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segunda-feira, 28 de julho de 2008

Um canal entre Deus e o homem
O cérebro humano é uma máquina do mundo da matéria, um sistema do mundo de três dimensões, que realiza processos do mundo dos espíritos, da quarta dimensão. Esse sistema é a consciência humana. Consciência que movimenta energia, interagindo com a quarta dimensão, com a dimensão dos espíritos.

Certamente, existem bloqueios que impedem a fuga da energia da consciência para a quarta dimensão, prendendo-a dentro da cabeça de cada pessoa. COntudo, estes bloqueios são porosos e permitem algumas escapadelas da consciência para o mundo dos espíritos, para a quarta dimensão. Isto ocorre durante o sono, quando sonhamos ou temos pesadelos. Porém, basta religar o corpo material para que a energia da consciência volte para a cabeça humana.

Entretanto, quando a máquina humana é desligada, quando a pessoa morre, a energia da consciência, uma energia que se tornou semi-consciente ao longo da vida, parte definitivamente para a quarta-dimensão, para o mundo dos espíritos.

Portanto, a consciência humana é um portal entre o homem e o mundo dos espíritos; entre o homem e a quarta-dimensão. Há no sistema-consciência a realização de processos mentais, processos energéticos, que visam tornar a energia que aí circula em Energia Consciente. Quanto mais informação, mais conhecimento, mais processos mentais (pensamentos), maior é a iluminação da consciência, mais consciente se torna a energia que movimenta a consciência.

Inegavelmente, a qualidade da informação e do conhecimento afetam o processo de iluminação. Não bastam informações e conhecimentos religiosos, científicos, culturais, etc. É preciso ir além, é preciso buscar também algo de si mesmo. É o célebre "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e Deus".

Certamente, Deus é Energia Consciente. Ele não é uma energia em processo de consciência, em processo de iluminação, mas sim uma Energia Plenamente Consciente... Logo, a iluminação da consciência é um caminho para Deus...

Portanto, cada homem tem um canal direto com Deus. Possui uma consciência que pode levá-lo para o mundo dos espíritos, para a quarta dimensão. COntudo, o sistema-consciência não vem com um manual que diz como otimizá-lo, ou seja, como alcançar a plena iluminação em dez passos. Esse caminho é tão difícil quanto entrar na tropa de elite do Capitão Nascimento. Um caminho com alto índice de reprovação... Para piorar, cada pessoa tem o seu próprio caminho, um caminho individual entrecruzado com outros caminhos,o que dificulta ainda mais a longa jornada.

A consciência humana, por enquanto, não tem um manual de instrução. Contudo, Deus mostrou como andar no caminho da iluminação para se obter pleno sucesso na caminhada. Certamente, este ensinamento foi dado de forma diferente para sociedades diferentes, culturas diferentes, sistemas de consciência diferentes. Logo, cada padrão de consciência pode encontrar um modelo de caminho, um modelo de iluminação, que lhe seja mais adequado, com o qual identifique mais. Caminhos diversos para Deus...

Além de ensinar o caminho, Deus deu ao homem ferramentas para consultá-lo. Para isto existem os Profetas. Pessoas que estão em sintonia com a divindade, manifestando entre os homens os desígnios de Deus. Pessoas que agem como porta-voz da quarta dimensão e da vontade divina. Estes intermediários aparecem quando a maioria das consciências, por não seguirem as instruções divinas e abandonarem o caminho da iluminação, da justiça, da verdade e da retidão, se contaminaram com o mal e perderam força para se aproximar de Deus, ou seja, o excesso de impurezas nas consciências humanas afastaram a maioria dos homem de Deus. Logo, os torpedos divinos devem ser recebidos, abertos e lidos na Terra.

Os profetas são instrumentos da divindade nesta dimensão. Eles falam e escrevem por inspiração e instrução divina. Não apresentam suas vontades, mas sim a vontade que invade suas consciências, a vontade de um força superior que os controla e movimenta. As orientações divinas, assim como as profecias buscam evitar a disseminação do mal e, consequentemente, a destruição em massa de sociedades inteiras. Como foi o caso de Sodoma e Gomorra ou do mundo anterior a época de Noé... Consciências que somente podem ser limpas por arrependimento e conversão.

Mas, além dos profetas, Deus também mandou construir Templos de oração, súplica e adoração. Aqui também, cada sociedade, dada suas particularidades, recebeu instruções específicas sobre os Templos que deveriam construir. Templos que consideravam a tradição, a cultura, o modo de vida, enfim, o padrão de consciência e da percepção de Deus naquela sociedade. Templos que serviam para aproximar o homem de Deus, ou seja, um local específico onde o homem poderia ir buscar a ajuda divina. Ajuda que não conseguiu obter sozinho, só com a própria consciência, pois esta se encontrava contaminada/tomada pelo mal.

Para a nossa civilização judaico-cristã, o canal de ligação entre o homem e Deus, foi revelado aos Profetas do Velho Testamento e fixado pelos Judeus em Livros Bíblicos. O Rei Davi queria construir um Templo para Deus, mas foi impedido de fazê-lo, pois tinha derramado muito sangue sobre a terra. Porém, Deus deu a Salomão, filho de Davi, a tarefa de construir um Grande Templo.

O Templo construído por Salomão não foi um templo qualquer. Não é um templo fruto da vaidade ou do desejo humano de se imortalizar ou de um homem mostrar seu poder pessoal. Não foi um templo construído por capricho humano, mas sim uma obra instruída e orientada pelo próprio Deus. Nesta obra Deus determinou o lugar a ser construído e foi o Grande Arquiteto da obra.

Uma obra que, conforme a oração de Salomão na inauguração do Templo (Texto abaixo), era uma verdadeira embaixada de Deus na Terra. Porém, devido à contaminação e disseminação do mal entre os homens, o Templo foi destruído... Com isso, a civilização judaico-cristã perdeu a embaixada de Deus na Terra... Certamente, existem outros Templos dentro da civilização judaico-cristã, mas nenhum deles teve a participação direta da divindade em sua construção...

Hoje, a civilização judaico-cristã está afundando na corrupção, no consumismo patológico e em inúmeras outras perversões e degenerações. As coisas sagradas foram abandonadas e esquecidas. Poucos ainda cultuam a divindade, buscam um contato direto com Deus. A maioria das consciências estão contaminadas pelo e não conseguem, sozinhas, nenhum tipo de contato com a divindade. O ateísmo domina as consciências e empurra o homem para a própria destruição...

Portanto, tomando como referência a oração de Salomão (Texto abaixo), uma forma de reaproximar o homem de Deus, uma tentativa de regenerar a civilização judaico-cristã, é reconstruir a embaixada da divindade no local em que Ele indicou e seguindo as orientações que Ele deu para a construção. O Templo de Salomão tem que ser reconstruído...

Certamente, isto significa uma grande encrenca. Primeiro, porcausa do conflito entre Israel e os Palestinos. O conflito tem que ser resolvido antes de se reconstruir o Templo. Segundo, porcausa do conflito entre civilizações, de um lado a civilização judaico-cristã e do outro a civilização islâmica. Conflito que aparece na relação EUA x Irã (Não é o Irã Estado-Nacional que quer armas nucleares, mas sim o Irã Fundamentalista Islâmico, ou seja, os Aiatolás...) e também no fato de existir uma Mesquita, Al Aqsa, em cima do antigo Templo de Salomão...

