que é irrelevante e vamos nos concentrar na essência. Vamos considerar apenas aquilo que importa à maioria oprimida e explorada, ao interesse público: o projeto Cimento Social, realizado pelos militares no Morro da Providência, é a saída contra a violência que castiga as comunidades do Rio de Janeiro. Em seis meses, bastaram seis meses, de ocupação contínua dos militares, para a realização do Projeto Cimento Social, para que os índices de violência caíssem drasticamente. Não era isto que todos queriam ? Se era, porque querem afastar os militares da comunidade ?

O argumento de que os militares não podem fazer segurança pública é idiota e insignificante quando se observa que apenas a ação dos militares, através de Projetos Sociais, pode resolver, de forma justa e sem violações de Direitos Humanos ou matanças, o problema da violência nas comunidades do Rio de Janeiro.

Além disso, a ação dos soldados tem que ser separada da ação da instituição. Uma coisa é o que o soldado fez, outra é o que o Exército está fazendo. Saindo os militares, paralisam as obras, voltam os traficantes ou as milícias e junto vem a Polícia para matar e violar os Direitos Humanos. É isto que querem os que defendem a saída dos militares ? Desde quando a Constituição pode ser usada para justificar a reconstrução de um cenário de violações de Direitos Humanos e de violência ?

Se a presença do Exército, com a finalidade de realizar Projetos Sociais, resolve o problema da violência, não interessa o que a Constituição diz, os militares tem que ficar, pois nós queremos uma solução prática para a violência. Não somos fanáticos constitucionais que defendem a obediência cega à letra da lei, principalmente quando a obediência cega à letra da lei pode trazer de volta um cenário de violência e de violações de Direitos Humanos...

Contudo, o Judiciário vem a público e diz que os militares não podem fazer tarefa de segurança pública. Eu concordo com isto e digo que isto se aplica perfeitamente a um local, a uma comunidade, onde existem forças de segurança pública nas ruas, onde as forças de segurança pública agem sem nenhum problema, onde elas estão presente e possuem autoridade. Nestes locais a presença dos militares, com a finalidade de fazer segurança pública, não teria muita serventia. Haveria um excesso de forças de segurança no local. Logo, aplica-se o dispositivo constitucional e os militares vão se dedicar a outros negócios.

Contudo, usando a lógica, a proporcionalidade e a razoabilidade das coisas e dos fatos, percebe-se que este dispositivo constitucional não pode ser aplicado em locais onde a única presença possível do Estado são os militares. Se só tem os militares, como força do Estado, naquele local, são eles que devem fazer a segurança pública. São eles que devem agir como policiais.

Para quem tem inteligência, este fato é óbvio... É melhor que os militares façam a segurança pública do que deixar reinar, na comunidade, a anarquia ou o poder paralelo dos traficantes e das milícias. O Estado Oficial tem que se impor de alguma forma.

É fato notório que as comunidades do Rio são controladas por milícias e narcotraficantes. É fato notório que as forças de seguranças da Constituição não entram onde mandam os narcotraficantes, onde mandam os paramilitares.

É notório o fato de que as forças de segurança, quando entram nestas comunidades usam apenas a força bruta, agem a revelia da lei, violando a Constituição e os Direitos Humanos, ou seja, entram na comunidade para matar. Fazem a matança e "dão no pé"... Não ocupam o local para restabelecer e garantir a lei e a ordem.

As forças típicas de segurança não permanecem nas comunidades por muito tempo, não ocupam e nem estão presentes nas comunidades. Por isso, os narcotraficantes ou os paramilitares reinam absolutos. Logo, nestas comunidades não há garantia da lei e da ordem, ou seja, não há lei e nem ordem... a não ser, é claro, a lei e a ordem dos narcotraficantes e dos paramilitares. Inclusive falam dos "Tribunais do tráfico e das milícias".

Portanto, diante da ausência de forças de segurança, da ausência do Estado oficial com autoridade suficiente para aplicar a lei e estabelecer a ordem nas comunidades; assim como, diante dos excessos e das violações que as forças típicas de segurança cometem quando resolvem aparecer nestas comunidades e visando restabelecer a garantia da lei e da ordem, afastar a anarquia e a força do poder paralelo, legitima-se, perfeitamente, a ação das forças armadas, ação dos militares, nestas comunidades.

Certamente, estou falando da entrada dos militares para fazer projetos sociais, como o projeto Cimento Social, e, conseqüentemente, restabelecer a ordem e a segurança nas comunidades. Ações deste tipo tem legitimidade e tem poder de transformação, ou seja, os militares estão na comunidade fazendo projetos sociais e, pela tangente, restabelecendo o Estado de Direito e a ordem, assim como destruindo o poder paralelo, seja de milícias, seja de narcotraficantes.

Com esta idéia na cabeça, abro a Constituição Federal no art. 142 que diz: "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem"...

Vejam !!! As Forças Armadas também servem para garantir a lei e a ordem. Certamente, elas devem garantir a lei e a ordem onde não há lei e nem ordem. Não é este o caso das comunidades citadas ? Traficantes e paramilitares desfilando com armas de guerra nas mãos significa ausência da lei e da ordem... As matanças da polícia comum e do capitão Nascimento significam ausência da lei e da ordem... A incapacidade do Estado carioca em resolver o problema também significa descumprimento da lei e ausência de ordem...

Enfim, a presença dos militares nas comunidades para implementação de projetos sociais e, conseqüentemente, restabelecimento da lei e da ordem tem legitimidade constitucional. Só não vê isto quem quer criar confusão e quer a continuidade da desordem e da violência nas comunidades... Falam que os militares não podem fazer segurança. Portanto, para satisfazê-los vamos parar de falar em segurança pública e vamos começar a falar em restabelecimento da lei e da ordem...

O que é impensável e não pode ser tolerado de nenhuma forma, inclusive usando a argumentação que apresentei acima, é o uso dos militares para investigar, perseguir e prender narcotraficantes e paramilitares das milícias, ou seja, ao invés dos militares entrarem nas comunidades para realizar projetos sociais, entrarem para fazer o papel que a polícia tem que fazer. Em outras palavras, os militares assumirem o lugar da polícia, assumir a tarefa típica das forças de segurança pública. Usar as forças armadas para esta tarefa é violar frontalmente a Constituição. Os militares não foram feito para correr atrás de narcotraficantes ou de paramilitares....

Mas qual é a diferença ? A diferença é que os militares entram nas comunidades para fazer projetos sociais e, em segundo plano, restabelecem a lei e a ordem. O restabelecimento da lei e da ordem deriva do projeto social: mais emprego, mais renda, qualidade de vida, segurança, mais dignidade para os cidadãos da comunidade. Enfim, os militares concretizam Direitos Sociais...

Agora, usar os militares para correr atrás de bandido, não restabelece a lei e nem a ordem. E pior, desmoraliza as Forças Armadas. Porém, a realização de Projetos Sociais limpa a imagem autoritária dos militares, transformando-os em soldados que lutam contra as desigualdades...

Contudo, no caso das Forças armadas se encontrarem realizando um projeto social em uma comunidade, nada impede que façam um mapeamento da criminalidade organizada estacionada no local. Além disso, nada impede que identifiquem e prendam estes miliantes, ou seja, eu considero perfeitamente possível, dentro da lógica dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que a regra de não ação dos militares contra a criminalidade organizada seja relativizada em benefício da própria sociedade.

É o caso, como já disse, do Serviço de Inteligência das Forças Armadas que faz o mapeamento e a identificação da criminalidade organizada que age em determinada comunidade, onde os militares vão realizar, ou estão realizando um projeto social. Este mapeamento e esta identificação são essenciais para a segurança daqueles que atuarão no projeto e para restabelecer a lei e a ordem no local.

E, certamente, uma vez mapeado e identificado estes elementos, se forem visto nas ruas da comunidade e capturados pelas forças militares, ou caso seja identificado algum outro crime ou criminoso nas imediações, é perfeitamente legítimo e normal que sejam perseguidos, presos e entregues para os órgãos de segurança, a fim de que respondam, na Justiça, pelos crimes que cometeram... Inclusive, os militares podem fornecer todas as provas que o serviço de Inteligência levantou, etc.

Seis meses... em seis meses, os militares aplicaram o óbvio e descobriram que a redução da violência nas comunidades do Rio é possível, basta aliar a ocupação contínua dessas comunidades com projetos sociais que geram empregos, renda e qualidade de vida para os moradores. Em seis meses na comunidade ninguém morreu, enquanto que nas outras comunidades, regidas pela lógica da repressão, da violência e das violações de Direitos Humanos, lógica de um Estado Policial terrorista, centenas, talvez milhares de pessoas, foram assassinadas pelas forças de segurança.

Pela primeira vez um projeto social, mesmo sem ser um projeto de segurança pública, reduziu drasticamente a violência em uma comunidade que estava sob controle do narcotráfico. Este fato mostrou, cristalinamente, que a violência se combate com projeto social, com geração de emprego, renda e qualidade de vida para os moradores. Mas não só isto, a presença do Estado tem que ser contínua e constante, tem que ser ininterrupta...

O projeto Cimento Social mostrou que a lógica da repressão, das violações de Direitos Humanos e do Estado Policial Terrorista é a principal causa da desordem e da violência que impera no Rio de Janeiro. Pior do que isto, mostrou que todos os recursos públicos destinados ao combate da violência são recursos perdidos, pois são mal aplicados, é gasolina sendo utilizada para apagar um incêndio. As políticas públicas que seguem a linha da repressão promovem a violência para "supostamente" combater a violência.

Certamente, esta revelação atraiu o ódio dos grupos dominantes, que têm na violência uma fonte de recursos e de discurso. Por isso, agiram para sabotar o projeto e encobrir a idéia de que a solução para a violência está na ação social e não na repressão, no terrorismo e nas violações de Direitos Humanos.

Por isso, a ação estúpida de alguns soldados assumiu grande espaço na mídia. Basta observar que todos focam na ação isolada, realizada contra a ordem de Superiores das Forças Armadas, de alguns soldados, para atacar o Projeto Social. Usam a Consituição para paralisar uma ação social que está dando certo. Usam a letra morta da Lei para restabelecer uma realidade de violência, violações de Direitos Humanos e de terrorismo de Estado. E isto que eles querem, que os militares saiam, o projeto pare, os traficantes voltem e a Polícia entre para matar... Matem dezenas e saiam correndo... deixando, mais uma vez, a comunidade abandonada à própria sorte...

Em seis meses de projeto dos militares nada disso aconteceu...Logo, se houvesse inteligência e vontade de realmente acabar com a violência nas comunidades do Rio de Janeiro, o normal, o lógico, o razoável, seria a disseminação do Projeto Cimento Social para todas as comunidades. Dessa forma, o Rio de Janeiro restabeleceria a paz, a ordem e a Justiça, afastando o poder paralelo, a violência e as violações de Direitos Humanos, inclusive das forças típicas de segurança, ou seja, dos paramilitares. Isto seria o normal, mas isto interessa aos grupos dominantes ?

O caso dos militares no Rio de Janeiro mostra, cristalinamente, a ação dos grupos dominantes contra projetos sociais de relevante interesse público. Contra projetos sociais destinados à população de baixa renda. A morte dos três jovens não é o principal fator na história. Se fosse, a revolta das autoridades seria muito maior nos casos em que a polícia terrorista, em um único dia, matou mais de 10 jovens. Neste último caso, ninguém falou nada, ninguém pediu desculpa, ninguém foi na favela falar com as famílias e o judiciário não impediu a polícia de continuar indo na favela promover matanças... Portanto, a motivação daqueles que se manifestaram contra os militares é outra...

