quarta-feira, 27 de maio de 2009
terça-feira, 26 de maio de 2009
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.
Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa - não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da rádiopatrulha, por que haveria de ser daminha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.
Leio no jornal a notícia de que um homem morreu de fome. Um homem de cor branca, 30 anos presumíveis, pobremente vestido, morreu de fome, sem socorros, em pleno centro da cidade, permanecendo deitado na calçada durante 72 horas, para finalmente morrer de fome.
Morreu de fome. Depois de insistentes pedidos e comentários, uma ambulância do Pronto Socorro e uma radiopatrulha foram ao local, mas regressaram sem prestar auxílio ao homem, que acabou morrendo de fome.
Um homem que morreu de fome. O comissário de plantão (um homem) afirmou que o caso (morrer de fome) era da alçada da Delegacia de Mendicância, especialista em homens que morrem de fome. E o homem morreu de fome.
O corpo do homem que morreu de fome foi recolhido ao Instituto Anatômico sem ser identificado. Nada se sabe dele, senão que morreu de fome.
Um homem morre de fome em plena rua, entre centenas de passantes. Um homem caído na rua. Um bêbado. Um vagabundo. Um mendigo, um anormal, um tarado, um pária, um marginal, um proscrito, um bicho, uma coisa - não é um homem. E os outros homens cumprem seu destino de passantes, que é o de passar. Durante setenta e duas horas todos passam, ao lado do homem que morre de fome, com um olhar de nojo, desdém, inquietação e até mesmo piedade, ou sem olhar nenhum. Passam, e o homem continua morrendo de fome, sozinho, isolado, perdido entre os homens, sem socorro e sem perdão.
Não é da alçada do comissário, nem do hospital, nem da rádiopatrulha, por que haveria de ser daminha alçada? Que é que eu tenho com isso? Deixa o homem morrer de fome.
E o homem morre de fome. De trinta anos presumíveis. Pobremente vestido. Morreu de fome, diz o jornal. Louve-se a insistência dos comerciantes, que jamais morrerão de fome, pedindo providências às autoridades. As autoridades nada mais puderam fazer senão remover o corpo do homem. Deviam deixar que apodrecesse, para escarmento dos outros homens. Nada mais puderam fazer senão esperar que morresse de fome.
E ontem, depois de setenta e duas horas de inanição, tombado em plena rua, no centro mais movimentado da cidade do Rio de Janeiro, Estado da Guanabara, um homem morreu de fome.
As palavras precisam ser um pouco selvagens,
pois representam o ataque do pensamento
contra aqueles que não pensam
John Maynard Keynes (1883-1946)
Arendt ficou abismada com a vacuidade ideológica de Eichmann e levantou a questão de que o mal não precisa ser algo radicalmente diferente do normal. Ele pode ser simplesmente banal, decorrendo da tendência das pessoas a seguir ordens e a se alinhar com a opinião da maioria sem pensar criticamente sobre os resultados da sua ação ou inação.
Em sua edição de 15 de outubro, a revista brasileira IstoÉ publicou uma entrevista com o cientista político americano Charles Murray (1943-), sob o título “Miscigenação diminui o QI dos brasileiros”.
É desnecessário dizer que, do ponto de vista ético, a IstoÉ tem todo o direito de publicar essa entrevista e não pode ser censurada por fazê-lo. Entretanto, as razões pela qual a revista decidiu ouvir Charles Murray, publicar a entrevista e escolher um título tão chocante não ficaram claras. O tom da entrevista é neutro – não se nota nenhuma concordância dos jornalistas com as idéias de Murray, nem por outro lado há qualquer crítica explícita, incredulidade ou sarcasmo em relação a ele.
Murray é um personagem muito controverso no cenário intelectual americano. Em 1994, junto com Richard Herrnstein ele publicou The Bell Curve: Intelligence and Class Structure in American Life (A curva normal: inteligência e estrutura de classes na vida americana), um livro doutrinário, com forte conteúdo de darwinismo social, que causou grande polêmica nos Estados Unidos.
