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segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

A relação USP x bancos privados
Nós estamos tentando fazer o Projeto OCW-USP avançar. Contudo, o mesmo não evolui. Está parado no Gabinete da Reitora que, possivelmente, está sentada em cima dele. O Projeto OCW-USP que beneficia toda a sociedade brasileira, sem nenhuma distinção, não avança. Porém, os projetos e convênios dos bancos privados, dentro da USP, são aprovados rapidamente. Projetos que não beneficiam ninguém, a não ser os bancos privados.

Não há nenhuma relação entre uma Universidade, seja pública ou privada, e um banco. A Universidade tem por finalidade ensinar, pesquisar e desenvolver projetos de extensão. Nada disso cruza com atividades bancárias. Os bancos não ensinam nada, não pesquisam nada e não desenvolvem projetos de extensão universitária.

Alguns bancos tentam cobrir a sua inutilidade dentro do contexto universitário dando bolsas para os alunos. Por exemplo, o banco Santander-Banespa dá cerca de 200 bolsas de R$ 250,00, para alunos do primeiro ano, por ano. Contudo, transforma este aluno em cliente do banco. Não só isto, por conta dessas bolsas o banco está tomando conta de outros espaços dentro da Universidade, ou seja, está ampliando os seus domínios físicos. Já tem até a sala Santander dentro da Coseas.

Eu vejo na tolerância dos bancos dentro da Universidade o caminho da privatização. Banco não tem nenhuma finalidade social. Não tem nenhum projeto social. E, mesmo assim, está se apoderando do espaço público da Universidade.

Certamente, para fazer isto devem estar subornando e corrompendo os administradores públicos, ou então, estão simplesmente tomando conta sem subornar e sem corromper ninguém, simplesmente estão se aproveitando do desleixo dos administradores públicos com a coisa pública e com o interesse público.

Além disso, eu suspeito que o Projeto OCW-USP não está evoluindo por interferência de certo banco na idéia. Certamente, querem pegar o projeto para torná-lo lucrativo aos seus interesses privados. Contudo, vão ficar querendo. Se não possuem competência nem para traduzir um projeto OCW, vão ter competência para fazer um ? Eu vou investigar essa história e esses interesses mais a fundo...

Certamente, eu não descarto a possibilidade de questionar na justiça a permanência desses bancos dentro da Universidade. Primeiro vou buscar uma forma de fazê-los dar um retorno social relevante. Se não aceitarem nenhuma forma de contribuição social relevante, aí sim, despejo uma dezena de ações populares sobre eles.

Por que farei isto ? Porque nós, cidadãos, temos que começar a assumir as nossas responsabilidades na preservação da coisa pública. O patrimônio público e os interesses da coletividade somos nós que temos que defender. As empresas e os neoliberais querem destruir tudo e reduzir tudo a serviços, mercadorias e espaços privados. Nós temos que lutar contra esses interesses e contra essas pessoas. Se não fizermos isto, perderemos tudo...
A relação USP x bancos privados
Nós estamos tentando fazer o Projeto OCW-USP avançar. Contudo, o mesmo não evolui. Está parado no Gabinete da Reitora que, possivelmente, está sentada em cima dele. O Projeto OCW-USP que beneficia toda a sociedade brasileira, sem nenhuma distinção, não avança. Porém, os projetos e convênios dos bancos privados, dentro da USP, são aprovados rapidamente. Projetos que não beneficiam ninguém, a não ser os bancos privados.

Não há nenhuma relação entre uma Universidade, seja pública ou privada, e um banco. A Universidade tem por finalidade ensinar, pesquisar e desenvolver projetos de extensão. Nada disso cruza com atividades bancárias. Os bancos não ensinam nada, não pesquisam nada e não desenvolvem projetos de extensão universitária.

Alguns bancos tentam cobrir a sua inutilidade dentro do contexto universitário dando bolsas para os alunos. Por exemplo, o banco Santander-Banespa dá cerca de 200 bolsas de R$ 250,00, para alunos do primeiro ano, por ano. Contudo, transforma este aluno em cliente do banco. Não só isto, por conta dessas bolsas o banco está tomando conta de outros espaços dentro da Universidade, ou seja, está ampliando os seus domínios físicos. Já tem até a sala Santander dentro da Coseas.

Eu vejo na tolerância dos bancos dentro da Universidade o caminho da privatização. Banco não tem nenhuma finalidade social. Não tem nenhum projeto social. E, mesmo assim, está se apoderando do espaço público da Universidade.

