domingo, 6 de maio de 2007

Ocupação da reitoria da USP - Henry Thoreau no espírito da ocupação

Frases e fragmentos da obra "A desobediência civil" de Henry Thoreau. Para ler o texto completo dessa obra clique no link:
http://paginas.terra.com.br/arte/ecandido/artigo05.htm

Sob um governo que prende injustamente, o lugar de um homem justo também é na cadeia.

Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raizes.

Se mil homens se recussassem a pagar seus impostos este ano, esta não seria uma medida violenta e sangrenta, como seria a de pagá-los e permitir ao Estado cometer violências e derramar sangue inocente.

Um povo, tanto quanto um indivíduo, deve fazer justiça, custe o que custar.

Não é desejável cultivarmos pela lei o mesmo respeito que cultivamos pelo direito.

Eu clamo não já por governo nenhum, mas imediatamente por um governo melhor.

Jamais haverá um Estado livre e esclarecido até que este venha a reconhecer o indivíduo como um poder mais alto e independente, do qual deriva todos seu próprio poder e autoridade, e o trate de maneira adequada.

Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces.

A lei jamais tornou os homens mais justos, e , por meio de seu respeito por ela, mesmo os mais bem intencionados, transformam-se diariamente em agentes da injustiça.

Com a sabedoria aprendemos a ser tolerantes.

Uma palavra escrita é a mais fina das relíquias.

Nada é tão útil ao homem como a resolução de não ter pressa.

Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.

A bondade é o único investimento que nunca vai à falência.

Desejo tanto ser um bom vizinho quanto um mau súdito.

Leis injustas existem: devemos contertar-nos em obedecer-lhes até triunfarmos ou transgredi-las desde logo?

Não importa quão limitado possa parecer o começo: aquilo que é feito uma vez está feito para sempre.

Dá teu voto inteiro, não uma simples tira de papel, mas toda tua influência.

Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre, assim também um homem.

Simplesmente desejo recusar sujeição ao Estado, afastar-me dele e manter-me à parte de modo efetivo.

Aceito com entusiasmo o lema ?O melhor governo é o que menos governa?; e gostaria que ele fosse aplicado mais rápida e sistematicamente. Levado às últimas conseqüências, este lema significa o seguinte, no que também creio: ?O melhor governo é o que não governa de modo algum?; e, quando os homens estiverem preparados, será esse o tipo de governo que terão. O governo, no melhor dos casos, nada mais é do que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.

Os governos são a prova de como os homens podem ter sucesso no ato de oprimir em proveito próprio, não importando se a opressão se volta também contra eles.

O governo é um artifício através do qual os homens conseguiriam de bom grado deixar em paz uns aos outros; e, como já foi dito, a sua conveniência máxima só ocorre quando os governados são minimamente molestados pelos seus governantes.

No final das contas, o motivo prático pelo qual se permite o governo da maioria e a sua continuidade ? uma vez passado o poder para as mãos do povo ? não é a sua maior tendência a emitir bons juízos, nem porque possa parecer o mais justo aos olhos da minoria, mas sim porque ela (a maioria) é fisicamente a mais forte. Mas um governo no qual prevalece o mando da maioria em todas as questões não pode ser baseado na justiça, mesmo nos limites da avaliação dos homens. Não será possível um governo em que a maioria não decida virtualmente o que é certo ou errado? No qual a maioria decida apenas aquelas questões às quais seja aplicável a norma da conveniência? Deve o cidadão desistir da sua consciência, mesmo por um único instante ou em última instância, e se dobrar ao legislador? Por que então estará cada homem dotado de uma consciência? Na minha opinião devemos ser em primeiro lugar homens, e só então súditos. Não é desejável cultivar o respeito às leis no mesmo nível do respeito aos direitos. A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Costuma-se dizer, e com toda a razão, que uma corporação não tem consciência; mas uma corporação de homens conscienciosos é uma corporação com consciência. A lei nunca fez os homens sequer um pouco mais justos; e o respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agir quotidianamente como mensageiros da injustiça. Um resultado comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados ? coronel, capitão, cabos, combatentes e outros ? marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra a sua vontade, e como sempre contra o seu senso comum e a sua consciência; por isso essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles sabem perfeitamente que estão envolvidos numa iniciativa maldita; eles têm tendências pacíficas. O que são eles, então? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder?

Desta forma, a massa de homens serve ao Estado não na sua qualidade de homens, mas sim como máquinas, entregando os seus corpos. Eles são o exército permanente, a milícia, os carcereiros, os polícias, posse comitatus, e assim por diante. Na maior parte dos casos não há qualquer livre exercício de escolha ou de avaliação moral; ao contrário, estes homens nivelam-se à madeira, à terra e às pedras; e é bem possível que se consigam fabricar bonecos de madeira com o mesmo valor de homens desse tipo. Não são mais respeitáveis do que um espantalho ou um monte de terra. Valem tanto quanto cavalos e cachorros. No entanto, é comum que homens assim sejam apreciados como bons cidadãos. Há outros, como a maioria dos legisladores, políticos, advogados, funcionários e dirigentes, que servem ao Estado principalmente com a cabeça, e é bem provável que eles sirvam tanto ao Diabo quanto a Deus ? sem intenção ?, pois raramente se dispõem a fazer distinções morais. Há um número bastante reduzido que serve ao Estado também com a sua consciência; são os heróis, patriotas, mártires, reformadores e homens, que acabam por isso necessariamente resistindo, mais do que servindo; e o Estado trata-os geralmente como inimigos. Um homem sábio só será de fato útil como homem, e não se sujeitará à condição de ?barro? a ser moldado para ?tapar um buraco e cortar o vento?; ele preferirá deixar esse papel, na pior das hipóteses, para as suas cinzas: ?A minha origem é nobre demais para que eu seja propriedade de alguém. Para que eu seja o segundo no comando ou um útil serviçal ou instrumento de qualquer Estado soberano deste mundo?.

Todos reconhecem o direito à revolução, ou seja, o direito de negar lealdade e de oferecer resistência ao governo sempre que se tornem grandes e insuportáveis a sua tirania e ineficiência.

William Paley, uma autoridade em assuntos morais, tem um capítulo intitulado Duty of submission to civil government (O dever de submissão ao governo civil), no qual soluciona toda a questão das obrigações políticas pela fórmula da conveniência; e diz: ?Enquanto o exigir o interesse de toda a sociedade, ou seja, enquanto não se possa resistir ao governo estabelecido ou mudá-lo sem inconveniência pública, é a vontade de Deus que tal governo seja obedecido ? e nem um dia além disso. Admitindo-se este princípio, a justiça de cada acto particular de resistência reduz-se à computação do volume de perigo e protestos, de um lado, e da probabilidade e custos da reparação, de outro?. Diz ele que cada um julgará esta questão por si mesmo. Mas parece que Paley nunca levou em conta os casos em que a regra da conveniência não se aplica, nos quais um povo ou um indivíduo tem que fazer justiça a qualquer custo. Se arranquei injustamente a tábua que é a salvação de um homem que se afoga, sou obrigado a devolvê-la, ainda que eu mesmo me afogue. De acordo com Paley, esta é uma circunstância inconveniente.

Um homem sábio não deixará o que é certo nas mãos incertas do acaso e nem esperará que a sua vitória se dê através da força da maioria. Há escassa virtude nas ações de massa dos homens. Quando finalmente a maioria votar a favor da abolição da escravatura, das duas uma: ou ela será indiferente à escravidão ou então restará muito pouca escravidão a ser abolida pelo o seu voto. A essa altura, os únicos escravos serão eles, os integrantes da maioria. O único voto que pode apressar a abolição da escravatura é o daquele homem que afirma a própria liberdade através do seu voto.