Isto não deveria significar guerra, mas sim um caminho para entendimento e união. Contudo, os homens são fontes de discórdia e desentendimento. O mal que contamina suas consciências movimenta-os para a própria destruição.
-------------------
II Crônicas 6
1 Então disse Salomão: O Senhor disse que habitaria nas trevas.
2 E eu te construí uma casa para morada, um lugar para a tua eterna habitação.
(...)
18 Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter; quanto menos esta casa que tenho edificado!
19 Contudo, atende à oração e à súplica do teu servo, ó Senhor meu Deus, para ouvires o clamor e a oração que o teu servo faz diante de ti;
20 que dia e noite estejam os teus olhos abertos para esta casa, sim, para o lugar de que disseste que ali porias o teu nome; para ouvires a oração que o teu servo fizer neste lugar.
21 Ouve as súplicas do teu servo, e do teu povo Israel, que fizerem neste lugar; sim, ouve do lugar da tua habitação, do céu; e, ouvindo, perdoa.
22 Se alguém pecar contra o seu próximo, e lhe for exigido que jure, e ele vier jurar perante o teu altar, nesta casa,
23 ouve então do céu, age, e julga os teus servos: paga ao culpado, fazendo recair sobre a sua cabeça o seu proceder, e justifica ao reto, retribuindo-lhe segundo a sua retidão.
24 Se o teu povo Israel for derrotado diante do inimigo, por ter pecado contra ti; e eles se converterem, e confessarem o teu nome, e orarem e fizerem súplicas diante de ti nesta casa,
25 ouve então do céu, e perdoa os pecados do teu povo Israel, e torna a levá-los para a terra que lhes deste a eles e a seus pais.
26 Se o céu se fechar e não houver chuva, por terem pecado contra ti; se orarem, voltados para este lugar, e confessarem o teu nome, e se converterem dos seus pecados, quando tu os afligires,
27 ouve então do céu, e perdoa o pecado dos teus servos, e do teu povo Israel, ensinando-lhes o bom caminho, em que devem andar, envia chuva sobre a tua terra, que deste ao teu povo em herança.
28 Se houver na terra fome ou peste, se houver crestamento ou ferrugem, gafanhotos ou lagarta; se os seus inimigos os cercarem nas suas cidades; seja qual for a praga ou doença que houver;
29 toda oração e toda súplica que qualquer homem ou todo o teu povo Israel fizer, conhecendo cada um a sua praga e a sua dor, e estendendo as suas mãos para esta casa,
30 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e perdoa, e dá a cada um conforme todos os seus caminhos, segundo vires o seu coração (pois tu, só tu conheces o coração dos filhos dos homens)
31 para que te temam e andem nos teus caminhos todos os dias que viverem na terra que deste a nossos pais.
32 Assim também ao estrangeiro, que não é do teu povo Israel, quando vier de um país remoto por amor do teu grande nome, da tua mão poderosa e do teu braço estendido, vindo ele e orando nesta casa,
33 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e faze conforme tudo o que o estrangeiro te suplicar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, e te temam como o teu povo Israel, e saibam que pelo teu nome é chamada esta casa que edifiquei.
34 Se o teu povo sair à guerra contra os seus inimigos, seja qual for o caminho por que os enviares, e orarem a ti, voltados para esta cidade que escolheste e para a casa que edifiquei ao teu nome,
35 ouve então do céu a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
36 Se pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em cativeiro para alguma terra, longínqua ou próxima;
37 se na terra para onde forem levados em cativeiro caírem em si, e se converterem, e na terra do seu cativeiro te suplicarem, dizendo: Pecamos, cometemos iniqüidade, procedemos perversamente;
38 se eles se arrependerem de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra do seu cativeiro, a que os tenham levado cativos, e orarem voltados para a sua terra, que deste a seus pais, e para a cidade que escolheste, e para a casa que edifiquei ao teu nome,
39 ouve então do céu, lugar da tua habitação, a sua oração e as suas súplicas, defende a sua causa e perdoa ao teu povo que houver pecado contra ti.
40 Agora, ó meu Deus, estejam os teus olhos abertos, e os teus ouvidos atentos à oração que se fizer neste lugar.
Um canal entre Deus e o homem
O cérebro humano é uma máquina do mundo da matéria, um sistema do mundo de três dimensões, que realiza processos do mundo dos espíritos, da quarta dimensão. Esse sistema é a consciência humana. Consciência que movimenta energia, interagindo com a quarta dimensão, com a dimensão dos espíritos.

Certamente, existem bloqueios que impedem a fuga da energia da consciência para a quarta dimensão, prendendo-a dentro da cabeça de cada pessoa. COntudo, estes bloqueios são porosos e permitem algumas escapadelas da consciência para o mundo dos espíritos, para a quarta dimensão. Isto ocorre durante o sono, quando sonhamos ou temos pesadelos. Porém, basta religar o corpo material para que a energia da consciência volte para a cabeça humana.

Entretanto, quando a máquina humana é desligada, quando a pessoa morre, a energia da consciência, uma energia que se tornou semi-consciente ao longo da vida, parte definitivamente para a quarta-dimensão, para o mundo dos espíritos.

Portanto, a consciência humana é um portal entre o homem e o mundo dos espíritos; entre o homem e a quarta-dimensão. Há no sistema-consciência a realização de processos mentais, processos energéticos, que visam tornar a energia que aí circula em Energia Consciente. Quanto mais informação, mais conhecimento, mais processos mentais (pensamentos), maior é a iluminação da consciência, mais consciente se torna a energia que movimenta a consciência.

Inegavelmente, a qualidade da informação e do conhecimento afetam o processo de iluminação. Não bastam informações e conhecimentos religiosos, científicos, culturais, etc. É preciso ir além, é preciso buscar também algo de si mesmo. É o célebre "Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e Deus".

Certamente, Deus é Energia Consciente. Ele não é uma energia em processo de consciência, em processo de iluminação, mas sim uma Energia Plenamente Consciente... Logo, a iluminação da consciência é um caminho para Deus...

Portanto, cada homem tem um canal direto com Deus. Possui uma consciência que pode levá-lo para o mundo dos espíritos, para a quarta dimensão. COntudo, o sistema-consciência não vem com um manual que diz como otimizá-lo, ou seja, como alcançar a plena iluminação em dez passos. Esse caminho é tão difícil quanto entrar na tropa de elite do Capitão Nascimento. Um caminho com alto índice de reprovação... Para piorar, cada pessoa tem o seu próprio caminho, um caminho individual entrecruzado com outros caminhos,o que dificulta ainda mais a longa jornada.

A consciência humana, por enquanto, não tem um manual de instrução. Contudo, Deus mostrou como andar no caminho da iluminação para se obter pleno sucesso na caminhada. Certamente, este ensinamento foi dado de forma diferente para sociedades diferentes, culturas diferentes, sistemas de consciência diferentes. Logo, cada padrão de consciência pode encontrar um modelo de caminho, um modelo de iluminação, que lhe seja mais adequado, com o qual identifique mais. Caminhos diversos para Deus...

Além de ensinar o caminho, Deus deu ao homem ferramentas para consultá-lo. Para isto existem os Profetas. Pessoas que estão em sintonia com a divindade, manifestando entre os homens os desígnios de Deus. Pessoas que agem como porta-voz da quarta dimensão e da vontade divina. Estes intermediários aparecem quando a maioria das consciências, por não seguirem as instruções divinas e abandonarem o caminho da iluminação, da justiça, da verdade e da retidão, se contaminaram com o mal e perderam força para se aproximar de Deus, ou seja, o excesso de impurezas nas consciências humanas afastaram a maioria dos homem de Deus. Logo, os torpedos divinos devem ser recebidos, abertos e lidos na Terra.

Os profetas são instrumentos da divindade nesta dimensão. Eles falam e escrevem por inspiração e instrução divina. Não apresentam suas vontades, mas sim a vontade que invade suas consciências, a vontade de um força superior que os controla e movimenta. As orientações divinas, assim como as profecias buscam evitar a disseminação do mal e, consequentemente, a destruição em massa de sociedades inteiras. Como foi o caso de Sodoma e Gomorra ou do mundo anterior a época de Noé... Consciências que somente podem ser limpas por arrependimento e conversão.

Mas, além dos profetas, Deus também mandou construir Templos de oração, súplica e adoração. Aqui também, cada sociedade, dada suas particularidades, recebeu instruções específicas sobre os Templos que deveriam construir. Templos que consideravam a tradição, a cultura, o modo de vida, enfim, o padrão de consciência e da percepção de Deus naquela sociedade. Templos que serviam para aproximar o homem de Deus, ou seja, um local específico onde o homem poderia ir buscar a ajuda divina. Ajuda que não conseguiu obter sozinho, só com a própria consciência, pois esta se encontrava contaminada/tomada pelo mal.

Para a nossa civilização judaico-cristã, o canal de ligação entre o homem e Deus, foi revelado aos Profetas do Velho Testamento e fixado pelos Judeus em Livros Bíblicos. O Rei Davi queria construir um Templo para Deus, mas foi impedido de fazê-lo, pois tinha derramado muito sangue sobre a terra. Porém, Deus deu a Salomão, filho de Davi, a tarefa de construir um Grande Templo.

O Templo construído por Salomão não foi um templo qualquer. Não é um templo fruto da vaidade ou do desejo humano de se imortalizar ou de um homem mostrar seu poder pessoal. Não foi um templo construído por capricho humano, mas sim uma obra instruída e orientada pelo próprio Deus. Nesta obra Deus determinou o lugar a ser construído e foi o Grande Arquiteto da obra.

Uma obra que, conforme a oração de Salomão na inauguração do Templo (Texto abaixo), era uma verdadeira embaixada de Deus na Terra. Porém, devido à contaminação e disseminação do mal entre os homens, o Templo foi destruído... Com isso, a civilização judaico-cristã perdeu a embaixada de Deus na Terra... Certamente, existem outros Templos dentro da civilização judaico-cristã, mas nenhum deles teve a participação direta da divindade em sua construção...

Hoje, a civilização judaico-cristã está afundando na corrupção, no consumismo patológico e em inúmeras outras perversões e degenerações. As coisas sagradas foram abandonadas e esquecidas. Poucos ainda cultuam a divindade, buscam um contato direto com Deus. A maioria das consciências estão contaminadas pelo e não conseguem, sozinhas, nenhum tipo de contato com a divindade. O ateísmo domina as consciências e empurra o homem para a própria destruição...