Certamente, para fazer isto devem estar subornando e corrompendo os administradores públicos, ou então, estão simplesmente tomando conta sem subornar e sem corromper ninguém, simplesmente estão se aproveitando do desleixo dos administradores públicos com a coisa pública e com o interesse público.

Além disso, eu suspeito que o Projeto OCW-USP não está evoluindo por interferência de certo banco na idéia. Certamente, querem pegar o projeto para torná-lo lucrativo aos seus interesses privados. Contudo, vão ficar querendo. Se não possuem competência nem para traduzir um projeto OCW, vão ter competência para fazer um ? Eu vou investigar essa história e esses interesses mais a fundo...

Certamente, eu não descarto a possibilidade de questionar na justiça a permanência desses bancos dentro da Universidade. Primeiro vou buscar uma forma de fazê-los dar um retorno social relevante. Se não aceitarem nenhuma forma de contribuição social relevante, aí sim, despejo uma dezena de ações populares sobre eles.

Por que farei isto ? Porque nós, cidadãos, temos que começar a assumir as nossas responsabilidades na preservação da coisa pública. O patrimônio público e os interesses da coletividade somos nós que temos que defender. As empresas e os neoliberais querem destruir tudo e reduzir tudo a serviços, mercadorias e espaços privados. Nós temos que lutar contra esses interesses e contra essas pessoas. Se não fizermos isto, perderemos tudo...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

STJ autoriza corte de água de inadimplentes em Palestina (SP)
O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, autorizou a concessionária responsável pelo abastecimento de água do município de Palestina (493 km a noroeste de São Paulo) a cortar a água de nove imóveis, por motivo de inadimplência. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira.

Segundo o STJ, o corte estava suspenso por força de liminares concedidas pela Justiça de Palestina e mantidas pelo TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo. Na ação, os consumidores contestavam os valores cobrados pela empresa.

No pedido de suspensão das liminares aceito pelo STJ, o município alegava que as liminares podiam inviabilizar o serviço público de água da cidade.

Para Monteiro Filho, a concessionária pode cortar a água quando o consumidor permanece inadimplente mesmo após aviso prévio. O que é proibido é cortar sem aviso, como forma de pressionar o pagamento.

Na decisão, o ministro entendeu ainda que a "discussão sobre a alegada distorção nos valores das tarifas cobradas pela concessionária será objeto de análise pelas instâncias ordinárias, não podendo servir de justificativa para a interrupção no pagamento".
---------------------------------------------------------
Comentários do Leonildo
Esta notícia parece ser uma notícia boba, não parece ? Mas não é. Não é uma notícia boba porque envolve, de um lado, o direito à vida e de outro o lucro de uma corporação. No meio a mentira: sem pagamento torna-se inviável o fornecimento de água. E a decisão do STJ foi contra a vida e a favor do lucro da empresa, ou seja, mandou cortar a água.

Os serviços essenciais para a sobrevivência das pessoas não podem, em lugar nenhum, serem privatizados. O Estado pode fornecer água de graça para as pessoas, garantindo a sobrevivência e a vida. Já uma empresa privada só entra no ramo se tiver lucro.

A privatização de um serviço público, ou seja, a passagem da prestação do serviço de um ente público para uma empresa privada, que visa lucro, transforma o cidadão, usuário do serviço público, em um consumidor, um cliente, da empresa privada. Ser um cidadão usuário de um serviço público é uma coisa, ser um cliente, um consumidor, de uma empresa privada é outra.

Quando uma empresa privada, que visa lucro, entra em um negócio público, os cidadãos se tornam reféns da lucratividade da empresa. Inclusive, é válido dizer que uma organização privada não tem nenhum compromisso com seus consumidores, nem com a vida e nem com o bem estar deles. Se não podem pagar pela água, cortam a água. Se não podem pagar pela educação, expulsam da escola. Se não podem pagar pelo Hospital, jogam o doente na rua. Não há compromisso com as pessoas, só com os lucros.

Por conta disso, precisamos iniciar uma série de movimentos para parar e reverter a privatização dos serviços públicos essenciais, assim como criar mecanismos que estabeleçam um controle público sobre as corporações e as pessoas jurídicas. Não só isto, decisões como estas que desconsideram direitos fundamentais em benefício do lucro de empresas devem ser ignoradas e desconsideradas.