Um projeto como este não interessa aos grupos dominantes. Por isso, querem cobrí-lo para que a sociedade não o veja como solução para a violência. Se a sociedade ver, os recursos destinados à repressão, os bilhões gastos em combates inúteis, irão para as mãos dos militares para a realização de projetos sociais nas comunidades excluídas. Assim, a fonte de recursos das políticas públicas que, ao invés de eliminar a violência acabam aumentando-a exponencialmente, secará. Logo, para quem vive da violência, para quem tem na violência uma fonte de poder, não há interesse em ver este projeto, mostrando o seu sucesso...

Como os grupos dominantes estão enraizados na maioria dos órgãos da administração pública, o mal se manifestou nas instituições, mostrando suas garras e seus dentes. Mas dissimulando seus interesses e sua vontade na pseudo-legalidade. Eles querem, não a aplicaçao da Constituição, mas sim a continuidade da lógica da violência, da lógica das violações dos Direitos Humanos, da lógica do terrorismo de um Estado Policial. A violencia é um negócio do qual os grupos dominantes não abrem mão, pois é uma fonte de recursos para seus bolsos e fundamento para que alcancem o poder.

Certamente, os grupos dominantes, que usam a violência como fonte de renda, para não perder terreno no negócio, não poderiam deixar este projeto continuar incólume, pois ele é um tapa na cara das autoridades públicas. É um projeto que mostra a incompetência e a estupidez, clara e inequívoca, de políticos e de políticas de contenção da violência. Por isso, entrou em campo, para prejudicar e encobrir o sucesso do projeto Cimento Social, toda a tropa de choque dos grupos dominantes, incluindo o judiciário...

Se o sucesso deste projeto se disseminar, os bilhões destinados à segurança pública e contra o narcotráfico podem ser desviados, integralmente, para projetos sociais. E o cimento social pode virar epidemia e entrar em todas as comunidades do Rio de Janeiro e de outras cidades do Brasil. Em seis meses ninguém morreu, os traficantes desapareceram, os moradores tiveram emprego e a paisagem feia dos barracos, caindo aos pedaços, começou a ceder lugar para um bairro de cidadãos com dignidade.

Não só a mídia, mas também as ONGs de rapina que vivem da violência e, por incrível que pareça, as comissões de Direitos Humanos, levantaram-se para apedrejar os militares. Cada um agindo para proteger interesses próprios.

A velocidade com que Jungmann, da comissões de Direitos Humanos do Congresso, apareceu no caso foi impressionante. Muitos disseram: "é um exemplo de compromisso com os Direitos Humanos". E eu digo: "mas que cara de pau !!! Que hipocrisia !!!" Onde estava o Jungmann quando a Polícia Terrorista estava matando mais de dez pessoas por dia nas comunidades do Rio ? Onde estava o Jungmann quando as violações de Direitos Humanos nos presídios se tornaram públicas ?

Certamente, o aparecimento do Jungmann no caso dos militares se deve mais aos interesses políticos do PPS do que a preocupações com os Direitos Humanos. Interesses políticos que se chama Denise Frossard, adversária política do idealizador do projeto Cimento Social: Bispo Crivella.

E a Globo, o Willian Bonner, etc...atacou os militares porque não querem ver Projeto do Crivella, ligado à Igreja Universal e à Rede Record, fazendo sucesso no reduto do Roberto Marinho. Por isso, não sei se corromperam os Oficias da Inteligência ou se forjaram os relatórios, só sei começaram a reunir elementos para tirar os militares da comunidade e facilitar a volta dos narcotraficantes ou de alguma milícia... Logo, eles que tiveram um jornalista queimado em uma comunidade querem que a lógica da violência continue operando...

Pessoas que não emitiram nenhuma palavra diante das centenas, talvez milhares, de mortes promovidas pela polícia terrorista, de repente, mostram a cara para impedir os militares de continuarem executando um trabalho social de relevante interesse público e eficácia máxima contra a violência e contra as desigualdades. Portanto, os Direitos Humanos, nesta história toda, é apenas uma neblina para encobrir os reais interesses dos grupos dominantes.

A Comissão de Direitos Desumanos, aliada às ONGs da violência e ao Judiciário, em conluio, logo, evidenciando a face do verdadeiro mal, agem para prejudicar um projeto social de relevante interesse público e eficácia máxima contra a violência e contra as desigualdades. Agem para manter a violência extrema nas comunidades, para manter as péssimas qualidades da moradia, para manter as desigualdades sociais. Agem para perpetuar o mal social.
Precisamos de mais cimento social
Vamos deixar de lado o que é irrelevante e vamos nos concentrar na essência. Vamos considerar apenas aquilo que importa à maioria oprimida e explorada, ao interesse público: o projeto Cimento Social, realizado pelos militares no Morro da Providência, é a saída contra a violência que castiga as comunidades do Rio de Janeiro. Em seis meses, bastaram seis meses, de ocupação contínua dos militares, para a realização do Projeto Cimento Social, para que os índices de violência caíssem drasticamente. Não era isto que todos queriam ? Se era, porque querem afastar os militares da comunidade ?

O argumento de que os militares não podem fazer segurança pública é idiota e insignificante quando se observa que apenas a ação dos militares, através de Projetos Sociais, pode resolver, de forma justa e sem violações de Direitos Humanos ou matanças, o problema da violência nas comunidades do Rio de Janeiro.

Além disso, a ação dos soldados tem que ser separada da ação da instituição. Uma coisa é o que o soldado fez, outra é o que o Exército está fazendo. Saindo os militares, paralisam as obras, voltam os traficantes ou as milícias e junto vem a Polícia para matar e violar os Direitos Humanos. É isto que querem os que defendem a saída dos militares ? Desde quando a Constituição pode ser usada para justificar a reconstrução de um cenário de violações de Direitos Humanos e de violência ?

Se a presença do Exército, com a finalidade de realizar Projetos Sociais, resolve o problema da violência, não interessa o que a Constituição diz, os militares tem que ficar, pois nós queremos uma solução prática para a violência. Não somos fanáticos constitucionais que defendem a obediência cega à letra da lei, principalmente quando a obediência cega à letra da lei pode trazer de volta um cenário de violência e de violações de Direitos Humanos...

Contudo, o Judiciário vem a público e diz que os militares não podem fazer tarefa de segurança pública. Eu concordo com isto e digo que isto se aplica perfeitamente a um local, a uma comunidade, onde existem forças de segurança pública nas ruas, onde as forças de segurança pública agem sem nenhum problema, onde elas estão presente e possuem autoridade. Nestes locais a presença dos militares, com a finalidade de fazer segurança pública, não teria muita serventia. Haveria um excesso de forças de segurança no local. Logo, aplica-se o dispositivo constitucional e os militares vão se dedicar a outros negócios.

Contudo, usando a lógica, a proporcionalidade e a razoabilidade das coisas e dos fatos, percebe-se que este dispositivo constitucional não pode ser aplicado em locais onde a única presença possível do Estado são os militares. Se só tem os militares, como força do Estado, naquele local, são eles que devem fazer a segurança pública. São eles que devem agir como policiais.

Para quem tem inteligência, este fato é óbvio... É melhor que os militares façam a segurança pública do que deixar reinar, na comunidade, a anarquia ou o poder paralelo dos traficantes e das milícias. O Estado Oficial tem que se impor de alguma forma.

É fato notório que as comunidades do Rio são controladas por milícias e narcotraficantes. É fato notório que as forças de seguranças da Constituição não entram onde mandam os narcotraficantes, onde mandam os paramilitares.

É notório o fato de que as forças de segurança, quando entram nestas comunidades usam apenas a força bruta, agem a revelia da lei, violando a Constituição e os Direitos Humanos, ou seja, entram na comunidade para matar. Fazem a matança e "dão no pé"... Não ocupam o local para restabelecer e garantir a lei e a ordem.

As forças típicas de segurança não permanecem nas comunidades por muito tempo, não ocupam e nem estão presentes nas comunidades. Por isso, os narcotraficantes ou os paramilitares reinam absolutos. Logo, nestas comunidades não há garantia da lei e da ordem, ou seja, não há lei e nem ordem... a não ser, é claro, a lei e a ordem dos narcotraficantes e dos paramilitares. Inclusive falam dos "Tribunais do tráfico e das milícias".

Portanto, diante da ausência de forças de segurança, da ausência do Estado oficial com autoridade suficiente para aplicar a lei e estabelecer a ordem nas comunidades; assim como, diante dos excessos e das violações que as forças típicas de segurança cometem quando resolvem aparecer nestas comunidades e visando restabelecer a garantia da lei e da ordem, afastar a anarquia e a força do poder paralelo, legitima-se, perfeitamente, a ação das forças armadas, ação dos militares, nestas comunidades.

Certamente, estou falando da entrada dos militares para fazer projetos sociais, como o projeto Cimento Social, e, conseqüentemente, restabelecer a ordem e a segurança nas comunidades. Ações deste tipo tem legitimidade e tem poder de transformação, ou seja, os militares estão na comunidade fazendo projetos sociais e, pela tangente, restabelecendo o Estado de Direito e a ordem, assim como destruindo o poder paralelo, seja de milícias, seja de narcotraficantes.

Com esta idéia na cabeça, abro a Constituição Federal no art. 142 que diz: "As Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, são instituições nacionais permanentes e regulares, organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem"...

Vejam !!! As Forças Armadas também servem para garantir a lei e a ordem. Certamente, elas devem garantir a lei e a ordem onde não há lei e nem ordem. Não é este o caso das comunidades citadas ? Traficantes e paramilitares desfilando com armas de guerra nas mãos significa ausência da lei e da ordem... As matanças da polícia comum e do capitão Nascimento significam ausência da lei e da ordem... A incapacidade do Estado carioca em resolver o problema também significa descumprimento da lei e ausência de ordem...

Enfim, a presença dos militares nas comunidades para implementação de projetos sociais e, conseqüentemente, restabelecimento da lei e da ordem tem legitimidade constitucional. Só não vê isto quem quer criar confusão e quer a continuidade da desordem e da violência nas comunidades... Falam que os militares não podem fazer segurança. Portanto, para satisfazê-los vamos parar de falar em segurança pública e vamos começar a falar em restabelecimento da lei e da ordem...

O que é impensável e não pode ser tolerado de nenhuma forma, inclusive usando a argumentação que apresentei acima, é o uso dos militares para investigar, perseguir e prender narcotraficantes e paramilitares das milícias, ou seja, ao invés dos militares entrarem nas comunidades para realizar projetos sociais, entrarem para fazer o papel que a polícia tem que fazer. Em outras palavras, os militares assumirem o lugar da polícia, assumir a tarefa típica das forças de segurança pública. Usar as forças armadas para esta tarefa é violar frontalmente a Constituição. Os militares não foram feito para correr atrás de narcotraficantes ou de paramilitares....

Mas qual é a diferença ? A diferença é que os militares entram nas comunidades para fazer projetos sociais e, em segundo plano, restabelecem a lei e a ordem. O restabelecimento da lei e da ordem deriva do projeto social: mais emprego, mais renda, qualidade de vida, segurança, mais dignidade para os cidadãos da comunidade. Enfim, os militares concretizam Direitos Sociais...

Agora, usar os militares para correr atrás de bandido, não restabelece a lei e nem a ordem. E pior, desmoraliza as Forças Armadas. Porém, a realização de Projetos Sociais limpa a imagem autoritária dos militares, transformando-os em soldados que lutam contra as desigualdades...

Contudo, no caso das Forças armadas se encontrarem realizando um projeto social em uma comunidade, nada impede que façam um mapeamento da criminalidade organizada estacionada no local. Além disso, nada impede que identifiquem e prendam estes miliantes, ou seja, eu considero perfeitamente possível, dentro da lógica dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que a regra de não ação dos militares contra a criminalidade organizada seja relativizada em benefício da própria sociedade.