De fato, nenhum homem tem o dever de se dedicar à erradicação de qualquer mal, mesmo o maior dos males; ele pode muito bem ter outras preocupações que o mobilizem. Mas ele tem no mínimo a obrigação de lavar as mãos frente à questão e, no caso de não mais se ocupar dela, de não dar qualquer apoio prático à injustiça. Se me dedico a outras metas e considerações, preciso ao menos verificar se não estou fazendo isso à custa de alguém em cujos ombros esteja sentado. É preciso que eu saia de cima dele para que ele também possa estar livre para fazer as suas considerações.

O soldado que se recusa a participar de uma guerra injusta é aplaudido por aqueles que não recusam apoio ao governo injusto que faz a guerra.

Sem dúvida, os maiores baluartes conscienciosos do governo, e muito frequentemente os maiores opositores das reformas, são aqueles que desaprovam o caráter e as medidas de um governo, sem no entanto lhe retirar a sua lealdade e apoio.

Ações baseadas em princípios ? a percepção e a execução do que é certo ? modificam coisas e relações; a ação deste gênero é essencialmente revolucionária e não se reduz integralmente a qualquer coisa preexistente. Ela cinde não apenas Estados e Igrejas; divide famílias; e também divide o indivíduo» separando nele o diabólico do divino.

Existem leis injustas; devemos submeter-nos a elas e cumpri-las, ou devemos tentar emendá-las e obedecer a elas até à sua reforma, ou devemos transgredi-las imediatamente? Numa sociedade com um governo como o nosso, os homens em geral pensam que devem esperar até que tenham convencido a maioria a alterar essas leis. A sua opinião é de que a hipótese da resistência pode vir a ser um remédio pior do que o mal a ser combatido. Mas é precisamente o governo o culpado pela circunstância de o remédio ser de fato pior do que o mal. É o governo que faz tudo ficar pior.

Se a injustiça é parte do inevitável atrito no funcionamento da máquina governamental, que seja assim: talvez ela acabe suavizando-se com o desgaste ? certamente a máquina ficará desajustada. Se a injustiça for uma peça dotada de uma mola exclusiva ? ou roldana, ou corda, ou manivela ?, aí então talvez seja válido julgar se o remédio não será pior do que o mal; mas se ela for de tal natureza que exija que você seja o agente de uma injustiça para outros, digo, então, que se transgrida a lei. Faça da sua vida um contra-atrito que pare a máquina. O que preciso fazer é cuidar para que de modo algum eu participe das misérias que condeno.

Suponhamos que eles não dêem atenção a um pedido meu; que devo fazer então? Mas nesse caso o Estado não forneceu outra via: o mal está na sua própria Constituição. Isto pode parecer grosseria, teimosia e intransigência, mas só quem merece ou pode apreciar a mais fina bondade e consideração deve receber este tipo de tratamento. Todas as mudanças para melhor são assim, tais como o nascimento e a morte, que produzem convulsões nos corpos.

Não importa que os primeiros passos pareçam pequenos: o que se faz bem feito faz-se para sempre.

Se há alguém que pense ser a prisão um lugar de onde não mais se pode influir, no qual a sua voz deixa de atormentar os ouvidos do Estado, no qual não conseguiria ser tão hostil a ele, esse alguém ignora o quanto a verdade é mais forte que o erro e também não sabe como a injustiça pode ser combatida com muito mais eloqüência e efetividade por aqueles que já sofreram na carne um pouco dela. Manifeste integralmente o seu voto e exerça toda a sua influência; não se deixe confinar por um pedaço de papel. Uma minoria é indefesa quando se conforma à maioria; não chega nem a ser uma minoria numa situação dessas; mas ela é irresistível quando intervém com todo o seu peso.

Portanto, o Estado nunca confronta intencionalmente o sentimento intelectual ou moral de um homem, mas apenas o seu corpo, os seus sentidos. Ele não é dotado de gênio superior ou de honestidade, apenas de mais força física. Eu não nasci para ser coagido. Quero respirar da forma que eu mesmo escolher. Veremos quem é mais forte. Que força tem uma multidão? Os únicos que podem me coagir são os que obedecem a uma lei mais alta do que a minha. Eles obrigam-me a ser como eles. Nunca ouvi falar de homens que tenham sido obrigados por multidões a viver desta ou daquela forma. Que tipo de vida seria essa? Quando defronto um governo que me diz ?A bolsa ou a vida!?, por que deveria apressar-me em lhe entregar o meu dinheiro?

Quero apenas negar lealdade ao Estado, quero me retirar e me manter efetivamente indiferente a ele. Não me importo em seguir a trajetória do dólar que paguei ? mesmo se isso fosse possível ?, até o ponto em que ele contrata um homem ou compra uma arma para matar um homem; o dólar é inocente. O que me importa é seguir os efeitos da minha lealdade. Na verdade, eu silenciosamente declaro guerra ao Estado, à minha moda, embora continue a usá-lo e a tirar vantagem dele enquanto puder, como costuma acontecer nestas situações.

Será que a democracia tal como a conhecemos é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem? Nunca haverá um Estado realmente livre e esclarecido até que ele venha a reconhecer no indivíduo um poder maior e independente ? do qual a organização política deriva o seu próprio poder e a sua própria autoridade ? e até que o indivíduo venha a receber um tratamento correspondente. Fico imaginando, e com prazer, um Estado que possa enfim se dar ao luxo de ser justo com todos os homens e de tratar o indivíduo respeitosamente, como um vizinho; imagino um Estado que sequer consideraria um perigo à sua tranqüilidade a existência de alguns poucos homens que vivessem à parte dele, sem nele se intrometerem nem serem por ele abrangidos, e que desempenhassem todos os deveres de vizinhos e de seres humanos. Um Estado que produzisse esta espécie de fruto, e que estivesse disposto a deixá-lo cair logo que amadurecesse, abriria caminho para um Estado ainda mais perfeito e glorioso; já fiquei a imaginar um Estado desses, mas nunca o encontrei em qualquer lugar.
Ocupação da reitoria da USP - Henry Thoreau no espírito da ocupação

Frases e fragmentos da obra "A desobediência civil" de Henry Thoreau. Para ler o texto completo dessa obra clique no link:
http://paginas.terra.com.br/arte/ecandido/artigo05.htm

Sob um governo que prende injustamente, o lugar de um homem justo também é na cadeia.

Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raizes.

Se mil homens se recussassem a pagar seus impostos este ano, esta não seria uma medida violenta e sangrenta, como seria a de pagá-los e permitir ao Estado cometer violências e derramar sangue inocente.

Um povo, tanto quanto um indivíduo, deve fazer justiça, custe o que custar.

Não é desejável cultivarmos pela lei o mesmo respeito que cultivamos pelo direito.

Eu clamo não já por governo nenhum, mas imediatamente por um governo melhor.

Jamais haverá um Estado livre e esclarecido até que este venha a reconhecer o indivíduo como um poder mais alto e independente, do qual deriva todos seu próprio poder e autoridade, e o trate de maneira adequada.

Se você já construiu castelos no ar, não tenha vergonha deles. Estão onde devem estar. Agora, dê-lhes alicerces.

A lei jamais tornou os homens mais justos, e , por meio de seu respeito por ela, mesmo os mais bem intencionados, transformam-se diariamente em agentes da injustiça.

Com a sabedoria aprendemos a ser tolerantes.

Uma palavra escrita é a mais fina das relíquias.

Nada é tão útil ao homem como a resolução de não ter pressa.

Nunca é tarde para abrirmos mão dos nossos preconceitos.

A bondade é o único investimento que nunca vai à falência.

Desejo tanto ser um bom vizinho quanto um mau súdito.

Leis injustas existem: devemos contertar-nos em obedecer-lhes até triunfarmos ou transgredi-las desde logo?

Não importa quão limitado possa parecer o começo: aquilo que é feito uma vez está feito para sempre.

Dá teu voto inteiro, não uma simples tira de papel, mas toda tua influência.

Se uma planta não consegue viver de acordo com sua natureza, ela morre, assim também um homem.