Portanto, tomando como referência a oração de Salomão (Texto abaixo), uma forma de reaproximar o homem de Deus, uma tentativa de regenerar a civilização judaico-cristã, é reconstruir a embaixada da divindade no local em que Ele indicou e seguindo as orientações que Ele deu para a construção. O Templo de Salomão tem que ser reconstruído...

Certamente, isto significa uma grande encrenca. Primeiro, porcausa do conflito entre Israel e os Palestinos. O conflito tem que ser resolvido antes de se reconstruir o Templo. Segundo, porcausa do conflito entre civilizações, de um lado a civilização judaico-cristã e do outro a civilização islâmica. Conflito que aparece na relação EUA x Irã (Não é o Irã Estado-Nacional que quer armas nucleares, mas sim o Irã Fundamentalista Islâmico, ou seja, os Aiatolás...) e também no fato de existir uma Mesquita, Al Aqsa, em cima do antigo Templo de Salomão...

Isto não deveria significar guerra, mas sim um caminho para entendimento e união. Contudo, os homens são fontes de discórdia e desentendimento. O mal que contamina suas consciências movimenta-os para a própria destruição.
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II Crônicas 6
1 Então disse Salomão: O Senhor disse que habitaria nas trevas.
2 E eu te construí uma casa para morada, um lugar para a tua eterna habitação.
(...)
18 Mas, na verdade, habitará Deus com os homens na terra? Eis que o céu e o céu dos céus não te podem conter; quanto menos esta casa que tenho edificado!
19 Contudo, atende à oração e à súplica do teu servo, ó Senhor meu Deus, para ouvires o clamor e a oração que o teu servo faz diante de ti;
20 que dia e noite estejam os teus olhos abertos para esta casa, sim, para o lugar de que disseste que ali porias o teu nome; para ouvires a oração que o teu servo fizer neste lugar.
21 Ouve as súplicas do teu servo, e do teu povo Israel, que fizerem neste lugar; sim, ouve do lugar da tua habitação, do céu; e, ouvindo, perdoa.
22 Se alguém pecar contra o seu próximo, e lhe for exigido que jure, e ele vier jurar perante o teu altar, nesta casa,
23 ouve então do céu, age, e julga os teus servos: paga ao culpado, fazendo recair sobre a sua cabeça o seu proceder, e justifica ao reto, retribuindo-lhe segundo a sua retidão.
24 Se o teu povo Israel for derrotado diante do inimigo, por ter pecado contra ti; e eles se converterem, e confessarem o teu nome, e orarem e fizerem súplicas diante de ti nesta casa,
25 ouve então do céu, e perdoa os pecados do teu povo Israel, e torna a levá-los para a terra que lhes deste a eles e a seus pais.
26 Se o céu se fechar e não houver chuva, por terem pecado contra ti; se orarem, voltados para este lugar, e confessarem o teu nome, e se converterem dos seus pecados, quando tu os afligires,
27 ouve então do céu, e perdoa o pecado dos teus servos, e do teu povo Israel, ensinando-lhes o bom caminho, em que devem andar, envia chuva sobre a tua terra, que deste ao teu povo em herança.
28 Se houver na terra fome ou peste, se houver crestamento ou ferrugem, gafanhotos ou lagarta; se os seus inimigos os cercarem nas suas cidades; seja qual for a praga ou doença que houver;
29 toda oração e toda súplica que qualquer homem ou todo o teu povo Israel fizer, conhecendo cada um a sua praga e a sua dor, e estendendo as suas mãos para esta casa,
30 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e perdoa, e dá a cada um conforme todos os seus caminhos, segundo vires o seu coração (pois tu, só tu conheces o coração dos filhos dos homens)
31 para que te temam e andem nos teus caminhos todos os dias que viverem na terra que deste a nossos pais.
32 Assim também ao estrangeiro, que não é do teu povo Israel, quando vier de um país remoto por amor do teu grande nome, da tua mão poderosa e do teu braço estendido, vindo ele e orando nesta casa,
33 ouve então do céu, lugar da tua habitação, e faze conforme tudo o que o estrangeiro te suplicar, a fim de que todos os povos da terra conheçam o teu nome, e te temam como o teu povo Israel, e saibam que pelo teu nome é chamada esta casa que edifiquei.
34 Se o teu povo sair à guerra contra os seus inimigos, seja qual for o caminho por que os enviares, e orarem a ti, voltados para esta cidade que escolheste e para a casa que edifiquei ao teu nome,
35 ouve então do céu a sua oração e a sua súplica, e defende a sua causa.
36 Se pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em cativeiro para alguma terra, longínqua ou próxima;
37 se na terra para onde forem levados em cativeiro caírem em si, e se converterem, e na terra do seu cativeiro te suplicarem, dizendo: Pecamos, cometemos iniqüidade, procedemos perversamente;
38 se eles se arrependerem de todo o seu coração e de toda a sua alma, na terra do seu cativeiro, a que os tenham levado cativos, e orarem voltados para a sua terra, que deste a seus pais, e para a cidade que escolheste, e para a casa que edifiquei ao teu nome,
39 ouve então do céu, lugar da tua habitação, a sua oração e as suas súplicas, defende a sua causa e perdoa ao teu povo que houver pecado contra ti.
40 Agora, ó meu Deus, estejam os teus olhos abertos, e os teus ouvidos atentos à oração que se fizer neste lugar.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

A revelação do Alcorão para o Profeta Mohammad
Samir El Hayek
Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso
Disse Deus, O Altíssimo:
"Se tivéssemos feito descer este Alcorão sobre uma montanha, te-las-ia visto humilhar-se e fender-se, por temor a Deus. Tais exemplos propomos aos humanos, para que raciocinem" (surat Al Haxr 59:21)
(...)
No tempo em que emergiam o que nós chamamos de as Grandes Religiões, os homens não apenas confiaram em suas memórias, mas também inventaram a arte de escrever, para preservarem sues pensamentos, assinalando, de modo mais premente do que fariam as memórias individuais dos serres humanos que, afinal de contas, têm um limitado ciclo de vida.

Mesmo assim, nenhum destes dois meios é infalível quando tomados separadamente. É uma questão de experiência cotidiana o ato de que, quando se escreve algo e então se o revisa, encontram-se mais ou menos erros inadvertidos, omissão de letras ou mesmo de palavras, repetição de relatos, uso de palavras contrárias àquelas pretendidas, erros gramaticais etc., sem falar nas mudanças de opinião do escritor, que também corrige seu estilo, seus pensamentos, seus argumentos e, às vezes, reescreve todo o documento. O mesmo acontece quanto à faculdade da memória.

Aqueles que têm obrigação ou habilidade em aprender de cor algum texto, para recitá-lo mais tarde, especialmente quando isso envolve longuíssimas passagens, sabem que às vezes suas memórias falham durante a recitação: pulam passagens, misturam umas com as outras, ou não se lembram de toda a seqüência; às vezes o texto correto permanece na subconsciência e é relembrado no último momento, ou no rebuscamento da memória por indicação de outrem, ou ao ser consultado o texto em documento escrito.

O Profeta do Islam, Mohammad, de memória privilegiada, empregava ambos os métodos simultaneamente, um ajudando o outro, reforçando a integridade do texto e diminuindo ao mínimo as possibilidades de erro.

Os ensinamentos islâmicos são baseados no que o Profeta Mohammad disse ou fez. Ele próprio ditou certos textos a seus escribas, o que chamamos de Alcorão; outros textos foram compilados por seus companheiros, na maioria das vezes por iniciativa própria; e a esses escritos chamamos de Tradição.

A palavra Alcorão literalmente significa "leitura por excelência" ou "recitação". Enquanto o ditava a seus Companheiros, o Profeta lhes assegurava que era a Revelação Divina que ele havia recebido. Ele não ditou tudo de uma só vez: as revelações chegavam-lhe em fragmentos, de tempos em tempos. Tão logo ele recebia uma, costumava comunicá-la a seus companheiros e pedir-lhes não somente que a prendessem de cor – para que a recitassem durante a prática das orações -, mas também que a escrevessem e que multiplicassem as cópias. Em tais ocasiões, ele indicava o lugar preciso da nova revelação no texto; não era dele a compilação cronológica. Não é de admirar a precaução e o cuidado tomados para a precisão, levando-se em consideração o padrão da cultura dos árabes daquele tempo.

É razoável acreditarmos que as primeiríssimas revelações recebidas pelo Profeta não foram imediatamente submetidas à escrita, pela simples razão de que não havia, ainda, companheiro algum ou aderentes.

Estas primeiras partes não eram nem longas, nem numerosas. Não havia risco de que o Profeta pudesse esquecê-las, umas vez que ele as recitava freqüentemente em suas orações e em conversar proselíticas.