É o caso, como já disse, do Serviço de Inteligência das Forças Armadas que faz o mapeamento e a identificação da criminalidade organizada que age em determinada comunidade, onde os militares vão realizar, ou estão realizando um projeto social. Este mapeamento e esta identificação são essenciais para a segurança daqueles que atuarão no projeto e para restabelecer a lei e a ordem no local.

E, certamente, uma vez mapeado e identificado estes elementos, se forem visto nas ruas da comunidade e capturados pelas forças militares, ou caso seja identificado algum outro crime ou criminoso nas imediações, é perfeitamente legítimo e normal que sejam perseguidos, presos e entregues para os órgãos de segurança, a fim de que respondam, na Justiça, pelos crimes que cometeram... Inclusive, os militares podem fornecer todas as provas que o serviço de Inteligência levantou, etc.

Seis meses... em seis meses, os militares aplicaram o óbvio e descobriram que a redução da violência nas comunidades do Rio é possível, basta aliar a ocupação contínua dessas comunidades com projetos sociais que geram empregos, renda e qualidade de vida para os moradores. Em seis meses na comunidade ninguém morreu, enquanto que nas outras comunidades, regidas pela lógica da repressão, da violência e das violações de Direitos Humanos, lógica de um Estado Policial terrorista, centenas, talvez milhares de pessoas, foram assassinadas pelas forças de segurança.

Pela primeira vez um projeto social, mesmo sem ser um projeto de segurança pública, reduziu drasticamente a violência em uma comunidade que estava sob controle do narcotráfico. Este fato mostrou, cristalinamente, que a violência se combate com projeto social, com geração de emprego, renda e qualidade de vida para os moradores. Mas não só isto, a presença do Estado tem que ser contínua e constante, tem que ser ininterrupta...

O projeto Cimento Social mostrou que a lógica da repressão, das violações de Direitos Humanos e do Estado Policial Terrorista é a principal causa da desordem e da violência que impera no Rio de Janeiro. Pior do que isto, mostrou que todos os recursos públicos destinados ao combate da violência são recursos perdidos, pois são mal aplicados, é gasolina sendo utilizada para apagar um incêndio. As políticas públicas que seguem a linha da repressão promovem a violência para "supostamente" combater a violência.

Certamente, esta revelação atraiu o ódio dos grupos dominantes, que têm na violência uma fonte de recursos e de discurso. Por isso, agiram para sabotar o projeto e encobrir a idéia de que a solução para a violência está na ação social e não na repressão, no terrorismo e nas violações de Direitos Humanos.

Por isso, a ação estúpida de alguns soldados assumiu grande espaço na mídia. Basta observar que todos focam na ação isolada, realizada contra a ordem de Superiores das Forças Armadas, de alguns soldados, para atacar o Projeto Social. Usam a Consituição para paralisar uma ação social que está dando certo. Usam a letra morta da Lei para restabelecer uma realidade de violência, violações de Direitos Humanos e de terrorismo de Estado. E isto que eles querem, que os militares saiam, o projeto pare, os traficantes voltem e a Polícia entre para matar... Matem dezenas e saiam correndo... deixando, mais uma vez, a comunidade abandonada à própria sorte...

Em seis meses de projeto dos militares nada disso aconteceu...Logo, se houvesse inteligência e vontade de realmente acabar com a violência nas comunidades do Rio de Janeiro, o normal, o lógico, o razoável, seria a disseminação do Projeto Cimento Social para todas as comunidades. Dessa forma, o Rio de Janeiro restabeleceria a paz, a ordem e a Justiça, afastando o poder paralelo, a violência e as violações de Direitos Humanos, inclusive das forças típicas de segurança, ou seja, dos paramilitares. Isto seria o normal, mas isto interessa aos grupos dominantes ?

O caso dos militares no Rio de Janeiro mostra, cristalinamente, a ação dos grupos dominantes contra projetos sociais de relevante interesse público. Contra projetos sociais destinados à população de baixa renda. A morte dos três jovens não é o principal fator na história. Se fosse, a revolta das autoridades seria muito maior nos casos em que a polícia terrorista, em um único dia, matou mais de 10 jovens. Neste último caso, ninguém falou nada, ninguém pediu desculpa, ninguém foi na favela falar com as famílias e o judiciário não impediu a polícia de continuar indo na favela promover matanças... Portanto, a motivação daqueles que se manifestaram contra os militares é outra...

Um projeto como este não interessa aos grupos dominantes. Por isso, querem cobrí-lo para que a sociedade não o veja como solução para a violência. Se a sociedade ver, os recursos destinados à repressão, os bilhões gastos em combates inúteis, irão para as mãos dos militares para a realização de projetos sociais nas comunidades excluídas. Assim, a fonte de recursos das políticas públicas que, ao invés de eliminar a violência acabam aumentando-a exponencialmente, secará. Logo, para quem vive da violência, para quem tem na violência uma fonte de poder, não há interesse em ver este projeto, mostrando o seu sucesso...

Como os grupos dominantes estão enraizados na maioria dos órgãos da administração pública, o mal se manifestou nas instituições, mostrando suas garras e seus dentes. Mas dissimulando seus interesses e sua vontade na pseudo-legalidade. Eles querem, não a aplicaçao da Constituição, mas sim a continuidade da lógica da violência, da lógica das violações dos Direitos Humanos, da lógica do terrorismo de um Estado Policial. A violencia é um negócio do qual os grupos dominantes não abrem mão, pois é uma fonte de recursos para seus bolsos e fundamento para que alcancem o poder.

Certamente, os grupos dominantes, que usam a violência como fonte de renda, para não perder terreno no negócio, não poderiam deixar este projeto continuar incólume, pois ele é um tapa na cara das autoridades públicas. É um projeto que mostra a incompetência e a estupidez, clara e inequívoca, de políticos e de políticas de contenção da violência. Por isso, entrou em campo, para prejudicar e encobrir o sucesso do projeto Cimento Social, toda a tropa de choque dos grupos dominantes, incluindo o judiciário...

Se o sucesso deste projeto se disseminar, os bilhões destinados à segurança pública e contra o narcotráfico podem ser desviados, integralmente, para projetos sociais. E o cimento social pode virar epidemia e entrar em todas as comunidades do Rio de Janeiro e de outras cidades do Brasil. Em seis meses ninguém morreu, os traficantes desapareceram, os moradores tiveram emprego e a paisagem feia dos barracos, caindo aos pedaços, começou a ceder lugar para um bairro de cidadãos com dignidade.

Não só a mídia, mas também as ONGs de rapina que vivem da violência e, por incrível que pareça, as comissões de Direitos Humanos, levantaram-se para apedrejar os militares. Cada um agindo para proteger interesses próprios.

A velocidade com que Jungmann, da comissões de Direitos Humanos do Congresso, apareceu no caso foi impressionante. Muitos disseram: "é um exemplo de compromisso com os Direitos Humanos". E eu digo: "mas que cara de pau !!! Que hipocrisia !!!" Onde estava o Jungmann quando a Polícia Terrorista estava matando mais de dez pessoas por dia nas comunidades do Rio ? Onde estava o Jungmann quando as violações de Direitos Humanos nos presídios se tornaram públicas ?

Certamente, o aparecimento do Jungmann no caso dos militares se deve mais aos interesses políticos do PPS do que a preocupações com os Direitos Humanos. Interesses políticos que se chama Denise Frossard, adversária política do idealizador do projeto Cimento Social: Bispo Crivella.

E a Globo, o Willian Bonner, etc...atacou os militares porque não querem ver Projeto do Crivella, ligado à Igreja Universal e à Rede Record, fazendo sucesso no reduto do Roberto Marinho. Por isso, não sei se corromperam os Oficias da Inteligência ou se forjaram os relatórios, só sei começaram a reunir elementos para tirar os militares da comunidade e facilitar a volta dos narcotraficantes ou de alguma milícia... Logo, eles que tiveram um jornalista queimado em uma comunidade querem que a lógica da violência continue operando...

Pessoas que não emitiram nenhuma palavra diante das centenas, talvez milhares, de mortes promovidas pela polícia terrorista, de repente, mostram a cara para impedir os militares de continuarem executando um trabalho social de relevante interesse público e eficácia máxima contra a violência e contra as desigualdades. Portanto, os Direitos Humanos, nesta história toda, é apenas uma neblina para encobrir os reais interesses dos grupos dominantes.

A Comissão de Direitos Desumanos, aliada às ONGs da violência e ao Judiciário, em conluio, logo, evidenciando a face do verdadeiro mal, agem para prejudicar um projeto social de relevante interesse público e eficácia máxima contra a violência e contra as desigualdades. Agem para manter a violência extrema nas comunidades, para manter as péssimas qualidades da moradia, para manter as desigualdades sociais. Agem para perpetuar o mal social.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Escrevi em 02/01/2007

No texto abaixo, que escrevi em 02/01/2007, eu só corrigiria o ponto que fala do confronto entre narcotraficantes e as milícias. O confronto não foi, e nem está sendo, tão sangrento quanto eu esperava. Possivelmente, pelo fato das milícias serem formadas por policiais corruptos que já tinham relação direta com os bandidos ou já conheciam os bandidos. Porém, eu não descartaria a possibilidade das últimas matanças, ocorridas nas favelas do Rio, terem o dedão de policiais das milícias.

Portanto, se as autoridades públicas tivessem ouvido o meu alerta naquela época e agido rapidamente contra as milícias, a coisa não teria crescido tanto. Enfrentar narcotraficantes semi-analfabetos é uma coisa. Enfrentar paramilitares, treinados pelas forças armadas, é outra. Além disso, a maioria desses paramilitares são policiais do Rio. Logo, conhecem detalhadamente o sistema, sem contar que eles tem poder suficiente para sequestrar e ameaçar todas as autoridades públicas que podem desmontar esta organização ou colocá-los na prisão.

Certamente, o "agir" que aparece no parágrafo anterior não significa matar, mas sim prender e processar. Não há pena de morte no Brasil, seja para quem for.

Os grupos paramilitares no Rio de Janeiro

Os grupos paramilitares que estão se disseminando no Rio de Janeiro mostram, mais uma vez, a estupidez das políticas de repressão às drogas, ou seja, o surgimento desses grupos paramilitares é conseqüência direta da criminalização dos entorpecentes e do aparato militar, seja legal ou ilegal, que acompanham tais políticas.

Mais do que isso, esses grupos paramilitares estão se estruturando e construindo em cima das fraquezas das facções criminosas que dominavam as comunidades. Facções que se caracterizavam pela fragmentação e disputa de territórios. Além disso, os avanços dos paramilitares está catalisando a união das antigas facções criminosas e formando as condições necessárias para a explosão de uma guerra civil sem fim.

É válido observar ainda que, a partir da entrada dos paramilitares nessa história, podemos falar, sem nenhuma dúvida, que está ocorrendo uma "colombianização" do Brasil. A única coisa que está faltando nessa guerra civil é o discurso político contra o governo central.

Outro ponto que deve ser observado deriva do fato dos grupos paramilitares constituírem uma reorganização da criminalidade, ou seja, os narcotraficantes, pertencentes a facções fragmentadas e sem um comando centralizado, estão sendo expulsos e dando lugar aos grupos paramilitares estrategicamente organizados e com comando centralizado.

Apesar do discurso de proteção das comunidades, esses grupos não deixam de ser uma vertente da criminalidade, agora sim, organizada. O discurso social serve apenas para ganhar o apóio e a confiança das comunidades, legitimando a presença e posição desses elementos nesses locais.