Simplesmente desejo recusar sujeição ao Estado, afastar-me dele e manter-me à parte de modo efetivo.

Aceito com entusiasmo o lema ?O melhor governo é o que menos governa?; e gostaria que ele fosse aplicado mais rápida e sistematicamente. Levado às últimas conseqüências, este lema significa o seguinte, no que também creio: ?O melhor governo é o que não governa de modo algum?; e, quando os homens estiverem preparados, será esse o tipo de governo que terão. O governo, no melhor dos casos, nada mais é do que um artifício conveniente; mas a maioria dos governos é por vezes uma inconveniência, e todo o governo algum dia acaba por ser inconveniente.

Os governos são a prova de como os homens podem ter sucesso no ato de oprimir em proveito próprio, não importando se a opressão se volta também contra eles.

O governo é um artifício através do qual os homens conseguiriam de bom grado deixar em paz uns aos outros; e, como já foi dito, a sua conveniência máxima só ocorre quando os governados são minimamente molestados pelos seus governantes.

No final das contas, o motivo prático pelo qual se permite o governo da maioria e a sua continuidade ? uma vez passado o poder para as mãos do povo ? não é a sua maior tendência a emitir bons juízos, nem porque possa parecer o mais justo aos olhos da minoria, mas sim porque ela (a maioria) é fisicamente a mais forte. Mas um governo no qual prevalece o mando da maioria em todas as questões não pode ser baseado na justiça, mesmo nos limites da avaliação dos homens. Não será possível um governo em que a maioria não decida virtualmente o que é certo ou errado? No qual a maioria decida apenas aquelas questões às quais seja aplicável a norma da conveniência? Deve o cidadão desistir da sua consciência, mesmo por um único instante ou em última instância, e se dobrar ao legislador? Por que então estará cada homem dotado de uma consciência? Na minha opinião devemos ser em primeiro lugar homens, e só então súditos. Não é desejável cultivar o respeito às leis no mesmo nível do respeito aos direitos. A única obrigação que tenho direito de assumir é fazer a qualquer momento aquilo que julgo certo. Costuma-se dizer, e com toda a razão, que uma corporação não tem consciência; mas uma corporação de homens conscienciosos é uma corporação com consciência. A lei nunca fez os homens sequer um pouco mais justos; e o respeito reverente pela lei tem levado até mesmo os bem-intencionados a agir quotidianamente como mensageiros da injustiça. Um resultado comum e natural de um respeito indevido pela lei é a visão de uma coluna de soldados ? coronel, capitão, cabos, combatentes e outros ? marchando para a guerra numa ordem impecável, cruzando morros e vales, contra a sua vontade, e como sempre contra o seu senso comum e a sua consciência; por isso essa marcha é muito pesada e faz o coração bater forte. Eles sabem perfeitamente que estão envolvidos numa iniciativa maldita; eles têm tendências pacíficas. O que são eles, então? Chegarão a ser homens? Ou pequenos fortes e paióis móveis, a serviço de algum inescrupuloso detentor do poder?

Desta forma, a massa de homens serve ao Estado não na sua qualidade de homens, mas sim como máquinas, entregando os seus corpos. Eles são o exército permanente, a milícia, os carcereiros, os polícias, posse comitatus, e assim por diante. Na maior parte dos casos não há qualquer livre exercício de escolha ou de avaliação moral; ao contrário, estes homens nivelam-se à madeira, à terra e às pedras; e é bem possível que se consigam fabricar bonecos de madeira com o mesmo valor de homens desse tipo. Não são mais respeitáveis do que um espantalho ou um monte de terra. Valem tanto quanto cavalos e cachorros. No entanto, é comum que homens assim sejam apreciados como bons cidadãos. Há outros, como a maioria dos legisladores, políticos, advogados, funcionários e dirigentes, que servem ao Estado principalmente com a cabeça, e é bem provável que eles sirvam tanto ao Diabo quanto a Deus ? sem intenção ?, pois raramente se dispõem a fazer distinções morais. Há um número bastante reduzido que serve ao Estado também com a sua consciência; são os heróis, patriotas, mártires, reformadores e homens, que acabam por isso necessariamente resistindo, mais do que servindo; e o Estado trata-os geralmente como inimigos. Um homem sábio só será de fato útil como homem, e não se sujeitará à condição de ?barro? a ser moldado para ?tapar um buraco e cortar o vento?; ele preferirá deixar esse papel, na pior das hipóteses, para as suas cinzas: ?A minha origem é nobre demais para que eu seja propriedade de alguém. Para que eu seja o segundo no comando ou um útil serviçal ou instrumento de qualquer Estado soberano deste mundo?.

Todos reconhecem o direito à revolução, ou seja, o direito de negar lealdade e de oferecer resistência ao governo sempre que se tornem grandes e insuportáveis a sua tirania e ineficiência.

William Paley, uma autoridade em assuntos morais, tem um capítulo intitulado Duty of submission to civil government (O dever de submissão ao governo civil), no qual soluciona toda a questão das obrigações políticas pela fórmula da conveniência; e diz: ?Enquanto o exigir o interesse de toda a sociedade, ou seja, enquanto não se possa resistir ao governo estabelecido ou mudá-lo sem inconveniência pública, é a vontade de Deus que tal governo seja obedecido ? e nem um dia além disso. Admitindo-se este princípio, a justiça de cada acto particular de resistência reduz-se à computação do volume de perigo e protestos, de um lado, e da probabilidade e custos da reparação, de outro?. Diz ele que cada um julgará esta questão por si mesmo. Mas parece que Paley nunca levou em conta os casos em que a regra da conveniência não se aplica, nos quais um povo ou um indivíduo tem que fazer justiça a qualquer custo. Se arranquei injustamente a tábua que é a salvação de um homem que se afoga, sou obrigado a devolvê-la, ainda que eu mesmo me afogue. De acordo com Paley, esta é uma circunstância inconveniente.

Um homem sábio não deixará o que é certo nas mãos incertas do acaso e nem esperará que a sua vitória se dê através da força da maioria. Há escassa virtude nas ações de massa dos homens. Quando finalmente a maioria votar a favor da abolição da escravatura, das duas uma: ou ela será indiferente à escravidão ou então restará muito pouca escravidão a ser abolida pelo o seu voto. A essa altura, os únicos escravos serão eles, os integrantes da maioria. O único voto que pode apressar a abolição da escravatura é o daquele homem que afirma a própria liberdade através do seu voto.

De fato, nenhum homem tem o dever de se dedicar à erradicação de qualquer mal, mesmo o maior dos males; ele pode muito bem ter outras preocupações que o mobilizem. Mas ele tem no mínimo a obrigação de lavar as mãos frente à questão e, no caso de não mais se ocupar dela, de não dar qualquer apoio prático à injustiça. Se me dedico a outras metas e considerações, preciso ao menos verificar se não estou fazendo isso à custa de alguém em cujos ombros esteja sentado. É preciso que eu saia de cima dele para que ele também possa estar livre para fazer as suas considerações.

O soldado que se recusa a participar de uma guerra injusta é aplaudido por aqueles que não recusam apoio ao governo injusto que faz a guerra.

Sem dúvida, os maiores baluartes conscienciosos do governo, e muito frequentemente os maiores opositores das reformas, são aqueles que desaprovam o caráter e as medidas de um governo, sem no entanto lhe retirar a sua lealdade e apoio.

Ações baseadas em princípios ? a percepção e a execução do que é certo ? modificam coisas e relações; a ação deste gênero é essencialmente revolucionária e não se reduz integralmente a qualquer coisa preexistente. Ela cinde não apenas Estados e Igrejas; divide famílias; e também divide o indivíduo» separando nele o diabólico do divino.