Alguns fatos da história dão-nos a idéia do que aconteceu. Ômar Ibn al Khattab é considerado a quadragésima pessoa a abraçar o Islam. Isso se refere ao ano quinto da Missão (oito antes da Hégira). Mesmo em uma data primordial existiam cópias escritas de certas suratas do Alcorão e, como Ibn Hicham relata, foi devido ao profundo efeito produzido pela leitura acurada de alguns versículos da vigésima Surata que Ômar abraçou o Islam.


Não sabemos precisamente o tempo em que a prática de escrever o Alcorão começou; contudo, há informações precisas de que durante os remanescentes dezoito anos da vida do Profeta, o números dos muçulmanos, como também das cópias do texto Sagrado, continuou aumentando dia a dia. Como o Profeta recebia as revelações em fragmentos, era natural que o texto revelado se referisse aos problemas do dia. Se acontecesse um de seus companheiros morrer, a revelação consistiria em promulgar a lei da herança; não seria de lei penal, tratando de roubo, por exemplo, a ser revelada no momento. As revelações continuaram durante a inteira vida missionária de Mohammad, treze anos em Makka e dez em Madina. Uma revelação consistia às vezes de uma inteira Surata, curta ou longa, e às vezes de apenas uns poucos versículos.

A natureza das revelações impunha ao Profeta repeti-las constantemente em suas recitações, e revisar continuamente a forma que as coleções dos fragmentos teria que tomar. Todos os doutos afirmam, com autoridade, que o Profeta recitava todos os anos, no mês de Ramadan, perante o anjo Gabriel, aparte do Alcorão até então revelada, e que no último ano de sua vida Gabriel pediu-lhe que o recitasse inteiro duas vezes. O Profeta concluiu, desde então, que iria, em breve, despedir-se da vida. O Profeta costumava revisar, nos meses do jejum, os versículos e as suratas, e colocá-las em sua seqüência adequada.

Isto era necessário por causa da continuidade das novas revelações. É também sabido que o Profeta tinha o hábito de celebrar uma prática adicional de oração durante os meses do jejum, todas as noites, às vezes mesmo em congregação, na qual ele recitava o Alcorão do princípio ao fim, tarefa esta que era completada ao cabo de um mês. Esta prática, chamada de Tarawih, continua a ser observada com grande devoção até estes nossos dias.

Quando o Profeta deu seu último suspiro, uma rebelião estava tomando vulto em certas partes do país. Tentando debelá-la, várias pessoas que conheciam o Alcorão de cor tombaram. O Califa Abu Bakr sentiu a urgência da codificação do Alcorão, e a tarefa foi cumprida um mês depois da morte do Profeta.

Durante seus últimos anos de vida, o Profeta costumava usar Zaid Ibn Sábet como principal amanuense, para tomar em ditado as revelações recentemente recebidas. Abu Bakr encarregou a mesma pessoa da tarefa de preparação de uma cópia condizente de todo o texto, em forma de livro. Havia então em Madina vários Huffaz (aqueles que sabiam todo o Alcorão de cor), e Zaid era um deles. Sob a direção do Califa, Zaid transcreveu o texto escrito em pergaminhos ou pedaços de couro, nas omoplatas das reses, nos ossos, nas pedras polidas e mesmo em pedaços de porcelana.

A cópia condizente, assim preparada, foi chamada de Musshaf (encadernação). Esta foi conservada sob a própria custódia do Califa Abu Bakr e, depois dele, por seu sucessor, Ômar Ibn al Khattab. Nesse meio tempo o estudo do Alcorão foi encorajado em toda parte do Império muçulmano. O Califa Ômar sentiu a necessidade de enviar cópias do texto autêntico aos centros provincianos a fim de evitar as divergências; mas foi deixado a seu sucessor, Otman, continuar com a tarefa. Um de seus comandantes, Huzaifa Aliaman, havendo voltado de uma viagem pelas vastas terras conquistadas pelos muçulmanos, relatou que havia encontrado divergentes cópias do Alcorão e que havia, às vezes, desentendimento entre os diferentes mestres do Livro, concernente a isso.

Otman fez imediatamente com que a cópia preparada para Abu Bakr fosse confiada a uma comissão presidida pelo acima mencionado Zaid Ibn Sábet, para a reprodução de sete cópias; ele autorizou-lhes a revisão da pronúncia, se necessário. Quando a tarefa foi concluída, o Califa efetuou uma recitação pública da nova edição perante os doutos presentes na capital, perante os companheiros do Profeta, e então enviou estas cópias aos diferentes centros do vasto mundo islâmico, ordenando que dali por diante todas as cópias fossem baseadas na edição autêntica. Ele ordenou a destruição das cópias que, de algum modo, se desviassem do texto assim oficialmente estabelecido.

É concebível que as grandes conquistas militares dos primeiros muçulmanos induzissem alguns espíritos hipócritas a proclamarem sua impulsiva conversão ao Islam por motivos materiais, e para tentar danificá-lo de maneira clandestina. Eles fabricaram versões do Alcorão com interpolações.

As "lágrimas de crocodilo", que foram derramadas pela destruição das cópias não autenticadas do Alcorão, por ordem do Califa Otman, somente poderiam Ter sido de tais hipócritas. É sabido que o Profeta às vezes ab-rogava certos versículos que haviam sido comunicados previamente ao povo, e isso era feito para fortificar as novas Revelações Divinas. Houve Companheiros que aprenderam a primeira versão, sem contudo estarem cientes das últimas modificações, tanto por causa da morte do Profeta como por suas residências fora de Madina.

Estes devem Ter deixado cópias a seus descendentes, as quais, embora autênticas, estavam ultrapassadas. Ainda, alguns muçulmanos tinham o hábito de pedir ao Profeta que explicasse certos termos empregados no texto sagrado e anotar tais explicações nas margens de suas cópias do Alcorão, a fim de não esquecerem delas. As cópias feitas mais tarde, com base nesses textos anotados, causariam às vezes confusões na questão do texto e do glossário.

A despeito da ordem do Califa Otman, para que se destruíssem os textos inexatos, existia, nos séculos III e IV da Hégira, assunto bastante para a compilação de volumosas obras, constituindo as "variações do Alcorão". Estas chegaram até nós, mas um apurado estudo mostra-nos que tais variantes eram arábica, que não possuía vogais, nem se podia distinguir entre as letras semelhantes, nem davam idéia das mesmas, sendo meros pontos, como é feito agora.

Além disso existiam diferentes dialetos em diferentes regiões, e o Profeta havia permitido aos muçulmanos de tais regiões recitarem de acordo com suas algaravias, e mesmo substituir as palavras que estavam além de sua argúcia, por sinônimos que conhecessem melhor. Esta foi uma medida emergente de graça e clemência. No tempo do Califa Otman, contudo, a instrução pública havia-se desenvolvido suficientemente, e fez-se necessário que aquelas concessões não fossem mais toleradas, pois o Texto Sagrado seria afetado e as variantes da leitura se radicariam.

As cópias do Alcorão enviadas por Otman aos chefes das províncias gradualmente desapareceram nos séculos subseqüentes; apenas uma delas, que presentemente se encontra em Tashkent, chegou até nós. O governo czarista da Rússia havia publicado em uma reprodução fac-símile; constata-se haver uma completa identidade entre essa cópia e o texto em uso noutras ocasiões. A mesma é cópia fiel do manuscrito existente do Alcorão, tanto completo como fragmentado, datando do primeiro século da Hégira.

O Alcorão é dirigido a toda humanidade, sem distinção de raça, cor, religião ou tempo. Ainda mais, ele procura guiar a humanidade em todas as sendas da vida: espirituais, materiais, individuais e coletivas. Ele contém diretrizes para a conduta do chefe do Estado, bem como do homem comum; do rico, bem como do pobre; diretrizes para a paz, bem como para a guerra; tanto para a cultura espiritual como para o comércio e bem-estar material.

O Alcorão busca principalmente desenvolver a personalidade do indivíduo: Cada ser será pessoalmente responsável perante seu Criador. Para tal propósito, o Alcorão não somente fornece ordens, porém tenta ainda convencer. Ele apela para a razão do homem e relata histórias, parábolas e metáforas. Descreve os atributos de Deus, que é Um, Criador de tudo, Onisciente, Onipotente, Ressuscitador dos mortos e Observador de nosso comportamento terreno; é Justo, Clemente.(vide nota da 7ª Surata, versículo 180)

O Alcorão indica ainda o modo de aprazermos a Deus, apontando quais as melhores orações, quais os deveres do homem com respeito a Ele, a seus semelhantes e a seu próprio ser; ele dá destaque ao fato de que não nos pertencemos, outrossim, pertencemos a Deus. O Alcorão fala das melhores normas relacionadas com a vida social, comercial, matrimonial, com a herança, com o direito penal, com o direito internacional, e assim por diante. Todavia, o Alcorão não é um livro, no senso comum; é a coleção das palavras de Deus, reveladas de tempos em tempos, durante vinte e três anos, a Seu Mensageiro, escolhido entre os seres humanos.