O lado criminoso dos paramilitares evidencia-se na exploração de serviços clandestinos de TV a cabo, na cobrança de ágio na venda de gás e na cobrança compulsória de mensalidade dos moradores. Logo, esses grupos são constituem a mesma forma de opressão e de exploração das comunidades pobres e excluídas.

Certamente, mais dias ou menos dias, após expulsarem todos os narcotraficantes, os grupos paramilitares anunciarão o retorno do negócio das drogas, ou seja, colocarão na entrada das comunidades uma placa bem grande dizendo: "NARCOTRÁFICO SOB NOVA DIREÇÃO". Essa afirmação é uma conseqüência lógica da essência desses grupos que é a obtenção de lucros e dinheiro fácil. Certamente, não irão abandonar o narcotráfico, que é um negócio de milhões, pela exploração clandestina de TV a cabo.

Além desses grupos paramilitares não possuírem as fraquezas das organizações criminosas tradicionais, são constituídos por policiais, bombeiros, guarda-civis, menbros de serviços de inteligência, etc. Nesse contexto a questão que se impõe é a seguinte: quando esses paramilitares assumirem o negócio das drogas, virando narcotraficantes, e blindarem as comunidades, transformando-as em fortaleza, quem irá combatê-los ? Com que força ? Se o Estado não conseguiu derrotar narcotraficantes desorganizados e estúpidos, como poderá derrotar grupos paramilitares treinados pelo próprio Estado ?

Portanto, mais uma vez a única saída possível, capaz de conter e quebrar essa escalada de violência e morte, é a descriminalização das drogas, ou seja, temos que secar a fonte de recursos que financiam as armas, os atentados, as facções, os paramilitares e a violência.

É preciso observar...

Uma coisa é certa: os ataques no Rio de Janeiro estão sendo praticados pela criminalidade meio organizada. Contudo, quem está atacando: os narcotraficantes das favelas ou as milícias disfarçadas de narcotraficantes tentando legitimar as suas ações e as sua presença nas comunidades ?

O surgimento dessas milícias criam o ambiente adequado para a explosão de uma guerra civil sem fim. De um lado os paramilitares, de outro os narcotraficantes e no meio os moradores das comunidades. E o que está em jogo é o negócio da drogas. Os paramilitares estão cativando as comunidades para assumirem o lugar dos narcotraficantes e se instalarem definitivamente nesses locais. Depois de instalados e controlando os moradores, etc, reabrirão as bocas de fumo com uma placa bem grande na porta: "SOB NOVA DIREÇÃO".

Além disso, os ataques dos últimos dias tiveram outro grande efeito: desviaram as atenções que denunciavam as manipulações da GLOBO na política brasileira. As denúncias e matérias que descortinavam as tramóias e conspirações orquestradas nas redações da GLOBO foram substituídas por manchete de ônibus queimados, ataques a polícia, etc. Acontecimentos tão convenientes que eu chego a pensar que tem o dedo da GLOBO nos ataques. Será ?!!!

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Escrevi em 02/01/2007

No texto abaixo, que escrevi em 02/01/2007, eu só corrigiria o ponto que fala do confronto entre narcotraficantes e as milícias. O confronto não foi, e nem está sendo, tão sangrento quanto eu esperava. Possivelmente, pelo fato das milícias serem formadas por policiais corruptos que já tinham relação direta com os bandidos ou já conheciam os bandidos. Porém, eu não descartaria a possibilidade das últimas matanças, ocorridas nas favelas do Rio, terem o dedão de policiais das milícias.

Portanto, se as autoridades públicas tivessem ouvido o meu alerta naquela época e agido rapidamente contra as milícias, a coisa não teria crescido tanto. Enfrentar narcotraficantes semi-analfabetos é uma coisa. Enfrentar paramilitares, treinados pelas forças armadas, é outra. Além disso, a maioria desses paramilitares são policiais do Rio. Logo, conhecem detalhadamente o sistema, sem contar que eles tem poder suficiente para sequestrar e ameaçar todas as autoridades públicas que podem desmontar esta organização ou colocá-los na prisão.

Certamente, o "agir" que aparece no parágrafo anterior não significa matar, mas sim prender e processar. Não há pena de morte no Brasil, seja para quem for.

Os grupos paramilitares no Rio de Janeiro

Os grupos paramilitares que estão se disseminando no Rio de Janeiro mostram, mais uma vez, a estupidez das políticas de repressão às drogas, ou seja, o surgimento desses grupos paramilitares é conseqüência direta da criminalização dos entorpecentes e do aparato militar, seja legal ou ilegal, que acompanham tais políticas.

Mais do que isso, esses grupos paramilitares estão se estruturando e construindo em cima das fraquezas das facções criminosas que dominavam as comunidades. Facções que se caracterizavam pela fragmentação e disputa de territórios. Além disso, os avanços dos paramilitares está catalisando a união das antigas facções criminosas e formando as condições necessárias para a explosão de uma guerra civil sem fim.

É válido observar ainda que, a partir da entrada dos paramilitares nessa história, podemos falar, sem nenhuma dúvida, que está ocorrendo uma "colombianização" do Brasil. A única coisa que está faltando nessa guerra civil é o discurso político contra o governo central.

Outro ponto que deve ser observado deriva do fato dos grupos paramilitares constituírem uma reorganização da criminalidade, ou seja, os narcotraficantes, pertencentes a facções fragmentadas e sem um comando centralizado, estão sendo expulsos e dando lugar aos grupos paramilitares estrategicamente organizados e com comando centralizado.

Apesar do discurso de proteção das comunidades, esses grupos não deixam de ser uma vertente da criminalidade, agora sim, organizada. O discurso social serve apenas para ganhar o apóio e a confiança das comunidades, legitimando a presença e posição desses elementos nesses locais.

O lado criminoso dos paramilitares evidencia-se na exploração de serviços clandestinos de TV a cabo, na cobrança de ágio na venda de gás e na cobrança compulsória de mensalidade dos moradores. Logo, esses grupos são constituem a mesma forma de opressão e de exploração das comunidades pobres e excluídas.

Certamente, mais dias ou menos dias, após expulsarem todos os narcotraficantes, os grupos paramilitares anunciarão o retorno do negócio das drogas, ou seja, colocarão na entrada das comunidades uma placa bem grande dizendo: "NARCOTRÁFICO SOB NOVA DIREÇÃO". Essa afirmação é uma conseqüência lógica da essência desses grupos que é a obtenção de lucros e dinheiro fácil. Certamente, não irão abandonar o narcotráfico, que é um negócio de milhões, pela exploração clandestina de TV a cabo.

Além desses grupos paramilitares não possuírem as fraquezas das organizações criminosas tradicionais, são constituídos por policiais, bombeiros, guarda-civis, menbros de serviços de inteligência, etc. Nesse contexto a questão que se impõe é a seguinte: quando esses paramilitares assumirem o negócio das drogas, virando narcotraficantes, e blindarem as comunidades, transformando-as em fortaleza, quem irá combatê-los ? Com que força ? Se o Estado não conseguiu derrotar narcotraficantes desorganizados e estúpidos, como poderá derrotar grupos paramilitares treinados pelo próprio Estado ?

Portanto, mais uma vez a única saída possível, capaz de conter e quebrar essa escalada de violência e morte, é a descriminalização das drogas, ou seja, temos que secar a fonte de recursos que financiam as armas, os atentados, as facções, os paramilitares e a violência.

É preciso observar...

Uma coisa é certa: os ataques no Rio de Janeiro estão sendo praticados pela criminalidade meio organizada. Contudo, quem está atacando: os narcotraficantes das favelas ou as milícias disfarçadas de narcotraficantes tentando legitimar as suas ações e as sua presença nas comunidades ?

O surgimento dessas milícias criam o ambiente adequado para a explosão de uma guerra civil sem fim. De um lado os paramilitares, de outro os narcotraficantes e no meio os moradores das comunidades. E o que está em jogo é o negócio da drogas. Os paramilitares estão cativando as comunidades para assumirem o lugar dos narcotraficantes e se instalarem definitivamente nesses locais. Depois de instalados e controlando os moradores, etc, reabrirão as bocas de fumo com uma placa bem grande na porta: "SOB NOVA DIREÇÃO".

Além disso, os ataques dos últimos dias tiveram outro grande efeito: desviaram as atenções que denunciavam as manipulações da GLOBO na política brasileira. As denúncias e matérias que descortinavam as tramóias e conspirações orquestradas nas redações da GLOBO foram substituídas por manchete de ônibus queimados, ataques a polícia, etc. Acontecimentos tão convenientes que eu chego a pensar que tem o dedo da GLOBO nos ataques. Será ?!!!

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terça-feira, 20 de maio de 2008

O papel da mídia no extermínio no Rio de Janeiro
Quando a mídia começa a mostrar as favelas, não o problema social, as desigualdades e a miséria, mas sim traficantes armados e coisas deste tipo, pode esperar, vem matança por aí.

A mídia (jornais, telejornais, etc) servem como um arauto do extermínio. Preparam a população para o mal que será praticado, evitando, assim, a explosão de uma revolta popular. Buscam, com as imagens e falas de jornalistas justificar o extermínio que a polícia irá realizar. Não só isto, trabalham para descaracterizar as favelas e periferias, transformando o local e seus habitantes em inimigos da sociedade branca que está fora das periferias e favelas. Na favela e periferias, resumem os telejornais, só tem bandidos armados até o dentes, gente com armas de guerras, etc.

A meta é paralisar, amedrontar e entorpecer o resto da sociedade, que está fora da periferia. Justificando, assim, o extermínio que promovem dentro das comunidades pobres e excluídas. O discurso é tornar o resto da sociedade refém da periferia, quando, na verdade, a periferia é produto do mal praticado pelo resto da sociedade.

O discurso do medo sempre funciona. E quem dissemina este discurso é a mídia. O Bush se reelegeu com o terrorismo. Os tucanos, em São Paulo, inventaram o PCC e, quando querem amedrontar a população, botam a criminalidade organizada na rua, atirando para todos os lados e matando policiais. Porém, eles, os tucanos, tem negócio com a criminalidade organizada.

No Rio não é diferente. O narcotráfico serve para encobrir e obscurecer um monte coisas. Quando começam a mostrar bandidos e traficantes com armas de guerra, não tenha dúvida, estão tentando encobrir algo maior, desviar a atenção da pessoas. Meia dúzia de traficantes na entrada da favela, podem estar armados com um tanque de guerra, que não representam nenhuma ameaça para o Estado ou para as centenas de milhares de pessoas que vivem nestas comunidades.

Se tem traficante com arma de guerra, se tem traficante controlando entrada de favela, é por incompetência absoluta do Estado. O Governo sabe que a solução é ocupar as favelas definitivamente. A polícia tem que entrar e não sair mais, assim como patrulhar as vielas 24 horas. Mas isto não é feito.

A polícia vai na favela para matar pessoas. Mata um monte e cai fora. Meses depois volta e mata outro monte e cai fora. E assim a coisa se repete ano após ano. A meta não é resolver o problema, não é curar o doente, mas sim mantê-lo sobrevivendo, mantê-lo sob medicamentos. Enquanto o doente for mantido neste estado vegetativo, a indústria de medicamentos vende seus remédios. Por que curar a AIDS se é mais lucrativo vender coquetel ? Se existir uma vacina contra a AIDS ninguém vai comprar coquetel. Por que curá-lo se a meta é vender remédios ? Por que resolver o problema do narcotráfico se a meta é usá-lo para controlar a população, para invadir as periferias. É mais lucrativo, muito mais, manter a indústria das drogas funcionando, a população como refém dos "supostos" bandidos que usam armas de guerra, etc...