Segundo o evolucionista americano Stephen Jay Gould (1941-2002), velho conhecido dos leitores da Deriva Genética, o livro não passa de um manifesto do pensamento ultraconservador, maltratando a ciência e distorcendo dados para promover uma agenda de redução de programas sociais do governo na área educacional.
Falácias e sofismas
Em 1961 Gould já havia publicado um esplêndido livro chamado The mismeasure of man (traduzido para o português como A falsa medida do homem), no qual estudou historicamente o imbroglio sobre inteligência, QI, genética e raças. Gould demonstra brilhantemente como uma cadeia desastrada de falácias e sofismas, acidentais ou propositais, pode gerar construções culturais enganosas e perversas e, infelizmente, influentes e duradouras. A receita é simples:
2) Desenvolva um questionário para medir essa “inteligência” e chame a medida de “quociente de inteligência” (QI).
3) Passe a tratar a “medida da inteligência” (o QI) como se fosse a própria “inteligência”.
4) Encontre correlações familiares nas medidas de QI e anuncie ao mundo que a “inteligência” tem alta herdabilidade.
5) Introduza em seu teste de QI alguns vieses que privilegiem a sua própria cultura. Por exemplo, pergunte fatos da história dos Estados Unidos. Negue a existência desses vieses em qualquer tratamento futuro do tema. (Para ter uma idéia deles, imaginemos um teste de QI desenvolvido por uma nação de índios na Amazônia, para os quais inteligência é a “capacidade de viver com sucesso na floresta”. O teste de QI envolveria identificação de raízes comestíveis, fabricação de arco e flecha, construção de canoas etc. Certamente, nesse teste, Einstein teria um QI baixíssimo.)
6) Compare medidas de QI entre dois grupos, por exemplo, brancos e negros americanos, e observe que as médias dos grupos diferem em 10 ou 15 pontos. Ignore a variabilidade dentro dos grupos e concentre seu discurso nas médias. Ignore também as características culturais dos grupos e atribua qualquer diferença observada exclusivamente a fatores genéticos.
7) Anuncie ao mundo que é perda de tempo querer fazer programas sociais educativos e de ação afirmativa para o grupo com média inferior argumentando que ele é biologicamente inferior.
Quando li The mismeasure of man, fiquei tão impressionado com a argumentação de Gould que pensei que, depois desse livro, ninguém nunca mais teria a “cara de pau” de argumentar a favor de uma diferença genética de “inteligência”entre populações ou povos. Ledo engano!
A reemergência do mal
Tal é a natureza do mal. Ele fica dormente por algum tempo, mas periodicamente reemerge, mostrando a sua horrenda cabeça. Isso ocorreu em 2007 com as desastradas declarações de James Watson que já foram tratadas em uma coluna anterior. Ocorreu agora novamente nas páginas da IstoÉ.
Examinemos agora, à luz da nossa receita acima, algumas passagens da entrevista de Charles Murray:
IstoÉ – Qual o peso do ambiente na inteligência?
Murray - As estimativas são de que o QI é entre 40% e 60% produzido pelo ambiente e o resto é genético.
Meu comentário – Observe que a pergunta refere-se ao peso do ambiente na “inteligência” e que a resposta Murray fala sobre a genética do QI. Ocorre aqui a falácia de confundir algo (“inteligência”) com a sua medida (QI).
IstoÉ – O sr. já foi acusado de racismo. Os brancos são mesmo mais inteligentes que os negros?
Murray – Fui acusado de racismo porque mostrei um indiscutível fato empírico: quando amostras representativas de brancos e negros são submetidas a testes que medem a habilidade cognitiva, os resultados médios são diferentes. Isto não é uma opinião.
Meu comentário – Observe que Murray afirma que o teste de QI mede de maneira fiel algo mal definido, que ele chama de “habilidade cognitiva das pessoas” e que também é chamado de “inteligência”. Se ele acredita, como demonstrado na resposta anterior, que “inteligência” (ou “habilidade cognitiva”) é aquilo que é medido pelo teste de QI, temos uma tautologia: o teste de QI mede aquilo que o teste de QI mede. Adicionalmente, não há nenhuma menção a respeito dos vieses culturais dos testes de QI.
