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sábado, 2 de fevereiro de 2008

Laptop para criança é uma estupidez, é uma idiotice
Eu não ia dizer nada, mas já que o governo cancelou a compra dos laptops populares, vou dizer o que penso (Notícia aqui). Esse negócio de laptop para criança é uma estupidez, uma idiotice. O que uma criança vai fazer com um laptop ?

Sejamos racionais e inteligente. Vamos usar a cabeça um pouco. A primeira coisa que o governo tem que fazer é construir salas com computadores nas escolas públicas. Salas com número compatível de computadores, de acordo com o tamanho da escola. Salas onde os alunos irão aprender a usar o computador e a fazer pesquisa na internet. Salas com desktops e não com laptops.

Não só equipar as escolas com computadores, mas também com TV digital, com retroprojetores (Datashow) para que os professores possam fazer aulas em powerpoint e mostrar para os alunos, para que os professores possam passar filmes em sala de aula, etc. A maioria das escolas não tem isto. Inclusive a Faculdade de Direito da USP só tem um negócio deste e os funcionários mal conseguem fazer a coisa funcionar.

O ano passado, na disciplina Direito Internacional Penal, foi um caos total. Perdemos um grande tempo de aula esperando os técnicos fazerem a coisa funcionar. Isto quando o técnico trazia o aparelho para a sala de aula, pois, muitas vezes, a professora chegava e o técnico ainda não tinha aparecido com o datashow. A Professora Cláudia Perrone teve muita paciência, pois se fosse eu tinha saído na bicuda com aqueles elementos. Acho que eles faziam de propósito.

Voltando ao caso. A segunda coisa que o governo tem que fazer é dar computadores para os professores das escolas públicas. É dar treinamento para que os professores usem o computador nas disciplinas que ministram. Esse negócio de comprar laptop e dar para os alunos é uma estupidez. Isto será feito depois de 2020 ou 2030. Não agora...

Imagine o que vai acontecer... Cada criança com um laptop e os professores sem computador nenhum. Realmente, é uma idéia idiota. Primeiro são os professores que devem receber um computador megapower do governo. Da mesma forma que o governo distribui livros gratuitos para os professores, também deve dar um computador para cada um deles. É uma ferramenta de trabalho importante e necessária. Não só dar o computador, o governo deve exigir que os professores usem o computador, caso contrário deverão devolvê-lo.

Além disso, os laptops são muito mais caros e não fazem o que o desktop faz. Sem contar que desatualizam muito rapidamente. Portanto, comprar laptop para as escolas públicas é uma estupidez, uma idiotice. Primeiro vamos fazer o básico. Equipar as escolas e os professores com computadores normais, que são bem mais baratos do que os laptops, depois, quando todo mundo souber usar o computador, todo mundo estiver acostumado com o computador, inclusive os alunos, aí sim, vamos pensar nos tais laptops per child. Agora não é hora disso.

Vamos usar a cabeça gente !!! Vamos usar a cabeça !!! Vamos começar a fazer as coisas pelo começo e do jeito certo. Sem pular ou queimar fases.
Laptop para criança é uma estupidez, é uma idiotice
Eu não ia dizer nada, mas já que o governo cancelou a compra dos laptops populares, vou dizer o que penso (Notícia aqui). Esse negócio de laptop para criança é uma estupidez, uma idiotice. O que uma criança vai fazer com um laptop ?

Sejamos racionais e inteligente. Vamos usar a cabeça um pouco. A primeira coisa que o governo tem que fazer é construir salas com computadores nas escolas públicas. Salas com número compatível de computadores, de acordo com o tamanho da escola. Salas onde os alunos irão aprender a usar o computador e a fazer pesquisa na internet. Salas com desktops e não com laptops.

Não só equipar as escolas com computadores, mas também com TV digital, com retroprojetores (Datashow) para que os professores possam fazer aulas em powerpoint e mostrar para os alunos, para que os professores possam passar filmes em sala de aula, etc. A maioria das escolas não tem isto. Inclusive a Faculdade de Direito da USP só tem um negócio deste e os funcionários mal conseguem fazer a coisa funcionar.

O ano passado, na disciplina Direito Internacional Penal, foi um caos total. Perdemos um grande tempo de aula esperando os técnicos fazerem a coisa funcionar. Isto quando o técnico trazia o aparelho para a sala de aula, pois, muitas vezes, a professora chegava e o técnico ainda não tinha aparecido com o datashow. A Professora Cláudia Perrone teve muita paciência, pois se fosse eu tinha saído na bicuda com aqueles elementos. Acho que eles faziam de propósito.