Quanto mais o judiciário julga contra a realidade e contra os direitos fundamentais do homem, mais ele é desacreditado e perde força perante a sociedade. A água é um bem fundamental para a vida humana, não pertence a nenhuma empresa. E se a empresa monopolizou o seu fornecimento, deverá arcar com as conseqüencias do monopólio, garantindo o fornecimento para todos. O que é inaceitável é a chantagem que o judiciário e a empresa estão tentando impor juntos: se não pode pagar pela água, então morram de sede.
STJ autoriza corte de água de inadimplentes em Palestina (SP)
O presidente do STJ (Superior Tribunal de Justiça), o ministro Raphael de Barros Monteiro Filho, autorizou a concessionária responsável pelo abastecimento de água do município de Palestina (493 km a noroeste de São Paulo) a cortar a água de nove imóveis, por motivo de inadimplência. A decisão foi divulgada nesta segunda-feira.

Segundo o STJ, o corte estava suspenso por força de liminares concedidas pela Justiça de Palestina e mantidas pelo TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo. Na ação, os consumidores contestavam os valores cobrados pela empresa.

No pedido de suspensão das liminares aceito pelo STJ, o município alegava que as liminares podiam inviabilizar o serviço público de água da cidade.

Para Monteiro Filho, a concessionária pode cortar a água quando o consumidor permanece inadimplente mesmo após aviso prévio. O que é proibido é cortar sem aviso, como forma de pressionar o pagamento.

Na decisão, o ministro entendeu ainda que a "discussão sobre a alegada distorção nos valores das tarifas cobradas pela concessionária será objeto de análise pelas instâncias ordinárias, não podendo servir de justificativa para a interrupção no pagamento".
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Comentários do Leonildo
Esta notícia parece ser uma notícia boba, não parece ? Mas não é. Não é uma notícia boba porque envolve, de um lado, o direito à vida e de outro o lucro de uma corporação. No meio a mentira: sem pagamento torna-se inviável o fornecimento de água. E a decisão do STJ foi contra a vida e a favor do lucro da empresa, ou seja, mandou cortar a água.

Os serviços essenciais para a sobrevivência das pessoas não podem, em lugar nenhum, serem privatizados. O Estado pode fornecer água de graça para as pessoas, garantindo a sobrevivência e a vida. Já uma empresa privada só entra no ramo se tiver lucro.

A privatização de um serviço público, ou seja, a passagem da prestação do serviço de um ente público para uma empresa privada, que visa lucro, transforma o cidadão, usuário do serviço público, em um consumidor, um cliente, da empresa privada. Ser um cidadão usuário de um serviço público é uma coisa, ser um cliente, um consumidor, de uma empresa privada é outra.

Quando uma empresa privada, que visa lucro, entra em um negócio público, os cidadãos se tornam reféns da lucratividade da empresa. Inclusive, é válido dizer que uma organização privada não tem nenhum compromisso com seus consumidores, nem com a vida e nem com o bem estar deles. Se não podem pagar pela água, cortam a água. Se não podem pagar pela educação, expulsam da escola. Se não podem pagar pelo Hospital, jogam o doente na rua. Não há compromisso com as pessoas, só com os lucros.

Por conta disso, precisamos iniciar uma série de movimentos para parar e reverter a privatização dos serviços públicos essenciais, assim como criar mecanismos que estabeleçam um controle público sobre as corporações e as pessoas jurídicas. Não só isto, decisões como estas que desconsideram direitos fundamentais em benefício do lucro de empresas devem ser ignoradas e desconsideradas.

Quanto mais o judiciário julga contra a realidade e contra os direitos fundamentais do homem, mais ele é desacreditado e perde força perante a sociedade. A água é um bem fundamental para a vida humana, não pertence a nenhuma empresa. E se a empresa monopolizou o seu fornecimento, deverá arcar com as conseqüencias do monopólio, garantindo o fornecimento para todos. O que é inaceitável é a chantagem que o judiciário e a empresa estão tentando impor juntos: se não pode pagar pela água, então morram de sede.

domingo, 14 de outubro de 2007

Socializam os prejuízos e privatizam os lucros

Notícia do Estadão Online:

Expansão da ciência e tecnologia é maior no interior paulista

Concentração de mestres e doutores, produção de artigos e geração de empresas indicam vitalidade da região

Eduardo Nunomura, enviado especial
http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid64548,0.htm


RIBEIRÃO PRETO - São Carlos, Campinas, Piracicaba, Bauru e Ribeirão Preto têm sozinhas mais mestres e doutores a cada 100 mil habitantes se comparados aos da capital. Nas cidades do entorno de Araraquara, há quatro vezes mais cientistas. O interior é responsável por um quarto da produção científica nacional e abocanha mais da metade dos financiamentos federais destinados ao Estado. Das universidades e dos institutos nesta região, sai o conhecimento que abastece e cria empresas tecnológicas. Três em cada quatro projetos de inovação aprovados pela Fapesp são de fábricas com sotaque caipira. Graças a esses números, São Paulo publica hoje tanto quanto Espanha, Austrália, Irlanda ou Canadá.