IstoÉ – O Brasil é um país onde a miscigenação é a regra. Isso significa que o QI médio do brasileiro é inferior ao dos nórdicos, por exemplo?
Murray – É uma questão de aritmética. Se em testes o QI é sempre maior com amostras de nórdicos do que com amostras de negros, então um país com uma significativa proporção de negros terá um QI médio inferior ao de um país que consiste exclusivamente de nórdicos. Isso é verdade, por exemplo, quando comparamos os Estados Unidos com a Suécia, da mesma forma que é verdade quando comparamos o Brasil e a Suécia. A única questão é empírica: as médias são sempre diferentes? Se são, a questão está respondida por si mesma.
Meu comentário – Observe que Murray está fazendo afirmativas derrogatórias a respeito do QI dos brasileiros sem nenhum dado empírico, sem nenhuma base científica e tão somente alicerçado em convicções doutrinárias. Essas afirmativas dele me lembram Gobineau e Spencer, ideólogos do racismo científico do século 19, para quem havia desigualdade entre as “raças” humanas. Segundo o racismo científico (que de científico não tinha nada), qualquer mistura entre as raças “puras” superiores (leia-se os nórdicos, no exemplo acima) com raças “inferiores” (os negros, no caso em questão) é inevitavelmente disgênica e desastrosa.
Esperança em Obama
|
Imagino que Charles Murray esteja de luto. Afinal, Obama – que, de acordo com a sua aritmética, deveria ter baixa inteligência – foi eleito por “goleada”. Ademais, a ideologia conservadora de Murray foi rejeitada nas urnas pelo povo americano.
Percebo Barack Obama como um homem brilhante, uma esperança para a solução dos problemas americanos e do mundo. E percebo Charles Murray como um homem banal. Qual dos dois será lembrado nos livros de história?
Sergio Danilo Pena
Professor Titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia
Universidade Federal de Minas Gerais
14/11/2008
As palavras precisam ser um pouco selvagens,
pois representam o ataque do pensamento
contra aqueles que não pensam
John Maynard Keynes (1883-1946)
Arendt ficou abismada com a vacuidade ideológica de Eichmann e levantou a questão de que o mal não precisa ser algo radicalmente diferente do normal. Ele pode ser simplesmente banal, decorrendo da tendência das pessoas a seguir ordens e a se alinhar com a opinião da maioria sem pensar criticamente sobre os resultados da sua ação ou inação.
Em sua edição de 15 de outubro, a revista brasileira IstoÉ publicou uma entrevista com o cientista político americano Charles Murray (1943-), sob o título “Miscigenação diminui o QI dos brasileiros”.
É desnecessário dizer que, do ponto de vista ético, a IstoÉ tem todo o direito de publicar essa entrevista e não pode ser censurada por fazê-lo. Entretanto, as razões pela qual a revista decidiu ouvir Charles Murray, publicar a entrevista e escolher um título tão chocante não ficaram claras. O tom da entrevista é neutro – não se nota nenhuma concordância dos jornalistas com as idéias de Murray, nem por outro lado há qualquer crítica explícita, incredulidade ou sarcasmo em relação a ele.
Murray é um personagem muito controverso no cenário intelectual americano. Em 1994, junto com Richard Herrnstein ele publicou The Bell Curve: Intelligence and Class Structure in American Life (A curva normal: inteligência e estrutura de classes na vida americana), um livro doutrinário, com forte conteúdo de darwinismo social, que causou grande polêmica nos Estados Unidos.
Segundo o evolucionista americano Stephen Jay Gould (1941-2002), velho conhecido dos leitores da Deriva Genética, o livro não passa de um manifesto do pensamento ultraconservador, maltratando a ciência e distorcendo dados para promover uma agenda de redução de programas sociais do governo na área educacional.