Existem leis injustas; devemos submeter-nos a elas e cumpri-las, ou devemos tentar emendá-las e obedecer a elas até à sua reforma, ou devemos transgredi-las imediatamente? Numa sociedade com um governo como o nosso, os homens em geral pensam que devem esperar até que tenham convencido a maioria a alterar essas leis. A sua opinião é de que a hipótese da resistência pode vir a ser um remédio pior do que o mal a ser combatido. Mas é precisamente o governo o culpado pela circunstância de o remédio ser de fato pior do que o mal. É o governo que faz tudo ficar pior.

Se a injustiça é parte do inevitável atrito no funcionamento da máquina governamental, que seja assim: talvez ela acabe suavizando-se com o desgaste ? certamente a máquina ficará desajustada. Se a injustiça for uma peça dotada de uma mola exclusiva ? ou roldana, ou corda, ou manivela ?, aí então talvez seja válido julgar se o remédio não será pior do que o mal; mas se ela for de tal natureza que exija que você seja o agente de uma injustiça para outros, digo, então, que se transgrida a lei. Faça da sua vida um contra-atrito que pare a máquina. O que preciso fazer é cuidar para que de modo algum eu participe das misérias que condeno.

Suponhamos que eles não dêem atenção a um pedido meu; que devo fazer então? Mas nesse caso o Estado não forneceu outra via: o mal está na sua própria Constituição. Isto pode parecer grosseria, teimosia e intransigência, mas só quem merece ou pode apreciar a mais fina bondade e consideração deve receber este tipo de tratamento. Todas as mudanças para melhor são assim, tais como o nascimento e a morte, que produzem convulsões nos corpos.

Não importa que os primeiros passos pareçam pequenos: o que se faz bem feito faz-se para sempre.

Se há alguém que pense ser a prisão um lugar de onde não mais se pode influir, no qual a sua voz deixa de atormentar os ouvidos do Estado, no qual não conseguiria ser tão hostil a ele, esse alguém ignora o quanto a verdade é mais forte que o erro e também não sabe como a injustiça pode ser combatida com muito mais eloqüência e efetividade por aqueles que já sofreram na carne um pouco dela. Manifeste integralmente o seu voto e exerça toda a sua influência; não se deixe confinar por um pedaço de papel. Uma minoria é indefesa quando se conforma à maioria; não chega nem a ser uma minoria numa situação dessas; mas ela é irresistível quando intervém com todo o seu peso.

Portanto, o Estado nunca confronta intencionalmente o sentimento intelectual ou moral de um homem, mas apenas o seu corpo, os seus sentidos. Ele não é dotado de gênio superior ou de honestidade, apenas de mais força física. Eu não nasci para ser coagido. Quero respirar da forma que eu mesmo escolher. Veremos quem é mais forte. Que força tem uma multidão? Os únicos que podem me coagir são os que obedecem a uma lei mais alta do que a minha. Eles obrigam-me a ser como eles. Nunca ouvi falar de homens que tenham sido obrigados por multidões a viver desta ou daquela forma. Que tipo de vida seria essa? Quando defronto um governo que me diz ?A bolsa ou a vida!?, por que deveria apressar-me em lhe entregar o meu dinheiro?

Quero apenas negar lealdade ao Estado, quero me retirar e me manter efetivamente indiferente a ele. Não me importo em seguir a trajetória do dólar que paguei ? mesmo se isso fosse possível ?, até o ponto em que ele contrata um homem ou compra uma arma para matar um homem; o dólar é inocente. O que me importa é seguir os efeitos da minha lealdade. Na verdade, eu silenciosamente declaro guerra ao Estado, à minha moda, embora continue a usá-lo e a tirar vantagem dele enquanto puder, como costuma acontecer nestas situações.

Será que a democracia tal como a conhecemos é o último aperfeiçoamento possível em termos de construir governos? Não será possível dar um passo a mais no sentido de reconhecer e organizar os direitos do homem? Nunca haverá um Estado realmente livre e esclarecido até que ele venha a reconhecer no indivíduo um poder maior e independente ? do qual a organização política deriva o seu próprio poder e a sua própria autoridade ? e até que o indivíduo venha a receber um tratamento correspondente. Fico imaginando, e com prazer, um Estado que possa enfim se dar ao luxo de ser justo com todos os homens e de tratar o indivíduo respeitosamente, como um vizinho; imagino um Estado que sequer consideraria um perigo à sua tranqüilidade a existência de alguns poucos homens que vivessem à parte dele, sem nele se intrometerem nem serem por ele abrangidos, e que desempenhassem todos os deveres de vizinhos e de seres humanos. Um Estado que produzisse esta espécie de fruto, e que estivesse disposto a deixá-lo cair logo que amadurecesse, abriria caminho para um Estado ainda mais perfeito e glorioso; já fiquei a imaginar um Estado desses, mas nunca o encontrei em qualquer lugar.

sábado, 5 de maio de 2007

Ocupação da USP

Precisamos de unidade, comando centralizado e focalizar nos objetivos

Acabei de sair da Assembléia de ocupação e estou preocupado. A unidade do movimento está se quebrando. Os objetivos estão se perdendo e as intrigas pessoais estão aparecendo. Enfim, estamos chegando num ponto crítico do movimento e se não centralizarmos o comando e reduzirmos as fragmentações os grupos dominantes da USP irão vencer. Inclusive acho que a estratégia da USP é justamente esta: esperar o cansaço dos alunos e investir na intrigas pessoais.

Outro ponto preocupante é o fato de reunir Assembléia para qualquer coisa. Quero ir no banheiro - chama uma Assembléia. Quero beber água - chama uma Assembléia, etc. Companheiros, existem coisas que não precisam ser levada para Assembléia. Existem coisas que são óbvias, são lógicas, que temos que fazer independentemente de Assembléia para segurar o movimento e garantir a ocupação. Temos que fazer com que todos ajam uniformemente, apontando para os objetivos estabelecidos

Além disso, precisamos de um comando centralizado que analise todos os pontos do movimento e proponha saídas rápidas. Dentro desse comando alguém deve permanecer em contato direto com os demais alunos dizendo o que deverá ser levado discutido em Assembléia. Se a todo momento tudo parar e virar uma discussão sem fim, não chegaremos a lugar nenhum. A reitoria está investindo nisso.

Nossos adversários atuam de forma centralizada. Sentam e discutem seus ataques. Montam suas estratégias e armadilhas e estão correndo na dianteira, pois tem os outros integrantes dos grupos dominantes (gente da pesada), assim como as mídias, defendendo suas posições e atacando o movimento de ocupação. Eles atuam uniformemente, enquanto nós fazemos Assembléias que estão levando a uma perda de foco.

A carta do vice-reitor é uma indicação clara de que a tendência é não ceder e investir no esvaziamento do movimento. Temos que reagir a isso centralizando o comando do movimento e nos preparando para um conflito com as forças de opressão. Não teremos tempo para fazer Assembléias quando a polícia bater na porta para invadir. A polícia vai atacar com violência e vão começar jogando bombas dentro do prédio, etc.

Portanto, eu proponho a formação de um grupo de comando que assuma o controle do movimento e outorgue competências para comissões específicas e que somente as questões de extrema relevância seja levada à Assembléia. Algumas comissões já existem, mas podemos criar outras, sendo as comissões soberanas nos assuntos para os quais foram criadas.

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Ocupação da USP

Precisamos de unidade, comando centralizado e focalizar nos objetivos

Acabei de sair da Assembléia de ocupação e estou preocupado. A unidade do movimento está se quebrando. Os objetivos estão se perdendo e as intrigas pessoais estão aparecendo. Enfim, estamos chegando num ponto crítico do movimento e se não centralizarmos o comando e reduzirmos as fragmentações os grupos dominantes da USP irão vencer. Inclusive acho que a estratégia da USP é justamente esta: esperar o cansaço dos alunos e investir na intrigas pessoais.