O Soberano dá Suas instruções a Seu vassalo; portanto, há certas nuanças compreendidas e implícitas; há repetições, e mesmo mudanças nas formas de expressão. Deste modo, Deus fala às vezes na primeira pessoa e às vezes na terceira. Ele diz "Eu", bem como "Nós" e "Ele", porém, jamais "Eles". É uma coleção de revelações enviadas de ocasiões em ocasiões; e devemos, por isso, lê-lo mais e mais, a fim de melhor aquilatarmos os seus significados. Ele possui diretrizes para todos, em todos os lugares e para todos os tempos.

(...)
A revelação do Alcorão para o Profeta Mohammad
Samir El Hayek
Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso
Disse Deus, O Altíssimo:
"Se tivéssemos feito descer este Alcorão sobre uma montanha, te-las-ia visto humilhar-se e fender-se, por temor a Deus. Tais exemplos propomos aos humanos, para que raciocinem" (surat Al Haxr 59:21)
(...)
No tempo em que emergiam o que nós chamamos de as Grandes Religiões, os homens não apenas confiaram em suas memórias, mas também inventaram a arte de escrever, para preservarem sues pensamentos, assinalando, de modo mais premente do que fariam as memórias individuais dos serres humanos que, afinal de contas, têm um limitado ciclo de vida.

Mesmo assim, nenhum destes dois meios é infalível quando tomados separadamente. É uma questão de experiência cotidiana o ato de que, quando se escreve algo e então se o revisa, encontram-se mais ou menos erros inadvertidos, omissão de letras ou mesmo de palavras, repetição de relatos, uso de palavras contrárias àquelas pretendidas, erros gramaticais etc., sem falar nas mudanças de opinião do escritor, que também corrige seu estilo, seus pensamentos, seus argumentos e, às vezes, reescreve todo o documento. O mesmo acontece quanto à faculdade da memória.

Aqueles que têm obrigação ou habilidade em aprender de cor algum texto, para recitá-lo mais tarde, especialmente quando isso envolve longuíssimas passagens, sabem que às vezes suas memórias falham durante a recitação: pulam passagens, misturam umas com as outras, ou não se lembram de toda a seqüência; às vezes o texto correto permanece na subconsciência e é relembrado no último momento, ou no rebuscamento da memória por indicação de outrem, ou ao ser consultado o texto em documento escrito.

O Profeta do Islam, Mohammad, de memória privilegiada, empregava ambos os métodos simultaneamente, um ajudando o outro, reforçando a integridade do texto e diminuindo ao mínimo as possibilidades de erro.

Os ensinamentos islâmicos são baseados no que o Profeta Mohammad disse ou fez. Ele próprio ditou certos textos a seus escribas, o que chamamos de Alcorão; outros textos foram compilados por seus companheiros, na maioria das vezes por iniciativa própria; e a esses escritos chamamos de Tradição.

A palavra Alcorão literalmente significa "leitura por excelência" ou "recitação". Enquanto o ditava a seus Companheiros, o Profeta lhes assegurava que era a Revelação Divina que ele havia recebido. Ele não ditou tudo de uma só vez: as revelações chegavam-lhe em fragmentos, de tempos em tempos. Tão logo ele recebia uma, costumava comunicá-la a seus companheiros e pedir-lhes não somente que a prendessem de cor – para que a recitassem durante a prática das orações -, mas também que a escrevessem e que multiplicassem as cópias. Em tais ocasiões, ele indicava o lugar preciso da nova revelação no texto; não era dele a compilação cronológica. Não é de admirar a precaução e o cuidado tomados para a precisão, levando-se em consideração o padrão da cultura dos árabes daquele tempo.

É razoável acreditarmos que as primeiríssimas revelações recebidas pelo Profeta não foram imediatamente submetidas à escrita, pela simples razão de que não havia, ainda, companheiro algum ou aderentes.

Estas primeiras partes não eram nem longas, nem numerosas. Não havia risco de que o Profeta pudesse esquecê-las, umas vez que ele as recitava freqüentemente em suas orações e em conversar proselíticas.

Alguns fatos da história dão-nos a idéia do que aconteceu. Ômar Ibn al Khattab é considerado a quadragésima pessoa a abraçar o Islam. Isso se refere ao ano quinto da Missão (oito antes da Hégira). Mesmo em uma data primordial existiam cópias escritas de certas suratas do Alcorão e, como Ibn Hicham relata, foi devido ao profundo efeito produzido pela leitura acurada de alguns versículos da vigésima Surata que Ômar abraçou o Islam.


Não sabemos precisamente o tempo em que a prática de escrever o Alcorão começou; contudo, há informações precisas de que durante os remanescentes dezoito anos da vida do Profeta, o números dos muçulmanos, como também das cópias do texto Sagrado, continuou aumentando dia a dia. Como o Profeta recebia as revelações em fragmentos, era natural que o texto revelado se referisse aos problemas do dia. Se acontecesse um de seus companheiros morrer, a revelação consistiria em promulgar a lei da herança; não seria de lei penal, tratando de roubo, por exemplo, a ser revelada no momento. As revelações continuaram durante a inteira vida missionária de Mohammad, treze anos em Makka e dez em Madina. Uma revelação consistia às vezes de uma inteira Surata, curta ou longa, e às vezes de apenas uns poucos versículos.

A natureza das revelações impunha ao Profeta repeti-las constantemente em suas recitações, e revisar continuamente a forma que as coleções dos fragmentos teria que tomar. Todos os doutos afirmam, com autoridade, que o Profeta recitava todos os anos, no mês de Ramadan, perante o anjo Gabriel, aparte do Alcorão até então revelada, e que no último ano de sua vida Gabriel pediu-lhe que o recitasse inteiro duas vezes. O Profeta concluiu, desde então, que iria, em breve, despedir-se da vida. O Profeta costumava revisar, nos meses do jejum, os versículos e as suratas, e colocá-las em sua seqüência adequada.

Isto era necessário por causa da continuidade das novas revelações. É também sabido que o Profeta tinha o hábito de celebrar uma prática adicional de oração durante os meses do jejum, todas as noites, às vezes mesmo em congregação, na qual ele recitava o Alcorão do princípio ao fim, tarefa esta que era completada ao cabo de um mês. Esta prática, chamada de Tarawih, continua a ser observada com grande devoção até estes nossos dias.

Quando o Profeta deu seu último suspiro, uma rebelião estava tomando vulto em certas partes do país. Tentando debelá-la, várias pessoas que conheciam o Alcorão de cor tombaram. O Califa Abu Bakr sentiu a urgência da codificação do Alcorão, e a tarefa foi cumprida um mês depois da morte do Profeta.

Durante seus últimos anos de vida, o Profeta costumava usar Zaid Ibn Sábet como principal amanuense, para tomar em ditado as revelações recentemente recebidas. Abu Bakr encarregou a mesma pessoa da tarefa de preparação de uma cópia condizente de todo o texto, em forma de livro. Havia então em Madina vários Huffaz (aqueles que sabiam todo o Alcorão de cor), e Zaid era um deles. Sob a direção do Califa, Zaid transcreveu o texto escrito em pergaminhos ou pedaços de couro, nas omoplatas das reses, nos ossos, nas pedras polidas e mesmo em pedaços de porcelana.

A cópia condizente, assim preparada, foi chamada de Musshaf (encadernação). Esta foi conservada sob a própria custódia do Califa Abu Bakr e, depois dele, por seu sucessor, Ômar Ibn al Khattab. Nesse meio tempo o estudo do Alcorão foi encorajado em toda parte do Império muçulmano. O Califa Ômar sentiu a necessidade de enviar cópias do texto autêntico aos centros provincianos a fim de evitar as divergências; mas foi deixado a seu sucessor, Otman, continuar com a tarefa. Um de seus comandantes, Huzaifa Aliaman, havendo voltado de uma viagem pelas vastas terras conquistadas pelos muçulmanos, relatou que havia encontrado divergentes cópias do Alcorão e que havia, às vezes, desentendimento entre os diferentes mestres do Livro, concernente a isso.

Otman fez imediatamente com que a cópia preparada para Abu Bakr fosse confiada a uma comissão presidida pelo acima mencionado Zaid Ibn Sábet, para a reprodução de sete cópias; ele autorizou-lhes a revisão da pronúncia, se necessário. Quando a tarefa foi concluída, o Califa efetuou uma recitação pública da nova edição perante os doutos presentes na capital, perante os companheiros do Profeta, e então enviou estas cópias aos diferentes centros do vasto mundo islâmico, ordenando que dali por diante todas as cópias fossem baseadas na edição autêntica. Ele ordenou a destruição das cópias que, de algum modo, se desviassem do texto assim oficialmente estabelecido.