"A aprovação dos projetos é em função da demanda, o que indica uma vitalidade intensa do interior", diz o diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz. "O interior está bem articulado e competitivo em relação à capital", acrescenta Marco Antonio Zago, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os dois são cientistas, um de Campinas e o outro de Ribeirão Preto.

Inovação é a palavra da vez nas pesquisas acadêmicas do interior. Inventos práticos, necessários e alguns com cheiro de revolução. No Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, do Instituto de Física da USP São Carlos, um novo equipamento diagnostica tumores sem precisar de biópsia (o exame tradicional é doloroso e o resultado só sai em semanas). Um feixe de luz em contato com o órgão ou a pele diferencia um tecido normal de um doente. O aparelho já está em teste no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Conhecimento

Com o mesmo princípio, surgem outros produtos de fototerapia dinâmica, como os semáforos à prova da falta de energia e o aparelho para detectar e tratar o HPV e alguns tipos de câncer. Por trás das invenções, está o dinâmico e versátil físico Vanderlei Salvador Bagnato e uma equipe de cem pesquisadores. Foram eles os primeiros latino-americanos a realizarem a condensação de Bose-Einstein. Um gás é esfriado, próximo do zero absoluto (0 Kelvin ou -273,15 graus Celsius), quando ocorre a condensação. Entender o que se passa nesse momento permitirá desvendar a natureza quântica da matéria.

"A sociedade me dá dinheiro para ver o átomo e tenho que mostrar para que serve isso. Serve para curar o câncer", explica Bagnato. Nos últimos seis anos, seu laboratório produziu 28 patentes e destas, 12 viraram produtos. Qualquer experimento tem de mirar em educação ou saúde, mesmo que leve tempo. Os LEDs usados no semáforo antiblecaute ficaram prontos após seis anos. Outros projetos iam sendo tocados juntos para satisfazer à demanda por publicação de artigos, um dos fatores de avaliação dos pesquisadores. "O País tem de dar valor ao risco científico, senão vamos estudar só o conhecido e seremos apêndices dos outros."

O físico Luís Alberto Vieira de Carvalho, de 37 anos, formado em São Carlos, com doutorado em Berkeley e pós-doutorado em Rochester, segue a linha do coordenador. Quer inovar naquilo que o Brasil não inova. Criou o campímetro portátil para exames de glaucoma nos rincões. O aparelho estrangeiro sai por R$ 80 mil. O nacional custa um décimo desse valor. Quando estudava no exterior, Carvalho trabalhou na produção de uma lente de contato customizada para a Bausch-Lomb (a empresa investia US$ 3 milhões por ano). No Brasil, faltam verbas. Assim, concentra-se na fabricação do Wave Front, aparelho para diagnosticar em alta resolução defeitos da visão. Será o primeiro da América Latina.

O Centro de Terapia Celular (CTC) de Ribeirão Preto, coordenado pelo médico Marco Antonio Zago, entrou na corrida mundial para deter o domínio das técnicas de manipulação das células-tronco. Quanto mais se souber como elas se diferenciam em órgãos do corpo humano e como são ativadas, maiores as chances de inúmeras doenças serem tratadas. Ou evitadas. As células-tronco mesenquimais, por exemplo, têm capacidade imunológica. Saber como agem pode evitar a rejeição de transplantes.

Em abril, o imunologista Júlio Cesar Voltarelli, do CTC, encheu de esperanças pacientes de diabete tipo 1 que são obrigados a injetar altas doses de insulina. Pela técnica, uma quimioterapia desliga o sistema imune do paciente, que por algum motivo ataca as células do pâncreas, produtoras de insulina. Células-tronco do próprio paciente são então reinseridas nele para recompor o sistema de defesa. O tratamento, já realizado com sucesso em uma dezena de adultos, deverá ser feito com adolescentes e para outras enfermidades, como a esclerose múltipla. Voltarelli, contudo, já reiterou que é cedo para afirmar que se trata da cura.