Inegavelmente, a marca do governo do PMDB do Rio de Janeiro será o extermínio. Em 2010 contaremos os mortos. E daremos o título "O Governador que mais matou na História do Brasil" e, junto com o título, uma medalha de nazista do ano. Certamente, junto com a medalha vai um chapéu de burro, pois ele terá milhares de mortos em suas mãos e o narcotráfico funcionando nas favelas como se nada tivesse acontecido. Adiantou matar tanta gente ?

A maior evidência de que a solução não é a repressão, mas sim a descriminalização, é o fato dos bandidos presos, inclusive em presídios de segurança máxima, continuarem gerindo/administrando suas bocas-de-fumo e distribuindo drogas nos morros e nas favelas. Quando o narcotraficante morre, abre, na favela, a sucessão do negócio das drogas e a fila sucessória é infinita.

Contudo, enquanto "supostos" bandidos desfilarem com armas de guerra e controlarem entrada de favela, a população continuará amedrontada, refém dos governantes e da indústria das drogas. Além disso, enquanto isto acontecer a polícia terá carta branca para invadir as periferias e promover extermínios.

Inclusive é interessante observar a semelhança entre o BOPE, tropa de elite da Polícia do Rio, e o esquadrão da morte. Usam o mesmo símbolo. Só muda o fato da caveira de um ter dois ossos por baixo e a do outro ter duas armas cruzadas. Mas a caveira é a mesma, ou seja, a morte que promovem, objetivo de ambas as organizações, é a mesma.

Além disso, o PAC da favela não vai funcionar se se resumir a construir projetos sociais sem, ao mesmo tempo, inserir policiais 24 horas nas comunidades. A polícia tem que ter presença marcante e constante. Contudo, alerto desde já, isto não resolve o problema das drogas, porém tira o narcotráfico da favela. Certamente, os narcotraficantes vão mudar o endereço da boca-de-fumo para locais de alto padrão. Já estão mudando...

O que resolve definitivamente o problema das drogas é a descriminalização. (Texto completo aqui)
O papel da mídia no extermínio no Rio de Janeiro
Quando a mídia começa a mostrar as favelas, não o problema social, as desigualdades e a miséria, mas sim traficantes armados e coisas deste tipo, pode esperar, vem matança por aí.

A mídia (jornais, telejornais, etc) servem como um arauto do extermínio. Preparam a população para o mal que será praticado, evitando, assim, a explosão de uma revolta popular. Buscam, com as imagens e falas de jornalistas justificar o extermínio que a polícia irá realizar. Não só isto, trabalham para descaracterizar as favelas e periferias, transformando o local e seus habitantes em inimigos da sociedade branca que está fora das periferias e favelas. Na favela e periferias, resumem os telejornais, só tem bandidos armados até o dentes, gente com armas de guerras, etc.

A meta é paralisar, amedrontar e entorpecer o resto da sociedade, que está fora da periferia. Justificando, assim, o extermínio que promovem dentro das comunidades pobres e excluídas. O discurso é tornar o resto da sociedade refém da periferia, quando, na verdade, a periferia é produto do mal praticado pelo resto da sociedade.

O discurso do medo sempre funciona. E quem dissemina este discurso é a mídia. O Bush se reelegeu com o terrorismo. Os tucanos, em São Paulo, inventaram o PCC e, quando querem amedrontar a população, botam a criminalidade organizada na rua, atirando para todos os lados e matando policiais. Porém, eles, os tucanos, tem negócio com a criminalidade organizada.

No Rio não é diferente. O narcotráfico serve para encobrir e obscurecer um monte coisas. Quando começam a mostrar bandidos e traficantes com armas de guerra, não tenha dúvida, estão tentando encobrir algo maior, desviar a atenção da pessoas. Meia dúzia de traficantes na entrada da favela, podem estar armados com um tanque de guerra, que não representam nenhuma ameaça para o Estado ou para as centenas de milhares de pessoas que vivem nestas comunidades.

Se tem traficante com arma de guerra, se tem traficante controlando entrada de favela, é por incompetência absoluta do Estado. O Governo sabe que a solução é ocupar as favelas definitivamente. A polícia tem que entrar e não sair mais, assim como patrulhar as vielas 24 horas. Mas isto não é feito.

A polícia vai na favela para matar pessoas. Mata um monte e cai fora. Meses depois volta e mata outro monte e cai fora. E assim a coisa se repete ano após ano. A meta não é resolver o problema, não é curar o doente, mas sim mantê-lo sobrevivendo, mantê-lo sob medicamentos. Enquanto o doente for mantido neste estado vegetativo, a indústria de medicamentos vende seus remédios. Por que curar a AIDS se é mais lucrativo vender coquetel ? Se existir uma vacina contra a AIDS ninguém vai comprar coquetel. Por que curá-lo se a meta é vender remédios ? Por que resolver o problema do narcotráfico se a meta é usá-lo para controlar a população, para invadir as periferias. É mais lucrativo, muito mais, manter a indústria das drogas funcionando, a população como refém dos "supostos" bandidos que usam armas de guerra, etc...

Inegavelmente, a marca do governo do PMDB do Rio de Janeiro será o extermínio. Em 2010 contaremos os mortos. E daremos o título "O Governador que mais matou na História do Brasil" e, junto com o título, uma medalha de nazista do ano. Certamente, junto com a medalha vai um chapéu de burro, pois ele terá milhares de mortos em suas mãos e o narcotráfico funcionando nas favelas como se nada tivesse acontecido. Adiantou matar tanta gente ?

A maior evidência de que a solução não é a repressão, mas sim a descriminalização, é o fato dos bandidos presos, inclusive em presídios de segurança máxima, continuarem gerindo/administrando suas bocas-de-fumo e distribuindo drogas nos morros e nas favelas. Quando o narcotraficante morre, abre, na favela, a sucessão do negócio das drogas e a fila sucessória é infinita.

Contudo, enquanto "supostos" bandidos desfilarem com armas de guerra e controlarem entrada de favela, a população continuará amedrontada, refém dos governantes e da indústria das drogas. Além disso, enquanto isto acontecer a polícia terá carta branca para invadir as periferias e promover extermínios.

Inclusive é interessante observar a semelhança entre o BOPE, tropa de elite da Polícia do Rio, e o esquadrão da morte. Usam o mesmo símbolo. Só muda o fato da caveira de um ter dois ossos por baixo e a do outro ter duas armas cruzadas. Mas a caveira é a mesma, ou seja, a morte que promovem, objetivo de ambas as organizações, é a mesma.

Além disso, o PAC da favela não vai funcionar se se resumir a construir projetos sociais sem, ao mesmo tempo, inserir policiais 24 horas nas comunidades. A polícia tem que ter presença marcante e constante. Contudo, alerto desde já, isto não resolve o problema das drogas, porém tira o narcotráfico da favela. Certamente, os narcotraficantes vão mudar o endereço da boca-de-fumo para locais de alto padrão. Já estão mudando...

O que resolve definitivamente o problema das drogas é a descriminalização. (Texto completo aqui)

quinta-feira, 17 de abril de 2008

As execuções da polícia do Rio de Janeiro
Desde o início do ano, até ontem, a dengue tinha matado mais de 50 pessoas no Rio de Janeiro. E, em dois dias, a polícia do Rio de Janeiro matou 16 pessoas. Acho que se contarmos as mortes pela Polícia desde o início do ano, os números da dengue perdem feio para a polícia.

Portanto, a maior epidemia no Rio de Janeiro, a doença que mata mais, é a Polícia Terrorista. Estou falando de Terrorismo de Estado. Polícia que mata 'supostamente' perseguindo traficantes ou em confronto com traficantes. Porém, esta história, como digo há vários anos, tem muita mentira e armação. A polícia mata muitos inocentes ou pessoas, envolvidas com o tráfico, porém desarmadas. São execuções sumárias.

A evidência lógica disso é o fato da polícia dizer que os morros estão tomados por traficantes armados com equipamentos de guerra (fuzis, metralhadores, granadas, lança-foguetes), etc. Inclusive, a polícia 'supostamente' captura algumas dessas armas e mostra para a imprensa.

Contudo, quando a polícia invade as favelas e 'supostamente' entra em confronto com os traficantes, raramente sai um policial ferido ou morto. Já os traficantes, 'supostamente' usando armamemnto de guerra, etc, morrem aos montes. Como nos últimos dias, 7 em um e 9 no outro. Já policial ferido ou morto, nenhum. Por que será ?

Entenderam o que estou dizendo ? Traficantes armados até os dentes e usando armamentos de guerra não acertam um único tiro nos policiais e são mortos facilmente pela Polícia. Além disso, os traficantes ocupam posições privilegiadas para tiro e são inimigos mortais da polícia. Mesmo assim erram os tiros e caem como maçãs podres nas garras da polícia. Será que quando a polícia chega, os traficantes ficam com tanto medo que, mesmo usando armamento de guerra, não conseguem acertar nenhum tiro nos policiais e, portanto, são mortos facilmente ? Será que os policiais tem corpo fechado para tiro de metralhadora .50 ? Ou será que os 'supostos' armamento dos traficantes são armas plantadas pela polícia, visando amedrontar e controlar a população, assim com invadir as periferias e justificar execuções sumárias ?

As drogas, pura e simples, não causam grande mal à sociedade. Quem causa grande mal é a polícia que invade as periferias para perseguir traficantes e matar pessoas. É a polícia que promove os confrontos em áreas abertas. É a polícia que mata mais do que qualquer epidemia.

Mas a mídia mostra os confrontos ? Errado. A mídia mostra barulhos de tiro. E, pelo som, não é possível saber quem está atirando. Tudo pode ser uma encenação da própria policia que entra na favela e ficando tanto tiros a esmo para culpar supostos traficantes. Isto porque, a maioria dos traficantes, quando vê a policia chegando, saem correndo. Fogem do local. Poucos são os que enfrentam.

Logo, para mostrar serviço, construir um inimigo poderoso e amedrontar a população, ou invadir a comunidade, a polícia mata quem encontra pela frente ou não conseguiu correr, ou ainda quem tem cara de traficante. Mata e joga em cima deles as armas de grosso calibre, simulando o tal confronto (tiros a esmo, etc). Por isso, raramente morrem policiais, enquanto traficantes, 'supostamente' armados até os dentes, morrem como gado no matadouro, 7 em um dia e 9 no outro.

O único caminho para acabar com esta guerra estúpida é a descriminalização. A descriminalização elimina a proibição, reduz o preço das drogas, acaba com o lucro e tira a polícia das favelas e periferias. Não haverá mais justificas para a polícia invadir as favelas e matar pessoas...

Contudo, a descriminalização não será aprovada pelos políticos ou pela classe dominante. Isto porque o narcotráfico virou um negócio importante para a economia. Um negócio que movimenta quase um trilhão de dólares, anualmente, em todo o mundo. A proibição virou uma indústria de verbas e equipamentos. Verbas para os Estados, Municípios e Países. Equipamentos e armas para tentar impor e fazer valer a proibição.

Portanto, não virá nenhuma lei que vise descriminalizar as drogas. Por isso, a sociedade e os movimentos sociais devem agir, iniciando uma série de movimentos para quebrar a proibição e a repressão de baixo para cima. Inclusive, eu já tenho idéias para se fazer isto.
As execuções da polícia do Rio de Janeiro
Desde o início do ano, até ontem, a dengue tinha matado mais de 50 pessoas no Rio de Janeiro. E, em dois dias, a polícia do Rio de Janeiro matou 16 pessoas. Acho que se contarmos as mortes pela Polícia desde o início do ano, os números da dengue perdem feio para a polícia.