Outro ponto preocupante é o fato de reunir Assembléia para qualquer coisa. Quero ir no banheiro - chama uma Assembléia. Quero beber água - chama uma Assembléia, etc. Companheiros, existem coisas que não precisam ser levada para Assembléia. Existem coisas que são óbvias, são lógicas, que temos que fazer independentemente de Assembléia para segurar o movimento e garantir a ocupação. Temos que fazer com que todos ajam uniformemente, apontando para os objetivos estabelecidos

Além disso, precisamos de um comando centralizado que analise todos os pontos do movimento e proponha saídas rápidas. Dentro desse comando alguém deve permanecer em contato direto com os demais alunos dizendo o que deverá ser levado discutido em Assembléia. Se a todo momento tudo parar e virar uma discussão sem fim, não chegaremos a lugar nenhum. A reitoria está investindo nisso.

Nossos adversários atuam de forma centralizada. Sentam e discutem seus ataques. Montam suas estratégias e armadilhas e estão correndo na dianteira, pois tem os outros integrantes dos grupos dominantes (gente da pesada), assim como as mídias, defendendo suas posições e atacando o movimento de ocupação. Eles atuam uniformemente, enquanto nós fazemos Assembléias que estão levando a uma perda de foco.

A carta do vice-reitor é uma indicação clara de que a tendência é não ceder e investir no esvaziamento do movimento. Temos que reagir a isso centralizando o comando do movimento e nos preparando para um conflito com as forças de opressão. Não teremos tempo para fazer Assembléias quando a polícia bater na porta para invadir. A polícia vai atacar com violência e vão começar jogando bombas dentro do prédio, etc.

Portanto, eu proponho a formação de um grupo de comando que assuma o controle do movimento e outorgue competências para comissões específicas e que somente as questões de extrema relevância seja levada à Assembléia. Algumas comissões já existem, mas podemos criar outras, sendo as comissões soberanas nos assuntos para os quais foram criadas.

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O poder pertence a maioria

O cinismo da Congregação da FFLCH é estarrecedor. Alguém tem que dizer para essa congregação que para negociar é necessário ter duas partes presentes. E que não há negociação quando uma das partes, ao invés de ir negociar, vai viajar para a Europa.

A moção de repúdio da congregação da FFLCH deveria ser dirigida à Reitora que não cumpriu o seu papel de dirigente desta Universidade. A Congregação deveria repudiar a conduta autoritária e opressiva da Reitora. Mas, como sempre, é mais fácil culpar os mais fracos, culpar a coletividade de estudantes pela desgraça que eles, como dirigentes da USP, estão causando à sociedade e à Universidade.

Lembro à Congregação da FFLCH que nós alunos somos a massa da universidade. Nós somos a maioria. Estamos em todos os locais. Portanto, a nossa opinião tem um peso considerável. Inclusive, acho que está na hora de transformar os 300 da Ocupação em 80.000 da Universidade. Está na hora de mostrar que essa luta é uma luta de todos os alunos, pois se a USP for sucateada e destruída o diploma de todos aqueles que aqui estudaram não servirá para nada, pois não valerá nada. Será um lixo como outro qualquer.

Hoje, de acordo com o site da USP, existem:
Alunos matriculados na USP --------- 80.589
Graduação (1o semestre) --------- 48.530
Pós-Graduação --------- 25.007
Especiais --------- 7.052

Docentes --------- 5.222
Técnicos-Administrativos ----------- 15.295

Se esses números brigarem, quem ganha a parada ?

Fonte dos dados:
http://www2.usp.br/portugues/conteudo.php?dir=/ausp/infogeral/USPemnumeros.htm

Email:: leonildoc@gmail.com
URL:: http://leonildoc.orgfree.com/
O poder pertence a maioria

O cinismo da Congregação da FFLCH é estarrecedor. Alguém tem que dizer para essa congregação que para negociar é necessário ter duas partes presentes. E que não há negociação quando uma das partes, ao invés de ir negociar, vai viajar para a Europa.

A moção de repúdio da congregação da FFLCH deveria ser dirigida à Reitora que não cumpriu o seu papel de dirigente desta Universidade. A Congregação deveria repudiar a conduta autoritária e opressiva da Reitora. Mas, como sempre, é mais fácil culpar os mais fracos, culpar a coletividade de estudantes pela desgraça que eles, como dirigentes da USP, estão causando à sociedade e à Universidade.

Lembro à Congregação da FFLCH que nós alunos somos a massa da universidade. Nós somos a maioria. Estamos em todos os locais. Portanto, a nossa opinião tem um peso considerável. Inclusive, acho que está na hora de transformar os 300 da Ocupação em 80.000 da Universidade. Está na hora de mostrar que essa luta é uma luta de todos os alunos, pois se a USP for sucateada e destruída o diploma de todos aqueles que aqui estudaram não servirá para nada, pois não valerá nada. Será um lixo como outro qualquer.

Hoje, de acordo com o site da USP, existem:
Alunos matriculados na USP --------- 80.589
Graduação (1o semestre) --------- 48.530
Pós-Graduação --------- 25.007
Especiais --------- 7.052

Docentes --------- 5.222
Técnicos-Administrativos ----------- 15.295

Se esses números brigarem, quem ganha a parada ?

Fonte dos dados:
http://www2.usp.br/portugues/conteudo.php?dir=/ausp/infogeral/USPemnumeros.htm

Email:: leonildoc@gmail.com
URL:: http://leonildoc.orgfree.com/
A porta e a Opressão

Eu vi um comentarista da Band fazer uma alegoria sobre economia que se enquadra perfeitamente na USP hoje e rebate com eficiência os argumentos do Prof. Sérgio Adorno.

A USP tem um câncer e um calo. O câncer é o sucateamento da Universidade, a falta de moradia e de estrutura nas unidades, a privatização do ensino, etc. E tem um calo que é a porta quebrada pelos estudantes que ocuparam a reitoria. Ele, o Prof. Sérgio Adorno, ao invés de se preocupar com o câncer que ataca a USP e apoiar o movimento dos estudantes que busca melhoria para todos, inclusive para ele que é professor da FFLCH (uma das unidades mais sucateadas da universidade), está preocupado com o calo que é a porta quebrada.

Em respeito à porta que fecharam na nossa cara temos que aceitar a opressão e a indiferença da magnífica ? Em respeito à porta que fecharam na nossa cara temos que aceitar o sucateamento da USP, a falta de moradia, os cursos superlotados, a falta de professores, etc ? Infelizmente considero as afirmações do professor Adorno injustas e sem coerência, pois ele tenta desviar a atenção das pessoas para uma coisa irrelevante e, assim, descaracterizar o movimento estudantil. Não só tenta descaracterizar o movimento como tenta criminalizar os estudantes que ocuparam a reitoria acusando-nos de depredar o patrimônio público. Não podem nos acusar de depredar nada, pois se colocarmos a porta de volta nunca houve depredação.

Comparando o preço da porta com as reivindicações que fazemos, qual vale mais ? As nossas reivindicações são injustas, são incoerentes ? Estamos pedindo demais ? Vou mais longe e digo: de que adianta uma porta se não existe uma universidade ? Nós queremos proteger e salvar a Universidade, a USP, não a porta. E derrubaremos quantas portas forem necessárias para alcançar esse objetivo.

Essa questão é importante porque ela mostra a perversidade da classe dominante que tenta, de todas as formas possíveis, desviar a atenção do problema real para as coisas irrelevantes. Vejam a imprensa. Só mostra a porta e esquece de falar do sucateamento da Universidade, da falta de professores, da falta de moradia estudantil, etc. Inclusive deveríamos levar os jornalistas para verem as condições dos alojamento do CEPEUSP, deveríamos levar os jornalistas para verem as condições da FFLCH, as salas de aula lotadas, a falta de professores. Isso sim os jornalistas deveriam mostrar para toda a sociedade, principalmente para o Estado de São Paulo que investe 9% do ICMS nas três universidades públicas. Porém, os jornalistas só querem mostrar a porta...