Voltando ao caso. A segunda coisa que o governo tem que fazer é dar computadores para os professores das escolas públicas. É dar treinamento para que os professores usem o computador nas disciplinas que ministram. Esse negócio de comprar laptop e dar para os alunos é uma estupidez. Isto será feito depois de 2020 ou 2030. Não agora...

Imagine o que vai acontecer... Cada criança com um laptop e os professores sem computador nenhum. Realmente, é uma idéia idiota. Primeiro são os professores que devem receber um computador megapower do governo. Da mesma forma que o governo distribui livros gratuitos para os professores, também deve dar um computador para cada um deles. É uma ferramenta de trabalho importante e necessária. Não só dar o computador, o governo deve exigir que os professores usem o computador, caso contrário deverão devolvê-lo.

Além disso, os laptops são muito mais caros e não fazem o que o desktop faz. Sem contar que desatualizam muito rapidamente. Portanto, comprar laptop para as escolas públicas é uma estupidez, uma idiotice. Primeiro vamos fazer o básico. Equipar as escolas e os professores com computadores normais, que são bem mais baratos do que os laptops, depois, quando todo mundo souber usar o computador, todo mundo estiver acostumado com o computador, inclusive os alunos, aí sim, vamos pensar nos tais laptops per child. Agora não é hora disso.

Vamos usar a cabeça gente !!! Vamos usar a cabeça !!! Vamos começar a fazer as coisas pelo começo e do jeito certo. Sem pular ou queimar fases.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

O Professor Milton Santos ...
(...)
Milton Santos não era filiado a partido político, religião, grupos internos da universidade.

Mas foi um militante, no sentido de dedicar toda a sua energia, até poucas semanas antes de morrer de câncer, em junho de 2001, à causa “dos de baixo” – como se referia às classes espoliadas. Tinha ojeriza à bajulação e nunca seria pego bajulando alguém.

Chegava a ser ríspido, quando tinha de ser. Conta-se que, numa palestra, um contendor, arrotando deleuzes, tentou desacreditá-lo perante platéia atenta de uma universidade do sudeste, com citações difusas e pouco acessíveis.

Pacientemente, Milton Santos esperou que o doutor concluísse. Retomando a palavra, objetou com trechos daqueles mesmos autores, mas contextualizando as citações.

Depois, virou-se para o sujeito e concluiu: “O senhor, para debater comigo, deve, antes, treinar dois dos seus músculos – o cérebro e a bunda”. Isto é: vá ler mais e com mais atenção! Generoso ele era. Testemunhei algumas de suas generosidades porque vieram em socorro deste que escreve. Convidado para ser membro da banca para meu título de mestrado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ao tentar ingressar no prédio da escola, foi barrado pelo porteiro na catraca de entrada.

O servidor terceirizado de uma dessas empresas prestadoras de serviço interceptou o seu caminho, exigindo-lhe identificação.

Discreto, ele, que já havia sido laureado internacionalmente com uma espécie de Prêmio Nobel da Geografia, mostrou a identidade. O incidente logo chegou aos ouvidos dos dirigentes da escola, que, constrangidos, foram em fila lhe pedir desculpas. Ele humildemente as aceitou.

Outra vez, ajudou a organizar e compareceu a almoço no Clube dos Professores da USP, em uma espécie de “ato de desagravo” a este escrevinhador, ameaçado pelo então reitor, em 1997, de expulsão dos quadros do doutorado da ECA. A reitoria movera “processo disciplinar” depois de uma série de manifestações políticas a favor de cotas para negros naquela universidade, culminando em nossa prisão em flagrante pela guarda universitária durante pichação no campus.

Milton Santos levantou a voz e defendeu, durante o almoço, que não aceitássemos a proposta do reitor, que exigia o reconhecimento de um suposto “crime” (o de pichar muros, degradando o “patrimônio público”) para que a ameaça de expulsão cessasse. “Não ceda, mantenha sua opinião!”, orientou.

Professor da USP desde o final dos anos 1970, quando regressou do exílio, foi graças a pessoas como Maria Adélia de Souza, então professora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas daquela universidade, que ali foi aceito. Os defensores do seu contrato enfrentaram resistências departamentais internas, posto que os conservadores permaneciam fortes no âmbito acadêmico uspiano, como até hoje – e não apenas ali.