Falácias e sofismas
Em 1961 Gould já havia publicado um esplêndido livro chamado The mismeasure of man (traduzido para o português como A falsa medida do homem), no qual estudou historicamente o imbroglio sobre inteligência, QI, genética e raças. Gould demonstra brilhantemente como uma cadeia desastrada de falácias e sofismas, acidentais ou propositais, pode gerar construções culturais enganosas e perversas e, infelizmente, influentes e duradouras. A receita é simples:
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2) Desenvolva um questionário para medir essa “inteligência” e chame a medida de “quociente de inteligência” (QI).
3) Passe a tratar a “medida da inteligência” (o QI) como se fosse a própria “inteligência”.
4) Encontre correlações familiares nas medidas de QI e anuncie ao mundo que a “inteligência” tem alta herdabilidade.
5) Introduza em seu teste de QI alguns vieses que privilegiem a sua própria cultura. Por exemplo, pergunte fatos da história dos Estados Unidos. Negue a existência desses vieses em qualquer tratamento futuro do tema. (Para ter uma idéia deles, imaginemos um teste de QI desenvolvido por uma nação de índios na Amazônia, para os quais inteligência é a “capacidade de viver com sucesso na floresta”. O teste de QI envolveria identificação de raízes comestíveis, fabricação de arco e flecha, construção de canoas etc. Certamente, nesse teste, Einstein teria um QI baixíssimo.)
6) Compare medidas de QI entre dois grupos, por exemplo, brancos e negros americanos, e observe que as médias dos grupos diferem em 10 ou 15 pontos. Ignore a variabilidade dentro dos grupos e concentre seu discurso nas médias. Ignore também as características culturais dos grupos e atribua qualquer diferença observada exclusivamente a fatores genéticos.
7) Anuncie ao mundo que é perda de tempo querer fazer programas sociais educativos e de ação afirmativa para o grupo com média inferior argumentando que ele é biologicamente inferior.
Quando li The mismeasure of man, fiquei tão impressionado com a argumentação de Gould que pensei que, depois desse livro, ninguém nunca mais teria a “cara de pau” de argumentar a favor de uma diferença genética de “inteligência”entre populações ou povos. Ledo engano!
A reemergência do mal
Tal é a natureza do mal. Ele fica dormente por algum tempo, mas periodicamente reemerge, mostrando a sua horrenda cabeça. Isso ocorreu em 2007 com as desastradas declarações de James Watson que já foram tratadas em uma coluna anterior. Ocorreu agora novamente nas páginas da IstoÉ.
Examinemos agora, à luz da nossa receita acima, algumas passagens da entrevista de Charles Murray:
IstoÉ – Qual o peso do ambiente na inteligência?
Murray - As estimativas são de que o QI é entre 40% e 60% produzido pelo ambiente e o resto é genético.
Meu comentário – Observe que a pergunta refere-se ao peso do ambiente na “inteligência” e que a resposta Murray fala sobre a genética do QI. Ocorre aqui a falácia de confundir algo (“inteligência”) com a sua medida (QI).
IstoÉ – O sr. já foi acusado de racismo. Os brancos são mesmo mais inteligentes que os negros?
Murray – Fui acusado de racismo porque mostrei um indiscutível fato empírico: quando amostras representativas de brancos e negros são submetidas a testes que medem a habilidade cognitiva, os resultados médios são diferentes. Isto não é uma opinião.
Meu comentário – Observe que Murray afirma que o teste de QI mede de maneira fiel algo mal definido, que ele chama de “habilidade cognitiva das pessoas” e que também é chamado de “inteligência”. Se ele acredita, como demonstrado na resposta anterior, que “inteligência” (ou “habilidade cognitiva”) é aquilo que é medido pelo teste de QI, temos uma tautologia: o teste de QI mede aquilo que o teste de QI mede. Adicionalmente, não há nenhuma menção a respeito dos vieses culturais dos testes de QI.
IstoÉ – O Brasil é um país onde a miscigenação é a regra. Isso significa que o QI médio do brasileiro é inferior ao dos nórdicos, por exemplo?
Murray – É uma questão de aritmética. Se em testes o QI é sempre maior com amostras de nórdicos do que com amostras de negros, então um país com uma significativa proporção de negros terá um QI médio inferior ao de um país que consiste exclusivamente de nórdicos. Isso é verdade, por exemplo, quando comparamos os Estados Unidos com a Suécia, da mesma forma que é verdade quando comparamos o Brasil e a Suécia. A única questão é empírica: as médias são sempre diferentes? Se são, a questão está respondida por si mesma.