Mas não é só de futurologia, riscos e esperanças que vive a ciência e tecnologia do interior paulista. A bióloga Aparecida Maria Fortes lidera uma pesquisa em Ribeirão Preto para produzir o fator 8 e o 9 recombinantes, utilizados no tratamento de mais de 7 mil hemofílicos. Hoje, o Brasil tem de exportar o plasma sanguíneo para a França, onde é purificado e liofilizado (seco) para ser então importado. O problema, além do custo de R$ 100 milhões, é que vai e volta sangue contaminado. Por engenharia genética, o fator 8 e o 9 são livres desse risco.

"Já produzimos em plaquinhas, na cultura in vitro, mas queremos pensar no nível de biorreatores e depois no de escala industrial", afirma Aparecida. A previsão é de que em um ou dois anos o Brasil fabrique o produto. Já há interesse da indústria farmacêutica. A pesquisa, que recebe apoio da Finep, permitiu à equipe do CTC dominar a técnica que pode ser usada em outras moléculas para fins terapêuticos, como o fator de crescimento.

Quebra-cabeças

No Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CBME), também na USP São Carlos, uma equipe multidisciplinar luta contra doenças tropicais, como leishmaniose, malária e esquistossomose. Ao isolarem a enzima GAPDH do Trypanosoma cruzi, o vetor da doença de Chagas, os pesquisadores detectaram a estrutura da proteína e, a partir dela, poderão procurar pequenas moléculas (potenciais remédios) que se encaixarão nela. Como num quebra-cabeça. "Cinco ou seis anos atrás, saíamos do nada. Hoje, um laboratório como o nosso realiza um forte desenvolvimento comparável aos melhores do mundo", diz Adriano Andricopulo, de 35 anos, que fez pós-doutorado em Michigan.

O Instituto de Física da USP São Carlos capta R$ 10 milhões por ano, 40% desse total vindo de indústrias. Foi crescendo na base do puxadinho, com corredores virando salas para acomodar mais pesquisas. "Nosso grande salto ocorreu nos anos 80, com a expansão do quadro de professores, cuja regra era que todos fossem para o exterior fazer doutorado", explica o diretor Glaucius Oliva, também coordenador do CBME.

Os três laboratórios acima fazem parte do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fapesp. São 11 no total, 5 no interior paulista. Criados em 2000, eles desenvolvem pesquisas na chamada fronteira do conhecimento, viabilizam parcerias com empresas e governos para aplicação das tecnologias e, o que é raro na academia, dividem as descobertas com a população. Este último envolve desde a criação de jornais e programas de TV até a inclusão de jovens estudantes no desenvolvimento científico. É a ciência semeando ciência.

-------------------

Comentário do Leonildo

Na matéria acima eu grifo as palavras: Empresa, produto, patente e pesquisa de risco.

Para comentar eu diria: a sociedade investe em pesquisa de risco. Se perder, a coletividade perde. Se ganhar, a pesquisa vira um produto, registram uma patente e é vendida por uma empresa. Isso é privatização de recursos públicos.

Para entender por que eu estou dizendo isso leia o texto:

Projeto OCW-USP: democratizar o conhecimento e socializar os saberes http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/10/398001.shtml

Os projetos que beneficiam toda a coletividade sem cobrar nada por isso não são de interesse das Universidades Públicas que querem apenas desenvolver pesquisas que terminam em produtos e serviços patenteados pelas empresas que criam...

Isso tem que acabar... Esse não é um caminho de desenvolvimento, mas sim de privatização e concentração de renda oriunda de recursos públicos... Socializam os prejuízos e privatizam os lucros.

---------------------
Potência da patente
Lucas Mendes -- BB-Brasil -- 11/10/2007 13/10/2007 23:01
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071011_lucasmendes_fp.shtml

Na década de oitenta, um grupo de moradores da cidade de Acton, em Massachusetts, procurou a universidade Tufts e pediu ajuda aos estudantes para examinar a qualidade da água que suspeitavam contaminada por uma fábrica de químicos.

O professor Sheldon Krimsky foi escalado para supervisionar os estudantes.

Antes do resultado ser publicado, o vice-presidente da companhia W. R. Grace procurou o presidente da universidade para impedir a divulgação do resultado que confirmava a contaminação.

O presidente da universidade mandou os poluidores às favas e os moradores foram compensados.

Mas, e se a universidade, naquela época, estivesse recebendo algum dinheiro da fábrica para pesquisas, será que o presidente publicaria o resultado ou se submeteria à pressão da companhia?