Inclusive eu penso que nós do movimento de ocupação devemos pagar a porta e as outras coisas que foram quebradas. Isso vai calar a boca daqueles que dizem que somos depredadores, etc, daqueles que só pensam na porta, que cuidam do calo ao invés de cuidar do câncer que está consumindo a USP.

Leonildo Correa
Faculdade de Direito - USP
CRUSP - Bloco E

Email:: leonildoc@gmail.com
URL:: http://leonildoc.orgfree.com/

A porta e a Opressão

Eu vi um comentarista da Band fazer uma alegoria sobre economia que se enquadra perfeitamente na USP hoje e rebate com eficiência os argumentos do Prof. Sérgio Adorno.

A USP tem um câncer e um calo. O câncer é o sucateamento da Universidade, a falta de moradia e de estrutura nas unidades, a privatização do ensino, etc. E tem um calo que é a porta quebrada pelos estudantes que ocuparam a reitoria. Ele, o Prof. Sérgio Adorno, ao invés de se preocupar com o câncer que ataca a USP e apoiar o movimento dos estudantes que busca melhoria para todos, inclusive para ele que é professor da FFLCH (uma das unidades mais sucateadas da universidade), está preocupado com o calo que é a porta quebrada.

Em respeito à porta que fecharam na nossa cara temos que aceitar a opressão e a indiferença da magnífica ? Em respeito à porta que fecharam na nossa cara temos que aceitar o sucateamento da USP, a falta de moradia, os cursos superlotados, a falta de professores, etc ? Infelizmente considero as afirmações do professor Adorno injustas e sem coerência, pois ele tenta desviar a atenção das pessoas para uma coisa irrelevante e, assim, descaracterizar o movimento estudantil. Não só tenta descaracterizar o movimento como tenta criminalizar os estudantes que ocuparam a reitoria acusando-nos de depredar o patrimônio público. Não podem nos acusar de depredar nada, pois se colocarmos a porta de volta nunca houve depredação.

Comparando o preço da porta com as reivindicações que fazemos, qual vale mais ? As nossas reivindicações são injustas, são incoerentes ? Estamos pedindo demais ? Vou mais longe e digo: de que adianta uma porta se não existe uma universidade ? Nós queremos proteger e salvar a Universidade, a USP, não a porta. E derrubaremos quantas portas forem necessárias para alcançar esse objetivo.

Essa questão é importante porque ela mostra a perversidade da classe dominante que tenta, de todas as formas possíveis, desviar a atenção do problema real para as coisas irrelevantes. Vejam a imprensa. Só mostra a porta e esquece de falar do sucateamento da Universidade, da falta de professores, da falta de moradia estudantil, etc. Inclusive deveríamos levar os jornalistas para verem as condições dos alojamento do CEPEUSP, deveríamos levar os jornalistas para verem as condições da FFLCH, as salas de aula lotadas, a falta de professores. Isso sim os jornalistas deveriam mostrar para toda a sociedade, principalmente para o Estado de São Paulo que investe 9% do ICMS nas três universidades públicas. Porém, os jornalistas só querem mostrar a porta...

Inclusive eu penso que nós do movimento de ocupação devemos pagar a porta e as outras coisas que foram quebradas. Isso vai calar a boca daqueles que dizem que somos depredadores, etc, daqueles que só pensam na porta, que cuidam do calo ao invés de cuidar do câncer que está consumindo a USP.

Leonildo Correa
Faculdade de Direito - USP
CRUSP - Bloco E

Email:: leonildoc@gmail.com
URL:: http://leonildoc.orgfree.com/

Esse tal movimento estudantil

Saiba qual o papel desempenhado hoje pelo movimento que representou um dos principais focos resistência à ditadura militar no Brasil

Publicado no Portal Universia em 20/04/2005 - 16:00


Na década de 60, participar do movimento estudantil era, acima de tudo, correr riscos. Risco de perder a vida, perder a esperança, e, especialmente, perder a liberdade. Em uma época onde jovens morriam lutando por seus ideais, a união de estudantes era o caminho encontrado por muitos para dar força a suas idéias e reivindicar uma sociedade mais justa e igualitária.

Hoje, com as mudanças no cenário político-econômico nacional, muitos dos ideais originais do movimento estudantil se perderam e a maioria dos estudantes parece "aprisionada" dentro de um sistema que não prioriza o coletivo. Porém, jovens considerados por muitos como obstinados e idealistas se sobrepõem às dificuldades e continuam lutando, mostrando que a história do movimento estudantil está ligada, sobretudo, à resistência à criação de uma sociedade individualista.

"Nossa contribuição com o movimento é muito importante, especialmente para a área de educação", conta a estudante do 2º ano de Enfermagem da Uniararas (http://www.uniararas.br/ - Centro Universitário Hermínio Ometto) Ellen Cristina Reis, 19 anos. Para ela, os estudantes desempenham papel fundamental porque enxergam a educação de perto, vivenciando seu dia-a-dia. "Os estudantes conhecem melhor os problemas porque se deparam com eles o tempo todo. Assim, é muito mais fácil identificar e levar as problemáticas para o governo, como foi o caso da reforma universitária, por exemplo", destaca.

Outro exemplo de questão abordada pelo Movimento Estudantil - neste caso, na área da saúde - era a deficiência da relação do ensino universitário com o SUS (Sistema Único de Saúde). "A criação do projeto VER-SUS foi uma iniciativa que partiu do Movimento Estudantil que, em parceria com o Governo Federal, possibilitou uma aproximação dos estudantes com o sistema através de um estágio de imersão", explica.

Ellen conta ainda que, embora muitos acreditem que instituições privadas não dêem abertura para a criação de movimentos estudantis, existe espaço para que os jovens possam se unir, batalhar por melhorias no ensino e, também, discutir sobre políticas públicas. "Existe uma abertura para isso. Depende apenas da vontade dos estudantes de se organizar, algo que aqui na universidade não via com tanta força", conta.

Para ela, um dos principais obstáculos para que os estudantes de instituições privadas se organizem é a falta de compromisso social. "Acho que, no caso das privadas, muitos estudantes pensam que porque pagam mensalidade não têm obrigação com o social. Acreditam que este é apenas compromisso de estudantes de universidades públicas, e não é bem assim", declara.

Importância do Movimento para os jovens

Muito além do compromisso social que é dever de todos, o movimento estudantil ainda aquece discussões permitindo que o jovem amadureça suas idéias e as compartilhe, o que possibilita o desenvolvimento de uma consciência política muito importante para o país. "Dentro do movimento estudantil você conhece muitas pessoas de vários lugares que passam por experiências diferentes. Esse cruzamento de idéias e informações permite um crescimento muito importante para a juventude do país", afirma Ellen.

Para o estudante do quinto ano de Farmácia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Marcos Fernando Rosalen Lima, 24 anos, o movimento vai ainda mais longe. Ele permite que o jovem tenha uma discussão sobre a parte crítica que envolve sua profissão, muitas vezes esquecida na grade curricular dos cursos. "Em meu curso de Farmácia sentia falta de uma discussão sobre saúde popular. Participar do movimento foi uma maneira que encontrei para aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso construindo algo junto à população. E não simplesmente permitir uma invasão do conhecimento científico", declara.

Lima destaca que, além das discussões sobre educação como a reforma universitária e o programa Universidade para Todos, temas discutidos dentro do Movimento Estudantil da Unesp, o C.A de Farmácia da instituição propõe discussões sobre saúde pública, o modelo do SUS e outros temas relacionados à área, como Ato Médico e o futuro da saúde pública no Brasil. Ele cita como exemplo a questão do programa Farmácia Popular, criado pelo Governo Federal. "Em nossa opinião, esta medida contraria os princípios do SUS que estabelecem o compromisso de fornecer medicamento gratuitamente para a população de baixa renda", explica.