É concebível que as grandes conquistas militares dos primeiros muçulmanos induzissem alguns espíritos hipócritas a proclamarem sua impulsiva conversão ao Islam por motivos materiais, e para tentar danificá-lo de maneira clandestina. Eles fabricaram versões do Alcorão com interpolações.

As "lágrimas de crocodilo", que foram derramadas pela destruição das cópias não autenticadas do Alcorão, por ordem do Califa Otman, somente poderiam Ter sido de tais hipócritas. É sabido que o Profeta às vezes ab-rogava certos versículos que haviam sido comunicados previamente ao povo, e isso era feito para fortificar as novas Revelações Divinas. Houve Companheiros que aprenderam a primeira versão, sem contudo estarem cientes das últimas modificações, tanto por causa da morte do Profeta como por suas residências fora de Madina.

Estes devem Ter deixado cópias a seus descendentes, as quais, embora autênticas, estavam ultrapassadas. Ainda, alguns muçulmanos tinham o hábito de pedir ao Profeta que explicasse certos termos empregados no texto sagrado e anotar tais explicações nas margens de suas cópias do Alcorão, a fim de não esquecerem delas. As cópias feitas mais tarde, com base nesses textos anotados, causariam às vezes confusões na questão do texto e do glossário.

A despeito da ordem do Califa Otman, para que se destruíssem os textos inexatos, existia, nos séculos III e IV da Hégira, assunto bastante para a compilação de volumosas obras, constituindo as "variações do Alcorão". Estas chegaram até nós, mas um apurado estudo mostra-nos que tais variantes eram arábica, que não possuía vogais, nem se podia distinguir entre as letras semelhantes, nem davam idéia das mesmas, sendo meros pontos, como é feito agora.

Além disso existiam diferentes dialetos em diferentes regiões, e o Profeta havia permitido aos muçulmanos de tais regiões recitarem de acordo com suas algaravias, e mesmo substituir as palavras que estavam além de sua argúcia, por sinônimos que conhecessem melhor. Esta foi uma medida emergente de graça e clemência. No tempo do Califa Otman, contudo, a instrução pública havia-se desenvolvido suficientemente, e fez-se necessário que aquelas concessões não fossem mais toleradas, pois o Texto Sagrado seria afetado e as variantes da leitura se radicariam.

As cópias do Alcorão enviadas por Otman aos chefes das províncias gradualmente desapareceram nos séculos subseqüentes; apenas uma delas, que presentemente se encontra em Tashkent, chegou até nós. O governo czarista da Rússia havia publicado em uma reprodução fac-símile; constata-se haver uma completa identidade entre essa cópia e o texto em uso noutras ocasiões. A mesma é cópia fiel do manuscrito existente do Alcorão, tanto completo como fragmentado, datando do primeiro século da Hégira.

O Alcorão é dirigido a toda humanidade, sem distinção de raça, cor, religião ou tempo. Ainda mais, ele procura guiar a humanidade em todas as sendas da vida: espirituais, materiais, individuais e coletivas. Ele contém diretrizes para a conduta do chefe do Estado, bem como do homem comum; do rico, bem como do pobre; diretrizes para a paz, bem como para a guerra; tanto para a cultura espiritual como para o comércio e bem-estar material.

O Alcorão busca principalmente desenvolver a personalidade do indivíduo: Cada ser será pessoalmente responsável perante seu Criador. Para tal propósito, o Alcorão não somente fornece ordens, porém tenta ainda convencer. Ele apela para a razão do homem e relata histórias, parábolas e metáforas. Descreve os atributos de Deus, que é Um, Criador de tudo, Onisciente, Onipotente, Ressuscitador dos mortos e Observador de nosso comportamento terreno; é Justo, Clemente.(vide nota da 7ª Surata, versículo 180)

O Alcorão indica ainda o modo de aprazermos a Deus, apontando quais as melhores orações, quais os deveres do homem com respeito a Ele, a seus semelhantes e a seu próprio ser; ele dá destaque ao fato de que não nos pertencemos, outrossim, pertencemos a Deus. O Alcorão fala das melhores normas relacionadas com a vida social, comercial, matrimonial, com a herança, com o direito penal, com o direito internacional, e assim por diante. Todavia, o Alcorão não é um livro, no senso comum; é a coleção das palavras de Deus, reveladas de tempos em tempos, durante vinte e três anos, a Seu Mensageiro, escolhido entre os seres humanos.

O Soberano dá Suas instruções a Seu vassalo; portanto, há certas nuanças compreendidas e implícitas; há repetições, e mesmo mudanças nas formas de expressão. Deste modo, Deus fala às vezes na primeira pessoa e às vezes na terceira. Ele diz "Eu", bem como "Nós" e "Ele", porém, jamais "Eles". É uma coleção de revelações enviadas de ocasiões em ocasiões; e devemos, por isso, lê-lo mais e mais, a fim de melhor aquilatarmos os seus significados. Ele possui diretrizes para todos, em todos os lugares e para todos os tempos.

(...)

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

O Profetismo
"Uma história do Povo Judeu" - Autor: Hans Borger - Editora: Sêfer Ltda - 1999.
Moisés foi sempre considerado o primeiro profeta. Não só por motivos cronológicos mas por ocupar um lugar único na cultura nacional-religiosa israelita, sem nenhuma comparação com seus antecessores - os patriarcas - ou seus sucessores - juízes, reis ou profetas. Tanto assim que, na história e na liturgia de Israel, Abraão, Isaac e Jacob são cognominados avinu, nosso pai, os monarcas sempre são ha-melech, o rei, e o profeta é ha-navi, mas Moisés é rabênu, nosso mestre, o mestre.

A origem da palavra navi é obscura. Parece referir-se a uma pessoa de quem brotam, irrompem palavras, idéias e imagens. É especialmente a partir da época dos juízes que encontramos os neviim, quer individualmente, quer agrupados em "fraternidades", percorrendo o país e pregando em nome de Deus. Às vezes se colocam em estado de arrebatamento por meio do ritmo e da música, mas não recorrem à dança ou ao uso de ervas ou bebidas embriagantes - comum entre outras culturas - para atingir um frenesi individual ou coletivo. Destes extáticos, contudo, os profetas clássicos diferem como difere um hidróscopo de uma vara de condão.

Por mais diferentes que os precursores tenham sido dos profetas clássicos, uns conduzem aos outros. Todos têm um denominador comum e desenvolvem-se dentro dos parâmetros do monoteísmo israelita. Nem precursores e muito menos os profetas clássicos operam num vácuo; eles consideram-se elos numa longa cadeia a partir de Moisés, e todos falam exclusivamente em nome de Javé, o Deus de Israel, não constando nenhum único caso de algum profeta israelita ter falado em nome de outro deus.

Assim, encontra-se, a partir de meados da época dos juízes, ao lado dos meros oraculistas, neviím que, individualmente e sem vínculo com grupos organizados ou com instituições, em vez de êxtase, pregam a ética. São homens - às vezes mulheres - carismáticos, que atuam como uma espécie de porta-voz de Deus. O conceito do profeta como "boca de Deus" é antigo (Exodos - 7:1,2), é uma função que ele não escolhe, mas para a qual se acha designado, muitas vezes contra sua própria vontade e quase sempre para dizer o que os outros não querem ouvir. O naví é escolhido por Deus e irresistivelmente compelido a comunicar aos outros a sua mensagem. Ele só fala quando assim mandado e, uma vez recebida a ordem, quer queira quer não, tem que falar.

O mais conhecidos entre os precursores do profetismo clássico são Elias e Eliseu, representando um estágio intermediário entre os extáticos e os profetas literatos que, a partir de meados do século VIII, transmitem seus ensinamentos por escrito. Surpreendentemente não são só os profetas pertencentes à classe alta que escrevem sua mensagem, como isaías, membro da aristocracia jerosolemita, ou Jeremias, descendente de uma tradicional família sacerdotal, porém igualmente pessoas de origem humilde como Amós, um pastor das estepes de Judá.

Muitos reis estavam habituados a recorrer aos serviços de videntes porém, via de regra, sabiam distinguir muito bem entre a palavra de um Natan ou um Elias e a de um "profissional" pago para predizer a sorte, de preferência boa. Há um bom exemplo em 1.Rs.22, que descreve como Ahab, rei da Samária, e Jeosafat, de Judá, se aprontam para uma batalha contra Ben Hadad, rei de Damasco. Quatrocentos profetas de Ahab prometem vitória, mas Jeosafat insiste em perguntar se não havia "mais um outro, um profeta do Senhor", e Ahab diz "sim, há um, mas eu o detesto, pois ele sempre profetiza o mal !". (1.Rs.22:8)

Durante três séculos, a seqüencia dos profetas clássicos hebreus constitui um fenômeno totalmente ímpar na História. Diz-se Profetas hebreus, porque o idioma hebraico é um elemento fundamental do seu poder de comunicação. O profeta sempre é um gênio da linguagem, cujo ritmo e simbolismo desafiam mesmo o mais brilhante tradutor a alcançar um inimitável original.