Portanto, a maior epidemia no Rio de Janeiro, a doença que mata mais, é a Polícia Terrorista. Estou falando de Terrorismo de Estado. Polícia que mata 'supostamente' perseguindo traficantes ou em confronto com traficantes. Porém, esta história, como digo há vários anos, tem muita mentira e armação. A polícia mata muitos inocentes ou pessoas, envolvidas com o tráfico, porém desarmadas. São execuções sumárias.

A evidência lógica disso é o fato da polícia dizer que os morros estão tomados por traficantes armados com equipamentos de guerra (fuzis, metralhadores, granadas, lança-foguetes), etc. Inclusive, a polícia 'supostamente' captura algumas dessas armas e mostra para a imprensa.

Contudo, quando a polícia invade as favelas e 'supostamente' entra em confronto com os traficantes, raramente sai um policial ferido ou morto. Já os traficantes, 'supostamente' usando armamemnto de guerra, etc, morrem aos montes. Como nos últimos dias, 7 em um e 9 no outro. Já policial ferido ou morto, nenhum. Por que será ?

Entenderam o que estou dizendo ? Traficantes armados até os dentes e usando armamentos de guerra não acertam um único tiro nos policiais e são mortos facilmente pela Polícia. Além disso, os traficantes ocupam posições privilegiadas para tiro e são inimigos mortais da polícia. Mesmo assim erram os tiros e caem como maçãs podres nas garras da polícia. Será que quando a polícia chega, os traficantes ficam com tanto medo que, mesmo usando armamento de guerra, não conseguem acertar nenhum tiro nos policiais e, portanto, são mortos facilmente ? Será que os policiais tem corpo fechado para tiro de metralhadora .50 ? Ou será que os 'supostos' armamento dos traficantes são armas plantadas pela polícia, visando amedrontar e controlar a população, assim com invadir as periferias e justificar execuções sumárias ?

As drogas, pura e simples, não causam grande mal à sociedade. Quem causa grande mal é a polícia que invade as periferias para perseguir traficantes e matar pessoas. É a polícia que promove os confrontos em áreas abertas. É a polícia que mata mais do que qualquer epidemia.

Mas a mídia mostra os confrontos ? Errado. A mídia mostra barulhos de tiro. E, pelo som, não é possível saber quem está atirando. Tudo pode ser uma encenação da própria policia que entra na favela e ficando tanto tiros a esmo para culpar supostos traficantes. Isto porque, a maioria dos traficantes, quando vê a policia chegando, saem correndo. Fogem do local. Poucos são os que enfrentam.

Logo, para mostrar serviço, construir um inimigo poderoso e amedrontar a população, ou invadir a comunidade, a polícia mata quem encontra pela frente ou não conseguiu correr, ou ainda quem tem cara de traficante. Mata e joga em cima deles as armas de grosso calibre, simulando o tal confronto (tiros a esmo, etc). Por isso, raramente morrem policiais, enquanto traficantes, 'supostamente' armados até os dentes, morrem como gado no matadouro, 7 em um dia e 9 no outro.

O único caminho para acabar com esta guerra estúpida é a descriminalização. A descriminalização elimina a proibição, reduz o preço das drogas, acaba com o lucro e tira a polícia das favelas e periferias. Não haverá mais justificas para a polícia invadir as favelas e matar pessoas...

Contudo, a descriminalização não será aprovada pelos políticos ou pela classe dominante. Isto porque o narcotráfico virou um negócio importante para a economia. Um negócio que movimenta quase um trilhão de dólares, anualmente, em todo o mundo. A proibição virou uma indústria de verbas e equipamentos. Verbas para os Estados, Municípios e Países. Equipamentos e armas para tentar impor e fazer valer a proibição.

Portanto, não virá nenhuma lei que vise descriminalizar as drogas. Por isso, a sociedade e os movimentos sociais devem agir, iniciando uma série de movimentos para quebrar a proibição e a repressão de baixo para cima. Inclusive, eu já tenho idéias para se fazer isto.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Luta contra o crime ou Terrorismo de Estado no Rio de Janeiro ?

O Terrorismo de Estado é a forma mais típica e dissimulada de Terrorismo, pois é acobertada pelo manto da suposta legalidade do Estado.

A polícia entra na favela e pode matar qualquer um. Pode chamar qualquer pessoa da favela de traficante e meter bala no indivíduo. Depois colocam uma arma na mão do infeliz e alguns papelotes de cocaína no bolso dele para que ninguém diga nada, ou seja, há uma completa ausência do Estado de Direito nas ações policiais nas favelas do Rio de Janeiro. E não é só isso, mesmo que seja ação policial contra bandidos, a polícia não está autorizada a matar ninguém, pois não existe pena de morte no Brasil.

Isso sem contar que a maior parte das pessoas mortas nos "supostos" confrontos, foram assassinadas a queima roupa. Tiro a queima roupa não é tiro dado em confronto, é execução. Neste contexto, o que estamos vendo no Rio de Janeiro não é guerra contra o crime, é o terrorismo de Estado invadindo as favelas e as periferias para assassinar pessoas, moradores. Isso se torna mais evidente quando se verifica que a maioria dos mortos não tem passagem pela polícia.

Outro elemento que reforça essa idéia de terrorismo de Estado é o filme Tropa de Elite. Este filme foi produzido com uma única finalidade: legitimar a matança desenfreada que tem sido cometida no Rio de Janeiro. Matança que se acentuou com o governo Cabral e sua política de extermínio dos pobres. Matam traficantes ? Mentira, estão matando trabalhadores. Depois que matam chamam de traficante e colocam uma arma na mão do infeliz para que ele seja fotografado como traficante.

O BOPE é uma polícia terrorista que invade um bairro civil e executa pessoas sem nenhum tipo de julgamento. Qualquer um pode ser vítima, inclusive quem está passando pela favela, não é morador, pode ser chamado de traficante e ser morto pela polícia. Isso é terrorismo de Estado contra os moradores da periferias e das favelas.

O Governador do Rio e o BOPE devem ser denunciados nas Organizações Internacionais por violações de Direitos Humanos. Não adianta denunciar no Brasil, pois o Poder Judiciário Brasileiro, certamente, vai legitimar o terrorismo de Estado. Não só isso, o Rio de Janeiro deveria ser considerado área de conflito. Assim, ao menos, seriam aplicadas as convenções internacionais de proteção a civis em regiões de guerra.

O que temos que fazer é levantar provas do que está acontecendo no Rio de Janeiro e denunciar o Governador e o BOPE nas Organizações Internacionais por violações de Direitos Humanos, etc... As ONGs de Direitos Humanos devem começar a estudar essa saída... Não dá para esperar mais...

Além disso, eu quero deixar a seguinte questão para reflexão: se as drogas fossem descriminalizadas teríamos tantas mortes por overdose ? Teríamos tantos assassinatos pela Polícia ? Teríamos necessidade de ter BOPE entrando em favelas para matar pessoas ?

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COMO APRESENTAR UMA QUEIXA INDIVIDUAL POR VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS ÀS NAÇÕES UNIDAS
http://www.gddc.pt/direitos-humanos/queixa-violacao-dh/queixa-onu.html

Além do Tribunal Penal Internacional, o indivíduo pode pessoalmente representar junto às Nações Unidas por crimes contra os Direitos Humanos cometidos por um Estado terrorista. Mas quais são os tipos de comunicação sobre direitos humanos que as Nações Unidas podem receber e como elas resolvem os problemas que levantam?

A possibilidade da ONU tratar casos individuais de violações de Direitos Humanos foi aberta quando o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos entrou em vigor, em 1976. E essa possibilidade consta de dois procedimentos específicos: o procedimento 1503 e o procedimento facultativo.

Além disso, as queixas podem ser recebidas quando originárias de pessoas - indivíduos ou grupos - que alegam ter sido vítimas de violações dos direitos humanos. Podem também ser admitidas quando originárias de uma pessoa ou de um grupo de pessoas com conhecimento direto e seguro das violações. Quando uma organização não governamental (ONG) apresenta uma comunicação relativa a uma violação, é necessário que a ONG atue de boa-fé, de acordo com princípios reconhecidos de direitos humanos e que tenha provas diretas e seguras da situação que descreve.

3.3.1 Confidencialidade

Todas as medidas adotadas nos termos do "procedimento 1503" permanecem confidenciais, a não ser que a Comissão apresente um relatório ao Conselho Econômico e Social. Enquanto este estádio não é alcançado, as reuniões de todas as entidades de direitos humanos envolvidas realizam-se à porta fechada e a confidencialidade dos seus registros e dos documentos que tratam é preservada.

3.3.2 O Procedimento do "Protocolo Facultativo"

O Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e respectivo Protocolo Facultativo entraram em vigor em 23 de Março de 1976. Um Estado, que seja parte no Pacto e no Protocolo, reconhece que o Comitê dos Direitos do Homem das Nações Unidas - uma entidade composta por 18 peritos independentes que reúne três vezes por ano - pode receber e considerar comunicações por parte de particulares que aleguem que os seus direitos humanos foram violados por esse Estado.

Dos 148 Estados que aderiram ao Pacto ou que o tinham ratificado até 19 de Março de 2001, 98 reconheceram a competência do Comitê para apreciar queixas individuais.

As comunicações dos particulares são apreciadas pelo Comitê em reuniões à porta fechada. As suas cartas, e outros documentos do Comitê permanecem confidenciais.

3.3.3 Quando a queixa é admissível

Para ser apreciada, uma queixa não pode ser anônima e deve advir de uma pessoa ou de pessoas que vivem sob a jurisdição de um Estado Parte no Protocolo Facultativo. Normalmente, a comunicação deve ser enviada pelo particular que alega que o seu ou os seus direitos, tal como definidos no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, foram violados pelo Estado.

Quando pareça que a alegada vítima não pode apresentar a queixa, o Comitê pode apreciar uma comunicação proveniente de outra pessoa, que justifica o seu interesse em agir por ela. Uma terceira parte sem ligações aparentes com a alegada vítima não pode apresentar a comunicação.

A queixa, naturalmente, deve ser compatível com as disposições do Pacto e não pode ser apreciada se o mesmo problema estiver sob apreciação em outro foro internacional de investigação ou de resolução deste tipo de conflito. Todos os recursos internos devem estar esgotados antes de a queixa ser apresentada ao Comitê.

Ainda antes de decidir se uma comunicação é admissível ou não, o Comitê - ou o seu Grupo de Trabalho sobre Comunicações - pode pedir à alegada vítima ou ao Estado em questão para fornecer informações adicionais ou emitir observações, sob forma escrita, e determinar um prazo para o efeito. Se o Estado responder nesta fase, o queixoso recebe uma cópia para comentários. Se o caso for remetido ao autor da comunicação, apenas para ser prestada mais informação, e for então julgado inadmissível, nada será transmitido ao Estado.

O Comitê pode decidir não considerar uma queixa, sem decisão escrita; por exemplo, nos casos em que o seu autor a retire, ou mostre, por qualquer outra via, que não pretende ir mais adiante relativamente à sua comunicação.

3.3.4 A apreciação da queixa

Uma vez que uma queixa tenha sido declarada admissível, o Comitê pede ao Estado em causa para explicar ou clarificar o problema e dizer se algo foi feito para o resolver. É concedido um prazo de seis meses para que o Estado dê a sua resposta. É então concedida ao autor da queixa uma oportunidade de comentar a resposta do Estado. Em seguida, o Comitê formula o seu parecer e envia-o ao Estado em questão e ao autor da queixa.

O Comitê coloca, no decurso do procedimento, em pé de igualdade os particulares que se queixam e os Estados que violaram os seus direitos. Cada parte tem o direito de comentar os argumentos da outra.