Agora mesmo, no âmbito da Universidade Federal da Bahia – onde Milton Santos lecionou, foi cassado e depois, em meados dos anos 90, reintegrado –, enfrenta-se o debate entre os que querem democratizar o acesso e permanência de alunos provenientes “de baixo” e os que se agarram ao discurso da meritocracia.

Aqui, fala-se em mérito para se manter privilégios de “raça” e classe, que fazem da universidade brasileira um antro de branquitude submisso a uma epistemologia do conhecimento que nega a diversidade dos baianos e se dobra a interesses e temas alienígenas. Milton Santos faz falta a esse debate.
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Os dois últimos parágrafos também se aplicam à USP.
Clique aqui para ler sobre
O Professor Milton Santos ...
(...)
Milton Santos não era filiado a partido político, religião, grupos internos da universidade.

Mas foi um militante, no sentido de dedicar toda a sua energia, até poucas semanas antes de morrer de câncer, em junho de 2001, à causa “dos de baixo” – como se referia às classes espoliadas. Tinha ojeriza à bajulação e nunca seria pego bajulando alguém.

Chegava a ser ríspido, quando tinha de ser. Conta-se que, numa palestra, um contendor, arrotando deleuzes, tentou desacreditá-lo perante platéia atenta de uma universidade do sudeste, com citações difusas e pouco acessíveis.

Pacientemente, Milton Santos esperou que o doutor concluísse. Retomando a palavra, objetou com trechos daqueles mesmos autores, mas contextualizando as citações.

Depois, virou-se para o sujeito e concluiu: “O senhor, para debater comigo, deve, antes, treinar dois dos seus músculos – o cérebro e a bunda”. Isto é: vá ler mais e com mais atenção! Generoso ele era. Testemunhei algumas de suas generosidades porque vieram em socorro deste que escreve. Convidado para ser membro da banca para meu título de mestrado na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, ao tentar ingressar no prédio da escola, foi barrado pelo porteiro na catraca de entrada.

O servidor terceirizado de uma dessas empresas prestadoras de serviço interceptou o seu caminho, exigindo-lhe identificação.

Discreto, ele, que já havia sido laureado internacionalmente com uma espécie de Prêmio Nobel da Geografia, mostrou a identidade. O incidente logo chegou aos ouvidos dos dirigentes da escola, que, constrangidos, foram em fila lhe pedir desculpas. Ele humildemente as aceitou.

Outra vez, ajudou a organizar e compareceu a almoço no Clube dos Professores da USP, em uma espécie de “ato de desagravo” a este escrevinhador, ameaçado pelo então reitor, em 1997, de expulsão dos quadros do doutorado da ECA. A reitoria movera “processo disciplinar” depois de uma série de manifestações políticas a favor de cotas para negros naquela universidade, culminando em nossa prisão em flagrante pela guarda universitária durante pichação no campus.

Milton Santos levantou a voz e defendeu, durante o almoço, que não aceitássemos a proposta do reitor, que exigia o reconhecimento de um suposto “crime” (o de pichar muros, degradando o “patrimônio público”) para que a ameaça de expulsão cessasse. “Não ceda, mantenha sua opinião!”, orientou.

Professor da USP desde o final dos anos 1970, quando regressou do exílio, foi graças a pessoas como Maria Adélia de Souza, então professora na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas daquela universidade, que ali foi aceito. Os defensores do seu contrato enfrentaram resistências departamentais internas, posto que os conservadores permaneciam fortes no âmbito acadêmico uspiano, como até hoje – e não apenas ali.

Agora mesmo, no âmbito da Universidade Federal da Bahia – onde Milton Santos lecionou, foi cassado e depois, em meados dos anos 90, reintegrado –, enfrenta-se o debate entre os que querem democratizar o acesso e permanência de alunos provenientes “de baixo” e os que se agarram ao discurso da meritocracia.

Aqui, fala-se em mérito para se manter privilégios de “raça” e classe, que fazem da universidade brasileira um antro de branquitude submisso a uma epistemologia do conhecimento que nega a diversidade dos baianos e se dobra a interesses e temas alienígenas. Milton Santos faz falta a esse debate.
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Os dois últimos parágrafos também se aplicam à USP.
Clique aqui para ler sobre