Desde então, Sheldon Krimsky dedicou sua vida a pesquisar e denunciar as relações promíscuas entre indústrias, universidades, agências do governo e publicações.

Escreveu quase 200 ensaios e oito livros sobre o assunto, entre eles o best-seller Science in the Private Interest.

Passei uma manhã com o professor no seu escritório da Tufts numa entrevista para o programa Millenio. Até a década de 60 poucos cientistas e pesquisadores faturavam em cima de suas descobertas, contou Krimsky.

Quando Jonas Salk descobriu a vacina contra pólio perguntaram a ele por que não patenteava a descoberta.

Ele respondeu: é possível patentear o sol?

O sol ainda não patentearam, mas hoje dão patentes a genes e um quinto do meu corpo - e do seu também - já tem outros donos, garante o escritor Michael Crichton.

Em 1965 as universidades americanas receberam 95 patentes. Em 2006 foram quase 4 mil.

A mudança aconteceu na década de oitenta, quando o Supremo Tribunal decidiu que era permitido patentear coisas sui generis e o Escritório de Patentes dos Estados Unidos - USPO -, para perplexidade até dos pesquisadores do genoma, interpretaram que um gene era patenteável.

A decisão provocou uma corrida de ouro na biotecnologia. Noventa e dois por cento das verbas de pesquisas saem do governo federal, mas nas melhores universidades americanas um terço da verba vem de empresas privadas.

Os três vencedores do prêmio Nobel de medicina deste ano foram pioneiros em pesquisas genéticas em ratos de laboratório na década de 80.

Mostraram como um gene modificado altera a saúde do animal e a pesquisa pode ajudar na cura de alzaimer, câncer, parkison e outras doenças. Não foram os únicos premiados por avanços genéticos.

Sheldom Krimsky, o escritor Michael Crichton e muitos outros inlfuentes cientistas americanos têm sérias restrições sobre patentes, mas onde estaríamos sem os potentes royalties das patentes?
Socializam os prejuízos e privatizam os lucros

Notícia do Estadão Online:

Expansão da ciência e tecnologia é maior no interior paulista

Concentração de mestres e doutores, produção de artigos e geração de empresas indicam vitalidade da região

Eduardo Nunomura, enviado especial
http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid64548,0.htm


RIBEIRÃO PRETO - São Carlos, Campinas, Piracicaba, Bauru e Ribeirão Preto têm sozinhas mais mestres e doutores a cada 100 mil habitantes se comparados aos da capital. Nas cidades do entorno de Araraquara, há quatro vezes mais cientistas. O interior é responsável por um quarto da produção científica nacional e abocanha mais da metade dos financiamentos federais destinados ao Estado. Das universidades e dos institutos nesta região, sai o conhecimento que abastece e cria empresas tecnológicas. Três em cada quatro projetos de inovação aprovados pela Fapesp são de fábricas com sotaque caipira. Graças a esses números, São Paulo publica hoje tanto quanto Espanha, Austrália, Irlanda ou Canadá.

"A aprovação dos projetos é em função da demanda, o que indica uma vitalidade intensa do interior", diz o diretor-científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz. "O interior está bem articulado e competitivo em relação à capital", acrescenta Marco Antonio Zago, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Os dois são cientistas, um de Campinas e o outro de Ribeirão Preto.

Inovação é a palavra da vez nas pesquisas acadêmicas do interior. Inventos práticos, necessários e alguns com cheiro de revolução. No Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica, do Instituto de Física da USP São Carlos, um novo equipamento diagnostica tumores sem precisar de biópsia (o exame tradicional é doloroso e o resultado só sai em semanas). Um feixe de luz em contato com o órgão ou a pele diferencia um tecido normal de um doente. O aparelho já está em teste no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto.

Conhecimento

Com o mesmo princípio, surgem outros produtos de fototerapia dinâmica, como os semáforos à prova da falta de energia e o aparelho para detectar e tratar o HPV e alguns tipos de câncer. Por trás das invenções, está o dinâmico e versátil físico Vanderlei Salvador Bagnato e uma equipe de cem pesquisadores. Foram eles os primeiros latino-americanos a realizarem a condensação de Bose-Einstein. Um gás é esfriado, próximo do zero absoluto (0 Kelvin ou -273,15 graus Celsius), quando ocorre a condensação. Entender o que se passa nesse momento permitirá desvendar a natureza quântica da matéria.