3.3.5 Procedimentos cautelares

As pessoas que alegam ser vítimas de violações dos direitos humanos podem necessitar de proteção antes do Comitê ter tido tempo de tornar pública a sua decisão final. Sem afetar o fundo da questão, o Comitê tem por vezes de emitir uma opinião provisória dirigida aos Estados em causa.

Na pendência de um caso, o Comitê informou um Estado de que a alegada vítima "tendo procurado refúgio no país X não deveria ser expulsa ou levada para o país Y". Noutro momento, o Comitê exprimiu a sua preocupação relativamente ao estado de saúde de uma alegada vítima, e pediu ao Governo interessado que ela fosse urgentemente examinada por um corpo médico competente. O Comitê também pediu uma cópia do relatório médico.

3.3.6 Prova e ônus da prova

O Comitê deve apreciar toda a informação escrita que as partes interessadas lhes fizeram chegar. De acordo com o GDDC (2005), em vários casos relativos ao direito à vida, à tortura e a maus tratos, bem como a detenções arbitrárias e a desaparecimentos, o Comitê decidiu que o ônus da prova não pode recair apenas na pessoa que se queixa de uma violação. O Comitê também sustenta que não é suficiente fazer-se uma refutação, em termos gerais, de uma queixa por violação dos direitos humanos.

3.3.7 Em que diferem os procedimentos

A principal diferença entre os procedimentos, da Resolução 1503 (XLVIII) e do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, é de que o primeiro cobre o exame de situações, e o segundo debruça-se sobre o exame de queixas individuais: casos isolados de violações dos direitos humanos. Mas há outros elementos para a diferenciação dos dois procedimentos:

O "procedimento 1503" assenta numa Resolução de um organismo das Nações Unidas: o Conselho Econômico e Social. Para o tornar operacional, a cooperação voluntária dos Estados é indispensável. O "procedimento do Protocolo Facultativo" retira a sua autoridade de um Tratado internacional, nos termos do qual os Estados Partes se vincularam a aceitar um procedimento específico para o exame de queixas apresentadas contra eles.

O "procedimento 1503" aplica-se a todos os Estados. Nos termos do Protocolo Facultativo, o procedimento aplica-se apenas aos Estados que aderiram ou que ratificaram o Protocolo.

As violações de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais estão cobertas pelo primeiro, enquanto o segundo apenas se ocupa dos direitos civis e políticos que estão protegidos pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.
Qualquer pessoa, grupo de pessoas ou organização não governamental pode invocar o "procedimento 1503" se tiver um conhecimento direto ou indireto das violações alegadas. Uma comunicação nos termos do Protocolo Facultativo deve ser assinada pela alegada vítima ou por alguém com legitimidade para agir no seu interesse.

Os autores de comunicações nos termos do "procedimento 1503" não estão envolvidos em qualquer estágio do seu desenvolvimento nem são informados de qualquer medida adotada pelas Nações Unidas - a não ser que seja tornada pública. Os autores são meramente informados pelo Secretariado das Nações Unidas de que as suas comunicações foram recebidas, de que cópias foram enviadas aos Estados implicados e de que textos resumidos vão ser entregues aos membros da Subcomissão para a Prevenção da Discriminação e para a Proteção das Minorias e aos membros da Comissão dos Direitos Humanos.

Por outro lado, o autor de uma comunicação apresentada ao Comitê dos Direitos do Homem, nos termos do Protocolo Facultativo, é considerado parte. É informado de todas as medidas tomadas pelo Comitê ou pelo seu Grupo de Trabalho sobre Comunicações. O Estado envolvido também é informado. O autor tem a possibilidade de comentar quaisquer peças escritas apresentadas pelo Estado.

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OAB-RJ vê 'política de extermínio' em ação da polícia de Cabral

Presidente do órgão rebate governador, que ironizou entidades que criticaram operação na Favela da Coréia

Felipe Werneck, do Estadão -- 20/10/2007
http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid67933,0.htm

RIO - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio, Wadih Damous, elevou neste sábado, 20, o tom de crítica à política de segurança do Estado ao rebater uma entrevista do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) na qual ele defendera a operação da polícia na Favela da Coréia, na zona oeste, que resultou na morte de 12 pessoas, entre elas uma criança de 4 anos, na quarta-feira. "O que se afigura é uma política de extermínio pura e simples, sem qualquer eufemismo", afirmou Damous.Foi uma resposta ao governador, que na véspera afirmara, com ironia, que se pudesse pediria aos criminosos:

" Por favor, me devolva o seu fuzil, me devolva a sua .30 que derruba até helicópteros e a sua granada. Vamos fazer um seminário para discutir a devolução desse armamento?' Aí eu ficaria feliz da vida, mas a realidade é outra." Na mesma entrevista, Cabral disse respeitar a opinião da OAB-RJ, mas afirmou que a polícia agiu corretamente.

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Bandidos não devolvem fuzis, ironiza Cabral

Governador rebateu críticas da OAB e de entidades civis à operação na Favela da Coréia, que deixou 12 mortos, entre eles um menino de 4 anos

Pedro Dantas -- Estadão Online -- 20/10/2007
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071020/not_imp67713,0.php

O governador Sérgio Cabral (PMDB) rebateu com ironia as críticas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de entidades civis à operação na Favela da Coréia, em Senador Camará, na zona oeste do Rio, que terminou com a morte de 12 pessoas, entre elas uma criança de 4 anos. "Se eu pudesse chegar para esses marginais e pedir: olha aqui, me devolve o fuzil, a ponto 30, que derruba helicóptero, a granada, ou fazer um seminário para discutir como eles podem devolver, eu ficaria feliz da vida. Mas infelizmente não é assim", disse Cabral. O governador acusou os traficantes de "tocar o terrorismo" dentro e fora da comunidade.

"São criminosos selvagens e nós fomos com mais de 300 homens, como iremos em outras comunidades, porque quem sofre mais com isso são as pessoas que lá moram", declarou Cabral. Ele disse que os moradores apoiaram a ação e que as declarações contrárias à ação são compradas. "Na contabilidade apreendida na operação há registros de remunerações para as mulheres que vão denunciar a polícia."

O Ministério Público do Rio solicitou à TV Globo as imagens feitas por cinegrafista da emissora que mostram a perseguição de helicóptero que resultou na morte de dois homens. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, Alessandro Molon (PT), entrou com representação pedindo ao MP que investigue a operação. Uma audiência pública para discutir a ação ocorrerá na próxima semana com moradores e representantes da Secretaria de Segurança Pública.

Ontem, integrantes da OAB e da Justiça Global criticaram as autoridades que defenderam a operação. "Vamos externar nossa preocupação à Secretaria Nacional de Direitos Humanos sobre as declarações do ministro da Defesa, Nélson Jobim, que apoiou a ação. Ele elogia esta tática de extermínio, mas não apresenta uma estratégia para fechar a rota do tráfico de armas e drogas", disse Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global.

"São operações pirotécnicas para dar sensação de segurança para a população, que sempre são realizadas em comunidades distantes das regiões nobres", disse a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Margarida Pressburger. Ela considerou pífia a quantidade de armas e drogas apreendidas em relação ao número de mortes.

OPERAÇÃO

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) fez uma incursão na Cidade de Deus , em Jacarepaguá (zona oeste), na noite de anteontem, que resultou na morte de dois homens. Segundo a polícia, eles morreram ao trocarem tiros com os policiais em uma localidade da favela conhecida como Karatê. Duas pistolas calibre 9 mm, 110 pedras de crack e 33 papelotes de cocaína foram apreendidos. Pela manhã, policiais realizaram um cerco à favela e entraram com carros blindados e tratores para retirar os trilhos de trem postos no asfalto por traficantes.
Luta contra o crime ou Terrorismo de Estado no Rio de Janeiro ?

O Terrorismo de Estado é a forma mais típica e dissimulada de Terrorismo, pois é acobertada pelo manto da suposta legalidade do Estado.

A polícia entra na favela e pode matar qualquer um. Pode chamar qualquer pessoa da favela de traficante e meter bala no indivíduo. Depois colocam uma arma na mão do infeliz e alguns papelotes de cocaína no bolso dele para que ninguém diga nada, ou seja, há uma completa ausência do Estado de Direito nas ações policiais nas favelas do Rio de Janeiro. E não é só isso, mesmo que seja ação policial contra bandidos, a polícia não está autorizada a matar ninguém, pois não existe pena de morte no Brasil.

Isso sem contar que a maior parte das pessoas mortas nos "supostos" confrontos, foram assassinadas a queima roupa. Tiro a queima roupa não é tiro dado em confronto, é execução. Neste contexto, o que estamos vendo no Rio de Janeiro não é guerra contra o crime, é o terrorismo de Estado invadindo as favelas e as periferias para assassinar pessoas, moradores. Isso se torna mais evidente quando se verifica que a maioria dos mortos não tem passagem pela polícia.

Outro elemento que reforça essa idéia de terrorismo de Estado é o filme Tropa de Elite. Este filme foi produzido com uma única finalidade: legitimar a matança desenfreada que tem sido cometida no Rio de Janeiro. Matança que se acentuou com o governo Cabral e sua política de extermínio dos pobres. Matam traficantes ? Mentira, estão matando trabalhadores. Depois que matam chamam de traficante e colocam uma arma na mão do infeliz para que ele seja fotografado como traficante.

O BOPE é uma polícia terrorista que invade um bairro civil e executa pessoas sem nenhum tipo de julgamento. Qualquer um pode ser vítima, inclusive quem está passando pela favela, não é morador, pode ser chamado de traficante e ser morto pela polícia. Isso é terrorismo de Estado contra os moradores da periferias e das favelas.

O Governador do Rio e o BOPE devem ser denunciados nas Organizações Internacionais por violações de Direitos Humanos. Não adianta denunciar no Brasil, pois o Poder Judiciário Brasileiro, certamente, vai legitimar o terrorismo de Estado. Não só isso, o Rio de Janeiro deveria ser considerado área de conflito. Assim, ao menos, seriam aplicadas as convenções internacionais de proteção a civis em regiões de guerra.

O que temos que fazer é levantar provas do que está acontecendo no Rio de Janeiro e denunciar o Governador e o BOPE nas Organizações Internacionais por violações de Direitos Humanos, etc... As ONGs de Direitos Humanos devem começar a estudar essa saída... Não dá para esperar mais...

Além disso, eu quero deixar a seguinte questão para reflexão: se as drogas fossem descriminalizadas teríamos tantas mortes por overdose ? Teríamos tantos assassinatos pela Polícia ? Teríamos necessidade de ter BOPE entrando em favelas para matar pessoas ?

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COMO APRESENTAR UMA QUEIXA INDIVIDUAL POR VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS ÀS NAÇÕES UNIDAS
http://www.gddc.pt/direitos-humanos/queixa-violacao-dh/queixa-onu.html

Além do Tribunal Penal Internacional, o indivíduo pode pessoalmente representar junto às Nações Unidas por crimes contra os Direitos Humanos cometidos por um Estado terrorista. Mas quais são os tipos de comunicação sobre direitos humanos que as Nações Unidas podem receber e como elas resolvem os problemas que levantam?

A possibilidade da ONU tratar casos individuais de violações de Direitos Humanos foi aberta quando o Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos entrou em vigor, em 1976. E essa possibilidade consta de dois procedimentos específicos: o procedimento 1503 e o procedimento facultativo.