Em meio a tantas discussões, muitas vezes é difícil conciliar os estudos com as atividades do movimento. Porém, o anseio de reunir cada vez mais estudantes na luta por uma causa conscientizando-os do papel fundamental que exercem para a construção de uma sociedade melhor é a principal motivação de ambos os jovens.

"Em determinados momentos, conciliar as duas coisas ficou um pouco pesado. Mas eu buscava movimentar a massa de estudantes e fazer com que eles acreditassem no movimento", diz Lima, que no último ano optou por trancar seu curso e continuar com as atividades do C.A. Para Ellen, muitas vezes o mais complicado é comparecer aos eventos do movimento estudantil e não perder o pique com as tarefas da universidade. "Temos prazo para entregar trabalhos e as faltas continuam contando independente de sua ausência estar relacionada às atividades do movimento. Isso dificulta bastante, mas, sem dúvida, a força de vontade é maior", afirma.

Contribuição do Movimento para a universidade e o país

Para o diretor da Faculdade de Economia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Carlos Schmidt, que na juventude participou de movimentos estudantis, inúmeras são as contribuições para a educação, universidade e o próprio país quando se participa de um movimento estudantil. "A juventude tem certo desprendimento natural que ultrapassa, muitas vezes, o que é o corporativismo dos funcionários e professores de uma universidade. Eles trazem os problemas cotidianos com uma visão de futuro o que é muito generoso para a universidade e sociedade", esclarece.

Schmidt, que pertence ao Conselho Universitário da UFRGS, conta que, em geral, os estudantes têm trabalhado no sentido de manter a universidade pública e gratuita. Muito embora algumas políticas públicas adotadas pelo Governo Federal - como o ProUni, o programa Universidade para Todos - contribuam para a desmotivação dos estudantes. "Projetos como este provocaram uma espécie de perplexidade que se reflete no movimento estudantil, incentivando um retrocesso para questões pretensamente acadêmicas, como a discussão da assistência estudantil e o pensamento da universidade como um conjunto", diz.

Por fim, Schmidt destaca que para que o movimento estudantil continue sendo uma organização representativa dos estudantes é necessário que mais e mais jovens saiam de seu "mundo particular" e participem com novas idéias. "É importante que os estudantes olhem a sua volta e, dentro de uma nova perspectiva, acreditem que possam intervir na realidade de forma a construir uma sociedade mais humana e igualitária para todos", conclui.
Esse tal movimento estudantil

Saiba qual o papel desempenhado hoje pelo movimento que representou um dos principais focos resistência à ditadura militar no Brasil

Publicado no Portal Universia em 20/04/2005 - 16:00


Na década de 60, participar do movimento estudantil era, acima de tudo, correr riscos. Risco de perder a vida, perder a esperança, e, especialmente, perder a liberdade. Em uma época onde jovens morriam lutando por seus ideais, a união de estudantes era o caminho encontrado por muitos para dar força a suas idéias e reivindicar uma sociedade mais justa e igualitária.

Hoje, com as mudanças no cenário político-econômico nacional, muitos dos ideais originais do movimento estudantil se perderam e a maioria dos estudantes parece "aprisionada" dentro de um sistema que não prioriza o coletivo. Porém, jovens considerados por muitos como obstinados e idealistas se sobrepõem às dificuldades e continuam lutando, mostrando que a história do movimento estudantil está ligada, sobretudo, à resistência à criação de uma sociedade individualista.

"Nossa contribuição com o movimento é muito importante, especialmente para a área de educação", conta a estudante do 2º ano de Enfermagem da Uniararas (http://www.uniararas.br/ - Centro Universitário Hermínio Ometto) Ellen Cristina Reis, 19 anos. Para ela, os estudantes desempenham papel fundamental porque enxergam a educação de perto, vivenciando seu dia-a-dia. "Os estudantes conhecem melhor os problemas porque se deparam com eles o tempo todo. Assim, é muito mais fácil identificar e levar as problemáticas para o governo, como foi o caso da reforma universitária, por exemplo", destaca.

Outro exemplo de questão abordada pelo Movimento Estudantil - neste caso, na área da saúde - era a deficiência da relação do ensino universitário com o SUS (Sistema Único de Saúde). "A criação do projeto VER-SUS foi uma iniciativa que partiu do Movimento Estudantil que, em parceria com o Governo Federal, possibilitou uma aproximação dos estudantes com o sistema através de um estágio de imersão", explica.

Ellen conta ainda que, embora muitos acreditem que instituições privadas não dêem abertura para a criação de movimentos estudantis, existe espaço para que os jovens possam se unir, batalhar por melhorias no ensino e, também, discutir sobre políticas públicas. "Existe uma abertura para isso. Depende apenas da vontade dos estudantes de se organizar, algo que aqui na universidade não via com tanta força", conta.

Para ela, um dos principais obstáculos para que os estudantes de instituições privadas se organizem é a falta de compromisso social. "Acho que, no caso das privadas, muitos estudantes pensam que porque pagam mensalidade não têm obrigação com o social. Acreditam que este é apenas compromisso de estudantes de universidades públicas, e não é bem assim", declara.

Importância do Movimento para os jovens

Muito além do compromisso social que é dever de todos, o movimento estudantil ainda aquece discussões permitindo que o jovem amadureça suas idéias e as compartilhe, o que possibilita o desenvolvimento de uma consciência política muito importante para o país. "Dentro do movimento estudantil você conhece muitas pessoas de vários lugares que passam por experiências diferentes. Esse cruzamento de idéias e informações permite um crescimento muito importante para a juventude do país", afirma Ellen.

Para o estudante do quinto ano de Farmácia da Unesp (Universidade Estadual Paulista) Marcos Fernando Rosalen Lima, 24 anos, o movimento vai ainda mais longe. Ele permite que o jovem tenha uma discussão sobre a parte crítica que envolve sua profissão, muitas vezes esquecida na grade curricular dos cursos. "Em meu curso de Farmácia sentia falta de uma discussão sobre saúde popular. Participar do movimento foi uma maneira que encontrei para aplicar os conhecimentos adquiridos ao longo do curso construindo algo junto à população. E não simplesmente permitir uma invasão do conhecimento científico", declara.

Lima destaca que, além das discussões sobre educação como a reforma universitária e o programa Universidade para Todos, temas discutidos dentro do Movimento Estudantil da Unesp, o C.A de Farmácia da instituição propõe discussões sobre saúde pública, o modelo do SUS e outros temas relacionados à área, como Ato Médico e o futuro da saúde pública no Brasil. Ele cita como exemplo a questão do programa Farmácia Popular, criado pelo Governo Federal. "Em nossa opinião, esta medida contraria os princípios do SUS que estabelecem o compromisso de fornecer medicamento gratuitamente para a população de baixa renda", explica.

Em meio a tantas discussões, muitas vezes é difícil conciliar os estudos com as atividades do movimento. Porém, o anseio de reunir cada vez mais estudantes na luta por uma causa conscientizando-os do papel fundamental que exercem para a construção de uma sociedade melhor é a principal motivação de ambos os jovens.

"Em determinados momentos, conciliar as duas coisas ficou um pouco pesado. Mas eu buscava movimentar a massa de estudantes e fazer com que eles acreditassem no movimento", diz Lima, que no último ano optou por trancar seu curso e continuar com as atividades do C.A. Para Ellen, muitas vezes o mais complicado é comparecer aos eventos do movimento estudantil e não perder o pique com as tarefas da universidade. "Temos prazo para entregar trabalhos e as faltas continuam contando independente de sua ausência estar relacionada às atividades do movimento. Isso dificulta bastante, mas, sem dúvida, a força de vontade é maior", afirma.

Contribuição do Movimento para a universidade e o país

Para o diretor da Faculdade de Economia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Carlos Schmidt, que na juventude participou de movimentos estudantis, inúmeras são as contribuições para a educação, universidade e o próprio país quando se participa de um movimento estudantil. "A juventude tem certo desprendimento natural que ultrapassa, muitas vezes, o que é o corporativismo dos funcionários e professores de uma universidade. Eles trazem os problemas cotidianos com uma visão de futuro o que é muito generoso para a universidade e sociedade", esclarece.