"A sociedade me dá dinheiro para ver o átomo e tenho que mostrar para que serve isso. Serve para curar o câncer", explica Bagnato. Nos últimos seis anos, seu laboratório produziu 28 patentes e destas, 12 viraram produtos. Qualquer experimento tem de mirar em educação ou saúde, mesmo que leve tempo. Os LEDs usados no semáforo antiblecaute ficaram prontos após seis anos. Outros projetos iam sendo tocados juntos para satisfazer à demanda por publicação de artigos, um dos fatores de avaliação dos pesquisadores. "O País tem de dar valor ao risco científico, senão vamos estudar só o conhecido e seremos apêndices dos outros."

O físico Luís Alberto Vieira de Carvalho, de 37 anos, formado em São Carlos, com doutorado em Berkeley e pós-doutorado em Rochester, segue a linha do coordenador. Quer inovar naquilo que o Brasil não inova. Criou o campímetro portátil para exames de glaucoma nos rincões. O aparelho estrangeiro sai por R$ 80 mil. O nacional custa um décimo desse valor. Quando estudava no exterior, Carvalho trabalhou na produção de uma lente de contato customizada para a Bausch-Lomb (a empresa investia US$ 3 milhões por ano). No Brasil, faltam verbas. Assim, concentra-se na fabricação do Wave Front, aparelho para diagnosticar em alta resolução defeitos da visão. Será o primeiro da América Latina.

O Centro de Terapia Celular (CTC) de Ribeirão Preto, coordenado pelo médico Marco Antonio Zago, entrou na corrida mundial para deter o domínio das técnicas de manipulação das células-tronco. Quanto mais se souber como elas se diferenciam em órgãos do corpo humano e como são ativadas, maiores as chances de inúmeras doenças serem tratadas. Ou evitadas. As células-tronco mesenquimais, por exemplo, têm capacidade imunológica. Saber como agem pode evitar a rejeição de transplantes.

Em abril, o imunologista Júlio Cesar Voltarelli, do CTC, encheu de esperanças pacientes de diabete tipo 1 que são obrigados a injetar altas doses de insulina. Pela técnica, uma quimioterapia desliga o sistema imune do paciente, que por algum motivo ataca as células do pâncreas, produtoras de insulina. Células-tronco do próprio paciente são então reinseridas nele para recompor o sistema de defesa. O tratamento, já realizado com sucesso em uma dezena de adultos, deverá ser feito com adolescentes e para outras enfermidades, como a esclerose múltipla. Voltarelli, contudo, já reiterou que é cedo para afirmar que se trata da cura.

Mas não é só de futurologia, riscos e esperanças que vive a ciência e tecnologia do interior paulista. A bióloga Aparecida Maria Fortes lidera uma pesquisa em Ribeirão Preto para produzir o fator 8 e o 9 recombinantes, utilizados no tratamento de mais de 7 mil hemofílicos. Hoje, o Brasil tem de exportar o plasma sanguíneo para a França, onde é purificado e liofilizado (seco) para ser então importado. O problema, além do custo de R$ 100 milhões, é que vai e volta sangue contaminado. Por engenharia genética, o fator 8 e o 9 são livres desse risco.

"Já produzimos em plaquinhas, na cultura in vitro, mas queremos pensar no nível de biorreatores e depois no de escala industrial", afirma Aparecida. A previsão é de que em um ou dois anos o Brasil fabrique o produto. Já há interesse da indústria farmacêutica. A pesquisa, que recebe apoio da Finep, permitiu à equipe do CTC dominar a técnica que pode ser usada em outras moléculas para fins terapêuticos, como o fator de crescimento.

Quebra-cabeças

No Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CBME), também na USP São Carlos, uma equipe multidisciplinar luta contra doenças tropicais, como leishmaniose, malária e esquistossomose. Ao isolarem a enzima GAPDH do Trypanosoma cruzi, o vetor da doença de Chagas, os pesquisadores detectaram a estrutura da proteína e, a partir dela, poderão procurar pequenas moléculas (potenciais remédios) que se encaixarão nela. Como num quebra-cabeça. "Cinco ou seis anos atrás, saíamos do nada. Hoje, um laboratório como o nosso realiza um forte desenvolvimento comparável aos melhores do mundo", diz Adriano Andricopulo, de 35 anos, que fez pós-doutorado em Michigan.