Meu comentário – Observe que Murray está fazendo afirmativas derrogatórias a respeito do QI dos brasileiros sem nenhum dado empírico, sem nenhuma base científica e tão somente alicerçado em convicções doutrinárias. Essas afirmativas dele me lembram Gobineau e Spencer, ideólogos do racismo científico do século 19, para quem havia desigualdade entre as “raças” humanas. Segundo o racismo científico (que de científico não tinha nada), qualquer mistura entre as raças “puras” superiores (leia-se os nórdicos, no exemplo acima) com raças “inferiores” (os negros, no caso em questão) é inevitavelmente disgênica e desastrosa.
Esperança em Obama
|
Imagino que Charles Murray esteja de luto. Afinal, Obama – que, de acordo com a sua aritmética, deveria ter baixa inteligência – foi eleito por “goleada”. Ademais, a ideologia conservadora de Murray foi rejeitada nas urnas pelo povo americano.
Percebo Barack Obama como um homem brilhante, uma esperança para a solução dos problemas americanos e do mundo. E percebo Charles Murray como um homem banal. Qual dos dois será lembrado nos livros de história?
Sergio Danilo Pena
Professor Titular do Departamento de Bioquímica e Imunologia
Universidade Federal de Minas Gerais
14/11/2008
Certamente, a visão depende daquilo em que você acredita... De uma forma ou de outra, a foto em preto e branco mostra mais coisa do que parece... Você não acha que Hitler era guiado por um anjo de luz ???
Na verdade, Hitler não tinha um cachorro, mas uma cadela chamada Blondi. E não era preta.
Certamente, a culpa pela destruição nazista não recai, exclusivamente, sobre as entidades do mundo sombrio. Os demônios influenciam, preparam o cenário, fornecem os elementos, alinham interesses, mas a decisão final é do homem. O homem tem livre-arbítrio para decidir suas ações.Inclusive, nesse contexto, percebe-se que há uma relação direta entre a consciência, marcada pela incapacidade de pensar e a propensão do livre-arbítrio para prática do mal. Decisões sem reflexão caracterizam pessoas banais. Pessoas banais são mais suscetíveis a influências, manipulações e fanatismos.
Portanto, pessoas banais constituem uma porta aberta para a influência do mal, para se transformarem em instrumentos de injustiças, violência e destruição.
Certamente, a visão depende daquilo em que você acredita... De uma forma ou de outra, a foto em preto e branco mostra mais coisa do que parece... Você não acha que Hitler era guiado por um anjo de luz ???
Na verdade, Hitler não tinha um cachorro, mas uma cadela chamada Blondi. E não era preta.
Certamente, a culpa pela destruição nazista não recai, exclusivamente, sobre as entidades do mundo sombrio. Os demônios influenciam, preparam o cenário, fornecem os elementos, alinham interesses, mas a decisão final é do homem. O homem tem livre-arbítrio para decidir suas ações.Inclusive, nesse contexto, percebe-se que há uma relação direta entre a consciência, marcada pela incapacidade de pensar e a propensão do livre-arbítrio para prática do mal. Decisões sem reflexão caracterizam pessoas banais. Pessoas banais são mais suscetíveis a influências, manipulações e fanatismos.
Portanto, pessoas banais constituem uma porta aberta para a influência do mal, para se transformarem em instrumentos de injustiças, violência e destruição.
Fonte:http://cafehistoria.ning.com/

Que lugar e que importância devemos atribuir a ele no interior do sistema nazista, no governo do Terceiro Reich, na elaboração da política contra os judeus e da política externa? Sobre essa questão, os historiadores se dividem entre "intencionalistas" e "funcionalistas".
Os intencionalistas dominaram as pesquisas no pós-guerra (principalmente com historiadores alemães como Friedrich Melnecke e Gerhard A. Ritter). Seus trabalhos são centrados na personalidade "demente" do Führer, seu poder ditatorial e seu antissemitismo.