Schmidt, que pertence ao Conselho Universitário da UFRGS, conta que, em geral, os estudantes têm trabalhado no sentido de manter a universidade pública e gratuita. Muito embora algumas políticas públicas adotadas pelo Governo Federal - como o ProUni, o programa Universidade para Todos - contribuam para a desmotivação dos estudantes. "Projetos como este provocaram uma espécie de perplexidade que se reflete no movimento estudantil, incentivando um retrocesso para questões pretensamente acadêmicas, como a discussão da assistência estudantil e o pensamento da universidade como um conjunto", diz.

Por fim, Schmidt destaca que para que o movimento estudantil continue sendo uma organização representativa dos estudantes é necessário que mais e mais jovens saiam de seu "mundo particular" e participem com novas idéias. "É importante que os estudantes olhem a sua volta e, dentro de uma nova perspectiva, acreditem que possam intervir na realidade de forma a construir uma sociedade mais humana e igualitária para todos", conclui.
A ocupação da USP não pode acabar em nada

Isso tem que ser decidido para que saibamos o que fazer no caso de não se chegar a um acordo e a polícia tentar invadir o prédio. O que fazer ? Correr ? Para que lado ? Enfrentar a polícia ? Com que arma ? Incendiar o prédio ? Onde está a gasolina ? Etc...

Temos visto muitas mobilizações aqui na USP que acabaram em nada, ou então, conquistaram tão pouca coisa que você acaba se perguntando: valeu a pena ?

Essa sensação de luta frustrada, para um movimento social, é extremamente perversa, pois essas mobilizações acabam ficando desacreditadas e cada vez menores. Se é para iniciar uma luta como esta temos que
estabelecer objetivos claros e precisos e somente terminar o movimento quando conquistá-los. Ainda mais quando o ápice da luta foi atingido, ou seja, quando se realizou uma ocupação como esta.

Isso tem que ser decidido para que saibamos o que fazer no caso de não se chegar a um acordo e a polícia tentar invadir o prédio. O que fazer ? Correr ? Para que lado ? Enfrentar a polícia ? Com que arma ? Incendiar o prédio ? Onde está a gasolina ? Etc...

Essas questões têm que ser discutidas, pois precisamos estar preparados, principalmente, para a eventualidade de uma invasão durante a madrugada. Se é para resistir bravamente e fazer com que esse movimento entre para a história, tudo tem que ser arquitetado antecipadamente e as pessoas preparadas para o que der e vier.

Assinalo que a prudência é uma virtude e estamos lidando com gente traiçoeira que não cumpre o que fala. Basta lembrar que a Reitora não compareceu à reunião marcada.

Agora se esse movimento é mais um daqueles que não dará em nada. É apenas mais uma teatro enganador ou um movimento de moleques, ou seja, uma farra; é bom não perder muito tempo. Contudo, alerto que isso afetará profundamente a credibilidade desse tipo de mobilização social e, na próxima vez, poucos irão participar, pois ninguém vai querer se expor tanto para não alcançar nada. A nossa reputação está em jogo, assim como a eficiência desse tipo de movimento.

Além disso, é fundamental estabelecermos um mecanismo para o caso de descumprimento do acordo firmado, ou seja, os professores fecham um acordo que é bom para ambas as partes, acaba o movimento e, na semana seguinte, rindo da nossa cara eles dizem que não irão cumprir o acordado. O que faremos ? Batemos na cara deles ? Invadimos novamente ?

Outra questãopertinente refere-se à busca de apoio político, principalmente dos governantes, deputados e senadores que se elegeram com votos dos estudantes. Votamos neles para que apóiem lutas como estas e usem do poder que adquiriram da coletividade, principalmente dos estudantes, em favor da coletividade. Certamente, uma pressão política de Brasília sobre a USP seria um ponto decisivo a nosso favor.

Mais do que isso, fechando uma articulação com Brasília os benefícios do nosso movimento aqui na USP pode chegar a todos os estudantes brasileiros, principalmente nas questões que envolvem assistência estudantil e sucateamento das Universidades Públicas.

Que a nossa luta não seja vã e que beneficie o maior número possível de estudantes brasileiros. A assistência estudantil tem que ser um direito de todo estudante de escola ou universidade pública. Tem que ser um direito declarado em lei e não uma mera liberalidade da instituição.
Email:: leonildoc@gmail.com
URL:: http://leonildoc.orgfree.com/
A ocupação da USP não pode acabar em nada

Isso tem que ser decidido para que saibamos o que fazer no caso de não se chegar a um acordo e a polícia tentar invadir o prédio. O que fazer ? Correr ? Para que lado ? Enfrentar a polícia ? Com que arma ? Incendiar o prédio ? Onde está a gasolina ? Etc...

Temos visto muitas mobilizações aqui na USP que acabaram em nada, ou então, conquistaram tão pouca coisa que você acaba se perguntando: valeu a pena ?

Essa sensação de luta frustrada, para um movimento social, é extremamente perversa, pois essas mobilizações acabam ficando desacreditadas e cada vez menores. Se é para iniciar uma luta como esta temos que
estabelecer objetivos claros e precisos e somente terminar o movimento quando conquistá-los. Ainda mais quando o ápice da luta foi atingido, ou seja, quando se realizou uma ocupação como esta.

Isso tem que ser decidido para que saibamos o que fazer no caso de não se chegar a um acordo e a polícia tentar invadir o prédio. O que fazer ? Correr ? Para que lado ? Enfrentar a polícia ? Com que arma ? Incendiar o prédio ? Onde está a gasolina ? Etc...

Essas questões têm que ser discutidas, pois precisamos estar preparados, principalmente, para a eventualidade de uma invasão durante a madrugada. Se é para resistir bravamente e fazer com que esse movimento entre para a história, tudo tem que ser arquitetado antecipadamente e as pessoas preparadas para o que der e vier.

Assinalo que a prudência é uma virtude e estamos lidando com gente traiçoeira que não cumpre o que fala. Basta lembrar que a Reitora não compareceu à reunião marcada.

Agora se esse movimento é mais um daqueles que não dará em nada. É apenas mais uma teatro enganador ou um movimento de moleques, ou seja, uma farra; é bom não perder muito tempo. Contudo, alerto que isso afetará profundamente a credibilidade desse tipo de mobilização social e, na próxima vez, poucos irão participar, pois ninguém vai querer se expor tanto para não alcançar nada. A nossa reputação está em jogo, assim como a eficiência desse tipo de movimento.

Além disso, é fundamental estabelecermos um mecanismo para o caso de descumprimento do acordo firmado, ou seja, os professores fecham um acordo que é bom para ambas as partes, acaba o movimento e, na semana seguinte, rindo da nossa cara eles dizem que não irão cumprir o acordado. O que faremos ? Batemos na cara deles ? Invadimos novamente ?

Outra questãopertinente refere-se à busca de apoio político, principalmente dos governantes, deputados e senadores que se elegeram com votos dos estudantes. Votamos neles para que apóiem lutas como estas e usem do poder que adquiriram da coletividade, principalmente dos estudantes, em favor da coletividade. Certamente, uma pressão política de Brasília sobre a USP seria um ponto decisivo a nosso favor.

Mais do que isso, fechando uma articulação com Brasília os benefícios do nosso movimento aqui na USP pode chegar a todos os estudantes brasileiros, principalmente nas questões que envolvem assistência estudantil e sucateamento das Universidades Públicas.

Que a nossa luta não seja vã e que beneficie o maior número possível de estudantes brasileiros. A assistência estudantil tem que ser um direito de todo estudante de escola ou universidade pública. Tem que ser um direito declarado em lei e não uma mera liberalidade da instituição.
Email:: leonildoc@gmail.com
URL:: http://leonildoc.orgfree.com/