Além disso, as queixas podem ser recebidas quando originárias de pessoas - indivíduos ou grupos - que alegam ter sido vítimas de violações dos direitos humanos. Podem também ser admitidas quando originárias de uma pessoa ou de um grupo de pessoas com conhecimento direto e seguro das violações. Quando uma organização não governamental (ONG) apresenta uma comunicação relativa a uma violação, é necessário que a ONG atue de boa-fé, de acordo com princípios reconhecidos de direitos humanos e que tenha provas diretas e seguras da situação que descreve.

3.3.1 Confidencialidade

Todas as medidas adotadas nos termos do "procedimento 1503" permanecem confidenciais, a não ser que a Comissão apresente um relatório ao Conselho Econômico e Social. Enquanto este estádio não é alcançado, as reuniões de todas as entidades de direitos humanos envolvidas realizam-se à porta fechada e a confidencialidade dos seus registros e dos documentos que tratam é preservada.

3.3.2 O Procedimento do "Protocolo Facultativo"

O Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e respectivo Protocolo Facultativo entraram em vigor em 23 de Março de 1976. Um Estado, que seja parte no Pacto e no Protocolo, reconhece que o Comitê dos Direitos do Homem das Nações Unidas - uma entidade composta por 18 peritos independentes que reúne três vezes por ano - pode receber e considerar comunicações por parte de particulares que aleguem que os seus direitos humanos foram violados por esse Estado.

Dos 148 Estados que aderiram ao Pacto ou que o tinham ratificado até 19 de Março de 2001, 98 reconheceram a competência do Comitê para apreciar queixas individuais.

As comunicações dos particulares são apreciadas pelo Comitê em reuniões à porta fechada. As suas cartas, e outros documentos do Comitê permanecem confidenciais.

3.3.3 Quando a queixa é admissível

Para ser apreciada, uma queixa não pode ser anônima e deve advir de uma pessoa ou de pessoas que vivem sob a jurisdição de um Estado Parte no Protocolo Facultativo. Normalmente, a comunicação deve ser enviada pelo particular que alega que o seu ou os seus direitos, tal como definidos no Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, foram violados pelo Estado.

Quando pareça que a alegada vítima não pode apresentar a queixa, o Comitê pode apreciar uma comunicação proveniente de outra pessoa, que justifica o seu interesse em agir por ela. Uma terceira parte sem ligações aparentes com a alegada vítima não pode apresentar a comunicação.

A queixa, naturalmente, deve ser compatível com as disposições do Pacto e não pode ser apreciada se o mesmo problema estiver sob apreciação em outro foro internacional de investigação ou de resolução deste tipo de conflito. Todos os recursos internos devem estar esgotados antes de a queixa ser apresentada ao Comitê.

Ainda antes de decidir se uma comunicação é admissível ou não, o Comitê - ou o seu Grupo de Trabalho sobre Comunicações - pode pedir à alegada vítima ou ao Estado em questão para fornecer informações adicionais ou emitir observações, sob forma escrita, e determinar um prazo para o efeito. Se o Estado responder nesta fase, o queixoso recebe uma cópia para comentários. Se o caso for remetido ao autor da comunicação, apenas para ser prestada mais informação, e for então julgado inadmissível, nada será transmitido ao Estado.

O Comitê pode decidir não considerar uma queixa, sem decisão escrita; por exemplo, nos casos em que o seu autor a retire, ou mostre, por qualquer outra via, que não pretende ir mais adiante relativamente à sua comunicação.

3.3.4 A apreciação da queixa

Uma vez que uma queixa tenha sido declarada admissível, o Comitê pede ao Estado em causa para explicar ou clarificar o problema e dizer se algo foi feito para o resolver. É concedido um prazo de seis meses para que o Estado dê a sua resposta. É então concedida ao autor da queixa uma oportunidade de comentar a resposta do Estado. Em seguida, o Comitê formula o seu parecer e envia-o ao Estado em questão e ao autor da queixa.

O Comitê coloca, no decurso do procedimento, em pé de igualdade os particulares que se queixam e os Estados que violaram os seus direitos. Cada parte tem o direito de comentar os argumentos da outra.

3.3.5 Procedimentos cautelares

As pessoas que alegam ser vítimas de violações dos direitos humanos podem necessitar de proteção antes do Comitê ter tido tempo de tornar pública a sua decisão final. Sem afetar o fundo da questão, o Comitê tem por vezes de emitir uma opinião provisória dirigida aos Estados em causa.

Na pendência de um caso, o Comitê informou um Estado de que a alegada vítima "tendo procurado refúgio no país X não deveria ser expulsa ou levada para o país Y". Noutro momento, o Comitê exprimiu a sua preocupação relativamente ao estado de saúde de uma alegada vítima, e pediu ao Governo interessado que ela fosse urgentemente examinada por um corpo médico competente. O Comitê também pediu uma cópia do relatório médico.

3.3.6 Prova e ônus da prova

O Comitê deve apreciar toda a informação escrita que as partes interessadas lhes fizeram chegar. De acordo com o GDDC (2005), em vários casos relativos ao direito à vida, à tortura e a maus tratos, bem como a detenções arbitrárias e a desaparecimentos, o Comitê decidiu que o ônus da prova não pode recair apenas na pessoa que se queixa de uma violação. O Comitê também sustenta que não é suficiente fazer-se uma refutação, em termos gerais, de uma queixa por violação dos direitos humanos.

3.3.7 Em que diferem os procedimentos

A principal diferença entre os procedimentos, da Resolução 1503 (XLVIII) e do Protocolo Facultativo ao Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos, é de que o primeiro cobre o exame de situações, e o segundo debruça-se sobre o exame de queixas individuais: casos isolados de violações dos direitos humanos. Mas há outros elementos para a diferenciação dos dois procedimentos:

O "procedimento 1503" assenta numa Resolução de um organismo das Nações Unidas: o Conselho Econômico e Social. Para o tornar operacional, a cooperação voluntária dos Estados é indispensável. O "procedimento do Protocolo Facultativo" retira a sua autoridade de um Tratado internacional, nos termos do qual os Estados Partes se vincularam a aceitar um procedimento específico para o exame de queixas apresentadas contra eles.

O "procedimento 1503" aplica-se a todos os Estados. Nos termos do Protocolo Facultativo, o procedimento aplica-se apenas aos Estados que aderiram ou que ratificaram o Protocolo.

As violações de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais estão cobertas pelo primeiro, enquanto o segundo apenas se ocupa dos direitos civis e políticos que estão protegidos pelo Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos.
Qualquer pessoa, grupo de pessoas ou organização não governamental pode invocar o "procedimento 1503" se tiver um conhecimento direto ou indireto das violações alegadas. Uma comunicação nos termos do Protocolo Facultativo deve ser assinada pela alegada vítima ou por alguém com legitimidade para agir no seu interesse.

Os autores de comunicações nos termos do "procedimento 1503" não estão envolvidos em qualquer estágio do seu desenvolvimento nem são informados de qualquer medida adotada pelas Nações Unidas - a não ser que seja tornada pública. Os autores são meramente informados pelo Secretariado das Nações Unidas de que as suas comunicações foram recebidas, de que cópias foram enviadas aos Estados implicados e de que textos resumidos vão ser entregues aos membros da Subcomissão para a Prevenção da Discriminação e para a Proteção das Minorias e aos membros da Comissão dos Direitos Humanos.

Por outro lado, o autor de uma comunicação apresentada ao Comitê dos Direitos do Homem, nos termos do Protocolo Facultativo, é considerado parte. É informado de todas as medidas tomadas pelo Comitê ou pelo seu Grupo de Trabalho sobre Comunicações. O Estado envolvido também é informado. O autor tem a possibilidade de comentar quaisquer peças escritas apresentadas pelo Estado.

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OAB-RJ vê 'política de extermínio' em ação da polícia de Cabral

Presidente do órgão rebate governador, que ironizou entidades que criticaram operação na Favela da Coréia

Felipe Werneck, do Estadão -- 20/10/2007
http://www.estadao.com.br/cidades/not_cid67933,0.htm

RIO - O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Rio, Wadih Damous, elevou neste sábado, 20, o tom de crítica à política de segurança do Estado ao rebater uma entrevista do governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) na qual ele defendera a operação da polícia na Favela da Coréia, na zona oeste, que resultou na morte de 12 pessoas, entre elas uma criança de 4 anos, na quarta-feira. "O que se afigura é uma política de extermínio pura e simples, sem qualquer eufemismo", afirmou Damous.Foi uma resposta ao governador, que na véspera afirmara, com ironia, que se pudesse pediria aos criminosos:

" Por favor, me devolva o seu fuzil, me devolva a sua .30 que derruba até helicópteros e a sua granada. Vamos fazer um seminário para discutir a devolução desse armamento?' Aí eu ficaria feliz da vida, mas a realidade é outra." Na mesma entrevista, Cabral disse respeitar a opinião da OAB-RJ, mas afirmou que a polícia agiu corretamente.

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Bandidos não devolvem fuzis, ironiza Cabral

Governador rebateu críticas da OAB e de entidades civis à operação na Favela da Coréia, que deixou 12 mortos, entre eles um menino de 4 anos

Pedro Dantas -- Estadão Online -- 20/10/2007
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20071020/not_imp67713,0.php

O governador Sérgio Cabral (PMDB) rebateu com ironia as críticas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de entidades civis à operação na Favela da Coréia, em Senador Camará, na zona oeste do Rio, que terminou com a morte de 12 pessoas, entre elas uma criança de 4 anos. "Se eu pudesse chegar para esses marginais e pedir: olha aqui, me devolve o fuzil, a ponto 30, que derruba helicóptero, a granada, ou fazer um seminário para discutir como eles podem devolver, eu ficaria feliz da vida. Mas infelizmente não é assim", disse Cabral. O governador acusou os traficantes de "tocar o terrorismo" dentro e fora da comunidade.

"São criminosos selvagens e nós fomos com mais de 300 homens, como iremos em outras comunidades, porque quem sofre mais com isso são as pessoas que lá moram", declarou Cabral. Ele disse que os moradores apoiaram a ação e que as declarações contrárias à ação são compradas. "Na contabilidade apreendida na operação há registros de remunerações para as mulheres que vão denunciar a polícia."

O Ministério Público do Rio solicitou à TV Globo as imagens feitas por cinegrafista da emissora que mostram a perseguição de helicóptero que resultou na morte de dois homens. O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio, Alessandro Molon (PT), entrou com representação pedindo ao MP que investigue a operação. Uma audiência pública para discutir a ação ocorrerá na próxima semana com moradores e representantes da Secretaria de Segurança Pública.

Ontem, integrantes da OAB e da Justiça Global criticaram as autoridades que defenderam a operação. "Vamos externar nossa preocupação à Secretaria Nacional de Direitos Humanos sobre as declarações do ministro da Defesa, Nélson Jobim, que apoiou a ação. Ele elogia esta tática de extermínio, mas não apresenta uma estratégia para fechar a rota do tráfico de armas e drogas", disse Sandra Carvalho, diretora da Justiça Global.

"São operações pirotécnicas para dar sensação de segurança para a população, que sempre são realizadas em comunidades distantes das regiões nobres", disse a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, Margarida Pressburger. Ela considerou pífia a quantidade de armas e drogas apreendidas em relação ao número de mortes.

OPERAÇÃO

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) fez uma incursão na Cidade de Deus , em Jacarepaguá (zona oeste), na noite de anteontem, que resultou na morte de dois homens. Segundo a polícia, eles morreram ao trocarem tiros com os policiais em uma localidade da favela conhecida como Karatê. Duas pistolas calibre 9 mm, 110 pedras de crack e 33 papelotes de cocaína foram apreendidos. Pela manhã, policiais realizaram um cerco à favela e entraram com carros blindados e tratores para retirar os trilhos de trem postos no asfalto por traficantes.