Na base da mensagem do profeta de Israel está o domínio universal da justiça, da justiça social entre os homens e da justiça pública no convívio entre as nações. Todos, indivíduos ou povos, estão sempre submetidos ao juízo do eternamente Justo, Javé, o Protetor dos pobres, dos órfãos e das viúvas, nunca dos ricos e famosos. Por acostumar-e a ver nos males econômicos a raiz da decadência das nações, sucumbe-se facilmente à tentação de perceber os profetas vestidos de visionários da redenção da humanidade por intermédio de plataformas sociais. É uma linguagem sem dúvida sedutora, mas não se pode transformar Amós em precursor de Marx sem privar a mensagem profética de sua inalienável dimensão religiosa.

A realidade vista pelo profeta é diferente da de outros homens. É uma realidade paradoxal, que despreza as conveniências do momento e faz do profeta sempre o arquiinimigo do pragmatismo - politicamente tantas vezes transformado em virtude -, pois seu alvo não é o que pode, mas o que deve ser. Já que nunca consegue o que quer, está sempre exasperado, sempre um desafeto dos poderosos e sempre alvo dos que, com impaciência e desespero, bradam, na expressão de Oséias: "o profeta é um louco". (Os.9:7)

Os profetas são invariavelmente supra-nacionais, tanto faz se originários de Judá ou da Samária. Suas palavras são sempre dirigidas a toda a Nação como se não existissem dos estados separados. Samária e Judá são uma unidade, são Israel "de Dan a Beersheba". Povo e reis - com poucas exceções - respeitam a palavra e honram a integridade física do profeta, e nenhum dos profetas clássicos denota qualquer ambição pessoal de liderança ou de poder.

Talvez a relevância histórica de Amós e de Jeremias nasça do fato de suas mensagens terem sido emitidas em épocas de enormes tensões sociais, épocas marcadas pela ascensão e queda de superpotências consideradas inabaláveis. Tentaram transmitir a lição moral de que o poder corrompe e de que a pobreza e a injustiça constituem problemas éticos por cuja solução o homem será responsabilizado individual e coletivamente. Para o homem pensante, Amós, Isaías e Jeremias permanecem, decorridos vinte e cinco séculos, gigantes espirituais de mensagem universal.
O Profetismo
"Uma história do Povo Judeu" - Autor: Hans Borger - Editora: Sêfer Ltda - 1999.
Moisés foi sempre considerado o primeiro profeta. Não só por motivos cronológicos mas por ocupar um lugar único na cultura nacional-religiosa israelita, sem nenhuma comparação com seus antecessores - os patriarcas - ou seus sucessores - juízes, reis ou profetas. Tanto assim que, na história e na liturgia de Israel, Abraão, Isaac e Jacob são cognominados avinu, nosso pai, os monarcas sempre são ha-melech, o rei, e o profeta é ha-navi, mas Moisés é rabênu, nosso mestre, o mestre.

A origem da palavra navi é obscura. Parece referir-se a uma pessoa de quem brotam, irrompem palavras, idéias e imagens. É especialmente a partir da época dos juízes que encontramos os neviim, quer individualmente, quer agrupados em "fraternidades", percorrendo o país e pregando em nome de Deus. Às vezes se colocam em estado de arrebatamento por meio do ritmo e da música, mas não recorrem à dança ou ao uso de ervas ou bebidas embriagantes - comum entre outras culturas - para atingir um frenesi individual ou coletivo. Destes extáticos, contudo, os profetas clássicos diferem como difere um hidróscopo de uma vara de condão.

Por mais diferentes que os precursores tenham sido dos profetas clássicos, uns conduzem aos outros. Todos têm um denominador comum e desenvolvem-se dentro dos parâmetros do monoteísmo israelita. Nem precursores e muito menos os profetas clássicos operam num vácuo; eles consideram-se elos numa longa cadeia a partir de Moisés, e todos falam exclusivamente em nome de Javé, o Deus de Israel, não constando nenhum único caso de algum profeta israelita ter falado em nome de outro deus.

Assim, encontra-se, a partir de meados da época dos juízes, ao lado dos meros oraculistas, neviím que, individualmente e sem vínculo com grupos organizados ou com instituições, em vez de êxtase, pregam a ética. São homens - às vezes mulheres - carismáticos, que atuam como uma espécie de porta-voz de Deus. O conceito do profeta como "boca de Deus" é antigo (Exodos - 7:1,2), é uma função que ele não escolhe, mas para a qual se acha designado, muitas vezes contra sua própria vontade e quase sempre para dizer o que os outros não querem ouvir. O naví é escolhido por Deus e irresistivelmente compelido a comunicar aos outros a sua mensagem. Ele só fala quando assim mandado e, uma vez recebida a ordem, quer queira quer não, tem que falar.

O mais conhecidos entre os precursores do profetismo clássico são Elias e Eliseu, representando um estágio intermediário entre os extáticos e os profetas literatos que, a partir de meados do século VIII, transmitem seus ensinamentos por escrito. Surpreendentemente não são só os profetas pertencentes à classe alta que escrevem sua mensagem, como isaías, membro da aristocracia jerosolemita, ou Jeremias, descendente de uma tradicional família sacerdotal, porém igualmente pessoas de origem humilde como Amós, um pastor das estepes de Judá.

Muitos reis estavam habituados a recorrer aos serviços de videntes porém, via de regra, sabiam distinguir muito bem entre a palavra de um Natan ou um Elias e a de um "profissional" pago para predizer a sorte, de preferência boa. Há um bom exemplo em 1.Rs.22, que descreve como Ahab, rei da Samária, e Jeosafat, de Judá, se aprontam para uma batalha contra Ben Hadad, rei de Damasco. Quatrocentos profetas de Ahab prometem vitória, mas Jeosafat insiste em perguntar se não havia "mais um outro, um profeta do Senhor", e Ahab diz "sim, há um, mas eu o detesto, pois ele sempre profetiza o mal !". (1.Rs.22:8)

Durante três séculos, a seqüencia dos profetas clássicos hebreus constitui um fenômeno totalmente ímpar na História. Diz-se Profetas hebreus, porque o idioma hebraico é um elemento fundamental do seu poder de comunicação. O profeta sempre é um gênio da linguagem, cujo ritmo e simbolismo desafiam mesmo o mais brilhante tradutor a alcançar um inimitável original.

Na base da mensagem do profeta de Israel está o domínio universal da justiça, da justiça social entre os homens e da justiça pública no convívio entre as nações. Todos, indivíduos ou povos, estão sempre submetidos ao juízo do eternamente Justo, Javé, o Protetor dos pobres, dos órfãos e das viúvas, nunca dos ricos e famosos. Por acostumar-e a ver nos males econômicos a raiz da decadência das nações, sucumbe-se facilmente à tentação de perceber os profetas vestidos de visionários da redenção da humanidade por intermédio de plataformas sociais. É uma linguagem sem dúvida sedutora, mas não se pode transformar Amós em precursor de Marx sem privar a mensagem profética de sua inalienável dimensão religiosa.

A realidade vista pelo profeta é diferente da de outros homens. É uma realidade paradoxal, que despreza as conveniências do momento e faz do profeta sempre o arquiinimigo do pragmatismo - politicamente tantas vezes transformado em virtude -, pois seu alvo não é o que pode, mas o que deve ser. Já que nunca consegue o que quer, está sempre exasperado, sempre um desafeto dos poderosos e sempre alvo dos que, com impaciência e desespero, bradam, na expressão de Oséias: "o profeta é um louco". (Os.9:7)

Os profetas são invariavelmente supra-nacionais, tanto faz se originários de Judá ou da Samária. Suas palavras são sempre dirigidas a toda a Nação como se não existissem dos estados separados. Samária e Judá são uma unidade, são Israel "de Dan a Beersheba". Povo e reis - com poucas exceções - respeitam a palavra e honram a integridade física do profeta, e nenhum dos profetas clássicos denota qualquer ambição pessoal de liderança ou de poder.

Talvez a relevância histórica de Amós e de Jeremias nasça do fato de suas mensagens terem sido emitidas em épocas de enormes tensões sociais, épocas marcadas pela ascensão e queda de superpotências consideradas inabaláveis. Tentaram transmitir a lição moral de que o poder corrompe e de que a pobreza e a injustiça constituem problemas éticos por cuja solução o homem será responsabilizado individual e coletivamente. Para o homem pensante, Amós, Isaías e Jeremias permanecem, decorridos vinte e cinco séculos, gigantes espirituais de mensagem universal.
Profetismo e poder
Para a Bíblia, profeta não é quem prevê ou adivinha o futuro. Não se confunde com o vidente ou o astrólogo. Profeta é aquele que, movido por profunda experiência espiritual, intui os desígnios de Deus.