Eles querem mostrar que a solução final é o resultado de um plano refletido e amadurecido que Hitler elaborou nos anos 1920 e formulou em "Minha Luta".
Outra forma de intencionalismo consiste em ampliar a intenção (do genocídio judaico) para o conjunto da população alemã.
Em 1996 o historiador americano Daniel J. Goldhagen publicou um livro que teve grande repercussão na Alemanha.
Ele declarou que havia um antissemitismo especialmente violento e profundamente enraizado entre os alemães, de modo que todos eles teriam sido cúmplices do Holocausto.
Desde os anos de 1970, porém, são as teses funcionalistas que vêm predominando na análise do nazismo, com, por exemplo, o historiador alemão Martin Broszet ou o inglês Ian Kershaw. Mais do que a vontade do ditador, eles destacam os fatores estruturais: as engrenagens e a lógica de um sistema que foi se radicalizando progressivamente.
Esse debate entre historiadores se deslocou e repercutiu de maneira passional com a "querela dos historiadores alemães", que inflamou a opinião pública e a mídia alemã ocidental no final dos anos 1980.
Em um artigo na revista "Die Zeit", o filósofo Jürgen Habermas protestou contra as teses "revisionistas" de certos historiadores (entre os quais Ernst Nolte), a quem acusou de querer relativizar o nazismo e a singularidade do Holocausto.
Às questões ética e histórica em jogo se somava um problema político: tratava-se de barrar o avanço da extrema direita alemã renascente. Os ataques disparados por vários historiadores contra os revisionistas atingiram seu alvo plenamente na Alemanha.
Na Alemanha reunificada, a memória do nazismo continua a ser uma memória exacerbada e sempre exposta a novas controvérsias.
Fonte: Olhar Direto
Fonte:http://cafehistoria.ning.com/

Que lugar e que importância devemos atribuir a ele no interior do sistema nazista, no governo do Terceiro Reich, na elaboração da política contra os judeus e da política externa? Sobre essa questão, os historiadores se dividem entre "intencionalistas" e "funcionalistas".
Os intencionalistas dominaram as pesquisas no pós-guerra (principalmente com historiadores alemães como Friedrich Melnecke e Gerhard A. Ritter). Seus trabalhos são centrados na personalidade "demente" do Führer, seu poder ditatorial e seu antissemitismo.
Eles querem mostrar que a solução final é o resultado de um plano refletido e amadurecido que Hitler elaborou nos anos 1920 e formulou em "Minha Luta".
Outra forma de intencionalismo consiste em ampliar a intenção (do genocídio judaico) para o conjunto da população alemã.
Em 1996 o historiador americano Daniel J. Goldhagen publicou um livro que teve grande repercussão na Alemanha.
Ele declarou que havia um antissemitismo especialmente violento e profundamente enraizado entre os alemães, de modo que todos eles teriam sido cúmplices do Holocausto.
Desde os anos de 1970, porém, são as teses funcionalistas que vêm predominando na análise do nazismo, com, por exemplo, o historiador alemão Martin Broszet ou o inglês Ian Kershaw. Mais do que a vontade do ditador, eles destacam os fatores estruturais: as engrenagens e a lógica de um sistema que foi se radicalizando progressivamente.
Esse debate entre historiadores se deslocou e repercutiu de maneira passional com a "querela dos historiadores alemães", que inflamou a opinião pública e a mídia alemã ocidental no final dos anos 1980.
Em um artigo na revista "Die Zeit", o filósofo Jürgen Habermas protestou contra as teses "revisionistas" de certos historiadores (entre os quais Ernst Nolte), a quem acusou de querer relativizar o nazismo e a singularidade do Holocausto.
Às questões ética e histórica em jogo se somava um problema político: tratava-se de barrar o avanço da extrema direita alemã renascente. Os ataques disparados por vários historiadores contra os revisionistas atingiram seu alvo plenamente na Alemanha.
Na Alemanha reunificada, a memória do nazismo continua a ser uma memória exacerbada e sempre exposta a novas controvérsias.
Fonte: Olhar Direto