O Instituto de Física da USP São Carlos capta R$ 10 milhões por ano, 40% desse total vindo de indústrias. Foi crescendo na base do puxadinho, com corredores virando salas para acomodar mais pesquisas. "Nosso grande salto ocorreu nos anos 80, com a expansão do quadro de professores, cuja regra era que todos fossem para o exterior fazer doutorado", explica o diretor Glaucius Oliva, também coordenador do CBME.

Os três laboratórios acima fazem parte do programa Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fapesp. São 11 no total, 5 no interior paulista. Criados em 2000, eles desenvolvem pesquisas na chamada fronteira do conhecimento, viabilizam parcerias com empresas e governos para aplicação das tecnologias e, o que é raro na academia, dividem as descobertas com a população. Este último envolve desde a criação de jornais e programas de TV até a inclusão de jovens estudantes no desenvolvimento científico. É a ciência semeando ciência.

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Comentário do Leonildo

Na matéria acima eu grifo as palavras: Empresa, produto, patente e pesquisa de risco.

Para comentar eu diria: a sociedade investe em pesquisa de risco. Se perder, a coletividade perde. Se ganhar, a pesquisa vira um produto, registram uma patente e é vendida por uma empresa. Isso é privatização de recursos públicos.

Para entender por que eu estou dizendo isso leia o texto:

Projeto OCW-USP: democratizar o conhecimento e socializar os saberes http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/10/398001.shtml

Os projetos que beneficiam toda a coletividade sem cobrar nada por isso não são de interesse das Universidades Públicas que querem apenas desenvolver pesquisas que terminam em produtos e serviços patenteados pelas empresas que criam...

Isso tem que acabar... Esse não é um caminho de desenvolvimento, mas sim de privatização e concentração de renda oriunda de recursos públicos... Socializam os prejuízos e privatizam os lucros.

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Potência da patente
Lucas Mendes -- BB-Brasil -- 11/10/2007 13/10/2007 23:01
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/10/071011_lucasmendes_fp.shtml

Na década de oitenta, um grupo de moradores da cidade de Acton, em Massachusetts, procurou a universidade Tufts e pediu ajuda aos estudantes para examinar a qualidade da água que suspeitavam contaminada por uma fábrica de químicos.

O professor Sheldon Krimsky foi escalado para supervisionar os estudantes.

Antes do resultado ser publicado, o vice-presidente da companhia W. R. Grace procurou o presidente da universidade para impedir a divulgação do resultado que confirmava a contaminação.

O presidente da universidade mandou os poluidores às favas e os moradores foram compensados.

Mas, e se a universidade, naquela época, estivesse recebendo algum dinheiro da fábrica para pesquisas, será que o presidente publicaria o resultado ou se submeteria à pressão da companhia?

Desde então, Sheldon Krimsky dedicou sua vida a pesquisar e denunciar as relações promíscuas entre indústrias, universidades, agências do governo e publicações.

Escreveu quase 200 ensaios e oito livros sobre o assunto, entre eles o best-seller Science in the Private Interest.

Passei uma manhã com o professor no seu escritório da Tufts numa entrevista para o programa Millenio. Até a década de 60 poucos cientistas e pesquisadores faturavam em cima de suas descobertas, contou Krimsky.

Quando Jonas Salk descobriu a vacina contra pólio perguntaram a ele por que não patenteava a descoberta.

Ele respondeu: é possível patentear o sol?

O sol ainda não patentearam, mas hoje dão patentes a genes e um quinto do meu corpo - e do seu também - já tem outros donos, garante o escritor Michael Crichton.

Em 1965 as universidades americanas receberam 95 patentes. Em 2006 foram quase 4 mil.

A mudança aconteceu na década de oitenta, quando o Supremo Tribunal decidiu que era permitido patentear coisas sui generis e o Escritório de Patentes dos Estados Unidos - USPO -, para perplexidade até dos pesquisadores do genoma, interpretaram que um gene era patenteável.

A decisão provocou uma corrida de ouro na biotecnologia. Noventa e dois por cento das verbas de pesquisas saem do governo federal, mas nas melhores universidades americanas um terço da verba vem de empresas privadas.

Os três vencedores do prêmio Nobel de medicina deste ano foram pioneiros em pesquisas genéticas em ratos de laboratório na década de 80.

Mostraram como um gene modificado altera a saúde do animal e a pesquisa pode ajudar na cura de alzaimer, câncer, parkison e outras doenças. Não foram os únicos premiados por avanços genéticos.

Sheldom Krimsky, o escritor Michael Crichton e muitos outros inlfuentes cientistas americanos têm sérias restrições sobre patentes, mas onde estaríamos sem os potentes royalties das patentes?