O profetismo bíblico surgiu com Samuel no século IX a.C. No século IX a.C., destacaram-se Elias e Eliseu. Porém, o período áureo da profecia foi o século VIII a.C., com Amós, Oséias, Isaías e Miquéias. No final do século VII e início do século VI a.C., a profecia declinou após Sofonias, Habacuc, Jeremias e Ezequiel. Até que apareceu, tempos depois, o profeta da esperança, da justiça e da misericórdia, Jesus de Nazaré.

Paulo Freire adverte que o oprimido tende a incorporar o opressor. O empregado age como se fosse patrão; o servo como se fosse senhor; o pobre como se fosse burguês. Esse risco foi previsto pelo profeta Samuel quando o povo hebreu lhe pediu um rei, mil anos antes de Cristo. O sistema comunitário, tribal, seria sucedido pelo monárquico. O modelo egípcio, de autocracia faraônica, causara impressão nos escravos libertos.

Samuel tentou convencer o povo de que o modelo do opressor não servia a quem fora oprimido: "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: (…) os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara, fabricar as suas armas de guerra e as peças de seus carros. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará os vossos campos, as vossas vinhas, os vossos melhores olivais, e os dará a seus oficiais. (…) Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos, e vós mesmos vos tornareis seus escravos." (1 Samuel 8,11-17).

Como previsto, os reis de Judá e de Israel tornaram-se, por volta dos séculos IX e VIII a.C., semelhantes ao faraó. Para se manter no poder, os reis preferiam recorrer ao apoio das potências imperialistas a confiar em Javé. Ora, toda aliança política se resume em buscar ampliar seu poder à custa do outro. Ninguém faz aliança para perder. Não é preciso, porém, ter bola de cristal para saber quem lucra na aliança entre o pardal e a águia. Samaria, capital do reino de Israel (Norte), caiu em mãos do Império Assírio, e Jerusalém, capital do reino de Judá (Sul), foi arrasada pelo Império Babilônico.

O que caracteriza o profeta é o espírito crítico. Consumidos pelo amor a Javé, os profetas bíblicos denunciaram erros dos reis e do povo; formaram grupos de discípulos; anunciaram as derrotas (o cativeiro na Babilônia) em função de políticas equivocadas dos reis; solidarizaram-se com o povo, a quem ajudaram a ler os fatos históricos à luz da fé.

A contradição entre o profeta e o poderoso reflete o descompasso entre os desígnios de Deus e a política dos homens. Samuel chocou-se com o rei Saul; Elias com o rei Acab; Isaías com o rei Ezequias; Ezequiel com o rei Sedecias; Jeremias com o rei Joaquim, a quem chamou de corrupto (22, 13-19).

Com o exílio dos hebreus na Babilônia (586-538 a.C.), encerra-se a "profecia da catástrofe" e, ali, se inicia a da libertação: "Teu futuro é feito de esperança" (Jeremias 31,17). Porém, o profeta é sempre sinal de contradição (Jeremias 15, 10-15).

O profeta é um pedagogo. Um dos exemplos mais emblemáticos é o da visita do profeta Natã ao rei Davi (2 Samuel 12, 1-10). O profeta conta ao rei: - Havia dois homens na mesma cidade, um rico e outro pobre. O rico possuía muitas ovelhas e vacas. O pobre, uma única ovelha, que cresceu com seus filhos, bebeu de seu copo, dormiu em seu colo. Era como uma filha. Um hóspede veio à casa do homem rico. Ele não quis tirar uma de suas ovelhas ou vacas para servir ao viajante que o visitava. Tomou a ovelha do vizinho pobre e a ofereceu à sua visita.
Ao ouvir o relato, Davi, encolerizado, decretou a morte do homem rico. Natã o fez admitir que este homem era ele, o rei Davi, que tomara do guerreiro Urias a mulher Betsabéia, tramando para que o marido dela fosse colocado no ponto mais perigoso da batalha.

O poder possui o monopólio da violência. E, por vezes, sacrifica inocentes em função de seus propósitos. Cabe ao profeta denunciar os abusos. Hoje, o profetismo não é dado a uma pessoa, mas aos movimentos sociais, à sociedade civil organizada. É função dela impor limites ao poder, pedir-lhe contas, exigir que aja segundo a ética e a justiça.

* Frei dominicano. Escritor.
Profetismo e poder
Para a Bíblia, profeta não é quem prevê ou adivinha o futuro. Não se confunde com o vidente ou o astrólogo. Profeta é aquele que, movido por profunda experiência espiritual, intui os desígnios de Deus.

O profetismo bíblico surgiu com Samuel no século IX a.C. No século IX a.C., destacaram-se Elias e Eliseu. Porém, o período áureo da profecia foi o século VIII a.C., com Amós, Oséias, Isaías e Miquéias. No final do século VII e início do século VI a.C., a profecia declinou após Sofonias, Habacuc, Jeremias e Ezequiel. Até que apareceu, tempos depois, o profeta da esperança, da justiça e da misericórdia, Jesus de Nazaré.

Paulo Freire adverte que o oprimido tende a incorporar o opressor. O empregado age como se fosse patrão; o servo como se fosse senhor; o pobre como se fosse burguês. Esse risco foi previsto pelo profeta Samuel quando o povo hebreu lhe pediu um rei, mil anos antes de Cristo. O sistema comunitário, tribal, seria sucedido pelo monárquico. O modelo egípcio, de autocracia faraônica, causara impressão nos escravos libertos.

Samuel tentou convencer o povo de que o modelo do opressor não servia a quem fora oprimido: "Este é o direito do rei que reinará sobre vós: (…) os fará lavrar a terra dele e ceifar a sua seara, fabricar as suas armas de guerra e as peças de seus carros. Ele tomará as vossas filhas para perfumistas, cozinheiras e padeiras. Tomará os vossos campos, as vossas vinhas, os vossos melhores olivais, e os dará a seus oficiais. (…) Exigirá o dízimo dos vossos rebanhos, e vós mesmos vos tornareis seus escravos." (1 Samuel 8,11-17).

Como previsto, os reis de Judá e de Israel tornaram-se, por volta dos séculos IX e VIII a.C., semelhantes ao faraó. Para se manter no poder, os reis preferiam recorrer ao apoio das potências imperialistas a confiar em Javé. Ora, toda aliança política se resume em buscar ampliar seu poder à custa do outro. Ninguém faz aliança para perder. Não é preciso, porém, ter bola de cristal para saber quem lucra na aliança entre o pardal e a águia. Samaria, capital do reino de Israel (Norte), caiu em mãos do Império Assírio, e Jerusalém, capital do reino de Judá (Sul), foi arrasada pelo Império Babilônico.

O que caracteriza o profeta é o espírito crítico. Consumidos pelo amor a Javé, os profetas bíblicos denunciaram erros dos reis e do povo; formaram grupos de discípulos; anunciaram as derrotas (o cativeiro na Babilônia) em função de políticas equivocadas dos reis; solidarizaram-se com o povo, a quem ajudaram a ler os fatos históricos à luz da fé.

A contradição entre o profeta e o poderoso reflete o descompasso entre os desígnios de Deus e a política dos homens. Samuel chocou-se com o rei Saul; Elias com o rei Acab; Isaías com o rei Ezequias; Ezequiel com o rei Sedecias; Jeremias com o rei Joaquim, a quem chamou de corrupto (22, 13-19).

Com o exílio dos hebreus na Babilônia (586-538 a.C.), encerra-se a "profecia da catástrofe" e, ali, se inicia a da libertação: "Teu futuro é feito de esperança" (Jeremias 31,17). Porém, o profeta é sempre sinal de contradição (Jeremias 15, 10-15).

O profeta é um pedagogo. Um dos exemplos mais emblemáticos é o da visita do profeta Natã ao rei Davi (2 Samuel 12, 1-10). O profeta conta ao rei: - Havia dois homens na mesma cidade, um rico e outro pobre. O rico possuía muitas ovelhas e vacas. O pobre, uma única ovelha, que cresceu com seus filhos, bebeu de seu copo, dormiu em seu colo. Era como uma filha. Um hóspede veio à casa do homem rico. Ele não quis tirar uma de suas ovelhas ou vacas para servir ao viajante que o visitava. Tomou a ovelha do vizinho pobre e a ofereceu à sua visita.
Ao ouvir o relato, Davi, encolerizado, decretou a morte do homem rico. Natã o fez admitir que este homem era ele, o rei Davi, que tomara do guerreiro Urias a mulher Betsabéia, tramando para que o marido dela fosse colocado no ponto mais perigoso da batalha.

O poder possui o monopólio da violência. E, por vezes, sacrifica inocentes em função de seus propósitos. Cabe ao profeta denunciar os abusos. Hoje, o profetismo não é dado a uma pessoa, mas aos movimentos sociais, à sociedade civil organizada. É função dela impor limites ao poder, pedir-lhe contas, exigir que aja segundo a ética e a justiça.

* Frei dominicano. Escritor.